
MARTA TEMIDO
Ela entrou-nos casa adentro muitas vezes ao longo de 2020. Quase sempre para anunciar más notícias, todas relacionadas com a pandemia do novo coronavírus que também se abateu sobre Portugal. E deixou estragos, desde logo em número de contágios e óbitos. Segundo os dados estatísticos com chancela oficial, até 31 de Dezembro a pandemia provocou 413.678 infectados e causou 6906 mortos no nosso país. Em apenas dez meses.
Marta Temido foi, seguramente muito a contragosto, a face mais visível desta tragédia sanitária a que o Governo foi dando respostas nem sempre convincentes. Teve grande protagonismo mediático, sim. Mas poucos desejariam estar no lugar dela ao longo deste ano terrível que agora fica para trás. Apesar de tudo aguentou estoicamente, resistindo a imitar o colega que tinha a pasta das Finanças: mal soaram os primeiros sinais irrefutáveis de crise muito grave, Mário Centeno transitou para o conforto da poltrona suprema no Banco de Portugal.
Foram razões suficientes para ela merecer a eleição da tribo “delituosa” como Figura Nacional de 2020. Escolhida mesmo à tangente, diga-se. Com seis votos em 20. No segundo posto, com cinco, ficou Rui Pinto, o pirata informático que expôs diversos podres relacionados com a finança, a política, o futebol e até com o sistema judicial em casos que conduziram a investigações policiais baptizadas com nomes sonantes, como Luanda Leaks e Football Leaks.
Outros escolhas de autores do DELITO DE OPINIÃO distribuíram-se por nomes avulsos. Todos com apenas um voto.
Foi o caso do Presidente da República, que agora se apresenta como recandidato a Belém: Marcelo Rebelo de Sousa apenas conseguiu um voto entre nós. E por um motivo nada lisonjeiro: «Por conseguir nunca ter dito nada que mereça ser lembrado, nunca ter feito nada que não recebesse o apoio da opinião pública e ter contribuído para a anestesia geral enquanto o país desliza para os últimos lugares do desenvolvimento na Europa, guardando sempre níveis de popularidade invejáveis.»
Quem mais?
A directora-geral da Saúde, Graça Freitas. «Provavelmente a única a ombrear com Marcelo e Costa na notoriedade», em termos nacionais, ao longo de 2020, disse quem votou nela. Os pilotos Filipe Albuquerque (campeão do Mundo e campeão da Europa de Resistência, vencedor das 24H de Le Mans) e Miguel Oliveira (vencedor de duas provas de Moto GP, incluindo o Grande Prémio de Portugal). O presidente do Sporting, Frederico Varandas. Um senhor chamado José Brito, herói quase anónimo que «arriscou a vida para salvar um desconhecido que tinha caído à água junto ao Cais da Colunas», em Lisboa.
Sem esquecer Centeno, ele mesmo. Também com um voto, irónico ou sarcástico: «Trocou o Ministério das Finanças pelo Banco de Portugal, o que parecia impossível (e seria impossível noutro contexto) sem grandes críticas nem sobressaltos.» Há homens com sorte.
Destaque, enfim, para um voto em pessoa colectiva: «todos os trabalhadores a que agora chamamos essenciais e que estão há meses e meses em risco acrescido, desgaste emocional, cansaço extremo, mantendo o país a funcionar.»
Não venceram nesta votação mas têm lugar assegurado na consideração e admiração de todos os portugueses.
Figura nacional de 2010: José Mourinho
Figura nacional de 2011: Vítor Gaspar
Figura nacional de 2013: Rui Moreira
Figura nacional de 2014: Carlos Alexandre
Figura nacional de 2015: António Costa
Figura nacional de 2016: António Guterres
Figura nacional de 2017: Marcelo Rebelo de Sousa
Figura nacional de 2018: Joana Marques Vidal
Figura nacional de 2019: D. José Tolentino Mendonça

Marta Temido o rosto da comunicação trapalhona …. nem o número do SNS24 sabia dizer correctamente.

Você nem o seu nome é capaz de escrever.
Deve ser lisbonense, natural da capital do Império.
Mas a ministra é de Coimbra, como aliás se detecta pela sua excelente dicção.
Falta aí uma figura, que a meu ver, teve a maior relevância no cumprimento das regras sanitárias.
