Repensar o São Martinho (e outras datas rituais)


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Abaixo aludi à necessidade de repensar as celebrações do dia de São Martinho – meu modesto contributo à proposta presidencial de reflexão sobre os convívios familiares natalícios durante este Covidoceno.

Nos comentários a esse meu postal João Lisboa colocou ligação a uma interessantíssima série de 3 postais no seu Provas de Contacto, dedicados às origens e conteúdos das celebrações do São Martinho, frutos da leitura do livro L’Ours/Histoire d’un Roi Déchu de Michel Pastoureau (La Librairie du XXIème Siècle/Seuil, 2007). Os três (breves e sumarentos) textos são acessíveis nesta ligação. Muito aconselho a sua leitura.

9 comentários em “Repensar o São Martinho (e outras datas rituais)”

  1. É uma parte da história, como outras:
    https://www.calendarr.com/portugal/dia-de-sao-martinho/

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Martinho_de_Tours

    E o observador segue a tendência:
    https://observador.pt/2014/11/11/historia-sao-martinho/

    Não obsta, no entanto, a outras considerações: a luta entre o homem e a natureza é uma constante ao longo da história. E a veneração da natureza também se prende ao medo que o homem sentia, e sente, diante dessa pujança. Também é sabido e conhecido que este medo, muitas vezes ocorrendo pela ignorância, também gera violência e, superado(s) o(s) obstáculo(s), celebra-se das mais diversas formas a vitória.
    A primeira reacção que ocorreu numa vasta maioria de pessoas diante desta pandemia foi o precisamente o medo. Seguidamente surgiu a frustração e imediatamente após as anteriores etapas a fúria e a rebelião. Rebelião e fúria perante uma suposta ineficácia de acções e outras mais que vamos registando um pouco por todo o mundo, para contrariar o medo e as medidas.

    Se o SarsCov2 tivesse dimensão e corpo visível, perante os fenómenos nomeados já estaria erradicado. Porém deu uma ajuda na optimização e reconversão de certos preceitos, pensamentos e acções.

    Não me passou despercebido um fenómeno que desejo partilhar: muito se falou e fala sobre o efeito de estufa, a perda da vida animal e as alterações que ocorrem, atribuindo-as às acções do homem (o que não concordo em absoluto).
    Mas o regresso dos golfinhos aos canais de veneza, dos veados, raposas, porcos selvagens… no passeio pelas cidades só demostraram que eles não estão extintos ou em vias de extinção nem o ozono e o CO2 os afecta. Mas, aproveitando-se do homem confinado, deram azo às suas necessidades de percorrerem caminhos que agora entendiam seguros, evitando o homem.

    Já agora, jpt, aproveito para anexar uma notícia que vai ao encontro do que referi sobre os consórcios de exploração de gás acabarem por dar uma ajudinha no conflito:
    https://ionline.sapo.pt/artigo/710256/como-uma-petrolifera-pode-influenciar-o-apoio-a-mocambique?seccao=Mundo_i

      1. Eu roubei o livro do Pastoreau na pirataria livresca da internet. Mas, noblesse oblige, não divulgo a caverna onde o encontrei …

      2. João, as sociedades e a natureza revelam-nos os seus “segredos” através de suas camadas. Umas são mais superficiais e outras mais profundas.
        Não fariam sentido algum a antropologia social e a arqueologia, nas mais diversas camadas da arqueologia, se não confirmassem isto.
        Estas matérias estão aí não para julgar o passado e o presente mas para o compreender e quiçá melhorar.

        Plantão, na alegoria da caverna, deixa-nos uma pista valiosíssima para compreender o propósito do cristianismo, que é um caminho, um encontro e não uma boutique de pronto-a-vestir que outros, contrariando-o, pretendem propor. Quer em Plantão quer no cristianismo, ma Pessoa de Cristo, a alegoria não é uma hibernação, é a saída da ignorância (trevas) para a Luz, é o morrer para nascer de novo, é compreender que a “Verdade” Liberta.
        Abraço

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