Os vinte mais infectados


Pedro Correia,

Um mês depois, trago aqui novamente o quadro detalhado da evolução do novo coronavírus por todos os países e territórios do planeta, com base em mais de duas dezenas de fontes consultadas e confrontadas – desde logo, a Organização Mundial de Saúde. 

Chamo especial atenção para a proporção entre o número de infectados e cada milhão de habitantes dos países que constam deste quadro incompleto (a Coreia do Norte, por exemplo, está ausente).

Um registo que me leva a ordenar assim os países com registo oficial de Covid-19 da seguinte maneira, excluindo micro-estados e nações com menos de um milhão de habitantes:

 

Espanha: 5.494 casos por milhão de habitantes

Irlanda: 4.533

Bélgica: 4.437

EUA: 3.906

Singapura: 3.579

Itália: 3.570

Suíça: 3.481

Reino Unido: 3.045

França: 2.678

PORTUGAL: 2.620

Holanda: 2.438

Suécia: 2.438

Bielorrússia: 2.134

Alemanha: 2.022

Israel: 1.893

Panamá: 1.824

Peru: 1.775

Áustria: 1.749

Dinamarca: 1.741

Canadá: 1.720

 

Notas a destacar, em comparação com a estatística anterior: a impressionante subida da Irlanda, que ascende do décimo posto ao segundo lugar; entrada da Bélgica neste pódio nada invejável; a subida de cinco lugares dos EUA, que há um mês estavam em nono; entradas directas de Singapura e Reino Unido nos dez mais; descidas acentuadas de Itália (era terceira), França (estava em quinto) e Alemanha (a 8 de Abril ocupava a posição sete). 

Portugal baixa ligeiramente, passando de oitavo a décimo. Ainda assim, baixamos menos do que a Áustria (era sexta, agora está em 18.º) ou a Alemanha (que desce sete lugares). A Noruega, que há pouco mais de um mês figurava no oitavo posto, agora nem entra nos vinte mais.

Este quadro regista a progressão do vírus de Oriente para Ocidente com o claro aumento de casos de infecção em países como Panamá, Peru e Canadá. E confirma os sérios riscos do laxismo sanitário com a entrada para os vinte mais infectados da Bielorrússia, a última ditadura da Europa, onde o tirano Lukachenko qualificou a pandemia de “psicose”, não decretou medidas de restrição para prevenir o alastramento dos contágios e até recomendou umas bebedeiras como forma de deter o vírus. Dele, no entanto, ninguém fala por cá.

 

……………………………………………………………….

 

Deixo também aqui novamente o registo da relação entre o número de óbitos confirmados e a população de cada país, por milhão de habitantes. Continuando a seleccionar quinze:

Bélgica: 726

Espanha: 558

Itália: 495

Reino Unido: 451

França: 398

Holanda: 309

Suécia: 301

Irlanda: 284

EUA: 232

Suíça: 209

Canadá: 117

PORTUGAL: 108

Equador: 94

Dinamarca: 89

Alemanha: 88

 

Destaco aqui a dramática subida ao topo da Bélgica (um país de que se fala muito pouco em associação com a pandemia, apesar de quase todos os órgãos de informação portugueses terem correspondentes em Bruxelas). Neste caso por troca com a Espanha, enquanto a Itália – que já esteve em primeiro – ocupa agora o último lugar deste lamentável pódio. 

Destaques, também aqui, para as subidas oriundas do continente americano: desde logo o EUA (que saltam de sétimo para quarto), além das entradas directas do Canadá e do Equador. Tendência ascendente para o Reino Unido (que era sétimo há um mês) e a Irlanda (anterior décimo).

Portugal, infelizmente, sobe um lugar. Há um mês estávamos em 13.º, com números muito semelhantes aos da Dinamarca (agora em 14.º) e da Áustria (actual 17.º e que portanto já nem integra este quadro). Tínhamos também à nossa frente o Irão, que entretanto caiu para 16.º. E somos agora o oitavo país da União Europeia com mais óbitos por milhão de habitantes: também aqui subimos um posto.

62 comentários em “Os vinte mais infectados”

  1. Adenda que adensa o risco desses números :

    Embora os festivais estejam proibidos o PCP já veio dizer que o Avante não é um festival.