Rui Portugal foi o único responsável que em poucos segundos conseguiu conduzir o rebanho de portugueses ao espaço confinado dos seus quintais, e aumentar o consumo per capita da compota em mais de 100%.
Podem não lhe dar o devido destaque, mas no futuro quando se falar em compotas o nome Rui Portugal vai aparecer sempre antes da fruta.
Esse asteróide passou-me ao lado.
Estar 24 horas sem consultar redes sociais provoca-nos consideráveis lapsos na nossa formação cultural, como é o caso.
Não é possível ter a certeza que os óbitos não Covid e em excesso em relação à média de anos anteriores, computados “grosso modo” em 10.000, se devam exclusivamente à decisão de tudo manter no SNS adiando consultas, rastreios e cirurgias que poderiam ter sido efectuados pelos sectores privado e social; mas, por outro lado, as consequências desses adiamentos continuarão a causar óbitos por ainda muito mais tempo pelo que o total de 10.000 não parece excessivo.
Portanto temos uma figura que conseguiu em 10 meses deixar morrer mais pessoas do que as que morreram em 13 anos de guerra colonial. Ninguém melhor para o galardão de figura nacional no pior dos bissextos da era hodierna..
Mudam os anos, viram-se as folhas do calendário e há gente que persiste em fazer “corajosas” críticas sob o anonimato.
Com máscara dos cabelos aos tornozelos.
Marta Temido já tinha ganho o galardão no meu círculo familiar com metade menos um votos, e a crítica, já fôra publicada e assinada num comentário no Observador. Aqui, o que não aconteceu pela primeira vez e por falta de atenção, enviei antes de preencher a identificação.
Mas é facto que o primeiro dia do ano não me correu bem no D.O. e isso vai ser ponderado porque, mesmo reconhecendo que a culpa foi toda minha, ver-me apodado de “corajoso” incomoda-me.
Estando agora o seu comentário assinado, naturalmente, retiro o que escrevi. Aliás faço-o com gosto. Até porque já me fartei de acolher aqui desassombradissímas críticas a este e àquela sem assinatura por baixo.
Havendo assinatura, todas as críticas sao legítimas. E necessárias.
Aproveito para lhe desejar bom ano novo.
Deixe-se disso esse anónimo das 20:49 fez um comentário encoberto no anonimato da vergonha cobardolas. E depois intitulado de Francisco Almeida vêm por água na fervura armado em Santo Canonizado.
Pedro Correia não retire nada do que disse anteriormente as 20:53. Excelente resposta dada. Tem o meu apoio!
Um Bom Ano Novo!
Rui Rodrigues
* pôr água
Rui Rodrigues
E o Tino de Rans ?
Vais vê-lo muitas vezes na televisão por estes dias. E até no boletim de voto.
Não há dúvida que Marta Temido é corajosa. Também me parece que conversar e informar sob os holofotes não a perturba e, indubitavelmente, tem uma figura muito agradável e veste com aprumo e qualidade, os olhos agradecem.
Concordo.
Não concordo. E não concordo porque a ideia que fica é que Marta Temido não passou de uma porta voz. Em termos de decisão foi zero. Apenas se limitou a debitar sob os holofotes aquilo que Costa e os seus tenentes decidiram. Ou seja, não mandava nada, até os ministros amigos fiéis de Costa meteram o dedo no seu ministério e a senhora apenas dizia amém. Até Graça Freitas manda mais do que ela. Mas Até nisso Costa teve sorte. Tinha no sítio certo uma pessoa obediente, com boa imagem, capaz de criar empatia. Uma senhora loira, com olhos bonitos, com uma expressividade simpática, com um tom de voz acolhedor e que conseguia passar a informação mais negativa, sob a forma de esperança e mais que tudo, de competência.
Depois ainda teve ajuda da Cristina, com aquela história dos dentinhos. Uma fiel mulher soldado de Costa, que muito fez pelo sistema.
Enfim, a figura do ano tem de ser Costa. Um génio na forma como transformou incompetência em rigor, amiguismos em acutilância, fraude em sentido de estado.
E chega ao fim do ano, depois de um mês cheio de peripécias aberrantes, como o caso SEF, PSP vs. GNR, nomeação para procurador europeu, no topo da popularidade. Isto é de génio, é um génio do crime superior a Joker, ao Padrinho, ou a Lex Luthor.
Discorde à vontade. Mas, uma vez mais, sublinho: só tem credibilidade para criticar quem assina com nome e apelido. Porque uma crítica só merece ser tomada em consideração quando é identificada. E quando quem critica não esconde a cara.
