Braga: o Natal do Bananeiro
Rui Rocha,
You better watch out
You better not cry
Better not pout
I’m telling you why
Santa Troika is coming to town
He’s making a list
And checking it twice;
Gonna find out Who’s naughty and nice
Santa Troika is coming to town
He sees you when you’re sleeping
He knows when you’re awake
He knows if you’ve been bad or good
So be good for goodness sake!
O! You better watch out!
You better not cry
Better not pout
I’m telling you why
Santa Troika is coming to town
Santa Troika is coming to town
O Natal é uma época festiva
Quem me dera que todos o tivessem
Há pessoas que não o vivem
Mas eu sei que elas merecem.
Vem aí o jantar
Já me está a cheirar
Bacalhau com batatas
Todos vão saborear.
Vamos receber os presentes
Os sonhos desejados
Junto ao pinheiro
Tão bem embrulhados!
Assim termino o poema
Assim descrevo o Natal
Agora, se me dão licença
Vou esperar o Pai Natal.
* Leonor, 8 anos
O PCP, o partido que entendeu dirigir condolências ao povo da Coreia do Norte e ao Partido dos Trabalhadores norte-coreano pela morte do ditador trucidário Kim Jong-il, votou hoje contra um voto de pesar pela morte de Vaclav Havel, ex-presidente da República Checa e herói da luta pela liberdade do seu povo. Uma vergonha e um sinal inequívoco de que o PCP não compreendeu nada, não evoluiu nada e não tem nada para dar ao regime democrático.
A Rua do Souto é a mais emblemática de Braga. Peatonal, como lhe convém. Liga a Avenida Central à Sé Catedral, antes de se coroar no Arco da Porta Nova. A dois passos da Sé, e do Largo do Paço (onde se abriga, em claustros e salões medievais, uma magnífica biblioteca), fica o Bananeiro. À nascença, armazém de frutas e sei lá eu mais o quê. O proprietário, em boa hora, atravancou-o com um balcão. Ali passou a servir um recomendável Moscatel. Profilático para muitas maleitas. Para o ajudar a escorregar, sugeriu aos clientes que o acompanhassem com Banana. Coisas que, evidentemente, ligam bem! Algures, em tempo que não interessa à lenda precisar, os amigos do filho passaram a juntar-se ali por alturas do Natal. O brinde? Com Moscatel e Banana! Saúde e muitas propriedades no novo ano. Palavra puxa palavra e a estas leva-as a boca. E quantos ouvidos as ouviram, assim as seguiram. Hoje em dia, antes da ceia de Natal, os milhares de pessoas que partilham esse momento já não cabem na Rua do Souto. Mas, ninguém se lamenta. A multidão estende-se em direcção ao Jardim de Santa Bárbara, o segundo mais belo da Europa (deixemos ainda aos de Versalhes a primazia, que aqui ninguém tem os tacões do Sarkozy). Os que chegam ao balcão do Bananeiro, celebram o feito com o Moscatel e a Banana. Os outros, prevenidos, levam o copo e a garrafa de casa. Acaso o leitor, ávido do pormenor picaresco, pretende que eu adentre pelo mistério de um célebre banco que acompanha o balcão do Bananeiro? Ou de um outro e não menos famoso licor ali também disponível? Pois tudo isso deve ser conquistado. Acotovelando, com espirito natalício de partilha, a turba de risos e bochechas rosadas que atropelam a calçada. Rogo-lhe só que, por fortuna e arreganho ali chegado, tenha cuidado com o sítio onde se senta. Siga o dia que se fez noite. Depois da alegria da rua, o aconchego da Ceia. O bacalhau demolhado no brilho dos olhos dos meninos. Com todos. Também com os que já partiram e nos adoçam a saudade. Antes dele, o polvo. Tentacular, no seu molho roubado à vizinha Galiza! Os mexidos e os bolinhos de jerimú. E as rabanadas. Estas de vinho. Fino! Ainda o bolo rei escangalhado que tem por aqui o morbo de uma acção judicial em que se discutiu a sua paternidade. Depois, os sinos que tocam, eu sei lá, em mais de não sei quantas igrejas. Nestas missas, o galo canta sincopado. Com corações aconchegados do frio que se fez lá fora. Coisa de empurrar um ateu dos quatro costados a querer beijar a cruz. E a abraçá-la. E a ficar por aí pois que se desenha já uma sobrancelha de desaprovação no rosto consolado do Cónego de serviço. Acredito profundamente nesse Natal. Esse em que, a cada ano, nascem por essas horas milhares de meninos. Aqueles que todos nós temos ainda cá dentro.
