Jagunçada, pois claro


Sérgio de Almeida Correia,

(Coronel imortalizado por Jorge Amado que espera poder votar nas primárias do PS)

 

Uma candidata às eleições da Federação Distrital de Braga, apoiada por António José Seguro, escreveu ao JN repudiando declarações publicadas neste jornal que lhe foram atribuídas, esclarecendo que nunca as proferiu. Em causa estavam as afirmações, entre aspas, de que o pagamento de quotas de militantes já falecidos por familiares seria “normal” e de que tal pagamento constituiria uma “espécie de homenagem” aos mortos. Até prova em contrário darei crédito ao desmentido de Maria José Gonçalves.

Só que, entretanto, leio que Álvaro Beleza, outro “segurista” que há um ano considerava as primárias inoportunas e que este ano, devido ao repto de António Costa, rapidamente mudou de ideias, enaltecendo um processo preparado em cima do joelho que só tem servido para o achincalhamento público do maior partido da oposição, veio pedir que o pagamento de quotas deixe de ser obrigatório. Não sei se o objectivo será acabar de vez com a militância, colocando os militantes ao nível dos simpatizantes, americanizando os partidos portugueses, ou se será apenas mais uma tirada de ocasião. De qualquer modo, Beleza, de acordo com o DN, denunciou a existência no partido de um “sistema de jagunços” que funciona “como o nordeste brasileiro no tempo dos coronéis“. Apontou o dedo a Mesquita Machado que “ganhou com certeza muitas eleições internas a pagar quotas dos outros“. 

Como a procissão ainda vai no adro, surge agora Miguel Laranjeiro, a desvalorizar o pagamento de quotas por terceiros, ao mesmo tempo que recusa mostrar os comprovativos dos pagamentos feitos por estes porque, imagine-se, em causa estaria o “sigilo bancário“. De caminho, lá por Coimbra, está o caos instalado, aguardando-se o resultado de uma providência cautelar.

Álvaro Beleza, “com certeza“, para falar como fala sabe o que está a dizer. E, se assim é, as declarações de Miguel Laranjeiro até serão normais.

Tenho pena, de facto, que a invocação do sigilo bancário sirva, neste caso, para proteger jagunços. Porque para quem apregoa a transparência, a ética e outras coisas que às vezes dão jeito, o primeiro passo seria a denúncia dos jagunços que pagaram as quotas dos falecidos e de, pelo menos, mais vinte militantes. A primeira coisa que um líder sério, cujo poder é posto em causa por um “sistema de jagunços”, deveria fazer seria esclarecer essas situações e promover a instauração de processos disciplinares, visando a expulsão de quem pagou as quotas dos falecidos e dos terceiros que, ainda vivos e com voz, se queixaram. Porque é essa jagunçada que descredibiliza a política e os partidos.

Invocar procedimentos incorrectos de ontem – por parte de quem até ajudou Seguro a chegar onde está – para justificar as golpadas de hoje, desvalorizando-as, só prova, afinal, uma coisa: que o sigilo bancário protege os jagunços. E também que as eleições para as federações e as primárias do PS são pouco transparentes e controladas por quem invoca o sigilo bancário para proteger a jagunçada de que fala Álvaro Beleza. Prova de que quanto aos métodos em nada se distinguem de quem noutros partidos usou dos mesmos para chegar à cadeira do poder.

O melhor é antecipar os calendários


Sérgio de Almeida Correia,

Sabendo-se que conta com todos, com excepção daqueles que antecipadamente excluiu, espero que António José Seguro anuncie rapidamente o seu governo de coligação. E as pastas. O referendo entre militantes, para evitar “arranjinhos de poder e caprichos pessoais”, parece-me uma excelente ideia. O ideal era realizá-lo já, se possível para a semana, tirando partido do início da época futebolística.

Creio é que também seria conveniente aproveitar-se a oportunidade para se perguntar aos militantes se estão de acordo com a presença dos elementos do Governo Sombra, de Jorge Jesus e dos Xutos e Pontapés nessa frente alargada. O Rojo é que teria de ficar de fora porque o Bruno de Carvalho antecipou-se. O referendo poderia então funcionar, aos olhos dos simpatizantes, como um estímulo para a maioria absoluta. E, já agora, como umas primárias antecipadas.

