Foi há muito, muito tempo… [8]


André Couto,

… decorria o vigésimo quarto dia do mês de Abril do ano da graça do Senhor de mil novecentos e quarenta e dois quando nasceu em Nova Iorque a cantora, actriz, compositora, directora e produtora cinematográfica, Barbara Joan Streisand.

Aos 26 anos já tinha ganho dois Grammys e um Oscar de Melhor Actriz pelo musical Funny Girl, num início de carreira fulgurante. Com o passar dos anos tem mostrado ser uma mulher de guerra que salta de conquista em conquista, sendo premiada para além de cinema e música também em teatro e televisão. Carreira fantástica de uma autêntica mulher dos sete ofícios que merece hoje a nossa especial homenagem.

 


 

Fica um excerto de Funny Girl, com a faixa People.

Foi há muito, muito tempo… [7]


André Couto,

… decorria o vigésimo segundo dia do mês de Abril do ano da graça do Senhor de mil oitocentos e setenta quando nasceu em Simbirsk, no Império Russo, Vladimir Ílitch Uliánov, mais tarde Vladimir Ílitch Lenin. Foi um dos principais responsáveis pela Revolução Bolchevique de 1917, líder do Partido Comunista, e primeiro presidente do Conselho dos Comissários do Povo da União Soviética.

Influenciou os partidos comunistas de todo o mundo através da corrente teórica nascida dos seus contributos, o leninismo, fruto da sua procura de adaptação do marxismo à realidade russa do século XX. Onde Marx defendeu que a tomada do poder e a construção de uma sociedade sociedade socialista só seria possível num terreno capitalista, Lenin defendeu que seria possível mesmo num terreno (como o Russo) onde ainda existisse um espírito feudal, atrasado, agrícola e sem consciência revolucionária, através da união dos trabalhadores da cidade e do campo.

Eleito como um dos 100 Homens mais influentes do mundo no século XX pela Times, Lenin fica para a história também pelo sangue derramado, seja pelas ordens que deu durante a Guerra Civil, seja mais tarde no período do Terror, onde há quem defenda que foi o pai dos famosos gulags.

What if…?


André Couto,

E se, numa escola de uma pequena cidade, um Professor fosse encarregue de fazer os seus alunos experienciar no dia a dia, pormenores da vivência sob um regime ditatorial?

E se os alunos, desconhecedores dos perigos, se entusiasmassem com as virtudes e atraentes forças dessa vivência?

E se, de repente, essa experiência saltasse os muros da escola e começasse a envolver a comunidade da pequena cidade?

E se o Professor perdesse o controlo quer dos seus alunos, quer de si próprio, pelo facto de liderar e de ser alvo de culto?

E se este cenário for estupidamente actual, em tempos onde a crise económica e de valores se propaga Europa fora, abrindo um caminho que as várias extremas direitas locais têm sabiamente trilhado?

E se dentro de alguns anos essas mesmas extremas direitas tiverem a força que evidenciaram noutros anais da história?

 

Podemos encontrar e reflectir sobre tudo isto com base num filme: A Onda [Die Welle], de Dennis Gansel. Imperdível.

Foi há muito, muito tempo… [6]


André Couto,

… decorria o vigésimo primeiro dia do mês de Abril do ano da graça do Senhor de mil novecentos e vinte e seis quando nasceu Elizabeth Alexandra Mary de Windsor, hoje Queen Elizabeth II, pela Graça de Deus, Rainha do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e de Seus Outros Reinos e Territórios, Chefe da Comunidade Britânica e Defensora da Fé.

É a segunda Chefe de Estado do mundo há mais tempo no poder. Durante o seu reinado teve como Primeiros-Ministros políticos como Winston Churchill, Margaret Thatcher e Tony Blair (entre outros), tendo alimentado durante anos o folhetim que a envolvia com a Princesa Diana de Gales.

