Avivar as memórias


Sérgio de Almeida Correia,

“Leaders must have the vision to take their followers to a place they have never seen (in Henry Kissinger’s phrase), but they must also be sure their people will follow them there – that the parade will not continue down Broadway when the leader turns onto Main Street. Party leadership is hazardous business, and mistakes can lead to electoral defeat or the choice of new leader (or both). On rare occasions, they can produce the ruination of the party” – Charles S. Mack, When Political Parties Die, Praeger, 2010

 

Qual é a dúvida?

Pós-eleitoral (7)


Pedro Correia,

Helena Cristina Coelho, Diário Económico: «Continua a não surgir nada de muito novo neste PS: nem um plano, uma solução, um rumo, uma ideia. Até a corrida de António Costa está mais anunciada que a morte no livro de García Márquez.»

 

Luís Rosa, i: «Quarenta e oito horas depois do início do bullying político a António José Seguro, continuamos concentrados no acessório da marcação do congresso extraordinário sem saber o essencial: António Costa quer ser primeiro-ministro para quê?»

 

Celso Filipe, Jornal de Negócios: «Afinal, o que é que separa António Costa e António José Seguro? Olhando para as áreas económicas é difícil encontrar diferenças.»

 

Fausto Coutinho, Diário Económico: «A decisão de António Costa pode ser uma oportunidade para António José Seguro arrumar a casa socialista e afastar os fantasmas que assombram a sua liderança desde o início.»

 

Rui Ramos, Observador: «Costa encontra-se, neste momento, na mais perigosa de todas as situações. Basicamente, está nas mãos, quer de Seguro, quer dos inimigos de Seguro. António Costa apenas pode ser o António Costa de que o PS precisa se for como que aclamado no partido. Só se for consensual no PS pode aspirar a ser consensual no país.»

 

Ana Sá Lopes, i: «Houve um tempo em que António Costa defendia que quem perdia as eleições deveria continuar a liderar o PS. Aconteceu depois da derrota de Sampaio nas legislativas de 1991, quando Cavaco Silva conseguiu a segunda maioria absoluta.»

 

Fernando Sobral, Jornal de Negócios: «Depois desta decisão de António Costa, o PS nunca mais será o mesmo. Mesmo que Seguro conserve o poder.»

Dois erros de Seguro


fiodeprumo,


Seguro cometeu, a meu ver, dois erros lapidares. O mais recente foi prometer que iria repor pensões e não aumentar os impostos.  O segundo, há pouco menos de um ano, foi o de não aceitar a proposta de Cavaco Silva para subscrever um acordo com o PSD, que tinha como contrapartida a antecipação das legislativas para 2014. Se assim  não tivesse acontecido, António José Seguro podia estar neste momento em São Bento como primeiro-ministro. E não no Largo do Rato a viver uma dificílima crise interna.                                       

A hostilização de Cavaco só se explica pela vontade de agradar aos seus detractores no partido. Ora é precisamente esta ala interna – que teve de tolerar Seguro mas nunca, de facto, o aceitou – que, agora, julga ter chegado o momento do PS e do seu líder cumprirem o seu destino.  O primeiro, sob outra batuta, de alcançar uma maioria absoluta nas próximas legislativas. O segundo, de ir viver a sua vida!

 

Em tempo: um comentador referiu, com muita razão, o terceiro erro, mais recente ainda, que foi o discurso de Domingo, empolando a magra vitória alcançada.

Não ter a noção do ridículo


Sérgio de Almeida Correia,

“Não temos condições para andar todos os dias a brincar aos congressos quando em dois anos tivemos duas vitórias que infligiram duas derrotas históricas à direita”

 

Não sei o que diria se tivesse obtido uns módicos 44,53 % nas europeias, mas tenho pena que tenha sido necessário haver uma recondução em 2013 e fosse preciso esperar por “duas derrotas históricas à direita” para se ver o óbvio. A ver se desta vez não acaba tudo em águas de bacalhau, com abraços e palmadinhas nas costas. Como da última vez.

As quinze medidas de Seguro


fiodeprumo,

Das oitenta medidas saídas da Convenção Novo Rumo, ao que lemos, Seguro comprometeu-se com as quinze que se discriminam abaixo:

1.- Acabar com a “TSU dos pensionistas”.

2.- Revogar os cortes no complemento solidário para idosos:

3.- Não despedir funcionários públicos: .

