Blasfémia e liberdade


Rui Rocha,

Quando a carnificina do Charlie Hebdo já não for mais do que uma vaga memória, há uma questão que importará resolver. Há lugar, ou não, para a blasfémia numa sociedade civilizada? É, ou não, desejável que a crítica, a oposição, a discussão de ideias, se faça de forma polida, sem intenção ou necessidade de ofender as opiniões e os credos dos demais? A minha liberdade acaba, ou não, quando começa a liberdade do outro? De momento, é tudo muito claro. Somos ou dizemos (quase) todos que somos “Charlie”. A blasfémia proclama-se, de forma mais ou menos autêntica, como direito irrenunciável. Mas depois, quando o distanciamento trouxer outra calma, em que ficamos? De momento, à falta de uma visão mais lúcida dos acontecimentos e de uma reflexão mais abrangente, há uma linha que me parece clara. Sempre que uma acção blasfema ou uma prática ofensiva tiverem a ameaça ou a concretização da morte ou de qualquer tipo de violência por parte de poderes ou grupos mais ou menos organizados como reacção provável ou real, precisaremos sempre de mais e mais blasfémia. Cada nova ofensa constitui, nesse caso, a ampliação do espaço de liberdade.

Conspiranoia: um divertido jogo para todas as idades


Rui Rocha,

Farto de reality shows, de horas de comentários sobre a situação política ou dos arrufos de Bruno Carvalho e Marco Silva? Nada temas. Chegou Conspiranoia, um divertido jogo para entreter os teus serões com a família ou os amigos. As regras são muito simples: cada jogador escolhe aleatoriamente uma das frases de cada uma das três colunas e forma elaboradas teorias da conspiração que já viste ou ainda vais ver reproduzidas na comunicação social. Não esperes mais. Joga e diverte-te:

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Boas notícias para a investigação


Rui Rocha,

Confirmo, sem qualquer problema, que face a algumas dificuldades de liquidez que atravessei em certos momentos, sobretudo desde que tive parte da minha família em Paris e eu próprio vivi entre Lisboa e aquela cidade, recorri várias vezes a empréstimos que o meu amigo Carlos Santos Silva me concedeu para pagar despesas diversas.

Isto é, está mais que provada a transferência reiterada de fundos de Carlos Santos Silva para José Sócrates.

 

Para o caso, o que importa deixar claro é que o facto de o Engº Carlos Santos Silva me ter emprestado dinheiro, muito ou pouco, não transforma o dinheiro dele em dinheiro meu!

Isto é, não foi pouco. Foi muito.

 

A coisa promete


Rui Rocha,

Note-se que hoje, pela hora do jantar, serão 20.15 do ano 2015. Impressionante, não? Mais ainda se tivermos em conta que, de acordo com diversos estudos científicos, este fenómeno só se repetirá mais 364 vezes.

Estamos bem lixados com esta coisa da aceleração da história


Rui Rocha,

Os factos:

 

  • Reis Magos do Oriente. 13 dias para percorrer os milhares de quilómetros que os separavam do menino. Em camelo e guiados por uma estrela.

 

  • António Costa. 36 dias para percorrer os 130 quilómetros que o separavam do menino. Num Mercedes topo de gama com GPS.

 

Aceleração da história? Irra… Er… Digo… Mirra!

Arrumações de fim de ano


Rui Rocha,

Certo. Todos sabemos que a vida em sociedade obriga a que aceitemos um determinado nível de hipocrisia. A exposição sem filtro de todos os nossos pensamentos envolver-nos-ia, muito provavelmente, em muitíssimas situações desagradáveis. Mais ou menos, acabamos por apreender a pôr algum travão na forma como nos revelamos aos outros. Imagine-se, para não entrarmos noutros campos, uma situação de tensão, uma daquelas discussões azedas sobre um qualquer tema, muitas vezes demasiado fútil. É verdade que nesses casos acabamos em algumas circunstâncias por perder o controlo e verbalizamos ou manifestamos muito. Mas, mesmo aí, nem sempre (quase nunca) dizemos tudo, exactamente tudo, absolutamente tudo, o que nos vem à cabeça. Ainda aí, apesar de sermos capazes de insultar, de gritar, de magoar, raramente vamos até ao extremo de exteriorizar todo o pensamento fugaz, o breve lampejo, a pulsão mais básica e instantânea, a ira mais descontrolada, a lâmina do punhal em forma de palavra que por um momento atravessou o nosso pensamento. Mas aí surge uma outra questão. São esses pensamentos, essas pulsões, esses momentos que nos assaltam, que melhor definem a essência do que somos ou somos realmente, e sobretudo, definidos pela forma como imediatamente os repelimos e amordaçamos? 

A traição de Sócrates: provas irrefutáveis na carta enviada a Mário Soares


Rui Rocha,

José Sócrates aproveitou a carta enviada a Mário Soares para elogiar o velho líder socialista e para proclamar, uma vez mais, a sua indignação pelas circunstâncias em que foi decretada a sua prisão preventiva. Todavia, como muitas vezes acontece nestas coisas, fugiu-lhe a caneta para a verdade. Por muito que agora o pretenda negar, os factos aí estão, irrefutáveis. José Sócrates atraiçoou, de forma reiterada e absolutamente voluntária, o Acordo Ortográfico:

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