Primavera


José Meireles Graça,

A acácia, reparei hoje, já tem umas folhas comoventemente pequenas; as glicínias já ostentam seus mal desenvolvidos botões; os carvalhos cerquinhos começam a colorir-se de verde; o raizeiro de uma das tílias já rebentou com uma tímida folhita e na faia, na albizia, no castanheiro da índia, no plátano, na árvore de Júpiter e em todas as outras, indo lá espiolhar, já se percebe que estão em sentido, à espera que o Instituto das Florestas e da Conservação da Natureza decrete a chegada da Primavera. Agora, as couves galegas é que estão num estado aflitivo: muitas amarelas e as outras sem pujança. E isto é preocupante porque um coração amantíssimo como o meu é sensível aos ciclos da Mãe Natureza e suas belezas, mas ainda mais a um caldo daquelas humildes verduras com feijão e alguma pouca carne a adubar.

9 comentários em “Primavera”

  1. as couves galegas é que estão num estado aflitivo: muitas amarelas e as outras sem pujança

    Tem chovido muito pouco neste inverno. As couves precisam de água.

  2. Que delícia de escrito! Deu-me saudades de um outro tempo, e muita vontade de ir ver as minhas árvores – mas estão longe.
    Obrigada

  3. Li com muito gosto este seu texto. Fez-me recordar por instantes as minhas aulas Botânica Geral na velhinha F. Ciências de Lisboa.
    A velhice é uma chatice . . .
    Maria

  4. Também me alegro com o descrito e agradeço aos deuses naturais.
    As três orquídeas apartamentais esforçam-se.
    A oliveirinha permanece tal qual há cinco ou mais anos.
    Os cactos incham.
    Dou graças.

  5. …”com um caldo daquelas humildes verduras com feijão e alguma pouca carne…”-pois sim. Quem come a posta barrosã, inteira, no “Cantinho de Antigamente” ,vá-se lá acreditar que se contenta com um caldinho com couvinhas a voar…- Já l`ouvi chamar munta coisa…

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