Os dez mais infectados


Pedro Correia,

Este é o quadro detalhado da evolução do novo coronavírus por todos os países e territórios do planeta, com base em mais de duas dezenas de fontes consultadas e confrontadas – desde logo, a Organização Mundial de Saúde. Detalhado e tão fiável quanto possível, na medida em que as estatísticas oficiais oriundas de grande parte destes locais do globo são rudimentares ou marteladas por governos autoritários, que interditam testes ou proíbem a difusão dos verdadeiros números.

Chamo especial atenção para a proporção entre o número de infectados e cada milhão de habitantes dos países que constam deste quadro (a Coreia do Norte, por exemplo, está ausente).

Um registo que nos leva a ordenar hoje os países com registo oficial de Covid-19 da seguinte maneira, excluindo microestados e países com menos de um milhão de habitantes:

Espanha: 2.549 casos por milhão de habitantes

Suíça: 2.276

Itália: 1.982

Bélgica: 1.447

Áustria: 1.282

França: 1.259

Alemanha: 1.088

Noruega: 991

Portugal: 970

Holanda: 918

 

Destaco igualmente o registo da relação entre o número de óbitos confirmados e a população de cada país, por milhão de habitantes:

Itália: 243

Espanha: 240

França: 100

Bélgica: 99

Holanda: 87

Suíça: 70

Reino Unido: 53

Irão: 39

Suécia: 35

Portugal, Irlanda e Dinamarca: 24

22 comentários em “Os dez mais infectados”

  1. Perdoem-me a minha ignorância, mas alguém me consegue explicar qual é a revelância de apresentar estes números por cada milhão de habitantes — acerca de territórios e populações de densidades e dimensões variadas? O que é que isso realmente indica realmente sobre:

    – a incidência territorial da doença
    – a infecciosidade da doença
    – a letalidade da doença

    Por exemplo, a China tem o ratio mais baixo de todos e tem uma cidade do tamanho “numérico” de Portugal mas não o territorial infectada com milhares e milhares de mortos. Isto é expresso nessa escatologia dos números por cada milhão de habitantes de um País?

    Onde a infecção está a propagar-se é que determina os grandes números, acho eu.

    1. É uma prática corrente em Estatística (e não só). Designa-se por normalizão. Apenas números normalizados permitem que se façam comparações, neste caso entre países.

      Nos estudos demográficos temos como exemplos a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade, ambos geralmente expressos por 100 000 habitantes.

      Na área da economia tome-se como exemplo o PIB per capita.

      1. Compreendo a necessidade de normalizar dados para ser possível compará-los, mas estudos demográficos, taxas, etc referem-se a números absolutos da mesma população e normalmente estão a fazer comparações com dados homónimos e não populações distintas. Talvez para pirâmides etárias e PIBs e coisas assim que usam números absolutos funcione, mas no caso da Covid-19 estamos a comparar dados que contêm variáveis territoriais (a dimensão do território afecta a incidência e a potência da doença que provoca os números).

        Continuo a não ver utilidade nenhuma em comparar Portugal e a China por cada 1M ou 100K habitantes, lamento… China e Portugal não são dados homónimos e o resultado não me diz mais do que o próprio x/N. Esse ratio pode-me indicar que vai ficar mais caro a cada português recuperar dos estragos da Covid-19 se eu dividir pelo PIB mas não me diz “há mais Covid em Portugal do que na China”, por exemplo, apesar de 1032 ser muito mais do que 57.

      2. Já agora chamo atenção para o facto de o Vaticano com 7 casos (número brutal) ser o país com a maior taxa de incidência por cada milhão de habitantes.

  2. Bom dia Pedro Correia
    Interessante esta “estatística”, coisa com que me tenho entretido, também.
    Um aspecto que julgo nunca conhecerá a luz do dia, era saber com rigor, quantas e aonde foram sendo entregues, máscaras, luvas, fatos de proteção, testes, etc.
    Tenha um bom fm de semana.
    Saúde
    António Cabral

  3. A comparação entre Portugal e a Áustria é das mais curiosas.

    Testes na Áustria- 11.562/por milhão de habitantes e nós 7294.

    Eles estão com muito mais casos activos (possivelmente porque os detectaram com mais testes= 11.781) e nós estávamos com 9.886.
    No entanto, as mortes deles eram ontem 168 e nós 246. Com uma percentagem de 24/M e eles 19/M apesar de terem nº de casos muitíssimo superior: 1308 e nós 970.

    Ou seja, maior população testada dá muito mais casos mas pode ter menos mortes.

    1. A comparação entre Portugal e a Áustria é das mais curiosas.

      Mais curiosa ainda é a comparação, por exemplo, entre Milão e Roma. Ou entre Madrid e Sevilha.

      Os números nacionais ocultam enormes disparidades regionais.

  4. Por outro lado, as curvas de progressão são muito diversas. Comparar a austríaca com a nossa dá outra ideia do que pode parecer abrandamento ou subida.
    França, Espanha, UK …

    1. São mais parecidas do que são diferentes:
      https://tinyurl.com/uk9r62w

      As mortes duplicam a cada 2, 3 ou 4 dias em todo o lado (o que sendo diferente é de igual modo assustador), desde a Itália ou Espanha, aos que alguns acham casos de sucesso, como a Alemanha.

      Espanha vai sem dúvida ultrapassar Itália, mas França e Bélgica podem ultrapassar ambas. A Alemanha ainda tem uma ou duas semanas para escapar a tal (nós também).

