Dois amigos encontram-se. Um deles exclama: «Ei, ouvi dizer que tinhas morrido!» O outro solta uma gargalhada. «Não, como vês estou bem vivo.» «Impossível. O tipo que me contou é muito mais fidedigno do que tu.»
Tchan-tchan. Obrigado, vocês são o melhor público do mundo. O homem era mesmo estúpido, hã? Mas vamos à parte sem graça. Obviamente, esta anedota não foi inventada em Portugal. O primeiro tipo (o que não acredita nem nas palavras do outro nem nos próprios olhos) nunca poderia ser português – nós só somos assim brutalmente honestos com inimigos declarados ou pessoas com quem contraímos matrimónio há mais de cinco anos (er, não, agora não vou desenvolver este ponto). Todavia, há algo em que bastantes portugueses são iguaizinhos a ele e basta analisar as sondagens para o constatar. Por cá, trinta e tal por cento das pessoas (ou para aí metade desse valor depois de retirar militância e clientelas) também recusam a realidade que têm à frente dos olhos. Com a subtil agravante de que parecem continuar a acreditar (ou, no mínimo, a querer acreditar) num dos homens menos fidedignos que já nasceram neste país. E todos os trinta e tal por cento menos um (o próprio; ou talvez menos dois – convém não esquecer Silva Pereira) sabem que assim é.

Referes-te ao Artur Virgílio Alves Reis? Bem lembrado…
Esse mesmo. Por acaso, umas notitas, ainda que falsas, vinham a calhar – desde que fossem suficentemente bem feitas para enganar a Merkel e o Trichet…
Só vem provar que menos fidedignos ainda são aqueles que lhe deveriam fazer oposição.
Estamos na situação do mau e do muito mau e só pedemos escolher um. Não admira que ande tudo a escolher o mau.
Desde que se tenha a certeza de qual é qual. Ah, espere, o muito mau deve ser aquele que já provou não ser capaz.