    Nova moda. O Rock in Rio deixa de ser um festival e passa a ser uma celebração à música.

    O Eros Porto uma celebração hippie ao amor.

    Assim vai Portugal e o Mundo

    1. Nada de novo. O PCP adora monopólios e privilégios – quando o monopolista e o privilegiado é ele próprio.
      Isto leva o partido, por exemplo, a urrar contra as decisões do Tribunal de Trabalho que lhe são desfavoráveis.
      https://observador.pt/2020/05/01/pcp-considera-inaceitavel-que-tribunal-queira-impor-funcionario-ao-partido/

      Nestes casos, o partido “amigo dos trabalhadores” transfigura-se no partido-patrão, que espezinha os direitos dos trabalhadores, como qualquer outro membro do “patronato reaccionário”.

      Se houvesse solidariedade com um camarada vítima da exploração laboral, os funcionários do PCP entrariam de imediato em greve.
      Com o apoio expresso da CGTP, liderada por uma militante comunista.

      1. Não diria o PCP, correndo o risco de generalizar, diria o português.

        Muito cioso das regras e leis, quando aplicáveis a terceiros.
        Quando lhe toca, ou aos seus, é pedir para fazerem o jeitinho, ou encontrar uma escapatória

        1. Não generalize. Eu sou português e não faço interpretações de geometria variável da lei (a formal e a informal entre cavalheiros) para acomodar os meus interesses — e acredito que haja mais como eu (talvez).

          É mesmo o PCP, neste caso. Da mesma forma que são um clube de cunhas e até organizam concursos-fachada e chamam pessoas para entrevistas sabendo muito bem que o lugar já está preenchido. Isto aconteceu dezenas de vezes na Câmara de Loures e provavelmente em dezenas de outras. Qual é o princípio activo aqui? Ser português? Não, é ser amigo do partido.

          Não nos tomem por parvos.

      2. Há uns tempos atrás referi, num comentário a outro post, a preparação do pcp para a festa do avante… mas também como ninguém quer saber daquilo que eu digo, ninguém se lembra.
        A festa do avante é vital para o pcp, pois é a única razão para o partido ainda existir. É na festa do avante, onde inexplicavelmente são permitidos todos os excessos e mais alguns, com o encobrimento das autoridades, que têm ordens políticas para não intervir, que se fazem as lavagens cerebrais aos teenagers inconscientes.
        É na festa do avante, onde se permitem comportamentos e consumos ilegais, que naturalmente fascinam os miúdos na idade da rebeldia, que se encontram novos militantes.
        Não sei se já alguém reparou, mas todos os anos se fazem operações polícias, por exemplo ao boom festival, onde o consumo de substâncias ilícitas são frequentes. Pois posso afirmar por conhecimento direto, que o consumo dessas substâncias, não é menor na festa do avante.
        Com a agravante de ser feita por menores de idade. Com a agravante de se permitir o consumo de álcool por menores se idade. Mas a polícia que se atrevesse a fiscalizar, estava desgraçada.
        Neste quadro, como não atrair a juventude rebelde?

        1. Mais um racista ignorante. Como quase todos os opinantes deste blog. A ver se desta vez me publicam.
          A festa do avante não é um festival de música. É mais do que isso. É a celebração da liberdade retirada durante décadas. É a celebração do partido que mais lutou pela liberdade que temos e o tributo aos líderes mais empenhados na luta pela liberdade dos portugueses e portuguesas. O avante é tão importante como o 1 de maio ou o 25 de abril e por isso vai ser celebrado. Se não for é uma vênia à extrema direita que tem de ser expulsa de um parlamento que se diz democrático. Justificar as palavras desse energumo é inqualificável. Todo ele é inqualificável. Os ciganos são portugueses de mesmos direitos com tradições próprias que jamais poderão ser esquecidas ou proibidas. Ou não estaremos num estado livre e democrático. Os jornalistas fazem o seu trabalho e bem ao chamar de cidadãos e cidadãs. E fazem bem em fazer ouvidos de mercador ao maior populista, racista e xenófobo da nossa política.
          Espero que receba a minha resposta, caso a mesma não seja censurada pelos moderadores da sua bandeira.

