Os 35 mais infectados


Pedro Correia,

Dois meses depois, trago aqui novamente o quadro detalhado da evolução do novo coronavírus por todos os países e territórios do planeta, com base em mais de duas dezenas de fontes consultadas e confrontadas – desde logo, a Organização Mundial de Saúde. Quando à escala global existem agora 908.434 mortos e 28.050.208 infectados por Covid-19, oficialmente reconhecidos. Neste período, o número de óbitos quase duplicou, enquanto os novos casos entretanto detectados subiram cerca de 130%.

Um registo que me leva a ordenar assim os países com registo oficial de Covid-19 da seguinte maneira, excluindo micro-estados e nações com menos de um milhão de habitantes:

 

Catar: 43.039 casos por milhão de habitantes

Barém: 33,553

Panamá: 22.886

Chile: 22.302

Koweit: 21.502

Peru: 21.258

EUA: 19.765

Brasil: 19.729

Omã: 17.140

Israel: 15.553

Arménia: 15.291

Colômbia: 13.471

Espanha: 11.621

Argentina: 11.315

África do Sul: 10.806

Bolívia: 10.539

Moldóvia: 10.204

Costa Rica: 10.038

Singapura: 9.767

República Dominicana: 9.287

Arábia Saudita: 9.251

Suécia: 8.493

Bielorrússia: 7.768

Bélgica: 7.732

Emirados Árabes Unidos: 7.665

Rússia: 7.170

Quirguistão: 6.828

Bósnia-Herzegovina: 6.793

Iraque: 6.779

Honduras: 6.603

Equador: 6.339

Irlanda: 6.096

PORTUGAL: 6.039

Casaquistão: 5.663

França: 5.269

 

Notas a destacar, em comparação com a estatística anterior: a pandemia continua em progressão acelerada na zona do Golfo Pérsico e na América Central e do Sul. Em ritmo galopante em países tão diversos como o Panamá (era sétimo em Julho e agora é terceiro), Peru (estava em nono, agora é sexto), Colômbia, Argentina, Bolívia e Costa Rica (que nem figuravam entre os 25 mais infectados). O Brasil sobe de décimo para oitavo.

Pelo contrário, há um claro abrandamento da escalada comparativa de infecções na generalidade dos países europeus. Com destaque para a Suécia (baixa de 13.º para 22.º, Bielorrússia (desce de 14.º para 23.º), Bélgica (era 18.º, agora está em 24.º) e a Irlanda (que passa do vigésimo posto para 32.º). 

Evolução positiva também no Reino Unido (que em Junho era o 15.º país proporcionalmente mais infectado e agora é o 37.º) e em Itália (que baixa de 25.º para 42.º).

Tendência seguida igualmente em Portugal: nestes dois meses, passámos de 23.º para 33.º. Mesmo assim, em termos relativos, somos ainda o quinto país da União Europeia com mais casos de Covid-19 por milhão de habitantes.

Excepção à regra é a nossa vizinha Espanha, que teima em manter-se no pelotão da frente. Pelos piores motivos. Em Julho, estava no 15.º posto desta lista nada invejável e desde então subiu ao 13.º lugar. Neste momento é o único país europeu que figura entre os vinte primeiros.

 

……………………………………………………………….

 

Deixo também aqui novamente o registo da relação entre o número de óbitos confirmados e a população de cada país, por milhão de habitantes. Seleccionando desta vez 30 para incluir a estatística portuguesa:

Peru: 915

Bélgica: 855

Espanha: 634

Reino Unido: 612

Chile: 611

Bolívia: 611

Equador: 605

Brasil: 604

EUA: 589

Itália: 589

Suécia: 578

México: 535

Panamá: 489

França: 472

Colômbia: 433

Holanda: 364

Irlanda: 360

Arménia: 306

Moldóvia: 272

Irão: 269

África do Sul: 255

Canadá: 242

Argentina: 235

Suíça: 233

Roménia: 209

Bósnia-Herzegovina: 206

Honduras: 206

Iraque: 191

PORTUGAL: 181

República Domicana: 176

 

O destaque pela negativa, desta vez, cabe ao Peru: um salto dramático do 11.º lugar ao primeiro posto nestes dois meses. A mesma tendência ascendente verifica-se noutros países sul-americanos: Chile (de nono para quinto), Equador (de 13.º para sétimo) e Brasil (de 12.º ao oitavo lugar). Além da Bolívia, que em Julho nem figurava entre os vinte com mais óbitos em termos proporcionais. 

