Quanto menos debates, menos gosto de ti


Rui Rocha,

Vamos cá ver: ninguém obrigou o PSD e o PP a coligarem-se. Agora, se o fizeram, devem assumir as consequências. E essas são basicamente, para não perdermos muito tempo, que Passos Coelho é o líder da proposta política que a PaF, ou lá como se chama, tem para apresentar e que o PP tem uma posição de absoluta subalternidade. Vai daí, o normal é que a PaF, ou lá o que é, seja representada nos debates por Passos Coelho. E ponto final. A recusa de participação em debates em que o PP não esteja representado é, por isso, uma péssima decisão. Como já ninguém acredita que políticos que não conseguem explicar a embrulhada da Tecnoforma e que apresentam Miguel Relvas e Marco António Costa como parceiros de viagem se movam por princípios ou ideais, os eleitores concluirão, naturalmente, que Passos Coelho se move pelo mais puro tacticismo. Que teme, vá la saber-se porquê, que o debate lhe seja desfavorável. É, portanto, e repito, uma péssima decisão. Se debatesse, ganharia ou não. Não debatendo, já perdeu. Discutir, esclarecer, sujeitar-se ao escrutínio e ao contraditório são a essência da democracia. Quem invoca argumentos de secretaria para furtar-se a um debate não pode ter a aprovação daqueles que valorizam a democracia. Aliás, só existiriam vantagens em que Passos Coelho participasse sozinho. Tendo em conta acontecimentos que não estão assim tão distantes, bem poderia suceder que Passos Coelho e Paulo Portas se desentendessem em pleno debate.

O elo perdido das epístolas socráticas


Rui Rocha,

Com tanta carta, artigo, entrevista escrita e depoimento, já houve mais do que oportunidade para informar quanto é que o amigão emprestou. Seiscentos mil? Um milhão? Dez milhões? Vinte? É mesmo uma pena, para não dizer que tem um óbvio significado sobre a consistência da linha de defesa que adoptou, que no intervalo dos protestos de inocência, dos ataques à investigação e da prosápia sobre a intenção política do processo, Sócrates ainda não tenha encontrado duas linhas para esclarecer isto. 

O dono no lugar do burro


Rui Rocha,

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Da edição de 22 de Janeiro de 1876 do Illustrated Police News consta um episódio que terá provocado grande alvoroço entre a população da pacata localidade de Middleton. James Driscott, uma espécie de idiota da aldeia, foi acusado de tratar cruelmente o seu burro. Indignados, os habitantes de Middleton deram-lhe a escolher entre ser apresentado às autoridades ou suportar um outro tipo de punição. Tendo optado por esta última, James Driscott foi obrigado a puxar uma carroça pelas ruelas de Middleton durante várias horas. Confortavelmente instalado na carroça esteve, durante todo o tempo que durou a peregrinação, o burro de Driscott. Cerca de 140 anos mais tarde, num pequeno país do sul da Europa, o advogado de José Sócrates declara que o seu constituinte vai começar a pagar a Carlos Santos Silva a dívida que contraiu junto do amigo. O velho Marx tinha razão: a história repete-se como farsa. Na tentativa de evitar prestar contas à Justiça, Sócrates sujeita-se a passear Carlos Santos Silva de carroça.

Confirma-se: Eva não foi criada a partir de uma costela de Adão


Rui Rocha,

Quer dizer então que estavam mesmo convencidos que Deus criou Eva a partir de uma costela de Adão? Ihihih! Onde é que já se viu? Desculpem lá, mas quem é que acredita numa história dessas? Duma costela… Ele há com cada um. Crendices é o que é! Mas pronto. O que importa agora é que fiquem informados sobre o que realmente aconteceu.

Uma sobreposição que nos prejudica


Rui Rocha,

Pergunto-me se não seria possível decretar a suspensão da silly season até acabar a campanha eleitoral. É que a sobreposição tira-nos a possibilidade de usufruir plenamente dos motivos de galhofa que qualquer uma das duas nos proporciona. Ou vá. Se não for possível, fazer ao contrário: adiar a campanha eleitoral para depois de terminar a silly season.

O teu cartaz é tão mau como o meu


Rui Rocha,

Alguém, com um resto de lucidez, devia ajudar o PS. Como se não bastassem os vários episódios relacionados com os cartazes socialistas, temos agora que alguns militantes, não satisfeitos com o triste espectáculo que o partido tem apresentado aos eleitores, decidiram cobrir-se um pouco mais de ridículo. Pelo visto, a PàF utilizou para alguns dos seus cartazes imagens de cidadãos estrangeiros. E vai daí, almas socialistas, em lugar de deixarem o fecundo tema cartazes correr suavemente para o esquecimento, vão de dar relevo ao tema. É como se dissessem, olha, os do PáF são tão pataratas como nós. E isso, convenhamos, não é grande estratégia. Por um lado, é triste que o termo de comparação sejam os desastres e não os sucessos. É como se estes militantes socialistas fizessem mira a si próprios na esperança de que a bala, por ricochete, acabe por acertar no adversário. Por outro lado, trata-se de comparar o incomparável. No caso dos cartazes da PáF, foi utilizado um banco de imagens para para ilustrar uma formulação genérica: pretensa evolução das condições de igualdade de género ou das exportações, por exemplo. Nos cartazes do PS, em contrapartida, o que tínhamos eram testemunhos supostamente na primeira pessoa, sinalizados pela utilização de aspas, com uma ligação directa de um rosto a uma situação concreta de desemprego ou precariedade. Isto é, os cartazes do PS vendiam uma mentira descarada e constituíam um claro abuso do direito de imagem.  Ora, se o ditos militantes do PS não percebem isto, só temos uma de duas: ou consideram os eleitores parvos, pretendendo agora por via do alvoroço e da confusão lançar-lhes areia para os olhos, ou são dotados de uma invulgar queda para a patetice. Num caso ou noutro, não se auguram grandes resultados. Dito isto, é justo referir que os cartazes da PáF são também eles fraquinhos, fraquinhos. Só mesmo a desorientação de alguns militantes socialistas que teimam em compará-los com aqueles que constituíram o desastre comunicacional do PS poderia ajudar ajudar a valorizá-los.