          1. Um dos seguros de vida da ditadura salazarista foi o facto de os seus maiores opositores serem os comunistas, defensores de uma ditadura incomensuravelmente pior. Aliás, é só ler este comentário, que propõe que deve ser expulso um deputado de um partido que já vai à frente do PCP nas sondagens (e que lhe disputa o eleitorado pobre e pouco escolarizado aliás).

          2. O fascismo, a xenofobia e o racismo são proibidos por lei. Se são é inadmissível que im partido que defende ideiais destes tenha assento no parlamento. Devia ter um processo crime por defender estas ideias. Aquele partido não é maior que o o pcp, a sorte deles é que têm uma propaganda maior e comem a cabeça às pessoas com discursos de ódio, que é o que as pessoas querem ouvir e assim culpar uma minoria pelos seus problemas.
            Se o pcp tivesse a máquina de propaganda que o chega tem, era diferente, mas não tem líderes a fazer de comentadores nas televisões. As televisões andam de mão dada com eles, principalmente a cmtv, que devia ser proibida de transmitir algumas notícias que alimentam ódio. A deputada joacine katar Moreira nem tem tempo de antena. Uma pessoa que veio pôr a nu os podres de uma sociedade. Que veio dizer as verdades que não convém ouvir.
            A desculpa da união soviética é pobre. O socialismo é a única corrente realmente justa e que defende os mais desfavorecidos, quem não vê isso é quem sempre viveu no meio de privilégios. Jerónimo de Sousa é um operário, não tem telhados de vidro, não tem fortunas escondidas. Os deputados do pcp não andam a passar modelos de fato e gravata, sujam as mãos como os trabalhadores, defendem as injustiças. É só estar atento. Se não fosse o pcp este governo era uma desgraça para os trabalhadores. Eles equilibram o poder do estado.

          3. São de facto proibidos, o que poderá querer dizer que nenhum partido do hemiciclo é racista, ou xenófobo. Já pensou nisso?
            Provavelmente quer dizer que a injeção que lhe andam a dar, não será assim tão exata.
            O facto de muita gente chamar de racista a uma pessoa, não quer dizer que ela o seja.
            Já percebi que o caro anónimo preferia assim, chamamos alguém de racista, de xenófobo, de facho…. e voilá…

          4. “É a celebração da liberdade retirada durante décadas”

            Outro. A oposição séria ao regime estava dentro dos quartéis, crescente com a adesão de Portugal à Nato. Os militares saíam para fora fazer formações, contactava com novas realidades e viam o atraso miserável do seus país. Botelho Moniz, foi um deles.

            Quanto aos comunistas bem tentaram substituir uma ditadura por outra. A Vasco Gonçalves não lhe bastava uma cortina, fixava-se numa muralha.

            O Grupo dos 9 ou eram socialistas ou republicanos moderados, ou comunistas recuperados.

            Em 60 e 70 o PCP estava morto.

          5. Estou farto dessa cantinela para enganar os pategos de que se não fosse os comunistas não havia liberdade. Bardamerda.

            Como todos os comunistas você, além de mentir com o maior descaramento de todos (os comunistas não defendem a liberdade, nunca a defenderam, isso é só um chavão para enganar os tolos) você deturpa as coisas para proclamar que a festa do Avante tem de ser feita porque sim, só porque vocês querem e — pasme-se— porque não é um festival de música. Acontece porém que os festivais de música não vão poder ser feitos não é por serem festivais de música mas por serem festivais com milhares de pessoas no mesmo espaço durante vários dias. O perigo aqui não é vocês serem impedidos de celebrar as vossas palermices, é que quando saírem dali vão infectar meio mundo e matar mais não sei quantas pessoas.

            Se não percebe isto então é porque além de mentiroso também é burro.

          6. O “camarada” tem de vir dar uma voltinha a Monforte, para ver o que pensa dissoo seu camarada Lagem, nas relações e comportamentos dessa gente. Devias era ser Bombeiro ou profissional de saúde nessa terra para veres como elas te morderiam…

          1. É verdade. A diferença é que na edp beach party, no sudoeste, em vilar de mouros, no super bock super rock, está lá a polícia a fazer revistas, há polícia à paisana a fiscalizar, a apreender estupefacientes… no avante não há. Não há por ordem do governo. As polícias não se podem meter no avante. Não por falta de vontade, mas por falta de coragem dos ministros.