Na América do Norte, regista-se um sinal inverso já patente no Canadá (que desce do 15.º ao 22.º posto) e nos EUA (ainda entre os dez mais, mas agora em nono, tendo baixado dois lugares). Só o México contraria esta tendência: subiu do 14.º ao 12.º lugar.

A Itália – que já esteve em primeiro – situa-se hoje na décima posição: há dois meses surgia em quarto. Destaque igualmente para a Suécia, que baixa do 5.º para o 11.º lugar. 

Em rumo inverso, a Espanha troca com o Reino Unido no nada invejável terceiro posto.

 

Ao contrário do que vinha ocorrendo nos meses anteriores, esta lista deixa de ter maioria europeia: neste momento situam-se no Velho Continente apenas quatro das dez nações mais enlutadas, na proporção entre mortos por Covid-19 e a população de cada país. Em Julho, eram oito: Suécia, França, Holanda e Irlanda deixaram de figurar no top ten deste macabro rol dos óbitos mundiais por Covid-19.

Para Portugal, a melhor notícia é a queda para o 29.º posto, confirmando a tendência para a descida já verificada em Julho, quando estávamos em 21.º. Em quatro meses, caímos 17 lugares: convém recordar que no início de Maio ocupávamos a 12.ª posição. A instável Roménia, que na contabilidade anterior tinha cerca de metade do número de óbitos registados em Portugal, está agora à nossa frente.

A má notícia é que ainda figuramos entre os dez mais da União Europeia em número proporcional de mortos. Duplicando os números da Áustria. Apresentando cerca do triplo registado em nações como Polónia, Finlândia e Hungria. E com cerca de seis vezes mais óbitos do que a Grécia, nossa concorrente directa na captação de receitas turísticas internacionais.

38 comentários em “Os 35 mais infectados”

  1. Boa tarde Pedro Correia
    Excelente serviço público.
    Mais que merecida chapelada aqui do “Chapéus”
    Saúde.
    António Cabral

  2. Bom trabalho.
    Pode fazer o mesmo estudo para a gripe do ano passado, se faz favor?
    É que em número de mortos, houve muitos mais, mas não consigo encontrar estatísticas com o número de infectados assintomáticos da gripe. E era só para ter um termo de comparação.

      1. Pronto, uma pessoa a querer ter uma conversa séria e é isto.
        É preciso é alarmar as pessoas, não interessa como nem porquê. Mandam-se as bujardas cá para fora que alguns eufemistas chamam premissas, para obter as falácias de conclusões manhosas.
        Será que já não há gente séria em Portugal?
        Ou que pense minimamente com a cabeça sem andar a reboque dos outros?

          1. Tá a ver como você é, você pode mandar as bojardas que quiser e eu não posso mandar as minhas bujardas.

          2. É um direito que você exerce até à exaustão. Hoje já apareceu quatro vezes por cá – uma das quais acusando-me de “censor”.
            E o dia ainda não terminou.

    1. E mesmo que existam dados estatísticos do passado ano sobre infectados e mortos devido à gripe, eles estaram censurados, ocultados, pois nao interessa divulgá-los. Porque será?

          1. Não tenho aqui um postalinho, senão mostrava-lhe que o aumento de infectados é inversamente proporcional ao número de mortos.
            Deve haver uma explicação, não?

  3. Parabéns pelo excelente serviço.

    Não que esteja a pedir, nem vou investigar para depois deixar um postalinho, mas do que tenho lido, suspeito que considerando também o número de testes diários a percepção das situações relativas seria bastante alterada.

    1. É possível. Mas não há dados factuais que consigam estabelecer essas comparações com rigor.

      De qualquer modo, cinco meses depois já é possível analisar tendências globais. Que desenham uma evolução clara do vírus de Oriente para Ocidente. Neste momento o continente mais flagelado é o americano.

      Dados comparativos aqui:

      4 de Abril
      https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/os-dez-mais-infectados-11463299
      8 de Abril
      https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/os-doze-mais-infectados-11475668
      8 de Maio
      https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/os-vinte-mais-infectados-11536340
      9 de Junho
      https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/os-25-mais-infectados-11597308
      9 de Julho
      https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/os-25-mais-infectados-11655044

      1. uma evolução clara do vírus de Oriente para Ocidente

        Resta saber se o vírus será agora capaz de atravessar o Pacífico, como Magalhães outrora fez, concluindo assim a primeira viagem de um vírus à volta da Terra!

