Uma oportunidade perdida


Rui Rocha,

António Costa não vai apresentar-se às eleições para secretário-geral do PS. É pena. O sucesso da sua candidatura constituiria uma oportunidade única para proceder à urgente e indispensável renovação de uma das instituições fundamentais da democracia portuguesa. Refiro-me, naturalmente, à Quadratura do Círculo.

Diga lá se não lhe apetece um pratinho…


Rui Rocha,

Em 1933 era assim

A Cerelac faz 75 anos. O i não deixa passar a data em claro e informa-nos (para mim é novidade) que a papa foi criada por Egas Moniz que, a partir da papa Nestlé, a adaptou ao paladar português. Pelo visto, nasceu Cérélac para deixar, mais tarde, cair os acentos com o objectivo de se adaptar aos mercados internacionais. Todavia, continuou a ser produzida com cereais e leite nacionais (este, dos Açores). Agora que já está com os olhos a brilhar de saudade, não perca mais tempo. Vá lá comer um pratinho.

A ineficiência do sistema


Rui Rocha,

Em vários campos, Portugal tem que declarar guerra à ineficiência. E também o sistema político deve ser objecto de reflexão (curta) e de acção (rápida). José Sócrates demitiu-se em 23 de Março. Foi necessário esperar um mês e meio pelas eleições. Na melhor das hipóteses, e tendo em conta todos os trâmites previstos, o novo governo tomará posse dentro de três semanas. Em qualquer caso, entre o momento em que a crise política foi aberta e a entrada em funções dos novos titulares do poder executivo terão passado não menos de dois meses. Sem invocar sequer o exemplo inglês que resolve a coisa em algumas semanas, é absolutamente necessário encurtar os prazos de transição do poder em Portugal.

Um primeiro balanço


Rui Rocha,

Os resultados eleitorais abrem a porta a um Portugal melhor. José Sócrates tornou-se, por demérito próprio, uma presença nociva para o país. Ele é, evidentemente, o principal derrotado nestas eleições. Com ele, Francisco Louçã, um líder que parece ter um promissor passado à sua frente. E estas duas derrotas desanuviam o ambiente político, abrindo agora (no caso de Sócrates) ou mais tarde (no caso de Louçã), espaço para novas lideranças e para a indispensável renovação. Mas estas são umas eleições especiais. Em rigor, o grande vencedor, Passos Coelho, tal como o país, não têm nada para festejar. Para lá do ruído das claques partidárias, está lá fora um Portugal devastado. E um desastre não se festeja. O esforço no sentido de controlar os danos e de reconstruir sobre as ruínas não se compadece com foguetório e espectáculos de variedades. Neste cenário, o próximo governo não terá, desta vez, um minuto de estado de graça. Na verdade, o que o espera, e a nós com ele, é um estado de desgraça que vai exigir que todos sejamos capazes de nos transcendermos.