4.- Acabar com a sobretaxa de IRS:

5.- Alcançar um novo acordo de concertação social.

6.- Avançar com o Plano de re-industrialização 4.0:

7.- Criar a Estação Oceânica Internacional nos Açores

8.- Pacto para o emprego:

9.- Não aumentar a carga fiscal na próxima legislatura.

10.- Separar o sector público e privado na saúde. Os profissionais recém chegados terão de trabalhar em exclusividade para o Serviço Nacional de Saúde.

11.- Reduzir a taxa de abandono escolar dos actuais 20% para 10% durante a próxima legislatura.

12.- Recusar o plafonamento das contribuições para s Segurança Social.

13.- Cumprir as metas do Tratado Orçamental, alcançando uma meta de 0,5% do défice a médio prazo e renegociação das condições da dívida pública”.

14.- Promover a reforma do Estado alterando os processos e sem fazer cortes.

15.- Defender uma nova agenda europeia

Curiosamente, estas medidas que se compreenderiam numa campanha para as legislativas, aparecem extemporaneamente na campanha para as europeias…

Quanto ao conteúdo, voltaremos ao assunto, depois de eu ler as oitenta acima referidas. Uma correria, depois das 120 de Paulo Portas. Eles andam numa maratona. E nós, com eles! 

Um episódio lamentável


Rui Rocha,

António José Seguro decidiu associar-se à campanha #bringbackourgirls, uma iniciativa de solidariedade com as famílias de 200 meninas nigerianas que foram raptadas. Não faço sobre essa decisão qualquer juízo de intenções. Terá a atitude de Seguro sido determinada por eleitoralismo, pela vontade de promover a sua própria notoriedade? Não sei, nem quero saber. E se deve existir uma certa contenção da parte dos políticos para não prejudicarem as campanhas em que se envolvem, desviando a atenção dos propósitos destas para as suas eventuais intenções, o certo é que um político, por o ser, não pode ver diminuídos os seus direitos de cidadania. Em todo o caso, o que é verdadeiramente lamentável é a reacção de alguns que, na ânsia de ridicularizam o Secretário-Geral do PS, esquecem que permanece um drama humano real que envolve duzentas crianças. É inqualificável a atitude de chacota de uns quantos a propósito de um tema destes. Um eventual aproveitamento de Seguro, que não temos razão para acreditar que exista, seria absolutamente criticável. Mas bem pior é utilizar o sofrimento das crianças para o ridicularizarem e diminuírem. Sabemos que vivemos num tempo de engraçadinhos em que o maior dislate assegura o máximo reconhecimento. Eu próprio tenho criticado e troçado abundantemente de Seguro. Mas, fazê-lo a este propósito é, falemos claro, um acto chocante de absoluta crueldade. E uma completa vergonha.

Dos benefícios terapêuticos dos envolvimentos com algas


Rui Rocha,

António José Seguro testou uma nova linha de discurso sobre o seu “plano nacional” no encerramento das jornadas parlamentares do PS. Para sustentar o seu objecto de um “novo desenvolvimento” para o país, o líder socialista avançou com a criação de clusters em sectores com elevado potencial de crescimento. (…) E interligando mesmo algumas áreas. Propôs “criar um cluster na Saúde aproveitando os recursos do nosso mar”.

