Dia da Mulher


fiodeprumo,

Daqui a umas duas horas comemora-se o Dia da Mulher. Embora reconheça a importância da data, não sou muito dada a este tipo de celebrações colectivas. Até porque afinal há um mundo em que as mulheres praticamente “não existem” e um outro que, congratulando-se dos direitos que lhes concede, escamoteia aqueles que, na realidade, lhes não faculta.

Nunca pretendi ser igual a um homem. Gosto muito de ser mulher. Mas ainda sinto necessidade de reivindicar a igualdade de oportunidades. Que está longe de poder considerar-se alcançada, apesar de se pretender, sempre, apresentar a minoria que o conseguiu, como um exemplo do que “todas” podem obter.

Sou uma privilegiada. Possuo um curso, tenho trabalho, pertenci e pertenço a um certo meio cultural e até tive um palmito de cara, que, ao fim e ao cabo, me prejudicou mais do que facilitou. Mas sei que uma parte significativa das mulheres portuguesas não dispõe disto. É certo que trabalhei muito para chegar até aqui, porque nasci numa época em que o meu género ou era propriedade do pai ou do marido. Mas, a verdade é que cheguei e há quem não consiga.

O Dia da Mulher deixará de ter importância quando for igualmente fácil ou difícil o acesso de ambos os géneros aos lugares para que se encontram devidamente preparados!

7 comentários em “Dia da Mulher”

  1. Bem hajas, Helena, por seres quem és. Eu não consigo deixar de pensar que, pese a necessidade de chamar ainda a atenção para as questões de paridade, deveres e direitos e tudo ser muito diferente no Ocidente do que é em África ou na Ásia, ofende-me esta coisa de termos um dia internacional da mulher sem existir um dia internacional do homem. Há muitos sítios onde os homens, por serem homens, são escravos, são animais de força, são subjugados, vivem a medo. Como tu, sou uma privilegiado e, como tu, o palmo de cara não ajudou muito:) beijos

  2. É mesmo isto, Helena. Se digo que neste dia fujo de gerberas à porta do metro, sou logo uma insensível e não é nada por aí. Pensar no que ainda não se tem pela condição do género e lembrar mais ainda que há países onde ainda se vivem horrores pelo mesmo motivo, não sendo de esquecer noutros dias, sim, é de lembrar e mesmo gritar no dia de hoje. Mas eu não grito, acho que podemos fazer tudo isto assinalando um dia, não esquecendo quem ainda não tem as “oportunidades mínimas”, mas não o esquecendo amanhã.

  3. E no “reino” masculino, todos têm as mesmas oportunidades!? A foto com mulheres poderosas não sei se ilustra com “qualidade”, o que se pretende reivindicar nesta data, quando há homens e mulheres no mesmo patamar da discriminação.

    1. A foto, que não é da Helena, creio que pretende apenas mostrar os exemplos de mulheres que se têm distinguido. Se a critico nalguma coisa (à foto) é no facto de incluir Michelle Obama, a qual é conhecida essencialmente devido a ser a mulher do presidente. Seria “poderosa” sem tal ajuda?

      1. Tentei fazer desaparecer a dita, mas não consegui. Hesitei pôr uma nota de rodapé a referir a minha posição. Mas se o tivesse feito acusar-me-iam de racista…
        De qualquer modo é ela quem eu julgo que manda no país!

    2. Cara Ana
      Neste Dia, que comemora uma data especial na luta dos direitos das mulheres, limitei-me, como compreenderá, a falar das condições do meu género que, evidentemente, não são exclusivas. Em qualquer outra data falaria – e já o fiz por mais de uma vez – das discriminações que afectam homens e mulheres aqui e no resto do mundo.

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