      É uma corrida contra o tempo para sair daquela linha infernal antes de Itália. Dos países com muitos casos e dados fiáveis, até agora só a Coreia o conseguiu.

      1. Parecidas entre Portugal e Áustria.

        Os outros apenas existe semelhança por ser crescimento exponencial. Mas isso já se sabia.

        Comparar dimensão do país, população, sua distribuição e depois nº de mortes e de internamentos parece-me mais pertinente.

  5. Analisando os números em contra ponto com os procedimentos e tomadas de posição das entidades publicas… nem me ocorre o que dizer.

    Há algo de muito errado em todo este processo. Ou então sou eu que já estou todo lixadinho…

    António Santos

  6. Os nºs de hoje, apesar de melhores para nós, ainda mostram mais a diferença em relação à Áustria.
    Aí,sim, pode haver um pequeno abaixamento da curva.

  7. Louvo, desde já, a apresentação de números. Além do mais, números normalizados, neste caso por milhão de habitantes, os únicos que permitem comparações estatísticas efectivas.

    Queria ainda deixar uma nota relativa ao número de infectados. Dada a escassez de testes e a percentagem de casos assintomáticos já verificada, entre 30% a 75%, estima-se que o número real de infectados possa ser superior ao de casos diagnosticados por um factor de 10 a 20.

  8. Muito interessantes os resultados na China, afinal aonde o bichinho nasceu.
    Será que já estão todos vacinados?.

  9. Alguém comenta isto?
    Reportagem em Itália, com Blangiardo (presidente dell’Istituto di statistica nazionale).

    Reporter: From 21 February to 31 March 12,428 people died for Covid 19. How many flu deaths occurred in March (in which coronavirus deaths were concentrated this year) in the past years?

    Blangiardo (ISTAT): More than the deaths from flu, which is more difficult to attribute as an actual cause of death, it is worth remembering the data on the death certificates for respiratory diseases. In March 2019 there were 15.189 and the year before it had been 16.220. Incidentally, it is noted that they are more than the corresponding number of deaths for Covid (12,352) reported in March 2020.

    1. O que aí diz é que noutros anos morreram 15k de doenças respiratórias e este ano morreram 12k de COVID.

      Falta saber quantas morreram de OUTRAS doenças respiratórias este ano, porque se tiverem morrido as mesmas 15k, podemos estar a braços com 12+15=27k.

      E se pensar no caos que se vive nos hospitais por lá, na falta de recursos materiais e humanos, não será de estranhar que também morram mais pessoas de ataques cardíacos e AVCs, por falta de tratamento adequado.

      Eu percebo que as pessoas se questionem se as medidas draconianas de distanciamento social se justificam. Para se justificarem têm que funcionar e não nos matar da cura.

      Mas continuar com a conversa de que “no passa nada” e “não morre assim tanta gente” quando em Madrid são precisos camiões frigoríficos pesados para transportar cadáveres para a morgue improvisada numa pista de gelo (depois de se ter improvisado um hospital de 5000 camas para evitar que morram), já é só… estúpido.

  10. A primeira estatística não tem sentido, porque não se sabe na verdade qual o número de infetados em cada país (somente muito poucas pessoas são testadas, e as que o são são-no, tipicamente, somente uma vez).
    A segunda estatística esconde enormes disparidades regionais dentro de cada país. Em cada país, há regiões onde há muitos mortos e outras onde não há mortos quase nenhuns. Por exemplo, em Itália quase todos os mortos são no Norte, mais precisamente na Lombardia; no resto do país há poucos mortos.

    1. Verdade. E faria sentido analisar as regiões específicas para descobrir a partir de que número de hospitalizações por milhão de habitante é que os sistemas dão de si.

      Se percebermos isso, e percebermos as percentagens reais de infectados, hospitalizados, cuidados intensivos e óbitos, e se percebermos quais são as medidas mais eficazes para diminuir o contágio, estaremos preparados para ser mais inteligentes nas medidas a aplicar nas inevitáveis próximas vagas.

      Até agora, o que sabemos é que se deixarmos a coisa correr descontrolada, em poucas semanas, qualquer sistema de saúde acaba por dar de si, a não ser que aceitemos que as pessoas doentes não são para tratar.

      As Alemanhas podem parecer estar bem agora, mas com 2 ou 3 semanas com os casos, hospitalizações e mortes a duplicar a cada 3 ou 4 dias não estariam porque teriam 30 ou 100x mais casos, hospitalizações e mortes.

      1. o que sabemos é que se deixarmos a coisa correr descontrolada, em poucas semanas, qualquer sistema de saúde acaba por dar de si

        Sabemos isso? Não estou tão certo.

        A Suécia até agora deixou a coisa correr descontrolada (embora haja quem preveja que em breve também introduzirá controles).

        A Bielorrússia também.

        Os sistemas de saúde desses países irão dar de si? Não sei.

        Parece haver diferenças muito substanciais entre as formas como a epidemia se propaga entre diferentes regiões. Nalguns sítios a epidemia propagou-se de forma explosiva, noutros parece desenvolver-se muito mais lentamente.

        É preciso estarmos cientes da nossa enorme ignorância e da enorme falibilidade das nossas teorias matemáticas abstratas sobre a propagação do vírus. Não sabemos como essa propagação é afetada por coisas muito variadas como a temperatura, a precipitação, os raios ultravioletas do sol, a poluição atmosférica, e milhentos outros fatores ecológicos.

        A experiência é a mãe de toda a ciência.

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