Os 35 mais infectados


Pedro Correia,

Um mês depois, trago aqui novamente o quadro detalhado da evolução do novo coronavírus por todos os países e territórios do planeta, com base em mais de duas dezenas de fontes consultadas e confrontadas – desde logo, a Organização Mundial de Saúde. Quando à escala global existem agora 1,1 milhões de mortos e 37,8 milhões de infectados por Covid-19, oficialmente reconhecidos. Neste período, o número de óbitos aumentou cerca de 20%, enquanto os novos casos entretanto detectados subiram por volta de 30%.

Um registo que me leva a ordenar os países com registo oficial de Covid-19 da seguinte maneira, excluindo micro-estados e nações com menos de um milhão de habitantes:

 

Catar: 45.582 casos por milhão de habitantes

Barém: 44.028

Israel: 31.729

Panamá: 27.763

Koweit: 25.913

Peru: 25.661

Chile: 25.121

EUA: 24.105

Brasil: 23.922

Omã: 20.727

Argentina: 19.735

Arménia: 15.291

Espanha: 19.041

Colômbia: 17.857

Costa Rica: 17.121

Moldóvia: 15.417

Bélgica: 13.987

Bolívia: 11.827

África do Sul: 11.635

França: 11.253

República Checa: 10.930

República Dominicana: 10.891

Emirados Árabes Unidos: 10.705

Holanda: 10.186

Iraque: 9.942

Singapura: 9.872

Suécia: 9.731

Arábia Saudita: 9.703

Bósnia-Herzegovina: 9.358

Rússia: 8.991

Reino Unido: 8.880

Bielorrússia: 8.841

Irlanda: 8.586

PORTUGAL: 8.506

Honduras: 8.452

 

Notas a destacar, em comparação com a estatística anterior: a pandemia mantém-se em ritmo muito elevado no continente americano e no Médio Oriente – com destaque, neste caso, para o alarmante caso de Israel, que num mês duplicou a cifra oficial de contágios, passando a ocupar o terceiro posto deste pódio. Em Setembro era o décimo país com maior número de infecções.

Subidas muito acentuadas também em países europeus. Espanha persiste em liderar as estatísticas negativas no nosso continente, tendo quase duplicado o número de casos detectados durante este período e agora troca de posições com a Colômbia. Más notícias também na Bélgica (ocupava o 25.º posto há um mês, é 17.º agora), em França (estava em 35.º lugar em Setembro e regressa aos vinte mais infectados), Holanda (ausente dos 35 que encimavam a lista anterior e hoje na 23.ª posição) e Reino Unido (sobe de 37.º para 31.º).

Em sentido inverso, a Suécia: baixa do 23.º ao 26.º posto, apesar de continuar a ser o país europeu onde menos se fazem sentir as medidas restritivas ou de confinamento. Um caso que merece ser seguido com atenção.

E Portugal? A boa notícia é que recuamos um lugar, relativamente a Setembro. A má notícia é que continuamos entre os Estados membros da União Europeia com mais contágios registados por cada milhão de habitantes. 

Em termos comparativos, à mesma escala, temos o dobro dos infectados por Covid-19 em países como Eslovénia, Marrocos, Hungria, Sérvia e Turquia. Triplicamos os números da Noruega, Estónia e Tunísia. Registamos cinco vezes mais casos do que na Grécia ou na Finlândia. E oito vezes mais do que no Egipto ou na Austrália.

……………………………………………………………….

 

Deixo também aqui novamente o registo da relação entre o número de óbitos confirmados e a população de cada país, por milhão de habitantes. Seleccionando desta vez 31 para incluir a estatística portuguesa:

 

Peru: 1006

Bélgica: 878

Bolívia: 709

Brasil: 707

Espanha: 704

Chile: 695

Equador: 688

EUA: 663

México: 648

Reino Unido: 630

Itália: 598

Suécia: 583

Panamá: 575

Colômbia: 545

Argentina: 527

França: 500

Holanda: 384

Irlanda: 369

Moldóvia: 362

Arménia: 346

Irão: 339

África do Sul: 299

Roménia: 285

Bósnia-Herzegovina: 283

Canadá: 254

Honduras: 253

Iraque: 243

Suíça: 241

Israel: 216

Costa Rica: 211

PORTUGAL: 204

 

O destaque continua a ser ocupado, em níveis cada vez mais intensos, por nações do continente americano. Permanecendo o Peru no topo desta lista negra. Subidas acentuadas de países como a Bolívia (há um mês era sexto, agora é terceiro), o Brasil (sobe do oitavo ao quarto lugar), México (em Setembro estava no 12.º posto, entra hoje nos dez mais) e Argentina (com o maior salto proporcional, do 23.º ao 15.º).

