
Quotas. É uma polémica recorrente, mesmo entre mulheres, portanto muito apropriada para assinalar este dia. Durante alguns anos fui sensível ao argumento de que o estabelecimento de quotas para mulheres as inferiorizava, mas depois as estatísticas entraram em diálogo comigo e falaram mais alto. Sim, felizmente há mulheres que chegam ao topo sem que para tal tenham sido empurradas por quotas. A ascensão feita assim é o que está certo. Sem equívocos, nem margem para dúvidas quanto a mérito e competência. Mas a realidade diz-nos que estas situações são de excepção. Basta consultar as primeiras páginas dos jornais de hoje para perceber qual o estado da arte: “Mulheres têm menos chances de ter bom emprego”, diz o Público; “Na UE uma em cada três posições de gestão é ocupada por mulheres”, noticia o I; “G20 – grupo dos poderosos só tem Merkel e May” e “PSI 20 – quatro empresas sem nenhuma administradora”, anuncia o DN.
No entanto sabe-se que as mulheres estão em maioria entre os que terminam licenciaturas e que apresentam mais qualificações. E que é assim em Portugal e no mundo. Como se explica isto? Recorrendo ao primado bíblico “a culpa é delas”?
Deveremos então concluir que este enorme contingente, que não consegue subir na carreira de acordo com as suas competências e no limite franquear as portas do poder é todo desprovido de “soft skills”, como agora se usa dizer? Ou o que lhes falta é – vamos lá a chamar os bois pelos nomes – tão somente algo que a Natureza não lhes deu: o sexo adequado para alcançar o topo?
Quando não existe mais nada, o que nos resta é o pragmatismo. E é por isso que me tornei a favor das quotas. Se não vai a bem, vai a mal. Porque sem quotas bem podem as mulheres esperar sentadas por oportunidades e reconhecimento iguais.