Temos de parar com isto


Rui Rocha,

Meu Deus, como eram jovens. A vida desafiava-os. Inteirinha à sua frente. O corpo são e saudável a mente. Tinham sonhos e claridade. O azul puríssimo pintado por Andrade. E almejavam. Com aquela alma enorme, transparente, extensa, que parecia jamais  poder ser tão pesada e densa como sabemos que mais cedo do que tarde a todos se nos tornará. E almejavam. A frescura das fontes. O requebro ondulado de campos e montes. Ventanias, chilreios, pássaros em fuga, cores, vertigem e velocidade. Tudo era ainda possível. Promessas, opções, possibilidades. Este, por exemplo, se o tivéssemos deixado seguir o caminho glorioso que o destino lhe preparava, poderia ter sido um transitário com razoável sucesso. Um profissional experiente no manuseamento de papelada e processos de desalfandegamento. Ou um técnico de higiene e segurança de competência mediana na Lisnave. Mas não. Permitimos que se inscrevesse numa Jota e foi o que temos visto. Num dia, diz que quer uma saída limpa do programa de ajustamento. No mês seguinte, clama contra a hipótese de saída limpa do programa de ajustamento. Antes, tinha sonhado com um tribunal para investidores estrangeiros. De uma maneira ou de outra, já sabemos, acabam sempre a ver coisas. Ontem afirmou, perante uma plateia de gente séria e insuspeita que teve de torturar os dedos mindinhos para não rebolar a rir, que quem olha do Canal do Panamá vê Sines. Temos de acabar com isto. Temos de impedi-los de passarem ao largo de todo o futuro que lhes cabe. E quem diz António, diz Pedro. Que poderia ter sido um especialista na problemática do esvaziamento de lagares de azeite. Ou em programas de formação em pára-quedismo para pombos. Não podemos levar o nosso egoísmo ao ponto de permitir que se desviem do seu caminho só para nos divertirem com as suas peripécias rocambolescas, os seus números de pobres palhaços pobres, as frases cheias do ar e do vento que lhes preenche o espaço que medeia entre as orelhas. É imperioso que mais nenhum jovem deste calibre veja o seu destino frondoso perder-se só porque lhe é permitido ingressar numa Jota. É urgente estabelecer proibições. A bem de todos, e dos próprios antes de mais, é preciso protegê-los dos efeitos de uma carreira política. Da mesma forma que se interdita, por nociva, a venda de tabaco a menores de certa idade.

E reabrir as barras… nada?


Rui Rocha,

Ontem, prometeu reabrir os tribunais encerrados pelo governo com o novo mapa judiciário. E criar instâncias judiciais especiais para investidores estrangeiros. Hoje, quer impedir a subida do nível do mar. Pelo visto, a coisa tem solução bem simples. Basta assegurar uma gestão integrada da costa. Se bem percebi, quando o mar sobe, o fulano põe-se na areia a berrar a plenos pulmões gestão integrada e o mar dá às de vila diogo. E o mesmo se passa com o défice e o desemprego, que baixam quando o fulano se aproxima. E com a economia que cresce quando o vê. A seguir, se não fosse pedir muito, bem podia ocupar-se da descida do aquecimento global e da erradicação do nemátodo do pinheiro. No fundo, mais do que de um tribunal para estrangeiros, precisávamos de uma instância própria para julgar imbecis portugueses. Até lá, se ninguém lhe põe a mão, ainda acaba a prometer a reabertura das barras encerradas devido ao mau tempo.

O Seguro do Governo.


Luís Menezes Leitão,

 

António José Seguro tem exactamente o mesmo ADN político de Passos Coelho, parecendo os dois gémeos poliíticos. Efectivamente, ambos tiveram uma carreira integralmente passada na Jota, que lhes permitiu ascender ao escalão principal sem nada terem feito na sociedade civil, apenas em virtude da quota que os partidos habitualmente reservam aos seus jovens. A partir daí foram assumindo uma posição crítica nos respectivos partidos que lhes permitiu substituir os líderes logo que os mesmos foram perdendo eleições. E ambos têm uma irreprimível tendência para a asneira. A diferença é que enquanto Passos Coelho está habitualmente calado, deixando os disparates serem assumidos por outros, António José Seguro faz questão de que todos se apercebam dos inúmeros dislates de que sistematicamente se lembra. Assim, na altura em que o Governo destrói de uma penada 47 tribunais, sem que Passos Coelho diga uma palavra, imagine-se o que propõe António José Seguro: um tribunal destinado exclusivamente aos investidores estrangeiros, e que fosse “amigo” desses investidores. Fica-se assim a saber a ideia que tem da independência dos tribunais o líder do PS. Enquanto os portugueses perdem acesso aos tribunais, os investidores estrangeiros teriam um tribunal especial ao seu dispor, que seria seu “amigo” e que não deixaria de castigar os indígenas se eles se atrevessem a litigar com os queridos investidores estrangeiros.

 

É por essas e por outras que acho que os partidos da maioria tudo farão para que Seguro permaneça líder do PS, mesmo que tenham que perder as eleições europeias. Seguro é o maior seguro que este Governo que alguma vez poderia ter. É por isso que nos partidos da coligação todos devem estar a rezar para que Seguro permaneça líder do PS por muitos e bons anos. 