É notável a forma como resistiu e persistiu no tempo, sendo sempre alvo de grande respeito e admiração por parte dos seus súbditos, algo beliscado apenas nos dias seguintes à morte da referida Princesa.

Por ser Mulher, pelo tempo que leva no poder e pela forma como o exerce, deixamos um insuspeito God save The Queen!

Rumo ao próximo Conclave


André Couto,

D. José Policarpo continua a fazer corte à Corte do Vaticano, na conquista da luz inspiradora do próximo Conclave.

Depois do famoso alerta que fez às jovens portuguesas de que "casar com um muçulmano acarreta um monte de sarilhos", veio a terreiro concordar com Sua Santidade o Papa Bento XVI e, como se ninguém soubesse, relembrou de forma perniciosa que o preservativo é falível.

Poucos são estúpidos e todos percebem onde quer chegar. Insiste na irresponsabilidade de bater uma tecla gasta, mas que premida ainda provoca a disseminação de doenças e a irresponsabilidade por parte de pessoas que, inconscientes, deviam ser aconselhadas de forma pedagógica e não à luz de dogmas retrógrados. Vale que a Santa Igreja está tão distante da população que cada vez menos a ouvem.

Será que os inúmeros clericais condenados por pedofilia e abuso de menores usaram preservativo?

Política de Verdade: A Mentira


André Couto,

Então mas a grande virtude da Dra. Manuela Ferreira Leite não era o facto de ser séria, marcando suposta diferença em relação aos outros?

Parece que a provecta idade e o ar politicamente correcto que lhe permitem apregoar a "Política de Verdade" Portugal fora se encontram sustentados em pés de barro. Digo isto porque no (altamente insuspeito) Público de hoje, Alberto João "Jardim revela ter negociado com Ferreira Leite a renúncia de duas candidatas, deixando o nome proposto pela Madeira em condições de ser reeleito" para o Parlamento Europeu.

A Dra. fez a negociata, deixou a Madeira satisfeita apesar da despromoção de Sérgio Marques de 6º para 8º, mas esqueceu-se que o Regime vigente é orgulhoso e tem de justificar ao País tamanho insulto. E justificou. Disse que não foi um insulto, disse com naturalidade que foi uma fraude à Lei das Quotas e aos Portugueses.

Fica à vista que Alberto João Jardim é no PSD quem pratica a Política de Verdade. E quando assim é, não há muito a dizer.

 

Foi há muito, muito tempo… [5]


André Couto,

… decorria o vigésimo dia do mês de Abril do ano da graça do Senhor de mil oitocentos e noventa e três quando nasceu Joan Miró i Ferrà, fantástico escultor e pintor surrealista catalão. Influenciado por André Breton, que conheceu pouco após findar os estudos, Miró fez todo o seu percurso dentro da vanguarda surrealista. A fantasia naif, os pontos e as linhas são os traços mais característicos da sua pintura, da qual deixo a sua obra mais conhecida, "Números e constelações em amor com uma mulher" e, por ser um quadro que me diz muito e me traz felizes memórias, "O ouro do azul".

 

 

Foi há muito, muito tempo… [4]


André Couto,

… decorria o segundo dia do mês de Abril do ano da graça do Senhor de mil novecentos e setenta e seis quando foi aprovada a Constituição da República Portuguesa, hoje conhecida como Constituição de 1976, apesar das sete revisões que já sofreu.

A actual Constituição é o sexto texto constitucional que conhecemos (1822, 1826, 1838, 1911 e 1933) e o terceiro em República.

Em tempos onde todo o sistema que institui é diariamente colocado em causa na nossa sociedade, deixo aqui a minha homenagem à Lei Fundamental de todas as que nos orientam.

