O teu cartaz é tão mau como o meu


Rui Rocha,

Alguém, com um resto de lucidez, devia ajudar o PS. Como se não bastassem os vários episódios relacionados com os cartazes socialistas, temos agora que alguns militantes, não satisfeitos com o triste espectáculo que o partido tem apresentado aos eleitores, decidiram cobrir-se um pouco mais de ridículo. Pelo visto, a PàF utilizou para alguns dos seus cartazes imagens de cidadãos estrangeiros. E vai daí, almas socialistas, em lugar de deixarem o fecundo tema cartazes correr suavemente para o esquecimento, vão de dar relevo ao tema. É como se dissessem, olha, os do PáF são tão pataratas como nós. E isso, convenhamos, não é grande estratégia. Por um lado, é triste que o termo de comparação sejam os desastres e não os sucessos. É como se estes militantes socialistas fizessem mira a si próprios na esperança de que a bala, por ricochete, acabe por acertar no adversário. Por outro lado, trata-se de comparar o incomparável. No caso dos cartazes da PáF, foi utilizado um banco de imagens para para ilustrar uma formulação genérica: pretensa evolução das condições de igualdade de género ou das exportações, por exemplo. Nos cartazes do PS, em contrapartida, o que tínhamos eram testemunhos supostamente na primeira pessoa, sinalizados pela utilização de aspas, com uma ligação directa de um rosto a uma situação concreta de desemprego ou precariedade. Isto é, os cartazes do PS vendiam uma mentira descarada e constituíam um claro abuso do direito de imagem.  Ora, se o ditos militantes do PS não percebem isto, só temos uma de duas: ou consideram os eleitores parvos, pretendendo agora por via do alvoroço e da confusão lançar-lhes areia para os olhos, ou são dotados de uma invulgar queda para a patetice. Num caso ou noutro, não se auguram grandes resultados. Dito isto, é justo referir que os cartazes da PáF são também eles fraquinhos, fraquinhos. Só mesmo a desorientação de alguns militantes socialistas que teimam em compará-los com aqueles que constituíram o desastre comunicacional do PS poderia ajudar ajudar a valorizá-los.

0 comentários em “O teu cartaz é tão mau como o meu”

  1. O que fica de triste, é que há gente a mais,em que a verdade e seriedade, tem duas bitolas; e isso leva-os a atitudes que envergonham;andam com tanta ganas de ir ao pote, que prevejo que partem os queixos.

  2. Caro Rui,
    a propósito deste seu texto, da estratégia de comunicação – ou falta dela – permita-me que questione a sigla da coligação (PPD/PSD – CDS/PP – assim parecem muitos!!): PáF.
    Esta sigla, PáF, se não estou em erro, foi em tempos usada por Mário Henrique Leiria num dos sue contos do gin, ilustrando uma realidade de certa forma, podemos considerar – face ao ambiente que os cartazes, ou seja a estratégia de imagem, provocaram -, actual. Se me permite:

    «MANIFESTAÇÃO DE APOIO
    A multidão invadira a praça, rodeando a estátua que lá em cima apontava, imperativa, a grande glória da pátria. Espezinhando canteiros, inundando ruas adjacentes, vociferante. A manifestação.
    Os gritos indicados. Guinchos. Várias crianças à procura da mãe e do pai.
    Era o apoio. Incondicional, ininterrupto, ao primeiro-ministro.
    Ali, na praça enorme e paciente.
    O primeiro-ministro olhou por uma das janelas, no terceiro andar antiquíssimo do Paço Ministerial. Sorriu levemente. Apalpou a cara, passou uma das mãos pela lapela do casaco, numa carícia inconstante. Acenou com a cabeça, discreto, um pouco irónico, ao ministério perfilado no fundo da Sala dos Actos.
    Dirigiu-se à varanda alta, sobre a praça apoplética.
    Abriu a janela num gesto amplo e paternal e deu um passo em frente.
    Ouviu-se um som murcho e abafado, uma espécie de PaF das bandas desenhadas, lá em baixo no empedrado decorativo que circundava o Paço.
    Alguém tirara a varanda. Toda.»

    LEIRIA, Mário Henrique – Novos contos do gin, seguido de Fábulas do próximo futuro. 2ª ed. Lisboa : Estampa. 1978. p. 195

  3. Onde param… o Zé “Justiceiro” e a Helena Roseta a” Impoluta “??
    Cartazes:
    Empresa BZZ
    ” Só da Câmara de Lisboa, recebeu ajustes directos no valor de 8836 mil euros, entre 31 de Dezembro de 2008 e 19 Setembro 2014, enquanto António Costa era presidente”
    CM

    Por esta ninharia de amostra:

    António Costa —- “A Confiança” — bem que a merece…. Assim o Povo o ajude!

  4. Para mim é-me completamente indiferente os cartazes. Não olho para nenhum ou se olho não ligo porque nada daquilo me diz nada. É dinheiro mal gasto que poderia ser aplicado em serviços aos mais necessitados.

  5. Vi hoje aqui na rotunda, o cartaz com o dão sebastiao Costa com um ar rosado. Deviam ter vergonha ou estão mesmo apostados em perder as eleições.Nojo.

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