* texto publicado há um ano, por esta altura.

No âmbito da sua política de transparência e de tolerância 0 (zero) a todas as práticas de corrupção, o Estado Angolano pretende recrutar inspectores e detectives.
Perfil dos candidatos:
Miopia grave;
Surdez irreversível;
Incapacidade para trabalhar sob pressão;
Desconhecimento de legislação e práticas de investigação criminal;
Incapacidade de relacionamento pessoal;
Capacidade de descoordenação de equipas;
Falta de conhecimentos de economia e gestão;
Incapacidade de análise;
Desconhecimento de ferramentas informáticas básicas;
O que oferecemos:
Um desafio aliciante e oportunidades reais de desenvolvimento de carreira.
Missão:
Envie-nos a sua candidatura através da caixa de comentários.

Sim, essa conversa da revolução tecnológica e do progresso brutal nas últimas décadas é muito bonita. Mas, onde estão os tais robôs que aspiram, limpam o pó, esfregam os azulejos, lavam os pratos e fazem as camas? E os carros voadores?
* pode ver aqui as previsões que, no passado, se faziam sobre o (nosso) presente.
A propósito das recentes declarações de Passos Coelho há algumas questões a que não é possível responder apenas através da marcação de uma linha divisória entre os apoiantes da franqueza e os indignados pela sinceridade. São, todavia, aspectos importantes que ficam abafados pelo rufar de tambores das claques e apoiantes. Antes de as colocar, importa clarificar que entendo a educação como um sistema dirigido aos alunos (ainda que, por vezes, tenha de funcionar apesar dos alunos). Não se trata, de todo, de menosprezar o papel dos pais, das famílias ou dos professores. A educação faz-se com eles e faz-se mal ou não se faz sem eles. Mas, se perguntarmos quais os interesses fundamentais que a educação deve servir, concluiremos sempre que esses só podem ser os dos alunos. Ora, partindo desta perspectiva, há uma primeira constatação a que devemos chegar: o número máximo de alunos por turma admitido em Portugal é excessivo. É evidente que a redução do número de alunos não assegura, só por si, uma melhoria da qualidade do ensino. Por exemplo, o efeito da redução será praticamente nulo se os professores adoptarem uma estratégia exclusivamente expositiva da matéria. Todavia, quando se utilizam abordagens mais ricas e diversificadas, que implicam interacção e participação de alunos e professores, existe uma probabilidade real de um número menor de alunos em sala corresponder a melhores resultados. De modo que a sinceridade que se pode reconhecer às palavras de Passos Coelho e ao seu governo não é total. Ao contrário do que foi afirmado por Nuno Crato quando formulou a recente reforma curricular, as razões para a apresentar nos termos em que o fez são, antes de mais, orçamentais. Se não fosse esse o caso, antes de anunciar outro tipo de alterações, qualquer governo estabeleceria um número máximo de alunos por turma entre 20 e 24. E isso, naturalmente, reduziria o número de docentes desempregados. Por outro lado, a onda de solidariedade que tem sido dirigida aos docentes convidados a emigrar é, as mais das vezes, hipócrita. O que está também em causa é a escolha entre uma abordagem baseada no mérito e uma outra que salvaguarda os direitos adquiridos. Como em todas as outras profissões, exercidas no sector público ou privado, há uma percentagem de docentes do quadro que não tem quaisquer condições para continuar a ensinar (serão 15%, tal como acontece noutras profissões?). Deviam ser esses e não alguns docentes contratados competentes (também aqui há os que estão bem preparados e outros que jamais poderão ser professores) aqueles a quem Passos Coelho poderia sugerir que emigrassem. É claro que isso seria pôr o dedo numa ferida transversal à sociedade portuguesa: pretendemos privilegiar a competência ou os interesses instalados? No caso da educação, a resposta é, aparentemente, muito fácil. Basta reconhecrmos que o que está verdadeiramente em causa é o interesse dos alunos.