O PCP, o partido que entendeu dirigir condolências ao povo da Coreia do Norte e ao Partido dos Trabalhadores norte-coreano pela morte do ditador trucidário Kim Jong-il, votou hoje contra um voto de pesar pela morte de Vaclav Havel, ex-presidente da República Checa e herói da luta pela liberdade do seu povo. Uma vergonha e um sinal inequívoco de que o PCP não compreendeu nada, não evoluiu nada e não tem nada para dar ao regime democrático.
Diz-me as mortes que lamentas e dir-te-ei quem és
Rui Rocha,

Eu bem disse… que era o Jeronimo de Sousa disfarçado de urso… no velório do camarada Kin do raio que o parta!!
Uma atitude vergonhosa. Embora nada surpreendente.
Caro Pedro Correia,
Igualmente vergonhoso e com maior relevância é a adopção do acordês pelos funcionários e demais criadagem partidária na assembleia da república no dia 1 de Janeiro.
Ignoram todos os pareceres oficiais (repita-se: oficiais) negativos e nem se dão ao trabalho de dar qualquer fundamentação para este capricho, que teria graça se não fosse um crime.
A ignomínia atinge o auge se nos lembrarmos das centenas de milhares que, apenas na internet, expressam a sua indignação, mas que, parece não perturbarem o empenho que por hábito em Portugal se guarda para a estupidez.
Meu caro: como é sabido, sou frontalmente contra o aborto ortográfico.
Eu sei que é.
E estou muito longe do PC. Apenas sou mais abrangente na definição da abjecção e nela incluo todos, pessoas ou o partidos que de qualquer modo traem o voto que receberam, ou seja, que de algum modo legitimam, na prática, e em maior ou menor grau, o princípio das ditaduras: o desprezo e desrespeito pela vontade do povo. todos aqueles que se arrogam saber mais do que nós e melhor do que nós qual é o “nosso” interesse.
Os anti-acordistas, centenas de milhares de todos os partidos políticos não elegeram deputados? Onde estão eles?
Excelentes questões, as que aqui deixa.
O partido comunista tem uma virtude pouco comum em Portugal: sabe diferenciar os amigos dos inimigos e não disfarça muito – ao invés da hipocrisia habitual.
Para eles a Coreia é um regime amigo e Vaclav Havel um vendido ao capitalismo, ou equivalente, e agem em conformidade.
É abjecto, mas é consequente, o que não deixa de constituir um ganho, memso perverso, sobre a inconsequência abjecta que é a nossa vida política.
Abjecto é o que chora a morte de um tirano e é incapaz de lamentar a morte de um democrata.
Foi o que escrevi: abjecto. Mas consequente.
Lamento, ou melhor não lamento, discordar dessa compreensão.
A incoerência da política do PC é uma vergonha para os seus militantes.
Cá dentro uma moral? e lá por fora, comprometidos e afectos a ditaduras abjectas (haverá alguma que não o seja?)..sem qualquer consequência que não a exposição da vacuidade do pensamento do partido.
Portugal tem um longo caminho a percorrer e muitos restarts a executar para que São Bento produza/realize o que constitucionalmente se encontra escrito…não obstante, no que a esse partido diz respeito, nem ganho nem consequÊncia, apenas séptica, a fossa onde se encontram.
O PC é coerente. Sempre achou a democracia parlamentar um mal menor. Nisso sempre foi muito claro. Eles e não o povo sabem o rumo da história e o que é preciso fazer. A «vontade popular» é geralmente alienada e as massas precisam de serem iluminadas.
Pensam assim e nem sequer o escondem.
O pior são aqueles que se reclamam da democracia e até do liberalismo e construíram conscientemente – ou meramente usufruem – de algo que é muito diferente de uma democracia. Ora vamos a pormenores, onde, sabe-se, se esconde o diabo: conhece o seu deputado? Pode controlá-lo? Exigir-lhe contas? Puni-lo, deixando de o eleger, mantendo embora o voto no seu partido? Não, não pode: ele apenas depende do favor do chefe. Isto é abjecto, desde logo porque institui uma ditadura de facto. Por isso, é possível a uma assembleia da república que tinha há bem pouco tempo centenas de petições de cidadãos de que não se ocupara, pressurosamente, preparar-se para adaptar o acordês, passando, sem uma palavra de justificação por cima de pareceres científicos e bem sabendo que o povo não quer.
Este arrogar-se de certezas, esta substituição “ao povo, que não sabe quais são os superiores interesses” é a essência da ditadura – como o PC bem sabe.
O resto são indignações festivas e, aqui para nós, aquela gente não tem dignidade para enviar um voto de pêsames pela morte de Vaclav Havel de que a esmagadora maioria deles não leu uma palavra -se é que sabem quem foi.
Desculpe a veemência, mas ainda não entrei em modo de Natal.
O PCP tem uma longa e reconhecida tradição no humanismo abjecto. É isso que o torna cada vez mais repulsivo.
Esta permanente duplicidade dos comunistas portugueses, que defendem lá fora o que contestam cá dentro, retira-lhes toda a autoridade moral para se assumirem como arautos dos “trabalhadores” e do “internacionalismo proletário”. Nos países submetidos às ditaduras comunistas, o PCP aplaude a repressão contra os trabalhadores. Solidários com os carrascos, indiferentes ao destino das “vítimas da fome”.
Subscrevo, na íntegra, o seu último parágrafo. Estes senhores e o seu discurso “casseteiro” cansam-me tanto! São de uma hipocrisia gritante quando debitam frases envolvendo palavras como liberdade, democracia, direitos adquiridos, eleições democráticas, liberdade de expressão… Uma farsa!
Não sei como espera que eles evoluam sem deixarem de ser comunistas.
O comunismo é por definição totalitário. Tudo quer controlar. Logo é normal que chorem pela morte do Ditador que tornou o seu país num lugar de fome e assassínio enquanto abaixo do paralelo 38 na Coreia do Sul é um lugar de desenvolvimento e vida.