  2. Em suma, tendo o bom senso de apresentar números proporcionais que representem a realidade, percebe-se não haver razão alguma para falar em milagre português, nem para nos congratularmos de modo patético com chamadas telefónicas de felicitação pelos resultados no combate à epidemia.

    1. Nenhum motivo para celebrações. Excepto – o que já não é pouco – o facto de o nosso sistema de saúde não ter entrado em colapso, como algum alarmismo inicial deixava antever.
      E, claro, merece ser assinalado o generalizado civismo dos portugueses, que na generalidade cumprem as normas sanitárias – mesmo que sejam contraditórias, como se tem verificado na questão das máscaras. Antes desaconselhadas, agora recomendadas.
      Veremos os efeitos do “desconfinamento” a partir da próxima semana. Com os péssimos precedentes da “vasta celebração” que chegou a ser planeada para o 25/4 no parlamento e sobretudo com o inaceitável comício interconcelhio da Alameda promovido pela CGTP a 1/5.

      1. o facto de o nosso sistema de saúde não ter entrado em colapso

        Nem o sistema de saúde, nem o sistema de tratamento dos cadáveres!

      2. Concordo.
        Acrescento apenas um aspecto. No mesmo País em que é habitual recorrer-se aos hospitais sem motivos atendíveis, neste tempo de excepção, a população absteve-se prudente e voluntariamente de lá comparecer. Ao que parece, infelizmente nalguns casos, com prejuízo sério para a sua saúde (ou mesmo da sua vida).

        1. Na esmagadora maioria dos casos, terá sido por elementar medida de precaução, atendendo à lógica do mal menor.

          É sabido que, em termos normais, há um excesso de recurso às urgências hospitalares em Portugal. E que os próprios hospitais na era pré-Covid eram focos de infecções, cabendo aqui a popular expressão “não morre do mal, morre da cura”.

      3. A estratégia foi ganhar tempo, ponto.

        Tempo para que o país se pudesse organizar em termos logísticos (adquirir material, testes, e ganhar capacidade de produção), e para que os focos de contágio ficassem contidos de modo a não ultrapassar a resposta do SNS.

        Mantenho, devia ter-se agido mais cedo (é bom relembrar as palavras de governantes e da dgs, que essa coisa não chegava cá), nomeadamente no controle das fronteiras e organização de eventos com multidões; o teletrabalho também devia ter sido antecipado.

        Pelo meio, apenas discordo do discurso bacoco para enganar tolos, do estilo, as máscaras são irrelevantes. Não somos propriamente burrinhos, mais valia dizerem a verdade, existe um stock limitado, e este deve ser direccionado na totalidade para o pessoal médico e que trabalhe em locais de risco. Mas isso é endémico, por mais que nos vendam as coisas do Abril e tal, a elite continua a olhar para o povão como há 100 anos atrás, um conjunto de mecos que precisam de ser salvos deles próprios.

        PS: o Marselfie mostrou nesta crise o que é. É um tipo porreiro para partilhar afectos após um incêndio, mas só. Não só se trancou em casa 15 dias, como ainda faz papel de tanso nesta história do 1 de Maio. Lembra o outro, não sube de nada.

  3. Estas comparações entre países são altissimamente questionáveis. A comparação do número de infetados não é válida, dado que o número de infetados depende da quantidade de testes que o país, a cada momento, faz. A comparação do número de mortos não é válida, dado que cada país classifica de forma diferente as mortes como sendo devidas à covid ou devidas a outra coisa qualquer.

    A única comparação que faz sentido é entre os mortos de um país ao longo de diferentes instantes do tempo, ou seja, a curva do número de mortos em função do tempo.

    Comparações entre os países são sempre falaciosas.

