“Quero fazer aqui este pacto de confiança, a de que todos juntos, cada um com a sua responsabilidade, de mobilizar o maior número de portugueses para se inscreverem nas primárias e de dizerem de uma vez por todas que quem governa Portugal somos todos e não uma corte de iluminados em Lisboa, que decide e impõe a seu belo prazer aquilo que deve ser feito em Portugal“
Com o passar das semanas, vendo a terra fugir-lhe debaixo dos pés, mas também a sensatez, a temperança e a dignidade, já nem vê para onde dispara e acaba por acertar nele próprio. Agora que resolveu assumir o papel de Luís Filipe Menezes, de Alberto João ou de Mendes Bota do PS, é altura de também lhe perguntar por onde tem andado, há quantos anos vive em Lisboa e com quem costuma conviver quando está na capital. Será que só se dá com “expatriados”? E, já agora, que fez pela regionalização desde que está à frente do PS? Pelo Algarve, por exemplo.
No país do faz-de-conta é fácil perceber por que dava jeito a tantos que ele continuasse a fazer de conta que liderava. Como fez questão de prolongar a sangria até ao Outono ainda vamos ter mais dois meses para o ouvir subir a parada. De uma coisa já estou certo: daqui para a frente a cotação do dislate vai ser sempre a subir.

Eu já fiz o meu dever e já me inscrevi. Mas como, em termos políticos, não descortino diferença entre o Seguro e o Costa, vou-me abster nessas tais primárias.
Só um alfacinha é que poderá achar essa afirmação estranha.
Faz todo o sentido, e nada tem de contraditório.
A suposta “corte de iluminados” também não reside apenas em Lisboa.
Nem mais, tem toda a razão. Não vou discorrer sobre um possível aproveitamento político por parte de António José Seguro, mas quanto a factos, ele vive nas Caldas da Rainha.
Eu vivo na capital* e tal como outros expatriados (sic), sentimos isso mesmo, que existe uma franja burguesa/elitista, pseudo-intelectual, quer pela esquerda (esta em maioria pública), quer pela direita, que julga ser o país. Falando com algumas personagens percebemos logo que não conhecem o mesmo. Tudo o que foge às suas convenções só pode residir na ignorância e falta de espírito. Eles são a razão e a verdade reside na sua visão do mundo.
* Sou nortenho, minhoto e já vivi por temporadas em Trás-os-Montes, Beira Interior e Alentejo. Tirando o Algarve e ilhas posso dizer que conheço razoavelmente o meu país. Quase toda a gente gosta muito de Lisboa (pudera é uma cidade lindíssima, embora demasiado suja…), mas dos alfacinhas…
Não sou alfacinha (todos temos os nossos defeitos/virtudes).
Miguel: Seguro deverá estar a maior parte do tempo em Lisboa, ainda que vote nas Caldas.
Sérgio:
Em cada cidade forma-se um habitat local, que pode ser cultura de bairro, por influência da mesma escola ou liceu. Lisboa foi-se fazendo em camadas, em parte resultando de vários êxodos – sangrias que a metrópole fazia para congregar toda a relevância. Essas camadas interagem alguma coisa, mas há culturas locais… pode ver mais ambiente de aldeia nalguns bairros de Lisboa do que noutras cidades.
A grande diferença é que a cultura local das modas de música, cinema, livros, é diferente de paragem para paragem.
Quem está fora do centro sabe disso, e não dá importância excessiva à cultura local. Quem está no centro julga que sabe o que tem que saber… porque afinal o centro é que sabe as modas, e ponto final. Quem vem de fora, nada tem a ensinar, tem é que aprender.
Nesse processo, Lisboa julga-se grande, apesar de ser pequena face a Londres, Paris ou Nova Iorque.
Esse provincianismo lisboeta, chega a ser confrangedor, especialmente numa pseudo-intelectualidade de esquerda, sempre atenta a modas intelectuais estrangeiras, para compensar o isolamento.
Noutras terrinhas, o pessoal está-se simplesmente a marimbar para essa intelectualidade de modas, e se a conhece é porque tem que lidar com a bicharada.
Tudo tem uma explicação. O Seguro afirma isso porque sempre ficou sossegado em Penamacor.
«Daqui para a frente a cotação do dislate vai ser sempre a subir.»
Esse é o problema dos políticos, incluindo os “sebastiânicos” – Costa, Rio…
Como diria o filósofo Romário, calados são uns poetas. O pior é quando, para se candidatarem a qualquer coisa, entram em campanha. Falam “tanta merda”…