Obviamente, comunico-o


jmmcc,

O Ministério das Finanças divulgou um comunicado para dizer que o aval prestado para socorrer o Banco Privado Português serve para assegurar os depósitos comuns, mas que o Estado não irá responsabilizar-se pelos resultados mal sucedidos da ‘gestão de fortunas’ (as carteiras de investimentos), por serem operações privadas de reconhecido risco contratadas entre o banco e os investidores de património; por isso, não cabe ao Governo garantir estas. Pudera! Alguém tinha dúvidas? Chama-se a isto um comunicado sobre o óbvio.

Festarola?


jmmcc,

O homem da Bragaparques foi hoje dado como culpado de corrupção activa, tentada com José Sá Fernandes, para não perder um negócio chorudo com a Câmara de Lisboa. Condenado a pagar cinco mil euros, saiu do tribunal com um sorriso. Cá para mim, vai fazer como Fátima Felgueiras depois de condenada: uma grande festa.

Onde está o Óscar?


jmmcc,

Por mim, o Óscar vai para os que conseguiram demonstrar, aqui em baixo, que a emoção de quem se interessa pela Sétima Arte e segue ao vivo a festa anual da Academia de Hollywood pode ser transcrita, momento a momento, para a blogosfera e, mais ainda, comentada com acerto e opiniões de quem sabe do que fala. Eu próprio segui tudo com regularidade, sem me intrometer entre o grupo de entendidos.

O resultado está à vista: post atrás de post, foram dezenas e dezenas de comentários (em tempo real, que é como se usa dizer); cerca de 90 comentários, só no último post, o que é um recorde no DELITO DE OPINIÃO. Fica a preciosa estatueta com o André Couto (que garantiu a «actualização ao segundo») e restantes cinéfilos (externos e internos) que os assinaram, pelo esforço que ajudou a abrilhantar a longa noite. E que pareceu realizado sem esse esforço.

Promiscuidade e subserviência


jmmcc,

Como assinala o Jorge Assunção em baixo, o primeiro-ministro britânico Gordon Brown diz que a reforma da banca deve assentar no interesse da economia. Por outras palavras: o quadro financeiro deve servir o quadro económico. Só falta acrescentar que o quadro económico deve servir o quadro político. Ou seja: chega de promiscuidade nuns casos e de subserviência noutros. Será pedir muito? É que isto já era exigível e fazia correr muita tinta bem antes da crise corroer a finança, esboroar a economia, subverter a política e castigar os cidadãos.

Ele nem consegue dormir


jmmcc,

Este deve ser um fim-de-semana diabólico para o metabolismo de Pacheco Pereira: ainda a sua crítica feroz está quente — aquela em que achou que o Público rejubilara com a candidatura de Elisa Ferreira ao Porto — e já a "Pública" dá hoje um destaque a Passos Coelho que não fica atrás do que é dado pelo jornal ao líder parlamentar Paulo Rangel.

Devo esclarecer que não conheço de perto Passos Coelho. Dele, guardo a imagem distante do jovem deputado irreverente, pelo que é improvável que o meu olhar esteja toldado por qualquer júbilo conservado em banho-maria desde então. Quanto ao PSD, só não me estou nas tintas porque acho lamentável esboroar-se um dos dois grandes partidos da alternância; e tenho a líder do partido como pessoa séria e credível.

Dito isto, é impossível deixar de assinalar um contraste: a evidente falta de conselheiros ou de uma máquina partidária que consiga catapultar Manuela Ferreira Leite para o patamar nacional que seria natural esperar-se, é exactamente o que não falta a Pedro Pasos Coelho, que consegue ir a todas e apresentar-se com o tom certo em cada uma e ainda lhe sobra tempo para inventar palcos que não existem e de onde sai reforçado.