    2. Por isso é que o número de infectados é irrelevante pois não é fiável.

      Seria mais importante o “excesso” de mortos porque o excesso de medo do COVID também está a matar e fará parte da História deste vírus.
      Inglaterra, como exemplo, parece um país paranóico.

      lucklucky

      1. Covid, para mim, também é substantivo masculino. Que aliás pode (e deve) ser aportuguesado. Como covide. Assim mesmo, substantivo comum. Como aconteceu com sida – que deixou de ser acrónimo para se tornar substantivo. Ou pide.

      2. Não será apenas Inglaterra.

        Acho expressivo que o António Costa que teve relativa pressa em confinar, agora só diga que o país não pode parar. E além de expressivo, engraçado, porque agora até já tem semelhanças com o Trump ou o Bolsonaro.
        Mas em Inglaterra a classe dirigente já sabia que os tempos mais próximos iam ser difíceis devido ao Brexit e só se dividiam sobre a previsão a 2 ou 3 anos depois. O choque da Covid em cima do Brexit explica-lhes a paranóia (que até pode vir a provar-se nem o ser).

        Estatística, sendo uma das mais difíceis cadeiras na grande maioria dos cursos universitários, é matéria que os políticos adoram pois é das mais fáceis de manipular. Dito isto, não acredito na sua proposta do excesso de óbitos, por
        falta de um padrão de comportamento e mais informação fiáveis.

        Em milhares de óbitos, entre 2016 e 2019 Portugal teve 110,6, 109,8, 113,1 e 111,8. Se a variação sequencial se mantivesse, seria de esperar um aumento em 2020 e mesmo com valor superior aos 113,1 de 2018; mas observando os dados anteriores a 2016, nada garante que em vez de um aumento, ocorresse uma ligeira diminuição.

        E creio nunca poderemos ter números exactos para óbitos devidos à Covid e óbitos em que com a Covid convergiam outras comorbidades, por um lado; e por outro, entre óbitos sem qualquer relação com a Covid e óbitos por outros motivos mas que foram descurados devido à Covid.
        Com esta tripla indeterminação, os números de 2020, sejam eles quais forem, poderão vir a suportar qualquer ideia preconcebida e alimentar discussões ad aeternum.

        1. Notícia do dia: o Reino Unido volta a impor quarentena aos britânicos que vierem a Portugal (excepto Madeira e Açores). A euforia, por cá, durou pouco.

          Marcelo já comentou, sempre de máscara na cara. Dias depois de revelar que faz testes todas as semanas. Provando assim, com este simples gesto e essa cândida confissão, que a decisão de Londres faz sentido.

          Há seis meses, Boris Johnson era o bombo da festa mediática cá no burgo. Por dizer uma verdade elementar, que agora o ex-confinador Costa repete todos os dias: a economia não pode parar, as pessoas não podem permanecer enclausuradas em casa. O risco zero só existe nos cemitérios.

          1. Lamento discordar, mas hoje em dia nem os cemitérios estão a salvo, o risco é considerável em assaltos.

            Agora risco zero é de alguns pseudo especialistas que por aqui andam com o motor gripado de tanta sabedoria e que pelos vistos sabem mais que os cientistas e médicos Portugueses.

            Já o Pedro apresenta informação baseada em factos o que é de louvar.

            P.

        2. “Estatística, sendo uma das mais difíceis cadeiras na grande maioria dos cursos universitários (…)”.

          Engano seu. As cadeiras mais difíceis e mais odiadas são os cursos introdutórios de programação de computadores, mesmo nas licenciaturas na área da Informática.

          Estatísca, Métodos Estatísticos, Análise Estatística de Dados, Probabilidade e Estatística e outras que tais figuram em lugares modestos de dificuldade, de acordo com os resultados de inquéritos feitos a alunos de que disponho.

          1. Ficaria feliz se fosse esse o meu único engano, mas passo a explicar.
            Além dos cursos de natureza, digamos, matemática onde as várias disciplinas de estatística terão os tais modestos graus de dificuldade, estatística aparece também em cursos de Gestão, Turismo (e gestão hoteleira) e Psicologia e acontece que os meus três familiares que fizeram esses cursos, todos tiveram de recorrer a explicações particulares, sendo a única cadeira em que tal foi necessário.
            Claro que é perfeitamente possível tratar-se de idiossincracia familiar. E em nenhum desses cursos existia uma cadeira de introdução à programação mas apenas de informática na óptica do utilizador.

          2. Confirmo que os dados de que disponho se restringem a faculdades de ciências e tecnologia e a faculdades de engenharia. Talvez aqui o engano seja meu.

