Pelo visto, António José Seguro propõe primárias para decidir qual o candidato do PS a funções de primeiro-ministro mas não aceita pôr em discussão o seu cargo de secretário-geral. Coloca assim todos os socialistas que se inclinavam para apoiar António Costa perante um terrível dilema: manterem-se fiéis às suas convicções e princípios, permanecendo ao lado de Costa a bem daquilo que consideram ser os mais altos interesses do país, mas arriscando-se a não serem elegíveis para tachos que dependem do favor do aparelho, ou abdicarem das suas convicções e princípios para aumentarem as possibilidades de acederem aos tachos. Seguro, que tem fama de conhecer o aparelho como ninguém, parece não ter dúvidas sobre qual o lado para que penderão os corações e a razão dos valorosos e patriotas militantes socialistas.
Ah, como Seguro conhece bem o aparelho socialista…
Rui Rocha,

Pois… e o mais engraçado seria Costa candidatar-se sozinho, já que Seguro não teria nenhum interesse em aparecer. Mantinha o controlo do aparelho, e obrigaria Costa a um papel ridículo, de candidato a PM sem partido.
Com notícias destas, o governo pode até chutar para as calendas a questão do OE.
O espectáculo está em cena, e o governo está no camarote a ver se o PS arranja maneira de se desintegrar sozinho.
Entretanto, e servindo todas as ambições do bipartidarismo puro, Seguro já veio anuir à eleição uninominal por círculo eleitoral. Basicamente aquela ideia genial em que os votantes no PCP têm que ir todos viver para o Alentejo, e os do BE têm que ir todos para Salvaterra de Magos.
E os do PP, coitados, vão ter que criar um enclave em Ponte do Lima.
Diz-se que, bem juntinhos, já cabem todos na ponte.
Enfim, este anúncio de Seguro é um “salvem-se os partidos”, enquanto podem, já que os últimos resultados implicariam o fim dos 2/3 para revisões PSD+PS.
Passos só pode estar de acordo, o problema é saber se Portas quer fechar as portas ao PP.
Com este anúncio, Seguro mostra bem que sabe o que preocupa a militância socialista… o fim da alternância nos tachos.
Para salvar os dois partidos PS e PSD, o círculo uninominal é o ideal. Quem não conseguiu vitórias por câmaras dificilmente conseguirá um deputado que seja, e assim os glutões PS e PSD contam papar tudo. Receita aplicada com sucesso em França, que foi sempre conseguindo evitar dar deputados à Frente Nacional, apesar da grande percentagem de votantes.
Imagino que em França também já não estejam contentes com o sistema eleitoral… é assim que funcionam as grandes democracias.
Esse sistema pode salvar por enquanto o PS, mas apressa-se a condenar o regime… ainda que isso pareça importar pouco.
Quando a abstenção nas legislativas for superior a 50%, acho que o regime está tão condenado quanto estava o do Estado Novo… é só uma questão de tempo.
Se bem me recordo, quando Assis concorreu a secretário-geral da agremiação, propôs que os chamados simpatizantes não militantes pudessem ter direito a participar nas votações do grupio excrucionista, coisa a que Seguro se opôs terminantemente.
Que raio se terá passado entrementes para agora achar que isso é de pôr em prática?! Não que eu tencione ir lá meter-me na disputa, que já opõe filhos a pais, Deus me livre…
Sim, sim. Se pensam que somos nós que vamos contrariar o João Soares quando ele afirma que o pai disse uma tolice, estão muito enganados. Não nos metemos nisso.
Giro, giro, de girar, era o Seguro apresentar João Soares candidato a PM!
Salvava a sua pele, ainda que menorizando-se, mas deixava o paizinho e o Costa a contorcerem-se em cambalhotas.
Essa era de mestre.
Isto acaba com um em secretário-geral e o outro em candidato a primeiro-ministro e a malta toda aos abraços , o nacional-porreirismo vence sempre , nunca falhou .
Qual deles em quê logo se vê , as espingardas que defendem umas barricadas aqui podem sempre ír defender outras barricadas acolá , a isso há quem chame nessas alturas pragmatismo , talvez porque ande quase sempre longe dele e o conheça mal .
É, o pragmatismo serve de guarda-chuva para muito aguaceiro.
Precisamos de mais exigencia com as jogadas dos aparelhos partidarios. Manter que com 63% de abstenção os resultados têm grande significado é fantasia de pouca valia intelectual. Esconder com a peneira o facto de que os resulatdos maravilhosos de um partido foram conseguidos com um numero de votos semelhante ao que tiveram quando a percentagem foi quase metade da de agora e andar a cantar loas a subida espectacular é ser moralmente mentiroso e politicamente um crapula. Mas isto é repetido da esquerda a direita o que nos faz refletir que raio de caminho percorremos para termos a moral democratica tão deteriorada? cada um que reflita se não precisamos de separar os tachos da eleição politica ou vamos continuar no faz de conta que são eleições democraticas!!!
O tempo devia de facto ser de profunda reflexão, Cristof.
Sim. A habitual questão de acesso aos suculentos tachos.
Dá para sorrir as posições contraditórias, anedótica, dos respectivos claramente-apoiantes. Ilustram as respectivas (inverosímeis) anunciadas causas.
Rotineira, digna de dó, a cena dos nervosamente-indecisos.
Os cripto-oscilantes brotarão, como habitualmente, ao minuto 90 + tempo de compensação. Grande festa. Nada de novo.
E nada de povo.
Isto sim é uma boa leitura da situação política e uma excelente radiografia da ética socialista, maçónica e republicana: a cunha como a seiva ansiosa que lhes soergue o esqueleto.