
Os resultados eleitorais abrem a porta a um Portugal melhor. José Sócrates tornou-se, por demérito próprio, uma presença nociva para o país. Ele é, evidentemente, o principal derrotado nestas eleições. Com ele, Francisco Louçã, um líder que parece ter um promissor passado à sua frente. E estas duas derrotas desanuviam o ambiente político, abrindo agora (no caso de Sócrates) ou mais tarde (no caso de Louçã), espaço para novas lideranças e para a indispensável renovação. Mas estas são umas eleições especiais. Em rigor, o grande vencedor, Passos Coelho, tal como o país, não têm nada para festejar. Para lá do ruído das claques partidárias, está lá fora um Portugal devastado. E um desastre não se festeja. O esforço no sentido de controlar os danos e de reconstruir sobre as ruínas não se compadece com foguetório e espectáculos de variedades. Neste cenário, o próximo governo não terá, desta vez, um minuto de estado de graça. Na verdade, o que o espera, e a nós com ele, é um estado de desgraça que vai exigir que todos sejamos capazes de nos transcendermos.