What if…?


André Couto,

E se, numa escola de uma pequena cidade, um Professor fosse encarregue de fazer os seus alunos experienciar no dia a dia, pormenores da vivência sob um regime ditatorial?

E se os alunos, desconhecedores dos perigos, se entusiasmassem com as virtudes e atraentes forças dessa vivência?

E se, de repente, essa experiência saltasse os muros da escola e começasse a envolver a comunidade da pequena cidade?

E se o Professor perdesse o controlo quer dos seus alunos, quer de si próprio, pelo facto de liderar e de ser alvo de culto?

E se este cenário for estupidamente actual, em tempos onde a crise económica e de valores se propaga Europa fora, abrindo um caminho que as várias extremas direitas locais têm sabiamente trilhado?

E se dentro de alguns anos essas mesmas extremas direitas tiverem a força que evidenciaram noutros anais da história?

 

Podemos encontrar e reflectir sobre tudo isto com base num filme: A Onda [Die Welle], de Dennis Gansel. Imperdível.

9 comentários em “What if…?”

  1. Já escrevi aqui sobre esse filme, André. Gostei muito. Da forma e sobretudo do conteúdo. Um dos melhores filmes de 2008, que infelizmente passou quase despercebido no circuito comercial português.

    1. Não reparei que tinhas escrito sobre ele, Pedro. Desculpa. Concordo contigo. Por estas e por outras é que não troco o meu Clube de Vídeo por nenhum outro…
      Aproveito para deixar um abraço ao Xavier do Vídeo Square! 🙂

  2. Ainda não vi o filme, vou procurá-lo no clube de video.
    Quanto ao perigo de novas extremas direitas no poder, não me parece… a memória desses tempos ainda é muito recente na Europa, felizmente. Curioso é que os mesmos extremos, mas em sentido contrário, passaram apesar de tudo mais despercebidos. Mas também não creio que representem um perigo, pelo menos a curto prazo.

    1. Ana, ainda há uns dias o Toda a Verdade dedicou uma edição à ascensão da extrema direita na Europa.
      Se em Portugal não tem expressão, lá mais para dentro da Europa as coisas não são bem assim. Itália, Alemanha, Áustria, Bélgica e outros que tais começam a enfrentar dificuldades à luz do sol.
      E se quer que lhe diga acho que em Portugal só não assistimos à sua ressurreição porque quem a lidera são rostos fracos e desprovidos de carisma.

      1. André, eu sei que esses movimentos começam a ter algum peso. Com a insatisfação devida à crise económica, à insegurança e à migração crescente, os extremos encontram melhor terreno para se afirmarem. A Áustria já teve, inclusivamente, um dirigente de extrema direita, eleito. Mas creio que aqui não têm força nem terão tão depressa, como diz, pela falta de credibilidade dos líderes. Ainda estamos a descobrir a nossa liberdade recém adquirida, e somos tradicionalmente avessos a extremos (desde que nos perguntem se os queremos, claro), sejam de direita ou de esquerda.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *