Quantos edifícios tem o Estado?


Pedro Correia,

É quase caricato. O Governo tem sido incapaz de elaborar um inventário rigoroso e exaustivo do seu património imobiliário, o que aliás mereceu severas críticas do Tribunal de Contas. Apesar disto, atreve-se a impor regras aos privados no âmbito de um “pacote” (detestável palavra) de medidas – a que alguns propagandistas chamam reforma – no sector da habitação.

Vale a pena recordar que em 2021 o TC alertava: «Uma das áreas mais prejudicadas pela inexistência de uma plataforma de gestão do imobiliário público é a da política da habitação.» A advertência entrou a cem, saiu a mil. O tal “pacote” só foi anunciado agora – aliás na sequência de vários outros, todos sem efeito prático – porque dava jeito a António Costa, penalizado em recentes sondagens, para se enfeitar com o rótulo de “consciência social”. Nada mais.

É um estilo de governar. Sete anos depois, já não surpreende ninguém.

6 comentários em “Quantos edifícios tem o Estado?”

  1. E até seria simples, consultar os inventários feitos anteriormente ao longo dos anos.
    Parece um pacote (o vai levar no pacote não se safa) a pedido dos bancos/associações da construção, e até o BdP, com o cartão assinado ‘já acabou a pandemia’.

    1. O Governo está a tentar que os privados compensem anos a fio de ausência total de políticas públicas no domínio da habitação.
      Este “pacote” (detestável palavra) da ministra tem tudo para dar errado.
      Enquanto, em pleno centro de Lisboa, se mantêm há anos sem préstimo edifícios enormes pertencentes ao imobiliário do Estado. Como acontece com a antiga sede do Ministério da Educação, abandonada desde 2018.
      Diziam que iam aproveitar aquele espaço para residência universitária. Tudo treta. Continua fechado e bem fechado, a degradar-se na Avenida 5 de Outubro.
      https://sol.sapo.pt/artigo/762932/um-edificio-fantasma-no-coracao-de-lisboa

        1. Cinco anos com aquele mastodonte fechado. Edifício público. Devolutíssimo.
          Espero que o Governo Costa “exproprie” aquilo… para colocar no mercado de arrendamento.
          Já vai tarde.

          1. Isso seria um atentado contra a iniciativa privada dos senhorios.
            Pode ser com obras, por causa do amianto, seja feito concurso para uma “cooperativa de habitação” ou para residências estudantis da Cidade Universitária.

  2. Ao que se diz até há especialistas de imobiliário no governo, mas parece que só tratam de compras e vendas a titulo pessoal.

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