Se a coisa corresse bem poupava-se tempo. Quem sabe se também as primárias?

Em resumo


Sérgio de Almeida Correia,

Um tipo lê as coisas que o Tozé agora deu em dizer e no fim só pode tirar uma conclusão. Quando o rapaz estava a dissertar sobre a promiscuidade entre os negócios e a política, quando se referia à linha de fractura entre a nova e a velha política, ao clima de podridão e às meias-tintas, à mistura entre negócios, política e vida pública, afinal não estava a referir-se ao Costa, nem aos gajos da capital que olham com desdém para os que vêm da província. Mas a mandar um recado aos seus apoiantes. Com muito afecto, é claro. Apesar da senhora presidente da Comissão Parlamentar de Saúde não ver nisso qualquer incompatibilidade. Incompatibilidade, para falar verdade, também não vejo. E penso que estas coisas devem ser assumidas sem meias-tintas, de preferência usando a mesma conta bancária para se receber o salário e os bónus que aquela malta (estou a conter-me) foi distribuindo generosamente à gente simpática, educada, disponível e compreensiva do centrão. Vejo é semelhanças. Muitas. Entre o que ele e Passos Coelho dizem e fazem. Como já via com um outro figurão ou com Cavaco Silva. Sempre com o ar mais sério e generoso do mundo. É a política com “p” pequenino. Com “p” de “portugal”. De “ps”, de “política”. E também de muitas outras palavras começadas com “p”, sobejamente conhecidas do Tozé, que me abstenho de enumerar para não estragar o domingo a quem tem a bondade de me ler.

Bonifrate


Sérgio de Almeida Correia,

“Quero fazer aqui este pacto de confiança, a de que todos juntos, cada um com a sua responsabilidade, de mobilizar o maior número de portugueses para se inscreverem nas primárias e de dizerem de uma vez por todas que quem governa Portugal somos todos e não uma corte de iluminados em Lisboa, que decide e impõe a seu belo prazer aquilo que deve ser feito em Portugal“

 

Com o passar das semanas, vendo a terra fugir-lhe debaixo dos pés, mas também a sensatez, a temperança e a dignidade, já nem vê para onde dispara e acaba por acertar nele próprio. Agora que resolveu assumir o papel de Luís Filipe Menezes, de Alberto João ou de Mendes Bota do PS, é altura de também lhe perguntar por onde tem andado, há quantos anos vive em Lisboa e com quem costuma conviver quando está na capital. Será que só se dá com “expatriados”? E, já agora, que fez pela regionalização desde que está à frente do PS? Pelo Algarve, por exemplo.

No país do faz-de-conta é fácil perceber por que dava jeito a tantos que ele continuasse a fazer de conta que liderava. Como fez questão de prolongar a sangria até ao Outono ainda vamos ter mais dois meses para o ouvir subir a parada. De uma coisa já estou certo: daqui para a frente a cotação do dislate vai ser sempre a subir.

António Costa e os media.


Luís Menezes Leitão,

 

Ontem escrevi aqui que politicamente o avanço de António Costa era imparável e que só a blindagem dos estatutos realizada por António José Seguro o estava a conseguir travar processualmente. Uma das razões para esse avanço de Costa é a sua habitual boa imprensa e o extraordinário acesso aos media, coisa que Seguro nunca teve. Basta lembrar que, para ser entrevistado numa altura em que ganhou o congresso, Seguro teve que interromper uma entrevista de Costa, coisa que este nunca lhe perdoou e que explica bem as razões de consciência que ditaram o seu avanço nesta altura.

 

Em termos de acesso aos media, António Costa não apenas dispõe de um debate semanal na quinta-feira com dois adversários que já o reconhecem como líder natural do seu partido, como ainda ontem foi chamado pela Sic Notícias a uma entrevista à terça-feira, noticiando os media amplamente o seu percurso triunfante pelo país. Quanto a Seguro, apesar de ter apelado a debates com Costa, nenhuma televisão os organizou, nem sequer convidou Seguro para uma simples entrevista. É evidente que, nas tais absurdas “primárias” que convocou, Seguro vai ser trucidado sem ter sequer oportunidade para dizer um “ai”.