A asneira tem limites


Sérgio de Almeida Correia,

Há umas semanas, aqui em Macau, devido a algumas dificuldades com que a Região Administrativa se depara em razão do seu crescimento nos últimos anos, maior afluxo de turistas e novos residentes, vieram para aí uns deputados, filhos de emigrantes e eles próprios residentes recentes, pedir ao Governo que arranjasse autocarros só para os locais, bem como a imposição de limites mais apertados à contratação de estrangeiros, maiores limitações à entrada destes e mais uns quantos disparates.

Entretanto, esta manhã dou como uma notícia do Diário Económico que, referindo declarações do líder do PS, vem dizer-nos que aquele propõe a criação de um “tribunal com uma competência especializada para apreciar os conflitos emergentes das relações contratuais onde está envolvido investimento estrangeiro“. Não sei porquê fiquei a pensar se a proposta era para Portugal se para Macau. Depois, prestando um pouco mais de atenção apercebi-me do alcance das suas palavras.

Quando a troika chegou a Portugal uma das suas preocupações foi acelerar os processos que estavam parados nos tribunais administrativos envolvendo litígios de valor superior a um milhão de euros. Ao dar-se cumprimento a esse objectivo, o que se fez foi introduzir uma distorção ainda maior entre aqueles que recorreram aos tribunais. De um lado ficaram as grandes empresas e os ricos que discutiam milhões com o fisco, do outro os contrbuintes individuais que discutiam montantes de valor inferior à nova bitola que passou a distinguir o que era “importante” do que “podia esperar”; como se para um contribuinte singular a obtenção do rembolso do imposto indevidamente cobrado ou a impugnação de colectas abusivas em sede de processos de execução fiscal, suportando cauções e prestando garantias absurdas durante anos, não tivesse custos associados, nem fosse para os pequenos tão ou mais gravosa quanto seria para os grandes litigantes.

A proposta que o líder do PS agora veio fazer tem tanto de absurda quanto de discriminatória e não será o facto de alguns palermas aplaudirem sem saberem o que aplaudem que me fará deixar de dizer o que penso.

O problema da morosidade dos tribunais e da ineficiência do sistema de justiça tem evidentemente de ser resolvido. Mas esta declaração, associada àquela outra de tipo comicieiro de que o PS vai reabrir todos os tribunais que vão ser fechados, é um perfeito disparate. Como se as opções que se vierem a tomar não devessem ser antes estudadas, ponderadas, enquadradas por quem sabe numa verdadeira reforma da justiça a propôr ao eleitorado, ao invés de depois serem introduzidas em programas de governo avessos à realidade, feitos em cima do joelho por jotinhas ignorantes e por quem sempre viveu nos gabinetes e assessorias, desconhecendo o que se passa do outro lado da vida e em sentido totalmente contraditório com os anseios dos eleitores e os dados pelos seus próprios sinais e propostas transmitidos antes das eleições.

Que o filho do emigrante vindo do interior da China, que chegou a Macau nos anos 80 ou 90 do século passado, com uma mochila e uns ténis contrafeitos, sem educação nem dinheiro, tenha enriquecido depressa e rapidamente se tenha esquecido de onde veio, a ponto de querer agora correr com os estrangeiros e reservar habitações, empregos e transportes só para residentes, culpando os outros pela incapacidade política e ignorância dos seus próprios dirigentes, ainda posso compreender. A vida está cheia de ingratos e palermas é coisa que infelizmente abunda na política. É de todos os tempos.

Que um candidato a primeiro-ministro, líder de um partido socialista europeu, democrático e com preocupações sociais, apresente propostas tão disparatadas, é que não é minimanente aceitável. Já bastaram a reforma da acção executiva ou os erros cometidos na (necessária) privatização do notariado, que redundou na desformalização de actos que nunca deveriam ter saído da alçada dos tribunais ou em “esquemas” manhosos envolvendo bancos e imobiliárias, e que recentemente se manifestou em comunicações enviadas via fax para a China por quem nunca me passaria que fizesse tal coisa, com a oferta de serviços e a promessa de chorudas comissões em processos ligados aos “golden visa”.

Não sei se António José Seguro ou os seus assessores sabem que, por exemplo, um simples problema que opõe no Algarve dois ex-cônjuges a propósito de uma simples embarcação e de um motor fora de borda, coisas que não valem € 5.000 e foram “desviadas” do património do desfeito casal para um terceiro, para ser resolvido implica a propositura de uma acção judicial em Lisboa porque esta é a única cidade onde do Algarve até à capital existe um tribunal com competência para resolver assuntos que envolvam embarcações.

