Os 25 mais infectados


Pedro Correia,

Um mês depois, trago aqui novamente o quadro detalhado da evolução do novo coronavírus por todos os países e territórios do planeta, com base em mais de duas dezenas de fontes consultadas e confrontadas – desde logo, a Organização Mundial de Saúde. 

Chamo especial atenção para a proporção entre o número de infectados e cada milhão de habitantes dos países que constam deste quadro incompleto (a Coreia do Norte, por exemplo, está ausente).

Um registo que me leva a ordenar assim os países com registo oficial de Covid-19 da seguinte maneira, excluindo micro-estados e nações com menos de um milhão de habitantes:

 

Catar: 24.987 casos por milhão de habitantes

Koweit: 7.620

Chile: 7.267

Singapura: 6.586

Luxemburgo: 6.461

Espanha: 6.177

EUA: 6.125

Peru: 6.062

Islândia: 5.297

Bielorrússia: 5.233

Bélgica: 5.130

Irlanda: 5.109

Arménia: 4.615

Suécia: 4.471

Reino Unido: 4.235

Emirados Árabes Unidos: 3.984

Panamá: 3.910

Itália: 3.891

Suíça: 3.580

Maldivas: 3.549

Omã: 3.430

PORTUGAL: 3.421

Brasil: 3.346

Rússia: 3.325

Arábia Saudita: 3.027

 

Notas a destacar, em comparação com a estatística anterior: a impressionante subida dos Estados do Golfo Pérsico e de países do continente americano, que passam a preencher quatro dos primeiros dez lugares. Com destaque para Catar e Koweit, nos dois primeiros postos. Mas também aqui figuram – pela primeira vez – os Emirados Árabes Unidos, Omã e Arábia Saudita.

Pela primeira vez, Espanha – que há um mês figurava no topo – cai nesta lista, embora se mantenha entre os dez países mais infectados. Tendência inversa para o antes ausente Luxemburgo, agora no quinto posto – e primeira nação europeia neste rol nada invejável. Em queda estão também a Irlanda (antes segunda, agora 12.ª), a Bélgica (que cai de terceira para 11.ª) e sobretudo a Itália (há um mês era a quinta mais infectada, hoje figura em 18.º lugar). Igual tendência verifica-se no Reino Unido (baixa de 8.º para 15.º).

Regista-se agora a ausência neste quadro de países como França (em nono há um mês, tendo caído para o 30.º lugar) e Holanda (estava em 11.º, é 26.º). E a súbita ascensão do Chile, Peru e Panamá. Países de que nunca por cá se fala, em associação com a pandemia, mostram cifras muito elevadas: Islândia, Arménia e Maldivas. Já nos dez mais está a Bielorrússia (anterior 13.ª), onde nunca houve medidas sanitárias públicas para a contenção do vírus.

Portugal, que há dois meses era oitavo, mantém a tendência de queda. E agora já nem figuramos nos vinte mais infectados. Mas somos o sétimo país da União Europeia com mais casos de Covid-19 por milhão de habitantes: neste capítulo, só baixámos um lugar. Fomos ultrapassados pelo Luxemburgo e pela Suécia, enquanto deixámos de ter a França à nossa frente. E continuamos acima de países com uma dimensão muito superior à nossa, como o Brasil e a Rússia.

 

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Deixo também aqui novamente o registo da relação entre o número de óbitos confirmados e a população de cada país, por milhão de habitantes. Seleccionando desta vez vinte:

Bélgica: 830

Reino Unido: 598

Espanha: 580

Itália: 562

Suécia: 465

França: 448

Holanda: 351

EUA: 342

Irlanda: 341

Suíça: 222

Canadá: 208

Equador: 207

Luxemburgo: 176

Brasil: 176

Peru: 169

PORTUGAL: 146

Chile: 118

México: 109

Alemanha: 105

Dinamarca: 102

 

Destaco aqui a manutenção no topo da Bélgica (um país de que se fala muito pouco em associação com a pandemia, apesar de quase todos os órgãos de informação portugueses terem correspondentes em Bruxelas). A Itália – que já esteve em primeiro – baixa pela primeira vez do pódio. E a Espanha cede ao Reino Unido o nada invejável segundo posto.

Destaques, também aqui, para os óbitos registados no continente americano: desde logo os Estados Unidos da América (que no entanto caem de quarto para oitavo), o nada badalado Canadá (que mantém o 11.º posto) e os preocupantes Brasil e Peru (com entrada directa na lista dos 15 países com mais óbitos por milhão de habitantes). 

Mesmo assim, continua a ser uma lista predominantemente europeia, onde apenas os EUA se intrometem nesta proporção entre mortos por Covid-19 e a população de cada país. 

Para Portugal, a boa notícia é que caímos quatro lugares, de 12.º para 16.º. À nossa frente figuram agora também Equador, Luxemburgo, Brasil e Peru.

A má notícia é que ainda integramos este triste top ten da União Europeia. Com cerca do dobro de óbitos ocorridos em países como Áustria e Roménia. Ou cerca do triplo registado em nações como Estónia, Eslovénia e Noruega. E quase cinco vezes mais do que na Polónia ou na República Checa. E cerca de nove vezes mais do que na Grécia.