 

Entretanto António Costa já começa a dizer ao que vem e é o pior que se poderia esperar. Agora veio dizer que o IMI dos lisboetas é que vai servir para pagar os prejuízos das empresas de transportes, podendo esse IMI até aumentar. Neste momento, os cidadãos já têm o IMI em valores estratosféricos, multiplicam-se as execuções fiscais, e grande parte das pessoas vai perder as suas casas por não conseguir pagar o imposto, mas isto não interessa nada. O que interessa é que a Câmara possa adquirir empresas de transportes com dívidas colossais, nem que para isso tenha que desbaratar o dinheiro dos contribuintes. Transponha-se isto para a escala nacional e ficamos a saber que um governo de António Costa pode ser ainda mais catastrófico para o país que o de Sócrates foi. Sinceramente neste momento, entre Costa e Seguro, já não sei qual dos dois é pior.

O spray milagroso de António José Seguro


Rui Rocha,

Como é sabido, o assalto ao poder lançado por António Costa provocou grande indignação nas hostes de António José Seguro. Num primeiro momento, apanhado de surpresa, o secretário-geral do PS deu alguns sinais de desorientação. Propostas como a realização de primárias ou a solução de condução bicéfala do partido tinham propósito evidentemente dilatório. E também o objectivo de ganhar tempo. Todavia, parece ter agora chegado o momento de inverter as regras do jogo e Seguro prepara-se para retomar o controlo das operações. A este iminente volte-face não será indiferente o facto de Seguro se ter feito rodear de alguns dos mais eminentes estrategas socialistas. O Delito de Opinião sabe, por exemplo, que têm ocorrido várias reuniões secretas daquele a que no PS chamam já o trio dos 2 sábios. Que é composto por Seguro, José Junqueiro, Brilhante Dias e Álvaro Beleza. Nestas reuniões, terão sido discutidas diversas alternativas com o objectivo de afastar definitivamente António Costa da luta pelo poder. Sobre a mesa terá chegado a estar a possibilidade de usar a máquina de lavar alfaces que Junqueiro comprou no canal de tele-vendas para reciclar os opositores. Todavia, a hipótese acabou por ser afastada devido ao receio de a tatuagem com números que Isabel Moreira tem no braço esquerdo poder descorar durante a lavagem. Outra alternativa analisada terá sido a de alterar os estatutos, aprovando uma norma que fizesse depender a eleição do secretário-geral da resposta correcta à célebre pergunta do Quem Quer Ser Milionário. Fontes próximas de Seguro revelaram ao Delito de Opinião que esta solução esteve muito próxima de ser aprovada mas que, no último momento, os quatro membros do trio dos 2 sábios não conseguiram chegar a acordo sobre a resposta   certa.

                      A pergunta que permitiria escolher o secretário-geral do PS mas que não chegou a ser aprovada                       

Entretanto, estas reuniões, apesar das dificuldades e dos momentos de impasse,  não terão sido completamente infrutíferas. Terá sido o próprio António José Seguro a propor uma solução infalível para a crise interna do partido. Num momento de inspiração, alguns telodendros e dendritos do cérebro do líder socialista terão estado quase a formar uma ou mais sinapses e este terá proposto que, tal como ocorre no Mundial do Brasil, o secretário-geral passe a usar um spray que permitirá marcar um limite a partir do qual António Costa não poderá chegar-se ao poder no partido. António José Seguro faz assim jus ao elevado conceito que Álvaro Beleza tem dele. Nos momentos mais difícieis encontra sempre uma solução genial para uma situação que parecia desesperada. Na verdade, pode mesmo dizer-se que é uma espécie de Messi a quem só falta o talento. 

Enquanto discutem se há congresso


Sérgio de Almeida Correia,

Estando feito o “mal”, no sentido de que a partir do momento em que foi lançado o repto só havia dois caminhos, ou aceitá-lo e discutir as suas razões de forma rápida e o mais indolor possível, ou recusar e abrir a via da discussão prolongada em praça pública, sem que daí resultassem ganhos para quem defende os seus pontos de vista, nem para quem do lado de fora assiste, assim se transformando uma discussão necessária e que devia processar-se de forma elevada numa verdadeira bagarre, gostava de aqui recordar uma máxima desenvolvida por Harold Clarke e outros autores e a que Patrick Seyd e Paul Whiteley se referem, máxima que é aplicável a qualquer partido (pela tradução respondo eu):

“Numa época em que a velocidade da resposta política é uma constante, as notícias vinte e quatro horas por dia são um traço distintivo dos media. Além disso, o debate intrapartidário e a discussão serão muitas vezes apresentados pelos media como uma guerra interna do partido. O equilíbrio entre o debate e a divisão é difícil de conseguir, e a percepção de um partido dividido pode ser eleitoralmente perniciosa. Um partido dividido é muitas vezes visto como um partido eleitoralmente inelegível” (British Party members, An Overview, in Party Politics, 2004, vol. 10, n. 4, 363). 