    1. Todas as comparações são questionáveis.
      Mas muito mais questionável é não haver comparação alguma e ignorarmos o que se passa à nossa volta. Há vida para além do vírus e há mundo para além de Portugal.
      Estes números são homologados pela Organização Mundial de Saúde e sujeitos a diversos cruzamentos de fontes. Não por acaso, a Coreia do Norte está omissa desta lista.

      Entre outros factos, destaco estes:
      – Aumento brutal do número de infectados no México, um país que retardou ao máximo a adopção de medidas de restrição de movimentos e de correctos procedimentos sanitários: 1982 novos casos e mais 257 mortos nas últimas 24 horas;
      – Clara extensão da pandemia ao hemisfério ocidental, com 224 novas infecções confirmadas em 24 horas nas Honduras, 195 na Bolívia e 137 no Panamá;
      – Situação pontualmente descontrolada na Rússia, onde se vêm registando mais 10 mil novos casos por dia.

      1. Vi recentemente uma notícia de uma agência noticiosa americana, que dava conta de ter sido colocada a questão do elevado número de mortes por covid nos EUA, comparada com outros países ocidentais. O secretário de estado da saúde americano afirmou que os EUA são o único país a testar todos os cadáveres, mesmo aqueles que morrem sem suspeitas de covid e para além disso, contabilizam esses números. Daí, segundo ele, os números tão superiores aos europeus.
        Não consegui confirmar esses dados, mas a oms refere que os EUA são o país cujos números estarão mais próximos da realidade.
        A ser verdade, é caso para dizer que lá faz-se menos batota do que aqui… mesmo que isso custe caro nas sondagens. E num país que irá a eleições este ano, é caso para perguntar se o ditador é o presidente….

        1. Testam os mortos? pelo que tenho visto nem os vivos testam. Pelo menos no inicio, quando o seu guru, The Donald, se gabava do nivel excepcionalmente de mortos nos EUA, o teste idealizado pelo CDC, em arrogante alternativa ao teste disponibilizado pela OMS estava contaminado, logo era inútil. Nao leia tanto a Faux News, vá mais pelo Washington Post CNN, NYtimes. Uma informaçãozinha adicional: Portugal tem quase o dobro de testes por milhão de habitantes que os EUA

          1. Repare, eu não exprimi uma opinião pessoal. Apenas uma notícia que me passou. Nem verifiquei qual a agência que a publicou.
            Quanto ao número real de infetados, aí sim, posso dizer que foi o notícias ao minuto, citando o financial times, que colocou Portugal em décimo lugar, dos países cujos números estão mais distantes da realidade. E de facto nessa notícia os EUA nem aparecem, o que poderá dar, eventualmente, alguma credibilidade às declarações do secretário de estado. Isto passou-me pelos olhos ontem, logo poder-se-á partir do princípio que alguma coisa mudou naquele país, desde o início da pandemia.

      2. Mas porquê a constante preocupação com a Coreia do Norte?
        Já se sabe isso de cor e salteado.
        Vamos começar a chatear as Filipinas, Indonésia e outros países estilo civilização ocidental desses lados.
        Pois ’tá bem Venezuela, Cuba (parece que naqueles lados é único com serviço de saúde a sério), mas as favelas de milhões na periferias das cidades dos outros lá da zona nunca vem prá conversa.

    2. O anónimo tem razão. Esses números são um reflexo directo do número de testes. Quem fizer menos testes, sobe na tabela, o que, obviamente, não tem nada de positivo. Por exemplo, a Suécia faz pouco testes e tem (relativamente) poucos infectados. Mas tem o triplo de mortos e o dobro de recuperados que Portugal (e não o digo para criticar os Suecos, até me parece que no fim disto tudo, eles vão estar em melhores condições que nós). E quanto ao número de mortos, parece-me evidente que só a diferença de critérios explica certos casos de “sucesso”. Temos países que não contavam os mortos em lares de idosos (que, em certos países representam metade das vítimas). Temos países que excluem as vítimas de outras doenças e outros que as contam, desde que estejam infectadas com o coronavirus. Há um país, em particular, que, claramente, quer passar a ideia que a covid-19 não passou por lá, pelo que é perfeitamente seguro ir lá veranear. Esse país era conhecido por não ter piscinas até ao dia em que as finanças de lembraram de utilizar o Google Earth.

