Bonifrate


Sérgio de Almeida Correia,

“Quero fazer aqui este pacto de confiança, a de que todos juntos, cada um com a sua responsabilidade, de mobilizar o maior número de portugueses para se inscreverem nas primárias e de dizerem de uma vez por todas que quem governa Portugal somos todos e não uma corte de iluminados em Lisboa, que decide e impõe a seu belo prazer aquilo que deve ser feito em Portugal“

 

Com o passar das semanas, vendo a terra fugir-lhe debaixo dos pés, mas também a sensatez, a temperança e a dignidade, já nem vê para onde dispara e acaba por acertar nele próprio. Agora que resolveu assumir o papel de Luís Filipe Menezes, de Alberto João ou de Mendes Bota do PS, é altura de também lhe perguntar por onde tem andado, há quantos anos vive em Lisboa e com quem costuma conviver quando está na capital. Será que só se dá com “expatriados”? E, já agora, que fez pela regionalização desde que está à frente do PS? Pelo Algarve, por exemplo.

No país do faz-de-conta é fácil perceber por que dava jeito a tantos que ele continuasse a fazer de conta que liderava. Como fez questão de prolongar a sangria até ao Outono ainda vamos ter mais dois meses para o ouvir subir a parada. De uma coisa já estou certo: daqui para a frente a cotação do dislate vai ser sempre a subir.

7 comentários em “Bonifrate”

  1. Eu já fiz o meu dever e já me inscrevi. Mas como, em termos políticos, não descortino diferença entre o Seguro e o Costa, vou-me abster nessas tais primárias.

  2. Só um alfacinha é que poderá achar essa afirmação estranha.
    Faz todo o sentido, e nada tem de contraditório.
    A suposta “corte de iluminados” também não reside apenas em Lisboa.

    1. Nem mais, tem toda a razão. Não vou discorrer sobre um possível aproveitamento político por parte de António José Seguro, mas quanto a factos, ele vive nas Caldas da Rainha.
      Eu vivo na capital* e tal como outros expatriados (sic), sentimos isso mesmo, que existe uma franja burguesa/elitista, pseudo-intelectual, quer pela esquerda (esta em maioria pública), quer pela direita, que julga ser o país. Falando com algumas personagens percebemos logo que não conhecem o mesmo. Tudo o que foge às suas convenções só pode residir na ignorância e falta de espírito. Eles são a razão e a verdade reside na sua visão do mundo.

      * Sou nortenho, minhoto e já vivi por temporadas em Trás-os-Montes, Beira Interior e Alentejo. Tirando o Algarve e ilhas posso dizer que conheço razoavelmente o meu país. Quase toda a gente gosta muito de Lisboa (pudera é uma cidade lindíssima, embora demasiado suja…), mas dos alfacinhas…

      1. Miguel: Seguro deverá estar a maior parte do tempo em Lisboa, ainda que vote nas Caldas.

        Sérgio:
        Em cada cidade forma-se um habitat local, que pode ser cultura de bairro, por influência da mesma escola ou liceu. Lisboa foi-se fazendo em camadas, em parte resultando de vários êxodos – sangrias que a metrópole fazia para congregar toda a relevância. Essas camadas interagem alguma coisa, mas há culturas locais… pode ver mais ambiente de aldeia nalguns bairros de Lisboa do que noutras cidades.

        A grande diferença é que a cultura local das modas de música, cinema, livros, é diferente de paragem para paragem.
        Quem está fora do centro sabe disso, e não dá importância excessiva à cultura local. Quem está no centro julga que sabe o que tem que saber… porque afinal o centro é que sabe as modas, e ponto final. Quem vem de fora, nada tem a ensinar, tem é que aprender.
        Nesse processo, Lisboa julga-se grande, apesar de ser pequena face a Londres, Paris ou Nova Iorque.
        Esse provincianismo lisboeta, chega a ser confrangedor, especialmente numa pseudo-intelectualidade de esquerda, sempre atenta a modas intelectuais estrangeiras, para compensar o isolamento.
        Noutras terrinhas, o pessoal está-se simplesmente a marimbar para essa intelectualidade de modas, e se a conhece é porque tem que lidar com a bicharada.

  3. «Daqui para a frente a cotação do dislate vai ser sempre a subir.»
    Esse é o problema dos políticos, incluindo os “sebastiânicos” – Costa, Rio…
    Como diria o filósofo Romário, calados são uns poetas. O pior é quando, para se candidatarem a qualquer coisa, entram em campanha. Falam “tanta merda”…

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