      3. Penso que essa seria a metrica mais fiavel, pois cada pais escolhe como contabiliza os mortos Covid. A Suecia tem muitos mortos Covid mas nao muitos mortos em excesso em relacao a nos anteriores enquanto em Portugal acontece o contrario

  4. Pedro, infelizmente aqui no Brasil estamos preocupados com essa situação. Recentemente as coisas ficaram muito caras, por exemplo: arroz, feijão e carne. Além disso tem muitos desempregados. Espero que possamos vencer e voltar a normalidade o mais rápido possível.

  5. Com efeito. Os países e estados mais antingidos em Março, Abril e Maio são agora os que apresentam menores números diários de óbitos e também de casos. Mas sobre estes, dada a inconsistência do teste RT-PCR, não me irei alongar, rementendo quem tiver interesse para aquilo que elaborei extensivamente aqui: https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/herois-11761422?thread=95666702#t95666702 .

    Pelo contrário, os países e estados que anteriormente tinham sido menos atingidos estão agora a braços com a fase mais crítica da epidemia.

    Razão tinham Farr e Snow, os pais da Epidemiologia, quando no século XIX levaram a cabo os primeiros estudos epidemiológicos que lhes permitiram concluir pela semelhança entre a curva de Gauss, representativa de uma distribuição normal, e as curvas características das epidemias, quaisquer que elas sejam e faça-se o que se fizer.

    Conhecimento esse que os actuais responsáveis políticos, jornalistas e otários avulso galhardamente ignoram no presente século, o século das “verdades” em detrimento dos factos e do conhecimento, salvo raras e honrosas excepções, entre as quais destaco o exemplo sueco.

    Os interessados que verifiquem as curvas de óbitos diários (e também de casos diários, quanto mais não seja para constatarem a ausência de correlação entre uns e outros) dos vários países em https://www.worldometers.info/coronavirus/ .

    Para aqueles familiarizados com a interpretação de gráficos, recomendo o gráfico que podem ver nesta página (site da universidade de Oxford):

    https://ourworldindata.org/coronavirus-data-explorer?yScale=log&zoomToSelection=true&minPopulationFilter=1000000&year=latest&time=2020-01-30..2020-09-10&country=AUT~BEL~CAN~CZE~DNK~FRA~DEU~ISR~ITA~JPN~NLD~PRT~SGP~ESP~SWE~CHE~TWN~USA&region=World&deathsMetric=true&interval=total&aligned=true&hideControls=true&perCapita=true&smoothing=0&pickerMetric=location&pickerSort=asc .

    Link longo? Sinónimo de informação condensada.

    Deste gráfico, destaco a “zona de saturação”, de acordo com expressão usada pelo Prof. Michael Levitt, prémio Nobel. Até há bem pouco tempo, em termos de países, o topo da “zona de saturação” era ocupado pela curva relativa à Bélgica. Hoje é o Peru que a ocupa, o que podem ver deslocando lentamente o cursor do rato através do gráfico até à parte cimeira. Como se pode verificar, todas as curvas (de óbitos acumulados) tendem a convergir e a aplanar nessa “zona de saturação”, umas mais acima, outra mais abaixo.

    Conclusões? Quem quiser que as tire, que as minhas sempre me deram muito trabalho. Mesmo assim, deixo duas palavras chave: imunidade e grupo.

    Tendo, neste blogue, talvez em Abril ou Maio, começado a referir a importância da vitamina D no bom desempenho do sistema imunitário face ao SARS-Cov-2, cuja evidência científica é avassaladora tendo em consideração os títulos e links de artigos que fui mencionando, é com agrado que partilho informação relativa ao primeiro ensaio clínico piloto realizado na vizinha Espanha e onde é testado o efeito terapeutico da vitamina D (sob a forma de análogo com mais rápida absorção):

    “Effect of Calcifediol Treatment and best Available Therapy versus best Available Therapy on Intensive Care Unit Admission and Mortality Among Patients Hospitalized for COVID-19: A Pilot Randomized Clinical study”

    https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0960076020302764

    Volto a repetir porque nunca é demais: façam-me o favor de tomar um suplemento de vitamina D, porque se forem hospitalizados em consequência da infecção e tiverem carência desta vitamina a probabilidade de tombarem parece ser enorme.

    E porque no artigo anterior a “best Available Therapy” era composta por hidroxicloroquina + azitromicina, deixo um link interessante e desmistificador:

    c19study.com

    Eyes open. No fear.

    PS – https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/festejar-o-que-11755393?thread=95611521#t95611521

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