      1. A contabilidade nos lares não era feita inicialmente em vários países. A partir do momento em que começou a ser feita, o número de mortos por Covid-19 disparou. Foi o caso, por exemplo, da Bélgica, que no primeiro mês não contabilizou um só óbito por esta causa nos lares para idosos da Flandres. Hoje apresenta números dramáticos.
        Curiosamente, quase ninguém fala na Bélgica. E não é por falta de jornalistas portugueses que vivam lá.

  4. Bielorrússia, a última ditadura da Europa, onde o tirano Lukachenko qualificou a pandemia de “psicose”

    Deve-se acrescentar que a Bielorrússia tenciona levar a cabo amanhã, 9 de maio, a celebração do Dia da Vitória sobre o nazismo, com um grande desfile em Minsk. Coisa que será muito mais grandiosa e contaminante do que o comício da CGTP no Primeiro de Maio.

    É gente que não brinca em serviço!

    1. Vão rolar hectolitros de vodka, o “remédio” recomendado pelo ditador. Que manteve o campeonato de futebol lá do sítio: jogos ao vivo, com público a vibrar nas bancadas.
      Comunistas da velha cepa. Nada de cedências ao vírus “burguês”, coisa para maricas.

      1. Bom dia ,
        Temos dois casos que não seguiram o rebanho , Suécia e Bielorrússia .
        As mortes por milhão nestes dois países não parecem muito diferentes dos restantes e com a vantagem de não ter arrasado a economia .
        As pessoas tem de perceber que a economia são as pessoas e sem economia vamos ter problemas muito mais graves que a pandemia .
        Um exemplo é esta confusão entre André Ventura e a comunidade cigana .
        Sabemos todos que em tempo crise procuramos sempre bodes expiatórios .

        Abraço ,
        Luis Almeida

        1. A sua análise não é correta. O Ventura fala do problema cigano desde que era candidato a presidente de câmara pelo PSD. O Ventura identificou o problema da comunidade cigana à muitos anos, não é de agora.
          Simplesmente agora aconteceram um sem número de situações que envolvem a comunidade, as quais não tiveram o eco na comunicação social que deveria.
          Ao ponto de um pivot de um telejornal admitir que não podia referir-se àqueles cidadãos como ciganos, mercê das convenções sociais.
          Por isso, vir afirmar, mais uma vez, a necessidade de reconhecer um problema, não é aproveitamento, é apenas estar atento e ter sentido de oportunidade, para trazer o problema a debate.
          A questão é que o governo não o quer trazer a debate, prefere assobiar para o lado… e apesar de pensar que não, o certo é que esta atitude não protege, de forma nenhuma a comunidade cigana, pelo contrário…

      2. Tenho aproveitado o teletrabalho para regar uns almoços.
        A verdade é que o vírus não entrou.
        Não acredito em coincidências.

  5. Bom dia, Pedro

    Desejo de saúde, em primeiro lugar.
    Já ontem tinha visto o gráfico que coloca, sendo que houve/há um dado que me deixa surpreendido, como leigo : a nossa percentagem de recuperados, que me parece muito baixa, atendendo ao número de infectados e em comparação com outros países com a mesma dimensão de casos ; terá a ver com os critérios que presidem à atribuição das altas, negatividade dos testes ao vírus , etc.etc ?

    Obrigado e mantenha a boa disposição

    Abraço

    Fernando Antolin

  6. Em português o separador dos milhares num número é o espaço, não o ponto. deve escrever-se 5 949 e não 5.949.

    A convenção é muito anterior ao AO 90.

  7. Fazes com isto serviço público. Trabalho que as televisões deviam fazer. Mas é mais cómodo limitarem-se a papaguear os números que são apresentados pelas autoridades.

    1. Obrigado, Teresa. Devemos estar atentos a estas estatísticas – e respectivas variações periódicas – pois são as que nos fornecem um retrato mais fidedigno da situação.

