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Pedro Correia,

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O que levará um romance estrangeiro há décadas no mercado português com um título já consagrado a regressar não apenas com nova tradução mas também com novo título, como se fossem livros diferentes?

Pode tratar-se do radical abandono da metáfora, entretanto tornada expressão idiomática, a favor da tradução literal agora tão em voga – como aconteceu com O Triunfo dos Porcos, de George Orwell, popularizado sob esta designação na década de 70, quando foi um sucesso de vendas da editora Perspectivas e Realidades (com uma capa muito expressiva desenhada por Augusto Cid), e reaparecendo já este século, na Antígona, como anódina Quinta dos Animais.

Pode dever-se ao trabalho sobre um manuscrito diferente, como sucedeu com o clássico O Zero e o Infinito, de Arthur Koestler (um dos melhores romances universais do século XX), que adoptou tal nome por decalque da versão francesa, ainda nos anos 40, e o manteve em 1979, sob a chancela Europa-América, reaparecendo em 2022 com título bem diverso – Eclipse do Sol – na editora Livros do Brasil, a partir do original alemão, que durante décadas andou desaparecido, em vez da livre tradução inglesa elaborada pelo próprio autor.

Entendo isto. Custa-me muito mais entender por que motivo O Templo da Aurora, de Yukio Mishima, regressa cerca de 40 anos após a versão original em português, agora intitulado O Templo da Alvorada, com chancela editorial Livros do Brasil. Aqui há mera troca de sinónimos numa palavra, mas basta para parecerem obras diferentes – e ambas coexistem, pois a anterior, com rótulo da Presença, mantém-se no circuito de livros usados.

Percebo que um tradutor queira imprimir o seu cunho pessoal no material literário que lhe chega às mãos. Percebo menos – excepto por mera estratégia comercial – que a aurora passe a alvorada só porque sim. Transmitindo ao leitor mais distraído a ilusão de tratar-se de algo diferente quando está perante a mesma obra, num eventual exercício de publicidade enganosa.

Será o caso, neste terceiro exemplo. E, se o for, parece mal.

Diferentes capas do mesmo livro


Pedro Correia,

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Não há fome que não dê em fartura. Durante longos anos, a obra de André Gide esteve ausente do mercado editorial português apesar de ser um escritor galardoado (em 1947) com o Prémio Nobel da Literatura. Sublinho: da Literatura – e não de Literatura, como agora é moda grafar-se copiando os brasileiros. Fuga sem sentido à norma, pois não dizemos Nobel de Economia nem Nobel de Paz.

De repente, as livrarias são inundadas por títulos de Gide, vários dos quais inéditos. Motivo: a obra deste autor, falecido em 1951, acaba de passar para o domínio público. Tal como tinha sucedido há meses com George Orwell. Editá-lo tornou-se mais fácil e muito mais barato.

Inverte-se a situação: antes havia escassez, agora há excesso.

Só o romance O Imoralista, publicado originalmente em 1902, acaba de gerar três versões quase simultâneas em Portugal. Reproduzo aqui as capas das editoras E-primatur, Cavalo de Ferro e Minotauro.

Há muito que sublinho a importância de uma boa capa para valorizar um livro. Lamentavelmente, é uma arte que parece condenada à extinção: hoje basta pesquisar-se num banco de imagens na internet e recolher uma fotografia – com frequência do próprio autor – para fazer de conta que existe capa. A ilustração deixou de ser regra: tornou-se excepção.

Uma verdadeira capa atrai, não afugenta. Capta a atenção por ser diferente, não banaliza nem vulgariza. Até porque, em boa medida, a arte pode – e deve – começar logo aí. Como instrumento de sedução.

Cada leitor que julgue por si, dizendo qual destas capas do mesmo livro prefere.

Ano de pesadelo


Pedro Correia,

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Em jornalismo, quase sempre, menos é mais. Lembrei-me desta frase, inspirada no lema artístico de um célebre arquitecto, quando vi aquela que considero a melhor capa de revista deste amargo ciclo anual prestes a chegar ao fim. A da edição dominical do El País. 

Uma capa em que a fotografia diz tudo, surgindo acompanhada de uma data que funciona em simultâneo como título e legenda. A foto transpira autenticidade e tem cunho universal: foi captada em Espanha, mas poderia ter sido em muitos outros países igualmente golpeados pelo coronavírus que nos envolveu num cortejo de luto e dor. 

A carga emotiva desta imagem torna irrelevante qualquer palavra. E nem é preciso situá-la no espaço: basta enquadrá-la no tempo. Quatro caracteres bastam: 2020. Ano de pesadelo.

Faz-me lembrar alguém


Pedro Correia,

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#FERA, ODIADO E DO MAL – proclama em caixa alta esta capa da revista brasileira Veja, de 27 de Abril de 2016.

Não consigo identificar de imediato a cara da pessoa que aqui aparece em grande plano. Mas faz-me lembrar alguém.

Quem pode esclarecer-me?

As notícias de capa dos jornais no caso de Portugal não se apurar


Rui Rocha,

Jornal de Notícias: Caxinas preparam homenagem a Hélder Postiga.

 

Público: saiba como as políticas da igualdade de género aplicadas na Suécia contribuíram decisivamente para o resultado de ontem.

 

Correio da Manhã: a noite louca de Ronaldo depois da derrota em Estocolmo.

 

Diário de Notícias: Soares acusa governo de massacrar o meio-campo da selecção.

 

I: conheça a história do carteiro de Helsingborg que pedala seis horas por dia, treina duas vezes por semana e derrotou Portugal com um pontapé de bicicleta.

 

O Jogo: Pinto da Costa completamente recuperado.

 

SOL: Durão Barroso na calha para ocupar cargo de seleccionador.

 

Expresso (edição do próximo Sábado): selecção nacional apura-se para o mundial do Brasil – ver desenvolvimento na última página e análise de Nicolau Santos no caderno de economia.