Uma Noite com o Fogo


André Couto,

Acabo de passar pela Avenida de Roma em Lisboa onde, na Bertrand, assisti ao lançamento do novo livro do nosso António Manuel Venda, intitulado "Uma Noite com o Fogo". Pelo que ouvi da apresentação do António é um livro que promete e que lerei finda a minha leitura actual. Para vos aguçar o apetite deixo-vos a sua sinopse: "Quando vê as chamas que devoram as serras e o lugar onde nasceu, o homem cede a um impulso, mete-se no carro e dirige-se para lá. Aí chegado, em vez de encontrar as equipas de reportagem, os bombeiros, a população local, e pessoas da sua família, vê-se só na aldeia abandonada ao fogo que se aproxima, incontrolável. É nesse teatro de luz e treva, nesse ambiente fantasmagórico, que vai percorrer os caminhos da infância e da memória. E é perante a acção destruidora do fogo, que se confrontará consigo próprio."

Foi há muito, muito tempo… [3]


André Couto,

… decorria o primeiro dia do mês de Abril do ano da graça do Senhor de mil quinhentos e sessenta e quatro quando Catarina de Médicis, regente do Reino em nome de Carlos IX, decretou que o início do ano civil passasse a ser a 1 de Janeiro em detrimento de 1 de Abril. Daqui surgiu o Dia das Mentiras ou dos Enganos, ou na expressão original francesa: "Poisson d’Avril".

Esta é uma das muitas explicações para o surgimento deste dia que me cumpre assinalar desta forma. Boas mentiras a todos!

Foi há muito, muito tempo… [2]


André Couto,

… decorria o trigésimo primeiro dia do mês de Março do ano da graça do Senhor de mil novecentos e quatorze quando foi criada a União Portuguesa de Football (UPF). Doze anos volvidos a designação seria alterada para a actual, Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Deixo esta efeméride num tempo em que urge realizar uma profunda reflexão sobre o futebol em português.

Olhando para outras Ligas vemos que os seus organizadores fazem questão de propiciar aos seus clubes meios para que possam crescer e prosperar. Em Portugal a FPF é há décadas um peso morto e amiúde alheado das responsabilidades que devia assumir. Em tempos difíceis e de desunião, avocar as funções delegadas poderia ser uma boa solução. É preciso coragem e é devido à falta dela que tudo está como está.

“Boss” Obama!


André Couto,

Dizia este fim de semana José Sócrates que a direita havia ficado economicamente sem ideologia. Constatou um facto. É certo que as mentes mais liberais e simultaneamente com preocupação de manutenção de coerência devem estar há meses em reflexão.

Hoje foi a vez de Barack Obama vir a terreiro, não armado de grandes teorias, mas desferindo um ataque sem precedentes a essa coisa da ausência de intervenção dos Estados sobre os mercados. Numa só intervenção Obama pediu a demissão de Rick Wagoner patrão da General Motors (ao seu lado na fotografia) e exigiu a esta e à Chrysler profundas reformas e a elaboração de um plano de recuperação a ser analisado pelo Governo. Só depois haverá a decisão se o fluxo de capitais governamentais em direcção a estas empresas se mantém.

As reacções contam-se pelos dedos. Continua a ser um dado adquirido que a Obama tudo é permitido.

Foi há muito, muito tempo… [1]


André Couto,

… decorria o trigésimo dia do mês de Março do ano da graça do Senhor de mil oitocentos e cinquenta e três quando nasceu em Groot Zundert o pintor holandês Vincent Willem van Gogh.

Foram 37 anos de vida profícuos como poucos e que marcaram a história da pintura. Van Gogh foi injustiçado ao seu tempo, sendo que o reconhecimento e valia da sua obra apenas chegaram a título póstumo. Com o valor actual de um quadro, viveria toda uma vida de luxo e opulência, mas ao tempo sobreviveu com dificuldade, nunca assegurando o auto-sustento. Suicidar-se-ia em 1890, fruto de profundos problemas mentais.

 

  

 

Da sua vasta obra deixo o seu "Auto-Retrato", "O Quarto" e "Girassóis".

Patxi López


André Couto,

Patxi López é o nome deste Senhor que vos trago hoje.