Não sei o que mais está a contribuir para as insónias de Pacheco Pereira, mas é seguramente uma de duas: ou a visibilidade dada pelo Público a quem ele não gosta, ou a dor de ser cliente do jornal…

Será tarde?


jmmcc,

O Banco de Portugal decidiu suspender vários administradores do Banco Privado Português que ainda se mantinham em funções, transitados do tempo de Joâo Rendeiro. A decisão teve por base a detecção de irregularidades passíveis de configurar uma gestão danosa, como seja a falta de provimentos que a lei estabelece. Só não sei se a actuação do Banco de Portugal é um bocadinho tardia. O que é que acham?

 

Sortudo


jmmcc,

A julgar pelo que foi hoje noticiado, José Sócrates teve sorte: quando comprou o seu apartamento de luxo em Lisboa, pagou-o muito abaixo do preço de mercado. Chama-se a isto um bom negócio: foi uma pechincha. A Caixa Geral de Depósitos devia pôr os olhos nele, antes de comprar acções da Cimpor.

Bicandidata


jmmcc,

Elisa é uma moça requintada,

Nunca sai na rua co’ a saia engelhada.

…………………………………….

(‘Duo Ouro Negro’, Eliza)

 

Pudera! Ainda se fosse só para a campanha autárquica, vá lá. Mas para a campanha europeia até lhe ficava mal…

Carnaval volta ao normal?


jmmcc,

Afinal, o inusitado episódio do Carnaval de Torres Vedras parece que está esclarecido e que até já teria passado da esfera judiciária para a ASAE. De acordo com o que me dizem, houve um engano: não era para que se suprimissem os tais corpos despidos, mas sim para que se retirasse o Magalhães, cujo excesso de exposição a nível nacional e internacional já anda a ser considerado um caso pornográfico. Se for assim, pois que escondam o escandaloso computador, que reponham os recatados nus e que prossiga o Carnaval…

Às armas


jmmcc,

A oficialidade agita-se com a proliferação de armas em Portugal. Circulam muitas fora de qualquer controlo. Dizem que há quatro armas furtadas ou extraviadas por dia.

Cá por baixo, ao nível dos comuns mortais, a coisa é diferente: a gente sente-se cada vez mais desarmada. A abstenção é que está fora de controlo. Longe vai o tempo em que o voto era a arma do povo.

Em casa de Ferreira, espeto de pau


jmmcc,

O secretário-geral do PS foi ao Porto lançar a candidatura da independente (?) Elisa Ferreira ao lugar que Rui Rio ocupa. Agora confirmada cabeça-de-lista do PS à Câmara Municipal do Porto, ela é também candidata socialista (independente, sempre) às eleições europeias, mais próximas do que as autárquicas.

Para quem passa o tempo a apregoar transparência e empenho, o PS de Sócrates parece uma casa de ferreiro. A candidata ubíqua que quer assegurar a sua continuidade lá pela Europa até vir a saber se ganha o Porto, é o espeto de pau…

A explicação


jmmcc,

Augusto Santos Silva, entrevistado pela Judite de Sousa, explicou por que razão o PS chumbou no Parlamento propostas alheias sobre os casamentos entre pessoas do mesmo sexo e agora o próprio PS promete levar em frente igual proposta na próxima legislatura. Explicou e bem: o PS não tinha anunciado essa iniciativa em 2005.

É verdade, não tinha mesmo. Em 2005, o que tinha era anunciado que não subiria os impostos, que iria criar 150 mil empregos, que aproximaria Portugal dos níveis de crescimento da Europa, etc., etc., etc., como se sabe. Gostei imenso de ouvir a explicação de Santos Silva. A gente gosta é de tudo assim muito bem explicadinho, não é?

Aberturas


jmmcc,

Manuel Pinho avistou-se com o seu homólogo alemão para falarem da Qimonda. No final, o nosso ministro da Economia disse que encontrou no ministro alemão a maior abertura. E disse que lhe correspondeu na mesma moeda, mostrando toda a abertura. Fechar algum acordo, nada. Foram só aberturas. Com o surto de gripe que vai por aí, não auguro nada de bom perante tamanha exposição às correntes de ar…

Não sei se estão a ver


jmmcc,

O número de cirurgias oftalmológicas na Saúde pública aumentou consideravelmente, na tentativa de resolver uma situação insustentável que se arrastava há muito. O drama de quem sofre de cataratas já estava a levar portugueses a Cuba, onde muitas valências da medicina estão ancoradas num elevado nível de conhecimento, mas também onde as condições operatórias estão longe de ser as melhores (bem pelo contrário).

