… decorria o quinto dia do mês de Maio do ano da graça do Senhor de mil novecentos e sessenta e oito, quando milhares de estudantes franceses, liderados por Daniel Cohn-Bendit, invadiram a Universidade de Sorbonne, sendo detidos cerca de 600. Era o início do Maio de 68.
A França dos anos 60 era muito fechada e conservadora, ainda traumatizada pela II Guerra Mundial. Nas escolas imperava uma disciplina rígida, a família tinha um funcionamento centrado na autoridade do homem e subjugação da mulher e a homossexualidade era diagnosticada como doença. Perante este cenário o Maio de 68 surgiu como reflexo do desejo de liberdade, autonomia e independência, como reflexo da vontade de novos tempos e do desabrochar da rebeldia da juventude, até então oprimida pelas vias política e militar pelo General Charles de Gaulle.
O Maio de 68 acelerou a evolução social em França e nos tempos seguintes inspirou o mundo. Inspirou mudança, plantou liberdades civis e democráticas, direitos para as minorias, fossem eles de imigrantes ou de orientação sexual, e oficializou a igualdade entre homens e mulheres.
Como testemunho deste dia fica a intervenção de Daniel Cohn-Bendit, hoje Eurodeputado, à entrada da Universidade de Sorbonne.
(Número desta série excepcionalmente colocado também no Câmara de Comuns)

Foi no dia 3 de Maio. Eu estava lá.
Tenho duas fontes a falar em dia 5 de Maio, motivo pelo qual pus nesta data. De qualquer forma mais que essa diferença de horas interessa o espírito e a mensagem do tempo.
Muito o invejo por viver estes dias de perto e na primeira pessoa!