  8. Por agora , o conselho do senhor da Bielorrússia , parece estar a dar resultado , porque, apesar de se infectarem , praticamente não morrem : 116 mortos , 12 por milhão de habitantes , enquanto que Portugal , confinado , tem 109 por milhão de habitantes. viva o vodka…mata bicho.
    Na Suécia , note.se , os testes ” ministra da Saúde sueca, Lena Hallengren, indicou que os testes, que se têm resumido aos pacientes hospitalizados e ao pessoal médico, vão visar também pessoas que ocupam postos considerados “essenciais” para a sociedade, como polícias e bombeiros — para que possam retomar o trabalho rapidamente após terem apresentado sintomas.” , portanto , se testassem como os outros países teriam reportado muitos mais infectados , o que retiraria “espanto” aos seus 3175 mortos.
    Não havendo uniformidade nos critérios para determinar quem é ou não testado, essa escala dos 20 mais infectados , na verdade , não nos diz nada..

    1. “se testassem como os outros países teriam reportado muitos mais infectados , o que retiraria “espanto” aos seus 3175 mortos.”

      Os mortos são por milhão de habitantes não por infectados.

      lucklucky

    2. Na Bielorússia, tal como na Rússia, não há muitos homens acima dos 65 anos. O “gender gap” é enorme (mais de 10 anos), em virtude dos “hábitos sociais” da população masculina local. O principal grupo de risco não existe. Aliás, é para mim incompreensível (cientificamente; em termos políticos percebo perfeitamente) como se adopta (ou diz que se adopta) medidas de confinamento em países em que praticamente não existe população de risco da doença covid-19, como os países africanos – mas existe um número colossal de pessoas em risco de morrer de fome por cessar a actividade económica nas ruas (que, em muitos deles, é a única que existe).

  9. Afinal Fátima também vai ter convidados além dos celebrantes, vieram dar uma de cumpridores e agora que já ninguém tem o foco,mudaram a agulha. Sonsos…

  10. Vá que o outro não disse que com cachaça o resfriadinho passava e nem sequer vem na lista, disto toda a gente fala, da Hungria e da Polónia também não aparece na lista e são da UE.

  11. Vamos mais uma vez aos números, mas desta vez vizualizados graficamente.

    https://ourworldindata.org/grapher/covid-deaths-days-since-per-million?zoomToSelection=true&country=AUT+BEL+CAN+CZE+DNK+FRA+DEU+ISR+ITA+JPN+NLD+PRT+SGP+ESP+SWE+CHE+TWN+USA

    https://ourworldindata.org/grapher/daily-covid-deaths-per-million-7-day-average?country=CAN+ITA+NOR+PRT+KOR+ESP+SWE+CHE+GBR+USA

    Agora, vindo das notícias, uma realidade que vai transparecendo e que corresponde a alguns dos chamados “danos colaterais”, de que muito poucos já se terão apercebido.

    “Afinal, a mortalidade registada no último mês pode ter sido até cinco vezes superior ao normal”

    ( https://zap.aeiou.pt/afinal-mortalidade-registada-no-ultimo-mes-pode-ter-sido-ate-cinco-vezes-superior-ao-normal-321518 )

    «Os óbitos em causa incidem sobretudo em pessoas com mais de 65 anos e e em particular nos distritos de Aveiro, Porto e Lisboa e de forma mais expressiva nos distritos mais envelhecidos, detalha a mesma investigação [publicada na Acta Médica Portuguesa].

    De acordo com os cientistas, uma parte significativa das mortes poderá ter resultado do adiamento da procura de cuidados de saúde e do cancelamento de consultas e cirurgias não urgentes por causa da pandemia de covid-19.

    “Não é profissionalmente, cientificamente e eticamente possível ignorar esta indução de mortalidade excessiva por os doentes não terem cuidados”, disse António Vaz Carneiro.»

    E de Portugal, um salto até ao Reino Unido, onde se verifica algo semelhante.

