São sempre os mesmos comentadores, ano após ano, década após década. Desfilam nos canais de sempre debitando as mais esforçadas banalidades de que são capazes. Nos últimos dois dias, ouvi sete (não exagero) sublinharem, com ênfase de La Palice, que “o futuro de Passos Coelho está dependente da boa ou má prestação do governo de António Costa”.
Cada um que comparece no ecrã copia sem pudor o que o anterior disse. Falam longos minutos, horas, dias, meses. Dizendo coisas profundíssimas, como a frase que mencionei acima. Antes de começarem a falar já adivinho tudo quanto vão dizer – às vezes palavra por palavra.
Falam de política reclamando “reformas”, “inovação”, “golpes de asa”. Sem perceberem que a verdadeira reforma, a maior inovação, o mais genuíno golpe de asa dos canais que os acolhem com aparente carácter vitalício seria removê-los e pôr outros no lugar deles. Outros que dissessem coisas que talvez nos surpreendessem, que talvez nos dessem pistas interessantes, que talvez nos pusessem a pensar.

dizia o Senhor de La Palisse, morto na batalha de Pavia
‘coitado! um segundo antes de morrer ainda era vivo’
Mas ainda teve tempo de proclamar: “Roma e Pavia não se fizeram num dia.”
Cada um que comparece no ecrã copia sem pudor o que o anterior disse. Falam longos minutos, horas, dias, meses. Dizendo coisas profundíssimas
O Pedro Correia frequentemente parece neste blogue um desses comentadores: diz coisas aparentemente profundíssimas mas que na verdade são vulgaridades que montes de outros comentadores dizem. Papagueia teorias do senso comum.
Ainda bem que só debito vulgaridades: mesmo assim você desperdiça grande parte do seu precioso tempo a comentá-las. O que faria se não o fossem…
Não digo que Você debite somente vulgaridades, mas, de facto, boa parte daquilo que debita é-o.
Comento essas vulgaridades precisamente porque, sendo-o, vale a pena frequentemente desmascará-las.
Ao menos você só papagueia coisas profundas. Tão profundas que jamais me dei ao incómodo de visitar o seu blogue para “desmascará-las”.
Mas creio, caro Pedro, que deverão ter sido esses mesmos comentadores que aquando da reeleição de José Sócrates para Secretário-Geral do PS disseram que tinha sido eleito com uma maioria semelhante às maiorias norte-coreanas. Porque não o repetiram agora, se o número de votos de um e outro foram equivalentes?
O eleitorado de um é, neste caso, mais genuíno que o do outro?
Creio que raiz do problema que coloca é de outra natureza: o excesso de opinião face à informação, que como, acertadamente, diz «desfilam nos canais de sempre».
Um espaço noticioso serve, em meu entender, para noticiar… um espaço de informação, serve para opinar. Misturar as duas… Isto aplica-se tanto ao comentário partidário como ao desportivo. Bem… de desportivo nada tem… e de futebol pouco!
E não pode haver mistura maior do que assistirmos a um interminável desfile de políticos que vão fazer uma perninha às televisões como comentadores, noite após noite. Políticos no activo que fazem lembrar a velha rábula revisteira da Olívia-costureira, Olívia-patroa.
Li no blogue do Pedro Rolo Duarte e tinha de ler “ao vivo e a cores”: muito bom!
Obrigado, Isabel.
O problema não é serem sempre os mesmos comentadores a fazerem os mesmos comentários políticos.
O problema, sobretudo na política partidária, é serem sempre indivíduos muito parecidos entre si a fazerem sempre a mesma coisa.
Passos iniciou o ciclo de oposição, vai ser deposto pelos que votaram nele agora quando houver uma oportunidade de derrubar o governo. Lembra-se como foi com Seguro? E com Manuela Ferreira Leite? E com Fernando Nogueira? E com tantos outros?
O espantoso é que ainda exista o que dizer sobre isto.
À política o que é da política, ao comentário o que é do comentário. Péssimos comentadores só contribuem para afastar ainda mais os cidadãos da política. E a propósito: outra originalidade portuguesa é a do político-comentador. Todos os canais televisivos usam e abusam desta figura do comentador em causa própria.
Múmias redivivas do acaciano conselheiro…
Paleio acaciano, sim. A maior parte das vezes. Há os especialistas em falar muito sem dizer rigorosamente nada. Há os que dizem sempre o mesmo a propósito das coisas mais diversas. E há aqueles que conseguem nunca emitir uma opinião sobre coisa nenhuma.
Um dia destes trago aqui alguns exemplos, com citações apropriadas.
Bom dia caro Pedro Correia,
Revejo-me na totalidade do seu texto.
Apenas lhe acrescento um ponto da actualidade da minha região:o, piso da A14 aluiu.
E de quem é a culpa?
bom dia
nada mais verdadeiro
os mesmos políticos
os mesmos comentadores
os mesmos temas
os mesmo futebóis
os mesmos autores
os mesmos livros
os mesmos apresentadores de rádio e tv
os mesmos cronistas
os mesmos blogues
e quando são substituídos acontece que o são por muy parecidos empacotados como novidade
it’s not just the all web it’s the all world that comes up like a circle jerk
obrigado por permitir comentar
continuação de boa sorte com delitos e opiniões à mistura
com os melhores cumprimentos
eduardo