António José Seguro decidiu associar-se à campanha #bringbackourgirls, uma iniciativa de solidariedade com as famílias de 200 meninas nigerianas que foram raptadas. Não faço sobre essa decisão qualquer juízo de intenções. Terá a atitude de Seguro sido determinada por eleitoralismo, pela vontade de promover a sua própria notoriedade? Não sei, nem quero saber. E se deve existir uma certa contenção da parte dos políticos para não prejudicarem as campanhas em que se envolvem, desviando a atenção dos propósitos destas para as suas eventuais intenções, o certo é que um político, por o ser, não pode ver diminuídos os seus direitos de cidadania. Em todo o caso, o que é verdadeiramente lamentável é a reacção de alguns que, na ânsia de ridicularizam o Secretário-Geral do PS, esquecem que permanece um drama humano real que envolve duzentas crianças. É inqualificável a atitude de chacota de uns quantos a propósito de um tema destes. Um eventual aproveitamento de Seguro, que não temos razão para acreditar que exista, seria absolutamente criticável. Mas bem pior é utilizar o sofrimento das crianças para o ridicularizarem e diminuírem. Sabemos que vivemos num tempo de engraçadinhos em que o maior dislate assegura o máximo reconhecimento. Eu próprio tenho criticado e troçado abundantemente de Seguro. Mas, fazê-lo a este propósito é, falemos claro, um acto chocante de absoluta crueldade. E uma completa vergonha.
Um episódio lamentável
Rui Rocha,

É caso para dizer: Sacanagem.
Esquecem que são meninas que estão em maus lençois e que toda a visibilidade ao caso pode servir para enfraquecer as intenções dos sequestradores.
Exactamente.
Não tenho António José Seguro em grande conta, mas concordo inteiramente com este postal.
E eu concordo inteiramente com o não ter AJS em grande conta.
O número de ‘piadéticos’ que pululam na informação só é igualado pelo número dos que entendem a crítica como a arte de inputar o demérito.
É uma contagem difícl de fazer. Só com um recenseamento.
Eu também não espero nada de Seguro, mas isto é o que acontece de mais “soft” a quem tem a ousadia de expressar uma posição sobre algo sem poder dar o dito (deo) por não dito (deo).
São as redes sociais no seu melhor por isso ninguém as leva a sério, acho eu.
Em certo sentido, sim. Mas também nas redes sociais há vários campeonatos.
Não sei se o Rui é do tempo do
Retransmissor do Monte da Virgem
…
Mas, como é óbvio é muito fácil dizer “alhos” remetendo a origem para incertos “bogalhos”, anónimos, etc…
O Rui remeteu a origem para notícia da Sábado. Muito bem.
E a Sábado remeteu para quem? Para incertos?
Se os jornalistas quiserem pode ir às caixas de comentários de jornais, blogs, e também podem fazer uma notícia dizendo:
“Centenas de comentadores das redes sociais exigem o julgamento de Sócrates, e alguns oferecem a cicuta”.
E se não houver nenhum que tenha falado na cicuta, basta ao jornalista enviar esses comentários decorativos.
Portanto, dada a imensidão de notícias possíveis, a maioria das notícias escolhidas para serem divulgadas têm o propósito que é só do órgão retransmissor, que se arma em Monte da Virgem, mas poderia ter outro nome:
http://en.wikipedia.org/wiki/Laputa
Concordo em absoluto! Os “jornais” fazem sempre esta figura “caiu-me isto nas mãos, desculpem lá qualquer coisinha”, mas o que é certo é que o mundo está cheio de coisas “pegáveis”, boas, más, terríveis, só as agarra, publica e as torna noticia envoltas de uma importância maior quem quer.
Nem mais.
Sim, esse é um problema muito bem colocado da Maia. Também sou céptico . A informação é sempre direccional e direccionada.
Plenamente de acordo, Rui.
Tem sempre de haver um limite, Pedro.
É vergonhoso.
Exacto.
Concordo plenamente. Sempre achei que há coisas com que não se deve brincar. E brincar com o apoio que se dá a um drama humano em que 200 raparigas são raptadas apenas por terem querido ir à escola, sendo sujeitas a ser vendidas como escravas, é pura e simplesmente vergonhoso.
Em sintonia total, Luís.
http://i.imgur.com/sWrgft2.jpg
Pois.
Três coisas:
1. Este activismo de sofá dá-me nervos; sobretudo em pessoas com o poder de fazer alguma coisinha. Nem me refiro ao desgraçado do Seguro, que quis navegar esta “causa” (aspas intencionais) e acabou a navegar na maionese – falo sobretudo da primeira-dama Michele Obama, que tinha mais era que convencer o marido a armar um pé de vento na ONU para que haja sanções a sério em países que permitam que estas porcarias aconteçam.
Mas, claro, not gonna happen. Afinal, é a porra da Nigéria, não é como se tivessem petróleo (oh, espera lá…).
No fundo, pensem lá bem: é com cartazes fofinhos e hashtags fajutas que trinta tipos barbudos e psicopatas se vão intimidar? Tende juízo.
2. Há limites para o humor?
Cerca de 10 horas depois da notícia da morte de Hugo Chavez, apanhei no Twitter “como se chama o caixão do presidente da Venezuela? Porta-Chavez”. Ri-me? Sim, apesar de todo o humanismo (eu sou dos que acham que os ditadores e terroristas não se capturam dead or alive – é alive, senão somos iguais ou piores que eles), ri-me com gosto. É uma piada. E boa, no caso.
É o mesmo caso do “exploitable” do Seguro: algumas são secas, outras são hilariantes. E, diga-se de passagem, pôs-se a jeito. Os assessores de social media hoje em dia não são assim tão caros e o mais mediano deles tinha-o avisado logo que segurar cartazes na Internet, para mais de cores sólidas, é um perigo danado.
3. Não concordo, nem de longe, que esta palhaçada retire o foco da questão essencial. É como a sessão porno em Ponte de Lima: a ter algum efeito, é melhorando a exposição.
Convenhamos, há muita gente, mesmo internautas regulares, que não têm Twitter. Uma campanha destas no Twitter vale batatas (no Facebook seria bem melhor). Ao ver estas piadas, haverá, pelo menos, um pequeno conjunto de pessoas que se interroguem (e investiguem) de onde raio saiu esta imagem – e encontrem o tema principal. Caso não existissem estas piadas, talvez esse pequenino conjunto de pessoas não tomasse conhecimento do assunto.
Entendo os seus pontos. Mas vejamos. Um dos bloggers que ainda por aí a publicar o cartaz do seguro “martelado”, como se sentiria se alguém decidisse gozar com o apoiante de uma campanha que visasse libertar a mãe dele de uma carga de porrada?
Lamentável mesmo é o atraso, de todas as figuras públicas e políticos deste mundo, na preocupação com as meninas. G_k
Recordo-vos que os factos ocorreram a 14 de Abril e somente depois de o terrorista dizer no youtube que as venderia é que esta gentinha começou a preocupar-se.
Já tinham passado cerca de 3 semanas!
Ou seja, encontrarem-se sequestradas, repito, cerca de 3 semanas a serem vítimas sabe-se lá de quê não foi preocupante. Preocupante foi quando aquele anormal disse que as venderia…
Ide dar banho ao cão e lavem-se na mesma água sff.
Fica o registo do youtube
https://www.youtube.com/watch?v=GH6JQX_q