
ANTÓNIO COSTA
É um regresso a esta galeria anual do DELITO DE OPINIÃO. O primeiro-ministro já tinha passado por cá em 2015, quando chegou ao poder mesmo sem ter vencido as legislativas. Era o início da geringonça que se manteve durante seis anos: o PS a governar com apoio parlamentar simultâneo de comunistas e bloquistas.
Em 2022 abriu-se outro ciclo: o PS saiu vencedor incontestado da eleição antecipada, convocada pelo Presidente da República para 30 de Janeiro após a dissolução da Assembleia da República devido ao chumbo do Orçamento do Estado.
Todas as sondagens falharam: os socialistas emergiram das urnas com maioria absoluta. Cento e vinte deputados num total de 230. Foi a segunda vez que superaram a barreira dos 115, após José Sócrates em 2005.
Também com maioria absoluta, António Costa foi escolhido pelo DELITO como Figura Nacional do Ano. Recolheu 11 “boletins” de 20 eleitores – mantendo-se a regra aqui vigente desde o inicio: cada um de nós pode votar em mais de uma figura. Uns pela positiva, outros nem tanto. «O anti-reformador. Pela conquista da maioria absoluta e porque essa conquista confirma-o menos como um gestor de políticas e mais como um gestor da política como meio de conservar o poder, pondo o país refém dele», observou um dos membros da tribo “delituosa”.
O facto é que o chefe do Governo deixou a larga distância todos os restantes. Desde logo Marcelo Rebelo de Sousa (três votos) e Cristiano Ronaldo (dois).
O mais célebre português do planeta justificou rasgados elogios, como este: «Conseguiu ser o jogador de futebol mais bem pago de sempre. Passar a receber 200 milhões por ano depois da sua péssima prestação no Mundial merece destaque absoluto.» E este: «Para uns desceu do pedestal, para outros caiu. E em torno dele adensou-se aquela nuvem roxa de ressentimento, inveja e azedume tão tipicamente portuguesa.»
Seguiram-se votos isolados em António Guterres («tem obtido sucessos na agenda climática»), Fernando Medina, o contribuinte português («apesar de todas as dificuldades nacionais e internacionais, está prestes a bater de novo o seu recorde»), as cientistas Rita Acúrcio, Rita Guedes e Helena Florindo («as três investigadoras portuguesas do grupo de quatro que descobriu uma molécula capaz de estimular o sistema imunitário a combater vários tipos de cancro») e ainda, como triste símbolo nacional, a bebé Jessica («morta às mãos de quem deveria tomar conta dela, em representação do enorme falhanço deste estado social, mas também da indiferença da sociedade»).
Figura nacional de 2010: José Mourinho
Figura nacional de 2011: Vítor Gaspar
Figura nacional de 2013: Rui Moreira
Figura nacional de 2014: Carlos Alexandre
Figura nacional de 2015: António Costa
Figura nacional de 2016: António Guterres
Figura nacional de 2017: Marcelo Rebelo de Sousa
Figura nacional de 2018: Joana Marques Vidal
Figura nacional de 2019: D. José Tolentino Mendonça
Figura nacional de 2020: Marta Temido
Figura nacional de 2021: Henrique Gouveia e Melo

António Costa é o único da lista a fazer uma dupla figura durante uma década.
Pelo andamento, salta poças todo o terreno sem se machucar siga para tripla.
É a vida. O Rui Rio tentou, mas só fez asneiras. O Chicão esbracejou e gritou, mas foi borda fora por manifesta incompetência.
Com “oposição” desta, Costa tornou-se absoluto.
Não foi por falta de aviso aqui no blogue.
Também foi da forma como diz que Costa teve a vida facilitada o que lhe pode reduzir a intensidade do mérito.
Em todo o caso é de ficar curioso como um homem que já sobreviveu a muitos calores se vai dar com a prova de fogo que Marcelo lhe agendou.
Não seria de admirar que Costa mais uma vez desse a volta por cima, deixando nas encolhas o nosso sempre visível presidente por tempo contado a falar sozinho.
Um bom ano para si e boa continuação para o Delito sempre aberto a confronto de ideias.
Obrigado, caro Marques Aarão. Desejo-lhe o mesmo neste ano que agora começa.