A sorte dele é que não és tu quem lhe escreve as letras
Rui Rocha,
Jogam onze contra onze e no fim dizemos frases feitas.
É ou foi Ronaldo o melhor do mundo? Provavelmte sim, em determinadas épocas ou períodos. Sempre, se lhe perguntarem a ele ou se ele perguntar ao seu espelho. Mas essa corrida, com Messi, Robben, Ribéry ou Neymar, diz-nos pouco. Os terrenos onde se travam as suas batalhas principais são a Champions. É mais coisa de Real Madrid, Barcelona e Bayern do que de Portugal contra o resto do mundo. O duelo que verdadeiramente nos interessava que Ronaldo vencesse é aquele que disputa com Eusébio. Infelizmente, parece nunca mais chegar lá. A Eusébio sobra-lhe Coreia, entroniza-o a epopeia, ali onde Ronaldo fica de escasso. E nós trocaríamos de bom grado o seu título individual de melhor do mundo num determinado momento pela eternidade de ter feito o que sempre lhe falta para ser o melhor futebolista português de todos os tempos.
Messi: 3 jogos, 4 golos.
Ronaldo: 3 jogos, 3 cortes de cabelo.
Há encruzilhadas tramadas. Imagina que tinhas de escolher entre o Rantanplan e o novo melhor amigo do Joe Dalton… Lixado, não é? Pois é exatamente nessa posição que estarão os militantes e simpatizantes do PS quando, mais tarde ou mais cedo, tiverem de optar entre Seguro e António Costa. O próprio método da moeda ao ar tende a ser pouco aconselhável quando se trata de decidir entre o lume e a frigideira. A menos, claro, que a decisão seja tomada pelo tacho.
Naquele tempo, vendo-se em grandes dúvidas e apertos, Bento de Oviedo deitou cinquenta penas de sete galos negros do alto de um barranco e logo se fez um remoinho que as levou em direcção a uma nuvem que, se estava antes, ninguém a vira. E a nuvem, fazendo-se boca e rosto humano, logo ali sentenciou com graves palavras: levarás o André Almeida porque é ele o eleito e está bem que seja assim porque é essa a minha vontade. E foram todos, André Almeida e os outros, até aos confins das terras conhecidas. Sendo que estes ficam exactamente em Manaus, ali onde começa a floresta mais impenetrável para os homens, mas muito aquém do alcance da mão de Mendes. E estando, de todos os que foram, apenas onze em campo, ali André Almeida ficou coxo de pai e mãe. Vendo o sofrimento do eleito, Bento de Oviedo ergueu as mãos e disse estas e não quaisquer outras palavras, porque era essa a vontade de Mendes: levanta-te e anda. E o eleito andou. Sempre a passo, ainda mais de meia-parte, sempre coxeando. E quando finalmente Veloso o substituiu, tendo duas pernas, dois pés e um par de chuteiras, correu ainda menos do que o eleito, muito apesar de não estar coxo nem andar coxeando.
Até sempre, Paulo Bento.
Um golo de vantagem, Postiga fora de jogo e, apesar da insuportável teimosia de Paulo Bento, André Almeida já não aguenta muito mais antes de ser substituído por William Carvalho.
Onze contra onze e no fim Gana e Alemanha.
Tinha 10 jogadores do Gana e o Postiga a guarda-redes para não contrariar o Paulo Bento.
O Joaquim Rita está mais loiro do que a maior parte dos jogadores alemães.
Boas: apesar de tudo, o empate entre o Gana e a Alemanha é o melhor resultado para Portugal.
Más: ainda temos de jogar com o Gana.
A situação é de tal forma vergonhosa que me é quase impossível acreditar que um governo constitucional de um país democrático e pretensamente evoluído a admita como possível, quanto mais que a anuncie com a naturalidade das coisas evidentes. O certo é que, do que leio, a coisa passou-se mesmo. Na verdade, independentemente de todas as dúvidas de interpreteção que uma decisão de um tribunal possa levantar, um governo legítimo não pode admitir, em caso algum, que a aplicação dessa decisão tenha como consequência uma violação flagrante do princípio da igualdade dentro de um mesmo grupo profissional ou a completa desacreditação do princípio da certeza jurídica. Mais do que isso, quando o governo a título de pirraça e com vontade de chicana face ao tribunal constitucional usa os funcionários públicos como arma de arremesso político, admitindo diferenciar entre os que já receberam ou ainda não receberam o subsídio, perde qualquer fundamento nas razões de queixa que possa ter. Colocando o debate com o tribunal constitucional no plano da política e da chantagem, com os funcionários públicos como reféns, o governo afoga-se no lodaçal que está a cavar. Que o porta-voz das intenções do governo (juridicamente indefensáveis e incapazes de resistir ao teste do mais elementar bom senso) seja Poiares Maduro, supostamente um ministro preparado e intelectualmente estruturado, apenas acrescenta uma nota de tragédia à natureza indigente da actuação do governo e da situação a que o país chegou. Estamos como se nos encontrássemos todos no recreio da nossa escola, naqueles jogos de futebol de meninos em que íamos mudando as regras de acordo com a nossa conveniência e fazendo birra quando nos marcavam golo. Não havia já grandes dúvidas sobre a infantilidade e a impreparação dos que gerem os destinos do país. Mas, face a este tipo de atitudes, é tempo de perguntar se não estaremos realmente a ser governados por um grupo de bandoleiros.
Acaba por não ser muito relevante saber se vamos jogar com Postiga ou com Éder Postiga.