Ao ler os últimos títulos dos jornais, e ao ouvir as mais recentes declarações de Seguro e Costa, lembrei-me disto.

Até podem estar os dois carregados de razões para terem elevado a voz, mas de uma coisa começo a não duvidar: os portugueses nunca compreenderão a extensão do conflito, a subida de tom e o prolongamento da sangria. Como não compreenderão um processo de primárias a trouxe-mouxe ou uma proposta de redução de deputados nesta altura em que o que está em causa é a discussão da liderança e a construção de uma alternativa de governo credível.

Quando o fim é bom, nem sempre serão todos os meios para lá chegar, mesmo quando se afirme a perenidade dos princípios e das convicções. Talvez pudessem meditar nisto antes de estraçalharem o que ainda resta de confiança e de esperança na opinião pública. Os militantes são neste momento o que menos interessa. 

 

PS: tanto barulho para quê?


Pedro Correia,

 

1. Há uma ‘vaga de fundo’ no PS que pretende usar António Costa para um projecto que jamais será o dele.

 

2. Alguns socialistas já cortaram com o PS tradicional, o PS histórico, o PS de centro-esquerda, o PS do memorando, do Tratado Orçamental, da responsabilidade financeira. Basta ver o registo das votações parlamentares: esses socialistas votaram ao lado do Bloco de Esquerda, no Parlamento, em diversos momentos cruciais ao longo da legislatura. Por outras palavras: um partido que vale hoje só 4,5% nas urnas, mesmo numa eleição que potencia o voto de protesto, lidera do ponto de vista estratégico esses socialistas que pretendem transformar o PS naquilo que nunca foi nem jamais será.

 

3. Mesmo assim, existe a intenção deliberada de moldar o maior partido da oposição portuguesa à semelhança de um Syriza ou um Partido de Esquerda francês ou um Die Linke alemão, aproveitando a recente deriva esquerdista de Mário Soares. Não por acaso, Soares recusou fazer campanha pelo PS nas europeias enquanto autorizava a difusão da sua imagem nos cartazes de propaganda eleitoral do Syriza. Dando assim caução intelectual aos expoentes daquela ala.

 

4. Tendo um certo revanchismo socrático como aliado e alguns órgãos de informação como marcos instrumentais nesta estratégia, de que são peças complementares o fragilizado BE, por um lado, e o novíssimo Livre, por outro, esses socialistas que aspiram à formação de uma frente de esquerda sob a palavra de ordem “não pagamos” e sonham queimar a efígie da “senhora Merkel” na praça pública só necessitam de uma figura de proa que os represente. Soares está excluído, pela sua avançada idade. José Sócrates é um has been. Francisco Assis pertence à ala oposta: alguns no PS até têm pesadelos só de imaginar que um dia o partido poderá vir a ser liderado por ele.

 

5. António José Seguro – que contou sempre com um grupo parlamentar profundamente hostil – serviu enquanto nada havia a fazer senão carregar tijolo após o partido ter ficado quase reduzido a escombros nas legislativas de 2011 e não havia novas eleições no horizonte.

 

6. O calendário político potenciou o ataque ao poder interno. E agora todas as armas valem, começando pelas tentativas de assassínio de carácter vindas de alguns aliados conjunturais de outrora: esta é uma das piores características da política e explica em grande parte a péssima reputação de que gozam os partidos junto dos portugueses.

 

7. Resta Costa. Essa ala socialista de matriz lisboeta e urbana chic, muito activa nas redes sociais, mobiliza-se agora contra Seguro na esperança de que o ainda presidente da câmara de Lisboa sirva de bandeira à mirífica “unidade de esquerda” sempre perseguida e nunca alcançada desde a Revolução dos Cravos.