Compreendo a necessidade de atrair investimento estrangeiro, mas a última década política em Portugal está recheada de exemplos que não devem ser seguidos, de péssimas decisões, de declarações irresponsáveis, de erros que custaram muito caro a todos por pura ignorância, estupidez e teimosia. Do líder do maior partido da oposição eu esperaria propostas sensatas e equilibradas. Do líder do meu partido eu esperaria propostas sérias e justas que pudessem contribuir para melhorar a vida dos portugueses. De todos e não apenas de alguns. E jamais a reedição do passado presente e próximo.

Sei que a asneira é um mal universal com o qual a humanidade terá sempre de conviver, mas isso não desculpa a canhestrez de quem por natureza devia ser capaz de ver à distância e de ler nos sinais dos dias o que outros não lêem.

A amplificação dos erros decorrentes da falta de visão e impreparação de um líder político, por muito simpático, afectuoso e educado que seja, vem normalmente associada a efeitos calamitosos. E uma coisa é certa: a universalização e banalização da asneira não autoriza ninguém a que continue indefinidamente a asneirar. A paciência tem limites. A asneira também.

Há vida em Marte


Pedro Correia,

«O Governo irá reorganizar as administrações local e regional e a prestação de serviços da administração central a nível local.»

Memorando de Entendimento, 1.7.iii. (17 de Maio de 2011)

 

«Existem actualmente 308 municípios e 4259 freguesias. Até Julho de 2012, o Governo desenvolverá um plano de consolidação para reorganizar e reduzir significativamente o número destas entidades.»

Memorando de Entendimento, 3.44. (17 de Maio de 2011)

 

«Seguro promete revogar lei de reorganização das freguesias.»

22 de Junho de 2013

 

«O Governo irá acelerar a aplicação do Novo Mapa Judiciário criando 39 comarcas, com apoio de gestão adicional para cada unidade, integralmente financiado através das poupanças nas despesas e em ganhos de eficiência.»

Memorando de Entendimento, 7.3. (17 de Maio de 2011)

 

«Seguro promete reabrir todos os tribunais encerrados.»

8 de Fevereiro de 2014

Sei o que fizeste em legislaturas passadas, Tó Zé


Rui Rocha,

Pelo visto, as eleições europeias prometem tornar-se numa batalha sem tréguas. Isto dentro do PS, claro. Tó Zé Seguro acusou os últimos quatro governos, os de José Sócrates incluídos, de mentirem aos portugueses. E afirmou que com ele, ele Tó Zé Seguro, tudo será diferente. Palavras que disseste! A reacção dos prosélitos do utilitarista de Vilar de Maçada não se fizeram esperar. João Galamba mina a liderança socialista por dentro. No Câmara Corporativa ensaiam-se danças rituais e sacrificam-se cabras para espantar o espírito do actual secretário-geral do PS. No Aspirina B espetam-se finíssimas agulhas nos órgãos vitais de um boneco com cara apalermada que representa o Tó Zé. Entretanto, uma coisa parece evidente. José Sócrates e Seguro têm, de facto, perfis bem diferentes. O grande teorizador dos limites à utilização da tortura em estados democráticos tem memória de elefante. Recorda-se, como se fosse hoje ao pequeno-almoço, do que fez no dia em 23 de Julho de 1966. Já Tó Zé Seguro tem memória de peixinho vermelho. Acusa Sócrates de mentir sobre impostos. Esquece-se, no entanto, que essa é matéria sujeita a discussão e votação pela Assembleia da República em sede de aprovação do orçamento. E que enquanto deputado eleito pelo círculo de Braga nas legislaturas em que Sócrates chefiou o governo votou favoravelmente a mentira contra a qual agora tanto se indigna. Por isso, ou me engano muito, ou existe uma total incompatibilidade entre o Tó Zé das legislaturas passadas e o Tó Zé das promessas para legislaturas futuras. Na verdade, temo até que para acreditar num só desses Tó Zés tenhamos que nos colocar na posição do transeunte que, ouvindo dois oradores no Speakers Corner de Hyde Park apresentarem-se como Jesus Cristo, concluiu que um deles tinha por força de estar a mentir.