Apelo


Rui Rocha,

Se algum dos cidadãos que está por estes dias a ser ouvido pelo Senhor Presidente puder informá-lo que as bananas da Costa Rica são geralmente maiores do que as da Madeira, agradece-se. Isto antes que aconteça alguma desgraça.

A experiência dos macacos


Rui Rocha,

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Coloque 5 macacos dentro de uma jaula. Dentro da jaula, pendure um cacho de banana numa corda acessível através de uma escada. Assim que um macaco tocar na escada, dirija um jato de água gelada a todos os macacos. Repita o procedimento sempre que um macaco tentar subir a escada.

Agora, retire um macaco da jaula e substitua-o por outo. Observe: o novo macaco tentará subir a escada. Para sua surpresa e horror, todos os outros macacos o atacarão. Após outra tentativa e ataque, ele descobrirá  que se tentar subir a escada, o comportamento dos outros será sempre o mesmo.

Substitua sucessivamente e um a um, todos os macacos originais. Observe: cada vez que um macaco tentar subir a escada, será atacado pelos restantes. Quando já não existirem macacos originais na jaula, o comportamento manter-se-á, embora nenhum deles tenha sofrido o impacto do jacto de água. E  a partir de certa altura, nenhum macaco tentará sequer subir a escada. Anote tudo e tire as suas conclusões sobre comportamentos aprendidos

 

Nota importante: jamais utilize Bananas da Madeira. Como se sabe, estas bananas são maiores e mais saborosas. Experiências controladas em laboratório revelaram que os macacos não se detêm mesmo perante cargas colossais de porrada e acabam por se afiambrar com as bananas.

Tu, o guardião das fronteiras


Rui Rocha,

Pensa numa sala de espectáculos. Por exemplo, o Bataclan, em Paris. Pode ser? Agora, imagina que, por absurdo que possa parecer, durante um concerto, o Bataclan é tomado de assalto por terroristas. Estão lá dentro terroristas, três ou quatro, e muitos inocentes. Imagina agora que te cabe a ti tomar uma decisão sobre uma questão fundamental: em nome da segurança dos que estão cá fora, podes mandar fechar as portas e manter uns e outros lá dentro, abandonando-os à sua sorte. Uma decisão terrível, não é? Pois é precisamente essa a decisão que queres que seja tomada quando defendes que se fechem as fronteiras da Europa aos refugiados.

Resistir ao alarmismo e às conclusões precipitadas (II)


Rui Rocha,

“However, a U.S. intelligence official told CBS News the Syrian passport might be fake. The official said the passport did not contain the correct numbers for a legitimate Syrian passport and the picture did not match the name.”

 

Isto é, impõe-se prudência na análise dos factos. Há pelo menos as seguintes possibilidades: a) o terrorista utilizou um passaporte falso para entrar na Grécia; b) o FBI tinha informação prévia sobre a fotografia ou o nome e estes não batem certo com os dados do passaporte; c) o refugiado vendeu o passaporte ou este foi-lhe roubado; d) o passaporte pode ou não pertencer ao terrorista. 

Resistir ao alarmismo e às conclusões precipitadas


Rui Rocha,

O terrorismo alimenta-se do ódio. Uma Europa que acolhe refugiados fura o cerco do ressentimento, dá exemplo de solidariedade. Não há nada mais devastador para o discurso dos sanguinários. Um passaporte de um refugiado sírio no local de um dos ataques nada nos diz sobre a forma como lá chegou. Quem mata inocentes com gélida indiferença, também leva consigo um passaporte forjado, roubado, para instigar no lado dos bons a irracionalidade que lhe convém. E ainda que se comprove que alguém se infiltrou para abusar da boa vontade dos que recebem, continua a ser fundamental não fazer o jogo do terror. Ainda aí é preciso separar o trigo do joio, não tomar a árvore pela floresta. Vencer é, para começar, resistir ao alarmismo e às conclusões precipitadas.

O dia em que os maus nos encerraram a Disneylandia


Rui Rocha,

Um dos aspectos mais perturbadores de alguns testemunhos vistos nas televisões é o da incapacidade que temos para reconhecer a barbárie quando nos cruzamos com ela. Uma das pessoas referia que esperou uns momentos para ver se as balas eram a sério. Outra dizia que lhe parecia estar a assistir a um filme. Esta é simultaneamente a melhor homenagem que podemos fazer àquilo a que chamamos Ocidente e a nota que revela a nossa maior fragilidade. Há, certamente, violência nas nossas sociedades. Mas essa violência é marginal nas nossas vidas. Marginal no sentido que não toma conta do nosso dia-a-dia. Marginal no sentido de que a consideramos inadmissível. Em geral, para nós, “parisienses”, a violência é a dos filmes. A dos filmes a que assistimos desde crianças e que os nossos pais, para nos sossegarem, nos diziam que era a fingir. Como eram a fingir os tiros que dávamos uns aos outros nas lutas de índios e cowboys com que entretínhamos as tardes dos Verões em que éramos meninos. Ou as pistolas de fulminantes que tu e eu tivemos ou as Nerfs que demos aos nossos filhos. Temos a felicidade (tivemos?) de viver num tempo e numa época em que a violência é (foi?) de tal forma distante e inofensiva que fizemos dela parte das nossas ficções e brincadeiras.É por isso que estamos tão indefesos quando ela nos rebenta à porta de casa. Não acreditamos, sequer, que seja possível. Viola não só as nossas regras, os nossos códigos, como, sobretudo, a nossa experiência de vida. Não é por acaso que alguns de nós só se apercebem da gravidade real da situação, ou melhor, da grave realidade que ela tem, quando constatamos, chocados, que hoje em Paris, por causa dos maus, nos fecharam a Disneylandia.

Os atentados em Paris e a falência definitiva do argumento da provocação


Rui Rocha,

Os novos atentados em Paris deixam em evidência o erro grosseiro que foi cometido pela generalidade das análises produzidas a propósito do ataque ao Charlie Hebdo. O acto terrorista foi discutido, nessa oportunidade, na óptica da retaliação à provocação dos cartoonistas. Ora, sendo esse o ponto de partida, a discussão estava inquinada desde o início, ainda que se defendesse então que nenhuma provocação justifica uma carnificina como a que ocorreu (e é certo que nem todos assumiram, sequer, essa posição e que alguns encontraram argumentos para responsabilizar as vítimas). A verdade é que o terrorismo, como agora voltamos a constatar, não tem justificação, apenas procura pretextos. Hoje, a pergunta que deve fazer-se perante uma nova carnificina, e que deixa claro o logro argumentativo em que então quase todos incorrreram, é a seguinte: qual a provocação que estas vítimas fizeram aos autores, sejam eles quem forem, dos atentados? Pois é. É por isso que a única posição possível perante este tipo de situações é uma condenação radical, incondicional e absoluta, sem necessidade de quaisquer outras considerações ou argumentos.

Um padrão


Rui Rocha,

Aos que se espantam com o facto de Costa precisar de 4 partidos e 3 acordos para chegar ao poder, permito-me recordar que estamos a falar da mesma individualidade que precisou de 2 rotundas para ordenar o trânsito no Marquês.