Face às intervenções de oftalmologia que estão a recuperar os atrasos que se agravavam sucessivamente, o primeiro-ministro aproveitou para exultar: melhor organização e incentivos no SNS. Melhor organização não era difícil. Agora, incentivos??? Se isto dos incentivos não é traduzível é porque já vale tudo, nesta ante-pré-campanha eleitoral. Qualquer coisa serve para Sócrates saltar ao palanque mais próximo e promover tanto o óbvio como o nonsense, sem se dar tempo de ver bem do que fala. Parece recomendável uma operação aos olhos.

O fingidor


jmmcc,

«O que leva uma pessoa a perder sequer uma noite da sua vida a tentar impedir que outros se casem? É para mim um absoluto mistério.» A dúvida exposta aqui no Arrastão é do Daniel Oliveira. «É que se trata de uma coisa rara: estamos a falar de um direito para uns que não afecta os direitos de mais ninguém» — diz ele ainda. «O que os faz correr?» Como já perceberam, o desabafo não é sobre casamentos heterossexuais.

Quanto à dúvida, não adianta ele fingir-se pouco esclarecido. É de valores que se trata, não é dos direitos de uns sobre os direitos de outros: para uns, vale a pena defender os valores que têm cultivado; para outros, é mais interessante experimentar novos valores de substituição. Os segundos estão disponíveis para conceitos imensamente abrangentes, ao passo que os primeiros não impedem ninguém de casar: apenas procuram conservar um conceito que acham modelar e que legitimamente muito prezam.

Ele não é ingénuo. Ele sabe que um tema fracturante provoca uma fractura natural, a divisão entre os-que-sim e os-que-não. Ele sabe que a gente sabe que ele sabe. Mas ele é muito fingido…

… e como o aquário se safa


jmmcc,

Ainda no Jugular, mas agora pela mão de f. (vulgo Fernanda Câncio), o balanço mais insuspeito de todos sobre «o ‘Prós & Contras’ de ontem» está gravado aqui: «contra as minhas expectativas, pautou-se pela moderação e por um bom argumentário dos intervenientes». Que bom (gaba-te cesta). Outro peixe do mesmo aquário que também não morreu pela boca.

«Tenho críticas a fazer à decisão do PS, mas são irrelevantes» — escreveu no mesmo balanço f. (id. ab.) com inesperada convicção. Também acho que devem ser irrelevantes, mas confesso que receei o pior perante este descaramento. Será defeito do anzol? Até que me lembrei que não havia perigo: o isco fôra a outras águas, para ver as obras de uma barragem…

A corrente do ego


jmmcc,

Desta feita, chegou-me do João Severino e lá terá de ser: seis particularidades que revejo todas as manhãs ao espelho.

 

1. Sou fã dos Açores.

2. Perco-me em dois tipos de comércio: antiguidades (só velharias e bric-a-brac já servem) e alfarrábios.

3. Nunca desisto de casar: vou sempre casando (com pessoas de sexo diferente).

4. Tenho pouca (ou nenhuma) paciência para interlocutores estúpidos.

5. Sou louco por carros clássicos e gostava de ser rico para comprovar o tamanho dessa loucura.

6. Cultivo uma dúvida: não sei se gosto mais de ler ou de escrever (além de viajar).

 

Foi mais fácil do que pensava (e consegui não dizer que sou um chato). Está na hora de passar a palavra (e a corrente)para: Cristina Ferreira de Almeida, Duarte Calvão, Francisco Almeida Leite, J.M. Coutinho Ribeiro, João Villalobos e Marta Caires.