Pequenos fogos por todo o lado


Maria Dulce Fernandes,

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2021 entrou com pompa e circunstância. Entrou com estrondo, com cor e aplausos.

Por todo o lado, pequenos foguetes, luz e cor espelharam a esperança e a resiliência herdada de um ano que saiu de mansinho, envergonhado e triste por ter sido o ano de todos os tormentos, de todos os medos, de todas as angústias e contradições.

A humanidade depositou a sua fé no porvir e recebeu ruidosa o novo ano desanuviando os céus e espanando a alma com estrépito para afastar o mal, os maus espíritos encarnados num morbo vil.

Dos telhados do seu isolamento lançaram o seu clamor muitas luzes ao céu e de tal modo que, durante largos minutos, a noite virou um arrebol de claridade por toda a parte, com uma toada alegre e barulhosa.

Esta noite todos os que olharam os céus iluminados, crentes e ateus, olharam com um sorriso no peito.

Com um misto de saudade, confiança, coragem, esperança e triunfo recebemos 2021.

 

Bom Ano Novo

24 comentários em “Pequenos fogos por todo o lado”

  1. Bom ano, Dulce e que continue a dar-nos o prazer dos seus textos. Que do porvir logo se saberá. Por ora, veste de verde.

  2. Ontem comprovou-se a colonização absoluta que a política, os políticos e o Estado, que aparecem na televisão a imiscuir-se nas nossas vidas todos os dias, fizeram da sociedade civil e como já não há muita gente que reaja a este excesso de vida política na nossa vida pública (ainda por cima defendida nas caixas de comentários por incontáveis imbecis avençados e imbecis livres):

    Em vez de um fogo de artifício simbólico no meio do rio ou no Castelo, sítios onde as pessoas não pudessem ir ou pudessem ver de muitos lados, o Estado/Governo/CML (se alguém conseguir distingui-los, força) prefere anunciar a azul no nosso Terreiro do Paço (não é deles, é nosso) a próxima liderança de Portugal na UE, uma treta do mundo da política que não interessa a ninguém e que só os beneficia só a eles. Sempre condicionados a ver e a agir sobre o mundo como os governos e as suas televisões amigas querem que a gente o veja. É este o estado do sítio: as pessoas esmagadas pela política, pelos governos, pelos partidos e pelo seu país de funcionários ricos cheios de apartamentos para alugar a grupos incontáveis estrangeiros e um povo cada vez mais pobre que já nem consegue viver nas suas próprias cidades, entregues a investidores chineses de imobiliário que compram ruas inteiras (e eles deixam, porque lhes dá jeito), devorados por modas, ministérios e empresas patrocinadas pelo Estado que canibalizam tudo o que é livre e independente.

    Como é que se deseja Bom 2021 em vez de um terramoto gigantesco que engula tudo isto?

          1. aquele seu último paragrafo

            São exercícios de retórica, metáforas de outra coisa

  3. Expectativas de cada (novo) ano – nos dai hoje.
    A melhor figuração deste pensamento, ilustra-se com foguetório funchalense, de 1 milhão de euros – que Madeira estuporou, durante 8 minutos,
    Tão grande, a fé no porvir…

  4. nao quero estragar, mesmo tendo lido a ameaça que constituiu Jupiter estar alinhado com num sei quantos… outra vez, nao ha-de ser nada.
    E acho muito bem que interprete o foguetorio com todos esses bons predicados.

    Verdade que todos sempre acreditamos que vamos meter na ordem o filhote de 2020.

    1. Também conhecido por Estrela de Belém, o alinhamento de Júpiter e Saturno esteve visível no hemisfério norte apenas durante cerca de uma hora após opôr do sol, entre os dias 16 e 21 de Dezembro. Lamentavelmente, com o tempo encoberto, não vi, mas pode ser que tenha a sorte de ver a próxima conjunção 😁
      O que vi mesmo, foi também muito bonito de ver , pela quantidade e pela qualidade.
      Bom Ano Novo para si também, s o s.

          1. Sim, tá bem, tambem pensei pudesse ser isso, mas pareceu-me nao haver ligaçao com o paragrafo anterior.

  5. O wonder!
    How many goodly creatures are there here!
    How beauteous mankind is! O brave new world,
    That has such people in’t.

    — William Shakespeare, The Tempest, Act V, Scene I, ll. 203–206[6]

    1. ‘Life’s but a walking shadow, a poor player, that struts and frets his hour upon the stage, and then is heard no more; it is a tale told by an idiot, full of sound and fury, signifying nothing.’

      There is a lot of beauty out there. So let’s make the most of it.

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