“Os afetos podem ter várias formas. Num ano em que sentimos particularmente a falta deles, Bruno Nogueira arranjou forma de nos aquecer um pouco o coração. Tudo era uma incerteza, mas à hora marcada ele estava lá. Muitos lhe querem agradecer, nós também. 2020 foi mau, mas ele tornou-o um pouco melhor.”
Isto foi escrito por Rita Vieira.
E perguntará o Pedro Correia: o que é que isso tem a vêr com o tema e, muito particularmente, com a notoriedade aqui atribuída à Srª. Marta Temido?
Pois tem muito a vêr, digo eu e explico.
Dos Brunos, há o Carvalho que é mau, o Fernandes que é bom e o Nogueira que é ssim assim.
Das martas, as más, há as criadas em cativeiro e “queimadas vivas” nas democracias mais prominentes (Dinamarca e mais não sei onde) por causa da covid-19; as boas, aquelas das quais nada temos a temer porque são boas; e há as assim assim, como a Temido, porque, no mínimo, servem para encher chouriços, especialidade que o Costa aprecia sobremaneira.
Ora, o Bruno Nogueira também é bom a encher chouriços.
Para encher chouriços, meu caro, não há como os anónimos. O que não é necessariamente o seu caso.
Se ouvirem a crónica diária no Facebook da Cor de Dinheiro, facilmente se chega à conclusão que essa senhora é uma nódoa no Portugal de hoje.
As piores nódoas são sempre as nódoas anónimas.
Ainda estou impressionado por ver a senhora a chorar.
Quando não estão tranquilos choram em televisão!
Um que chorou em televisão e que ainda não foi preso foi o orelhas.
Precisa de se manter anónimo para escrever isso?
Talvez soe pateta o que vou dizer, mas acho que Marta Temido, Graça Freitas e Lacerda Sales (nunca esquecerei o único dia em que não houve mortes em Portugal e ele mostrou-se humano e praticamente chorou) deviam receber, do “nosso” Presidente o devido agradecimento e, porque não, condecoração.
Ele que as esbanja, às condecorações, como bebe ginjinhas no Barreiro, devia agradecer devidamente a quem tem dado tudo de si, mesmo errando, às vezes, porque errar… erramos todos!
Um bom Ano Pedro e a todos os membros, comentadores e visitantes do blog.
O meu cumprimento à qualidade do seu comentário.
Agradeço e retribuo os votos de bom ano.
net com problemas (lenta) nao mostrava ainda a foto ( da eleita ), inclusive o google rejeitou o acesso ao Delito, por nao conseguir ligaçao.
Enquanto pensava : geralmente e em cada ano será sempre dificil escolher a figura do ano, claro estou a falar de um escolha representativa, que mereça amplo consenso.
Na segunda tentativa para aceder ao Delito já vi previamente a foto da escolhida, Ou seja , a surpresa intrigante que se me ofereceu na primeira tentativa ( descobrir quem tinha sido o eleito ) de aceder ao Delito, já nao o foi quando entrei efetivamente.
Pronto, fico curioso para saber quem vao eleger na proxima ( distante) vez.
Saude, até lá.
Bom ano e boa saúde também para si, são os meus votos muito sinceros. Temos de dar luta ao bicho e mostrar-lhe que somos mais fortes.
Centeno não é um homem de sorte, é um homem com mérito. Por isso, foi pouco criticado. As críticas ficaram a cargo quase só de meia dúzia de invejosos e de outros tantos receosos.
Há quem prefira o anonimato até para elogiar.
Eis o tipo de coisa que jamais entenderei.
Sim a Ministra da Saúde é a figura nacional do ano. A dificuldade de gerir uma crise, 24h sobre 24h, sabendo pouco ou nada (porque a comuniade médico-científica também não sabia) sobre o vírus, teve que dar a cara todos dias a maior parte das vezes para ouvir críticas e poucas ou nenhumas sugestões.
É a figura nacional porque, não só não seguiu o exemplo de Mário Centeno, nem do ministro da Saúde holandês Bruno Bruins que, ao desmair, por exaustão durante uma sessão no Parlamento se demitiu em Março, alegando estar exausto das semanas intensas de trabalho. Imaginem Marta Temido que continuou com o mesmo problema até ao final do ano.
Subscrevo, Vagueando.