 

8. Mas podem desenganar-se. Costa jamais será o Tsipras ou o Lafontaine ou o Mélenchon desta facção. E, até por experiência muito pessoal, está vacinado desde há muito contra a tentação de formar “frentes de esquerda”, que se destinariam apenas a abrir um fosso talvez irreparável entre o PS e a generalidade dos portugueses.

 

9. Ser em 2014 o que Manuel Serra esteve a um passo de conseguir em 1974, satelizando o PS às forças situadas à sua esquerda? No way. Costa jamais cometerá tão clamoroso erro. Desde logo por saber que nunca conquistará o poder sem conquistar o centro.

 

10. Neste ponto, pelo menos, Seguro e Costa convergem. E, convenhamos, o essencial é isto. O resto são jogos florais de alguns incapazes de entender a política para além da lógica de trincheira, estribada em confrontos de personalidades. Como se as ideias não importassem. Mas importam. E o que intriga no confronto em curso no PS é este mesmo: palavras a mais, ideias a menos. Tanto barulho para quê?

Ouremos!


Rui Rocha,

Que primárias não. Que primárias sim. Que fica como secretário-geral. Mas admite eleição do candidato a primeiro-ministro. Que a liderança fica bicéfala. Que afinal sai se perder as primárias. A imagem do ringue de boxe faz sentido. Mas, ao contrário do que refere Ferreira Fernandes, Seguro não está refugiado nas cordas a ganhar tempo. A táctica é outra. Com tanta contradição, Seguro parece querer andar às voltas no ringue, aos saltinhos, até António Costa ficar ourado.

Habituem-se!


fiodeprumo,

“Habituem-se, que isto mudou”, afirmou António José Seguro, neste sábado, no intervalo para almoço da Comissão Nacional do PS a decorrer no Vimeiro. 

António Vitorino já disse no passado  o mesmo. Pelos vistos, nada mudou no PS e é preciso relembrar…

Em tempo: Atribui a frase de António Vitorino a Jorge Coelho. E o mais grave é que havia confirmado com um socialista… Está de ver que foi uma pequena vichyssoise…

Muito obrigada a todos aqueles que me corrigiram.

As notícias da morte política de António José Seguro são manifestamente pouco rigorosas


Rui Rocha,

Independentemente do desfecho que vier a ter, a gestão de António José Seguro da crise interna confirma a percepção generalizada de que o actual secretário-geral do PS é um líder fraco e politicamente mal preparado. As manobras dilatórias, a apresentação de propostas que há bem pouco tempo tinha recusado (primárias), a incoerência entre o pedido de eleições legislativas antecipadas e a invocação dos estatutos do PS para evitar a discussão interna da sua liderança são o exemplo de uma visão politiqueira do poder que não convence parte dos militantes socialistas e, por maioria de razão, será incapaz de mobilizar os portugueses. Apesar de tudo, seria um exagero afirmar que Seguro está agora politicamente morto. Para que isto fosse verdade, seria necessário que alguma vez Seguro tivesse estado politicamente vivo.

Ah, como Seguro conhece bem o aparelho socialista…


Rui Rocha,

Pelo visto, António José Seguro propõe primárias para decidir qual o candidato do PS a funções de primeiro-ministro mas não aceita pôr em discussão o seu cargo de secretário-geral. Coloca assim todos os socialistas que se inclinavam para apoiar António Costa perante um terrível dilema: manterem-se fiéis às suas convicções e princípios, permanecendo ao lado de Costa a bem daquilo que consideram ser os mais altos interesses do país, mas arriscando-se a não serem elegíveis para tachos que dependem do favor do aparelho, ou abdicarem das suas convicções e princípios para aumentarem as possibilidades de acederem aos tachos. Seguro, que tem fama de conhecer o aparelho como ninguém, parece não ter dúvidas sobre qual o lado para que penderão os corações e a razão dos valorosos e patriotas militantes socialistas.

Deve ter algum sentido


Sérgio de Almeida Correia,

“O secretário-geral do PS António José Seguro decidiu não estar presente no debate da moção de censura do PCP por considerar que é um “frete ao Governo” e só estará no momento da votação, confirmou o PÚBLICO junto da assessoria deste grupo parlamentar“.

 

Confesso que não atinjo, mas esta deve ser a parte menos relevante. Talvez os portugueses entendam.