Cifras negras também na Europa: a Bélgica mantém-se como segundo país do mundo com mais óbitos por milhão de habitantes e a Espanha figura ainda entre os cinco primeiros (embora desça da terceira posição registada em Setembro). Descida também do Reino Unido (era o quarto com mais mortos, proporcionalmente, agora é o décimo). 

A Itália – que já esteve em primeiro – situa-se hoje na 11.ª posição: há três meses surgia em quarto. Destaque igualmente para a Suécia, que entre Julho e Outubro baixou do 5.º para o 12.º lugar. 

Portugal sai pela primeira vez da lista dos 30 países com mais mortos por milhão de habitantes. Confirma-se assim a tendência para a descida já verificada em Julho, quando estávamos em 21.º. Em cinco meses, caímos 19 lugares: convém recordar que no início de Maio ocupávamos a 12.ª posição. 

Infelizmente ainda figuramos entre os dez países da União Europeia neste quadro nada invejável. Com o dobro dos óbitos por Covid ocorridos na Dinamarca, Hungria e Áustria. Triplicando o registo da Finlândia. E com cerca de cinco vezes mais vítimas mortais do que a Grécia.

48 comentários em “Os 35 mais infectados”

  1. excluindo micro-estados e nações com menos de um milhão de habitantes

    Apesar desta exclusão, verifica-se que quatro dos países com mais casos são países com muito poucos milhões de habitantes (Qatar, Barein, Kuaite, Panamá), sugerindo que em parte a sua má classificação se deve tanto a fazerem muitos testes por habitante como a uma incidência particularmente alta da epidemia.

    1. Alguns desses são países com poucos habitantes, mas em que alta percentagem habitam zonas de elevada densidade populacional. Pode fazer diferença.

        1. Qatar, Barein, Kuaite, são paíes com poucos habitantes, comparativamente com outros países dessa lista, como EUA, Espanha, Itália e México.

          1. E daí que possa explicar estarem tão alto na estatística.
            Onde leu que se podem riscar?

      1. Pode fazer diferença.

        Pois pode. Muita diferença, mesmo.

        Por exemplo, em Portugal, a epidemia só o é nas áreas urbanas de Lisboa e Porto e nas suas periferias, e pouco mais. No resto do país aparecem surtos em lares (nos quais vivem muitas pessoas a habitar um espaço reduzido) e pouco mais. Em cidades de pequena dimensão (até 100 mil habitantes), a epidemia pouco progride, a não ser entre pessoas que cohabitam.

        No Qatar, Barein ou Kuaite, praticamente toda a gente do país habita a capital. Em Israel, praticamente todos os habitantes vivem em estreita ligação com as metrópoles do país (as distâncias entre cidades em Israel são pequeníssimas). Nesses países, a epidemia atinge facilmente grande parte da população. Em países como a Islândia, em que a maior cidade nem 200 mil pessoas tem, a epidemia não tem hipóteses.

    1. Obrigado, António Cabral. Irei mantendo, na medida do possível, esta análise mensal dos dados estatísticos disponíveis.
      Para nos fazerem reflectir. E para mais tarde recordar.

      Saúde para si também.

  2. Os dados são bons para memória futura, mas são falaciosos. Isoladamente são verídicos, mas não podem ser vistos em conjunto.
    Este tipo de vírus varia com o clima, e o seu tratamento depende dos serviços de saúde de cada país. E também é influenciado pelo escalão etário da sua população.
    Misturar tudo sem ter em conta essas premissas é estar a comparar alhos com bugalhos.
    O único dado que nós podemos comparar é com o número de mortos da gripe do ano passado, que foram 3300, contabilizados em Outubro de 2019.
    Em Outubro de 2020 há cerca de 2100 mortos por covid.
    E por motivo da DGS estar excessivamente focada nesta pseudo pandemia, e ter descurado as outras doenças, morreram a mais em relação ao ano passado cerca de 6000 pessoas.

      1. Eu não tenho obsessão com a gripe, eu acho é que estão a sobrevalorizar um vírus e a atribuir-lhe uma letalidade que não corresponde à verdade.
        Veja que só ao fim de 7 meses é que a OMS vem dizer para os países pararem com o confinamento, porque piora a situação. E há de acontecer o mesmo com o absurdo das máscaras.
        Você já reparou o que a máscara faz a quem tem a pele mais sensível?
        Isso é o que é visível, vamos ver daqui a mais uns tempos as doenças pulmonares.

        1. São questões muito diferentes. Numas concordo consigo, noutras discordo – como aliás temos debatido aqui.

          Uma coisa é discutirmos os méritos ou deméritos da estratégia nacional de combate à epidemia. Tenho apontado várias críticas ao rumo errante dos responsáveis políticos e ao excesso de medidas “securitárias” adoptadas, aliás em consecutivas contradições: já se disse e já se fez quase tudo e o seu contrário.

          Outra, é menosprezar-se os riscos do novo coronavírus, que entre nós já provocou em apenas sete meses quase um quarto das vítimas mortais registadas pelas forças armadas portuguesas durante 13 anos em três frentes de guerra em África, entre 1961 e 1974. Ou, noutra perspectiva, o equivalente a três anos e meio de mortes por acidentes rovodiários em Portugal.

          É muito. É demasiado. É insustentável.
          E não tenhamos dúvidas: os números reais ultrapassam seguramente as cifras oficiais.

          1. Você diz que são 7 meses, tudo bem.
            Os dados que eu tenho da gripe é de Outubro 2019, e são 3300 mortes.
            Os meses que vão de Outubro a Março deste ano, são contabilizados como?
            Não contam?
            Não houve gripe?
            Não morreu ninguém?
            Eu não digo que a covid não é importante, o que eu digo é que há vida para além da covid.
            E é por causa deste alarmismo social que temos um excesso de 6000 mortos em relação ao ano passado, com tendência a piorar, e muito.

          2. Há mais vida para além do covid é um chavão. Que nada diz, nada esclarece.
            Claro que há mais vida para além disso. E de tudo o resto.

            Convocar a gripe a propósito deste vírus faz muito pouco sentido. Porque para a gripe existe vacina. Para o covid ainda não há.

          3. Essa comparação entre uma doença (o coronavírus, ou qualquer outra) e as guerras ou os desastres rodoviários é completamente disparatada.

            Os 13 anos de guerra em África causaram menos de 10 mil mortos portugueses. Uma ninharia, quando comparado com o número (talvez 30 mil) de portugueses que num só ano morrem de problemas cardíacos. Conclusão: as guerras em África foram irrelevantes. A conclusão está, evidentemente, errada – é o que dá fazerem-se comparações inapropriadas.

            Nos Estados Unidos, num só ano morrem mais pessoas em desastres rodoviários do que todos os americanos que morreram na guerra do Vietname. Conclusão – a guerra do Vietname causou muito poucas mortes e foi irrelevante. Conclusão errada, está bom de ver – é o que dá fazerem-se comparações inapropriadas.

          4. Há pessoas que precisam de desenhos para entender as coisas mais elementares.
            Parece ser o seu caso.

            Fui buscar esses exemplos para desmontar a tese da irrelevância estatística, precisamente.

            Podia ter invocado também as pessoas que morrem de acidentes domésticos, sem sequer saírem de casa. Batem com a cabeça na esquina de um móvel ou de uma banheira e morrem.
            Ou as pessoas que morrem de “causas não determinadas”. São muito mais do que se imagina.

            Isto não é forma de debater, como é óbvio. Mas foi precisamente aí que eu quis chegar.
            Para a próxima faço um boneco.

          5. Pedro, gabo-lhe a paciência.

            Quando falam em mortes por gripe ou acidentes de viação esquecem-se que a essas se somam estas da covid. São coisas diferentes com resultados iguais. Há um somatório.

            Mais logo falam em mortes por falsos trajectos

          6. Algumas pessoas esgrimem argumentos sobre causas de óbitos com a gélida indiferença de quem comenta um resultado de futebol.
            Há qualquer coisa de chocante nesta atitude. Faz-me sempre lembrar aquela frase do Estaline, que alliás bem o definia: «Um morto é uma tragédia. Um milhão de mortos é uma estatística.»

            Quem considera irrelevante qualquer causa de morte, desvalorizando-a sempre em comparação com não sei o quê, no limite só dará importância a uma morte: a sua, quando chegar a hora.

          7. “doença (o coronavírus, ou qualquer outra) e as guerras ou os desastres rodoviários é completamente disparatada.”
            “Os 13 anos de guerra em África causaram menos de 10 mil mortos portugueses.”
            Bem, para mim a pior doença é a chamada Necrologia. Dela morrem 100% das pessoas. Aquilo é mesmo mortal. Se conseguissem uma vacina para a Necrologia….

          8. É insustentável.

            Não. É perfeitissimamente sustentável. Se o coronavírus matar 3000 portugueses no total de 2020, isso será somente 3% da mortalidade total do ano. Será virtualmente indistinguível de um “ruído” (uma flutuação estatística) qualquer na mortalidade. Ademais, desses 3000 portugueses que o coronavírus matará, boa parte são pessoas muito idosas que teriam de qualquer forma morrido a muito breve trecho de qualquer outra causa.

            Se houvesse um coronavírus a matar todos os anos 3000 portugueses, a esperança média de vida em Portugal não se alteraria praticamente nada.

          9. Esse argumentos são totalmente esfarrapados, não fazem o menor sentido.

            Com essa linha de raciocínio, prolongada quase até ao infinito, você concluirá sempre pela irrelevância de todas as causas de morte.
            Excepto uma: a sua. Quando chegar a sua hora.

            Enfim, mero ruído. Para concluir coisa nenhuma.
            Fez bem em manter o anonimato.

          10. “…desses 3000 portugueses que o coronavírus matará, boa parte são pessoas muito idosas que teriam de qualquer forma morrido a muito breve trecho de qualquer outra causa.”

            A idade como critério no acesso aos cuidados de saúde e o argumento de que a sociedade “ganha pouco” ao tratar idosos são considerações antiéticas e ilegais neste país. A população sénior não pode ser discriminada nesta nem noutras matérias, é um direito constitucionalmente garantido, sinal de civilidade, seria tema longo, resumo em 2 palavras: tenha noção!

          11. Precisamente Carlos Sousa.

            Faz pensar porque é que o COVID foi transformado em “caso” quando tivemos sempre outros “casos” ainda mais graves recentemente. Basta ir ver o pico de mortes que tivemos em 2016 bem superior a este.

            lucklucky

          12. Não me leve a mal mas só quero acrescentar:

            10.702 mortos das forças armadas Portuguesas.(números oficiais das forças armadas Portuguesas registadas)

            Os mais de *15500 deficientes das forças armadas Portuguesas no ultramar, bem como juntar todos os naturais mortos que combateram por nós, e as milhares de famílias portuguesas que sofreram com o stress de guerra, e sem esquecer as mais de *50000 mil mortos dos naturais de Ultramar.
            *(dados do Wikipedia )

            Em relação ao Covid 19 totalmente de acordo consigo Pedro Correia.
            Faz-me confusão como é que há gente que minimiza tudo isto bem como o número de mortes seja em guerras ou em pandemias no que quer que seja.
            É preciso ter muita insensibilidade ou má formação para não perceber…

            Rui Santos

          13. “10.702 mortos das forças armadas Portuguesas”
            Sim, mas não há nada para ceifar vidas como a Necrologia como diz outro comentador.
            Tudo é uma questão de decompor a Necrologia em várias doenças. Há uns milénios penso que só existia a necrologia. Nessa altura os trogloditas andavam de certeza muito preocupados com o elevado índice de mortalidade do único mal que a sua Ciência tinha descoberto. E que diriam nos media as Graças Freitas da época?? Era sempre 100% morrem!!

        2. “Você já reparou o que a máscara faz a quem tem a pele mais sensível?
          …..vamos ver daqui a mais uns tempos as doenças pulmonares”.

          Há diversos tipos de máscaras e muitas soluções para eventuais reações alérgicas e isso nem é argumento – uma necessidade maior (proteção) sobrepõe-se aos incómodos dos EPIs.
          As doenças pulmonares não decorrem da utiliz de máscara, é o inverso, as sequelas respiratórias resultam da infeção pela Sars-Cov2 (como também de outras doenças).

          1. “”Você já reparou o que a máscara faz a quem tem a pele mais sensível?”
            Pois, mas eu prefiro andar de máscara toda a vida a ser defunto 5 minutos. E há mais como eu e também há dos noutros. Há de tudo.

    1. A comparação com a gripe faz todo o sentido. É causada por um vírus. É uma doença contagiosa. Há vacina. Apesar disso contabiliza um número de mortos anual superior ao do Coronavirus. E não conseguimos acabar com ele. Tal como não vamos conseguir acabar com o Coronavirus.
      Não é por causa disso que nos fechamos em casa e deixamos de viver.

      1. A comparação com a gripe não faz sentido.
        Há vacinas contra a gripe.
        Não há vacinas contra o Covid-19.
        Estamos muito mais vulneráveis perante este novo coronavírus.

        Não creio que alguém tenha vindo aqui defender que nos devemos fechar todos em casa. Isso não faz o menor sentido.

        1. Há vacinas contra a gripe.
          Não há vacinas contra o Covid-19.
          Estamos muito mais vulneráveis perante este novo coronavírus.

          Falácia.

          Há vacina contra a gripe. Não há vacina contra o ébola. Portanto, estamos muito mais vulneráveis perante o ébola.

          Falso, porque o ébola raramente surge, e quando surge é em África e não nos afeta.

          Há vacina contra a gripe. Não há vacina contra o SARS-COV-2. Portanto, estamos muito mais vulneráveis perante o SARS-COV-2.

          Pode ser uma falso, se o SARS-COV-2, mesmo sem vacina contra ele, causar poucas mortes, enquanto que a gripe, mesmo com vacina contra ela, causar muitas mortes.

          O que interessa para a nossa vulnerabilidade não é somente saber se há ou não há vacina, mas também saber se pode ou não pode causar grande mortalidade.

          A comparação da gripe com o SARS-COV-2 é útil. Ela sugere que o SARS-COV-2 não é de facto uma coisa terrível, pois não causa uma mortalidade muito superior à da gripe, mesmo não havendo vacina contra ele.

          1. O Ébola é uma febre hemorrágica c/ mortalidade de 25 – 90%; SARS-Cov-2 uma insuf. respiratória aguda – nada a ver em termos de argumento “vacinas” …Para muitas doenças provocadas por vírus nunca existirá 1 vacina, mas a grande capacidade de disseminação do Covid-19, os sintomas graves nalguns casos, as sequelas e todos os ef. colaterais decorrentes de sit. de pandemia, recomendam prevenção enquanto não há tratamento eficaz ou vacina – é só isso.

      2. Basta lembrar a gripe das aves quando ainda não havia vacina. Não havia confinamentos nem máscaras, a única coisa que havia fora de normal era o alertar a GNR se víssemos um pássaro morto.
        Por mais que tente não consigo entender este alarme social.

    2. “E por motivo da DGS estar excessivamente focada nesta pseudo pandemia, e ter descurado as outras doenças, morreram a mais em relação ao ano passado”

      É absolutamente verdade que o Ministério da Saúde alterou a org. quer hospitalar, quer nos cuidados de saúde primários e a fatura será pesada em termos de diagnóstico precoce e tratamentos atempados. Mas isso é pela incapacidade do SNS suportar a situação sanitária. Resolver-se-ia reforçando estruturalmente quando os números baixaram no verão – n/ foi feito como bem sabemos, por incompetência, falta de €€ ou as 2 coisas, your guess is as good as mine). Mas NÃO se resolve deixando a Pandemia progredir livremente, sem quaisquer tentativas de contenção – o resultado seria os doentes Covid à mercê da s/ sorte, as listas de espera no SNS ainda maiores e sobretudo a med. intensiva bloqueada – um absoluto e desumano caos, portanto.

  3. Mais uma vez obrigado pelo excelente trabalho.

    “Em sentido inverso, a Suécia: baixa do 23.º ao 26.º posto, apesar de continuar a ser o país europeu onde menos se fazem sentir as medidas restritivas ou de confinamento. Um caso que merece ser seguido com atenção.”

    Filipe Fróes – adorado e detestado – numa muito extensa entrevista ao i, disse sobre a Suécia:
    “É impossível compararmo-nos com a Suécia. Não temos o mesmo nível de desenvolvimento, organização social e cultura que os suecos. Posto de outra forma, para termos os mesmos resultados que os suecos tínhamos de ser suecos. Têm uma organização de trabalho diferente e além disso tem havido uma série de misticismos: quando se diz que a Suécia não teve confinamento, não é bem assim. Interromperam atividades letivas presenciais a partir dos 16 anos. Suspenderam todos os aglomerados superiores a 50 pessoas, limitaram as suas deslocações. Limitaram visitas de pessoas a lares até este mês; 40% das pessoas vivem sozinhas; mais de 90% da população sueca com mais de 65 anos não contacta habitualmente com pessoas com idades inferiores a 40 anos. O modelo de funcionamento da sociedade sueca aproxima-se já mais do que será um confinamento do que nossa vida cá. E depois o sistema de saúde sueco tem três vezes a nossa capacidade, o que lhes permitiu manter a atividade covid sem prejuízo da atividade não covid. A maior capacidade, disponibilidade e flexibilidade do sistema de saúde sueco permitiu isso. Se quisermos comparar o modelo sueco, então é preciso compará-lo com países idênticos, Finlândia e Noruega fizeram muitíssimo melhor. Tiveram confinamento, tiveram menor mortalidade, tiveram o mesmo ou melhor impacto económico e estão a ter menos novos casos que a Suécia, que já pondera apertar restrições.”

    Outra observação que me ocorreu – sou muito pessimista – é que na primeira vaga nós começámos espectaculares com o “milagre português” e algum tempo depois foi o que se viu. Se se mantiver o mesmo quadro de desfasamento de Portugal, é de esperar um agravamento dos actuais números nas próximas 1/2 semanas e um colapso do SNS lá para meados de Dezembro. E isto se a gripe sazonal for branda como em 2019.

    1. Obrigado, Francisco Almeida.

      Para a gripe, como já lembrei em diálogo com outro leitor, existe vacina. Para o covid ainda não há. Basta isto para se perceber que se trata de uma falsa dicotomia.

      1. Desculpe não ter sido claro. Não se tratava de dicotomia mas de adição.

        Se apenas devido à Covid o SNS estiver saturado em meados de Dezembro e se a gripe sazonal 2020 fôr forte (a 2019 foi fraca) poderá ser o caos no SNS e possivelmente novo estado de emergência para permitir mobilizar os hospitais privados.

        A versão optimista é que as precauções devido à Covid, resultarão numa menor incidência de gripe e admito provável que isto ocorra. Mas a gripe afecta cerca de 2 milhões de pessoas anualmente e mesmo admitindo uma redução brutal podemos sempre falar de 250 a 500 mil infectados. Mas o grave é que a gripe diminui a resistência do sistema respiratório a outros vírus, designadamente ao Covid-19 e agrava a sintomatologia Covid-19 (conforme experiência já recolhida no hemisfério Sul).
        Assim, na versão pessimista, teríamos mais pessoas infectadas e mais doentes graves e isto seria o caos nos cuidados intensivos (que não se podem aumentar a desejo por implicarem pessoal com formação específica).

        1. É mais do que provável de que o SNS venha a estar saturado, mas tal dever-se-à em grande percentagem àqueles que se recusam a manter o distanciamento aconselhável e à recusa do uso de máscara, áqueles que têm a “pele sensível”, ou áqueles que sabem tudo, para quem a ciência, vidé Trump, não é mais do que uma cambada de supersticiosos.

