Naquele tempo, vendo-se em grandes dúvidas e apertos, Bento de Oviedo deitou cinquenta penas de sete galos negros do alto de um barranco e logo se fez um remoinho que as levou em direcção a uma nuvem que, se estava antes, ninguém a vira. E a nuvem, fazendo-se boca e rosto humano, logo ali sentenciou com graves palavras: levarás o André Almeida porque é ele o eleito e está bem que seja assim porque é essa a minha vontade. E foram todos, André Almeida e os outros, até aos confins das terras conhecidas. Sendo que estes ficam exactamente em Manaus, ali onde começa a floresta mais impenetrável para os homens, mas muito aquém do alcance da mão de Mendes. E estando, de todos os que foram, apenas onze em campo, ali André Almeida ficou coxo de pai e mãe. Vendo o sofrimento do eleito, Bento de Oviedo ergueu as mãos e disse estas e não quaisquer outras palavras, porque era essa a vontade de Mendes: levanta-te e anda. E o eleito andou. Sempre a passo, ainda mais de meia-parte, sempre coxeando. E quando finalmente Veloso o substituiu, tendo duas pernas, dois pés e um par de chuteiras, correu ainda menos do que o eleito, muito apesar de não estar coxo nem andar coxeando.
Milagres
Rui Rocha,


E fez ele bem, que lá pela Ucrânia a coisa está preta.
Estava, portanto, a poupar-se. Para quando for preciso correr a sério.
A minha opiniâo é que tanto o André Almeida como o Veloso como todos os outros estão mas é descontentes com o salário que a Federação lhes paga. Então, ou fazem greve de zelo, correndo pouco, ou simulam lesões. Quando a crise acabar e a Federação aceitar pagar-lhes bons prémios, ficarão todos bons das canetas.
Sim, falou-se da miséria de 400.000€ em caso de vitória. Quantidades destas são incapazes de motivar seja quem for.
Um valor dessa ordem deveria, por estes anos de chumbo – independentemente do que fosse conseguido neste encontro mundial do pontapé na bola -, suscitar um verdadeiro escândalo nacional; desencadear, pelo menos, umas perguntas bem audíveis e incómodas (afinal não se trata de clubes e de dinheiro de clubes; e não que as coisas fossem muito mais claras ou admissíveis num tal caso).
Mas não: está, estaria, muito bem e o povinho pensa, pensaria, no que aqueles “heróis”, fazem – entre a exibição de carrões, mansões, roupa bizarra e mais ou menos exuberantes meninas – com esse dinheiro. Que o povinho não tem, nem nunca terá, dedicando-se sim a guardar rancor e insultar como exploradores aqueles que, com muito mais esforço, responsabilidade e relevância social têm dele uma fracção ao final de uma vida de trabalho.
Palavra da Salvação… ( se ainda a houver por lá)
Amen-des.
1000 agres… mil agruras – e o Bento tudo levou.
100.000 léguas. Submarinas.
Sem mil éguas…
No tempo que há-de vir, a nuvem ordenará que Bento seja substituído por Isaltino e as suas palavras serão cumpridas porque essa é a vontade da Justiça.
O episódio da enxurrada daquele fulano o Noé não vem a seguir a este versículo?
Será a enxovalhada do “Não é!”?