Decorria o mês de Março de 2002 quando chegou à liderança do Partido Socialista Euskadi (PSE), membro do Partido Socialista Obrero Español (PSOE). Desde cedo rompeu com a linha orientadora do PSE até então, que procurava construir uma frente antinacionalista com o Partido Popular, líder da oposição Vasca ao tempo. Recusou sempre ascender ao poder com o Partido Nacionalista Vasco e nunca se aliou ao Partido Popular.

Ousou mais: acreditou que era possível o PSE existir por si, lutar por si e conquistar o País Vasco com as suas ideias, ideais e princípios.

Sete anos volvidos torna-se o primeiro lehendakari (Chefe do Governo Vasco) não nacionalista, facto conseguido, agora sim, com o apoio do Partido Popular.

Patxi escreve com a sua mão uma nova página desta região tão conturbada de Espanha.

Socialistas ou não, todos devemos desejar o seu sucesso.

Alfredo Farinha [1925-2009]


André Couto,

Vi agora, apenas agora, que faleceu o Alfredo Farinha.

Cresci a vê-lo na televisão a defender o meu Benfica. Ganhei enquanto criança espírito crítico com futebol a ler os seus textos, quando ainda tinha a ingenuidade de miúdo e ia todos os dias de manhã comprar A Bola à banca do Sr. Fausto.

Não me esqueço daquela forma espontânea e inabalável como defendia o Benfica. Parecia que lhe saíam o coração e o estômago pela boca cada vez que atacavam o Nosso Glorioso. Era assertivo e impunha um respeito único, jamais visto em defensores do Benfica em programas do género. Eram tempos difíceis, acumulavam-se os anos em que o título nos fugia, mas nem por isso o Alfredo desistia.

Sei que antes de tudo isto, antes de o Alfredo se afastar, muito deu ao mundo do futebol.

Ao Alfredo Farinha deixo o meu muito obrigado e a certeza de que a sua memória perdurará.

E Pluribus Unum!

 

[Adenda] Contributo do Pedro Correia:

O Alfredo Farinha era o penúltimo representante ainda vivo da melhor geração de jornalistas da imprensa desportiva portuguesa. Uma geração que transformou o jornal ‘A Bola’ num cartão de visita de Portugal em todos os continentes. Gente que escrevia bem, que tinha convicções e que não receava exprimir opiniões, não confundindo o confronto de ideias com ataques de carácter. Uma geração que incluía Vítor Santos, Carlos Miranda, Carlos Pinhão, Homero Serpa e Aurélio Márcio (este o único sobrevivente).

Li, desde miúdo, incontáveis textos do Alfredo Farinha, ainda naqueles velhos lençóis d’"A Bola". Presto aqui a minha homenagem, como leitor, à memória desse veterano jornalista.

 

Comovente Solidariedade


André Couto,

A Candidatura de Pedro Santana Lopes a Lisboa mostra claras semelhanças com a estratégia nacional de Manuela Ferreira.

Relembremos os momentos em que a Doutora se remeteu a um longo e estratégico silêncio para depois vir a terreiro quebrar esse mesmo silêncio com argolada atrás de argolada.

Depois de meses de silêncio Pedro Santana Lopes lançou os seus sites. Após uma breve vista de olhos percebi que o Doutor e os Doutores assessores desconhecem que a Praça de Touros do Campo Pequeno não se situa na Freguesia de S. João de Deus, mas antes na Freguesia de Nossa Senhora de Fátima. É um "pormaior" que quem esteve anos à frente da Câmara Municipal de Lisboa não deveria desconhecer. Mais, depois de tamanho silêncio prometendo que decorria a preparação da melhor campanha jamais vista em Lisboa, não deixa de ser um tremenda desilusão. Assim só chega a Presidente da Câmara de Lisboa suspendendo a democracia.

É caso para dizer… "Salva os Touros dos toureiros"!