14 comentários em “Os 25 mais infectados”

  1. Não deixa de ser interessante que países com alta taxa de infecção não estejam no top no que respeita a mortes. É malta rija.
    Nesses países do Médio Oriente qual será a percentagem de “nativos”, “ocidentais” e “mão de obra pouco qualificada” infectada?

    A Bélgica e a Suécia voaram um pouco abaixo do radar. Os escandinavos começam agora a ser escrutinados pelo modo como lidaram com a coisa, mas dos belgas não se ouve um pio.
    Grosso modo, a nível sanitário, mesmo com metodologias medievais, a coisa nem correu mal (em termos de mortes e acima de tudo, não assoberbar o serviço de saúde), para 1ª vaga. Espanha e Itália andaram a brincar aos futebois e manifs já o bicharoco cá andava, e o UK decidiu aquela coisa da imunidade de grupo, acabam por ser excepções.

  2. Bom trabalho. Entretanto, convém ter em mente pelo menos dois factores.
    – A identificação de infectados e vítimas mortais, em muitos Países e casos, não é precisa. Além de desigual de País para País. Testes pouco fiáveis e registos incorrectamente preenchidos.
    – Os diferentes Países não estão todos na mesma fase pandémica. Alguns Países já terão ultrapassado a 1ª vaga. A 2ª vaga será mais fácil de controlar?. Mesmo dentro de cada País o fenómeno tem caraterísticas diferentes por zona consoante a demografia, tipo de actividad social …
    Infelizmente “isto” ainda não acabou.

  3. Há um ponto que não sei se terá sido estudado.

    Alguns desses países têm altas taxas de migração corrente; nomeadamente Alemanha, Holanda, Bélgica, Áustria, ou Suíça e França. Não tenho ideia de quando as fronteiras terrestres terão sido fechadas no centro da Europa
    Há alguma ideia de, por exemplo, quantos casos alemães são “alemães”, ou terão sido transmitidos por holandeses, e vice-versa?

    1. Em países como Holanda e Suécia muitos dos focos de infecção têm acontecido em comunidades imigrantes. Noutros, como Espanha e Bélgica, boa parte dos óbitos ocorreram nos chamados “lares”, aliás como também por cá.

  4. O Brasil ainda está melhor que Portugal, vai atrasado 10 dias. Pode-se discutir qual é o dia Covid Um de cada país, não se pode ignorá-lo.

  5. “Para Portugal, a boa notícia é que caímos quatro lugares, de 12.º para 16.º. À nossa frente figuram agora também Equador, Luxemburgo, Brasil e Peru.”

    Boa notícia? Mas ressuscitou alguém, ou é boa notícia do género “tenho a casa a arder, mas o vizinho tem a casa e o carro a arder”? A sério, não vejo nada bom nesta notícia, só vários graus de desgraça.

    1. Boa notícia para chamar turistas, que também são capazes de fazer as contas que eu faço.
      E bem precisamos deles: foi graças ao turismo que se registou a recuperação económica 2014-2019.
      É menos mau ser o 16.º país com mais óbitos por milhão de habitantes do que ser o 12.º.

      1. “Menos mau” não é o mesmo que bom. É menos mau.
        Já viu os nossos números de hoje? Palpita-me que a nossa janela de desconfinamento está a fechar. Não acredito que o vírus se fique pelos clusters tão apregoados como “confinados”. Afinal, foi assim que tudo começou, com a idéia de que era localmente controlável.

        1. Eu não ando a acompanhar os números diários. Analiso tendências com intervalos mais largos e olhando para o mapa global. No fundo, aquilo que a habitual informação diária não faz.

          Pouco me importa, para esse efeito, “os números de hoje”. Que daqui a umas horas já serão outros.
          Quero saber, sim, se vamos em tendência ascendente ou descendente e qual é a nossa posição relativa entre os países da UE.

          Creio ter sido claro no levantamento que fiz. Quem souber fazer melhor, chegue-se à frente.

          1. Pelos números de novos infectados em Lisboa , nada mudou, continua a subir.
            Por isso infelizmente tenho dúvidas que estamos no bom caminho.
            Esperar para ver….

          2. Sem dúvida que o seu levantamento é claro. Quanto à tendência, é de subida desde o desconfinamento. A “boa notícia” é que a subida é geral e muitos países começaram agora a levar em cheio. A má notícia é o que vejo por aí – o cuidado foi às urtigas.

          3. Tem toda a razão. E é muito preocupante. Perante a aparente indiferença das chamadas “altas individualidades”, que aparecem sempre de máscara para ficarem bem na fotografia mas depois toleram tudo ou encolhem os ombros, começando pelo PR: comícios, desfiles de milhares de pessoas, protestos políticos, festas partidárias, espectáculos com outros milhares de pessoas, etc, etc, etc.
            Isto enquanto vigora o “estado de calamidade”, sublinhe-se. Mas não admira, se nos lembrarmos que em pleno “estado de emergência” a CGTP fez o que fez em Lisboa, com total liberdade e total impunidade, enquanto o Governo fechava os olhos, o PR virava a cara para o lado e a DGS ia sorrindo.

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