          1. O SNS estará seguramente saturado, mas será principalmente devido aos que não tiveram acompanhamento médico durante estes meses.
            Centros de saúde fechados, hospitais que recusam doentes, consultas adiadas. Isto sim, é o que está a matar portugueses, basta interpretar os números da mortalidade desde Julho, e quando o inverno chegar, será muito pior.
            E o que é que está a ser feito para prevenir a situação (hospitais de campanha, quartéis preparados para receber doentes COVID menos graves, acordos com privados para agilizar situações de emergência, etc )? NADA

          2. Creio que hospitais de campanha já existem mas não sei se há pessoal médico de enfermagem e auxiliares que cheguem.
            Utilização de quartéis parece-me complicada e os privados serão sempre um problema porque, no início do crescimento da pandemia o governo fez um protocolo com os hospitais privados e acordou um determinado pagamento mas, assim que verificou que a curva estava a aplanar deu o dito por não dito e foi então que os hospitais privados começaram a recusar doentes Covid e a remetê-los para o SNS e arcaram com os encargos de adaptação que tinham feito para receber doentes Covid (zonas isoladas, equipamento de protecção, etc.). Dado este historial – de que a comunicação social apenas deu relevo à recusa de doentes – não creio que futura colaboração seja possível a não ser sob imperativo legal que me parece implicar nova declaração de estado de emergência.
            Dou-lhe toda a razão no que respeita a consultas, rastreios e operações adiadas e, independentemente da Covid, se o governo não fizer um protocolo com os privados para recuperar esses atrasos estará a agir criminosamente.

  4. A ideia de que é preciso e possível quebrar cadeias de contágio e controlar a situação é uma quimera logo desfeita nos primeiros capítulos de qualquer manual de Epidemiologia.

    Manuais que até foram seguidos no início, quando apenas se falava na necessidade de “aplanar a curva”, admitindo-se implicitamente que a epidemia iria seguir o seu curso e que, na fase de mitigação, apenas era possível atrasar a propagação, sendo o resultado final independente das medidas tomadas.

    Depois, a dada altura, rasgaram-se os manuais e iniciou-se um percurso quixotesco, que as narrativas oficiais ainda trilham, completamente desprovido de qualquer fundamento científico.

    E os D. Quixotes lá continuam a brandir as espadas argumentativas contra os novos moinhos de vento.

    Algum contexto e várias chamadas de atenção para a realidade factual.

    Hoje, 12/10/2020, até ao momento estão registados 271 óbitos em Portugal, 52 de pessoas menores de 70 anos (https://evm.min-saude.pt/).

    Números até ao final de Setembro:

    – vítimas COVID-19 com mais de 80 anos: 1 352 óbitos
    – excesso de mortalidade maiores de 85 anos: 5 395 óbitos

    Números do mês de Setembro:

    – média 2009-2019 de óbitos diários: 256
    – média 2020 de óbitos diários: 300
    – total 2020: 8 999 óbitos
    – COVID-19: 153 óbitos

    Vítimas de pneumonia:

    – em 2017: 5 596 óbitos
    – em 2018: 5 724 óbitos
    – em 2019: número ainda não disponível

    Nota conclusiva: o clube da pneumonia continua vitorioso perante a indiferença geral e no passado mês de Setembro a COVID-19 foi batida por 8146 contra 153; na secretaria ignoraram-se os 8146 e deu-se a vitória à COVID-19, o que já vai sendo hábito.

    E passando para a “casodemia” resultante das peculiaridades do teste RT-PCR, o Prof. Michael Mina explica isso muito bem em dois curtos vídeos:

    “Michael Mina – The problem of PCR sensitivity: False Infectious – False negatives as False positives”
    https://www.youtube.com/watch?v=4vvgefwKgSU

    “Michael Mina – The neglected CT (Cycle Threshold) levels to determine viral load and infectiousness”
    https://www.youtube.com/watch?v=oxoE47qT3fE

    No restante, não é apenas o exemplo da Suécia que deve ser confrontado com o de outros países. Também o exemplo do Brasil, onde não houve confinamento, deve ser confrontado com o do Peru, com confinamento rigoroso desde Março e mesmo com o do Chile.

    A este propósito, parece que os confinamentos estão a passar de moda. Descobriu-se recentemente o que já se sabia desde o século XIX (trabalhos de Farr, Snow) sobre a nulidade dos seus efeitos epidemiológicos e sobre os terríveis danos colaterais que acarretam. Quem o afirma é a OMS. Aleluia.

    “World Health Organization Tells Leaders To End The Lockdowns”
    https://www.youtube.com/watch?v=W4PuvmWqp4k

    Talvez a Great Barrington Declaration (https://gbdeclaration.org/) esteja a produzir frutos que outros documentos semelhantes não conseguiram produzir

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