    «The collateral deaths from the lockdown are huge and will only get worse as the damage to the economic takes effect. In the U.K. today’s Guardian “Prof David Spiegelhalter, chair of the Winton Centre for Risk and Evidence Communication at Cambridge University and a member of the government’s Scientific Advisory Group for Emergencies, said: “Well over 3,000 [of the excess deaths] weren’t labelled as Covid. So nearly a third were from something else. There is a continuing anxiety that many of these are due to the lockdown itself. The one thing we do know is that the health service has been hugely disrupted, not just in terms of routine care, cancelled chemotherapies and radio therapies and elective surgeries, but also of people with symptoms not going to hospital.” This just relates to ONE WEEK. The article also mentions other factors such as economic hardship, and mental health problems.» (V. Allen)

    Pois. Salvaram-se uns e condenaram-se outros à morte, literalmente. Questiono-me com que direito. O do mal menor? E quem nos garante que o mal será menor, se ainda nem começámos a contabilizar os que também foram condenados à morte pela profunda depressão económica que se vai seguir? As crises económicas também matam, basta olhar para as curvas de taxas de mortalidade dos países mais atingidos pela crise de 2008 e verificar o que aconteceu entre 2009 e 2015.

    Depois lê-se o seguinte: “Medidas do Governo para combater a pandemia custam 27 mil milhões de euros”.

    ( https://zap.aeiou.pt/medidas-pandemia-custam-27-mil-milhoes-323322 )

    O título é ilusório, porque os “27 mil milhões” dizem respeito à mitigação (subsídios, lay-off, apoios, etc.) da paralização da actividade económica e não ao combate directo à pandemia. Que fique bem claro.

    Olho outra vez para os gráficos e ocorre-me o exemplo da Suécia, sem quarentenas cegas, sem paragem da actividade económica, tal como em Taiwan, na Coreia do Sul, no Japão e outros, ali bem próximo do epicentro da pandemia, apresentando contudo números bem distintos. Mas quando comparo as curvas suecas com as respectivas curvas de outros países que impuseram confinamentos rigorosos, confesso que não encontro diferença assinalável no seu comportamento.

    Para se poder extrair mais conclusões, gostaria de dispôr de dados de testes de anti-corpos representativos de cada país. Sobre o estado de Nova Yorque, sobre o condado de Santa Clara, na Califórnia, sobre a Holanda e sobre Estocolmo e arredores, já sabemos alguma coisa. Os números do estado de Nova Yorque dizem que 14% da população apresenta anti-corpos, na cidade de Nova Yorque 21%, valor semelhante em Estocolmo, valor ainda mais alto em Santa Clara e apenas 3% na Holanda. Será que este valores têm implicações futuras? É claro que têm, tirem as vossas conclusões.

    1. não vale a pena perder o seu latim , estão cegos. claro que a Suécia resolve problema à primeira , com muito menos dano a longo prazo , mas que é que se há-de fazer ? o pavor paralisa-lhes os neurónios.

      1. Querer comparar a Suécia a Portugal,só quem não conhece o País! Na Suécia quase metade da população vive só por opção, os filhos aos 18 anos/ 19 anos,vão à vida deles. O conceito é completamente diferente,além do excelente serviço de saúde. Em Portugal,se não fosse o E.E.,tinha sido pior que a Espanha e Itália.

        1. Infelizmente não posso comparar países que ainda não disponham de resultados de testes de anti-corpos representativos da população, como é o caso de Portugal, sempre atrasado relativamente à realidade em quase tudo.

          O cavaleiro de La Palisse não o teria dito melhor.

          Não confie no grande mestre Karamba Adivinhatudo no que se refere ao “E.E.”. Ao que parece, os dados dele não são de confiança porque simplesmente não existem.

          Comece já a fazer reservas para pagar a conta de 27 mil milhões de euros do “E.E.”. Outros já a estão a pagar e os que foram condenados à morte em cosequência do “E.E.” nunca lhe irão dar descanso.

  12. A Bélgica é má referência em relação à maioria dos outros países. Testam com alguma facilidade e nos mortos, se se julgar que tenha sido por COVID-19, mesmo sem teste, é contado como tal.

    Se os contassem como os vizinhos holandeses, teriam no máximo metade dos casos e dos mortos. Os holandeses só testam (em regra) quem vai parar ao hospital com queixas graves de respiração.

    Já os alemães instalaram clínicas de drive-in (como o Donald dizia querer mas não fez) e qualquer pessoa pode ser testada desde que por marcação e com papel do médico (que o passa no caso de sintomas suspeitos).

    Não digo que um ou outro seja melhor. Apenas aponto que as metodologias são completamente distintas.

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