
António Costa falou ao país à hora dos telediários do almoço, tendo à sua direita o cessante ministro das Finanças, pouco depois de este ter consumado sem mais delongas a séria ameaça feita há escassos 29 dias.
Fê-lo obedecendo novamente a uma estratégia de contenção de danos: procurou transmitir a ideia de que mudar o titular da pasta das Finanças no próprio dia em que é apresentado ao País um orçamento suplementar – algo inédito em Portugal e muito difícil de justificar em tempo de pandemia – constitui o acto de gestão corrente mais natural do mundo.
Fiel cultor da política florentina, que teve Maquiavel como expoente máximo, António Costa não resistiu, no entanto, a espetar uma farpa em directo ao ministro demissionário: «Infelizmente, o Covid não me permite dar agora o abraço que me apetecia dar ao Mário Centeno.»
Minutos depois, revelando ter aprendido muito com ele ao longo destes quase cinco anos de estreita convivência, Centeno deu-lhe o troco em tom idêntico e com o mesmo sorriso glacial: «O abraço fica para uma altura sanitariamente conveniente.»
O vírus, aqui, só serve de desculpa: ficou evidente que os dois agora se detestam.
Esta nada edificante troca de galhardetes, com o País a assistir, é um monumento ao cinismo político. E um mau prenúncio dos tempos que vão seguir-se.
Apesar de tudo, do mal o menos: o novo ministro das Finanças chama-se João Leão. Com este apelido, só pode contar com o meu aplauso e o meu apoio.
Leitura complementar: Le parti c’est moi.

Grande título teve o CMTV:
“Entrada de Leão e saída de Centeno”.
O “Ronaldo das Finanças”, agora que vai começar um “campeonato” a sério e cheio de dificuldades, transformou-se num “Renato Sanches”. Prometeu muito e ao fim e ao cabo vai para o “Banco”
Excelente título. Chamativo, sugestivo, irónico e factual.
Caso para dizer entrada de leão saída de centeno
Já é título de jornal.
Entrada de leão? Eu diria antes entrada a pés juntos – à nossa carteira via impostos. Para mim, Centeno será sempre o “Binya das finanças”.
Seria pior se não viessem aí 50 mil milhões de euros em forma de subvenções, empréstimos e fundos estruturais europeus – mais do que todo o dinheiro que Portugal já recebeu de lá desde a adesão à CEE.
Nunca conheci um político tão sortudo como Costa.
Boa noite Pedro Correia
Como escrevi no meu blogue tempos atrás, continuo convicto de que Centeno não vai ser governador do BdP. Eu confio pouco nos OCS nacionais e não muito mais nos internacionais. Isto dito, recordo ter visto algures há 2 ou 3 dias, creio, umas linhas dizendo que Centeno iria finalmente quebrar o tabu na próxima 5ªFeira sobre candidatura ou não ao Eurogrupo. Admito estar a equacionar mal as coisas, mas não me parece que apresentar hoje a demissão de MF seja o que se poderia supor de quebra de tabu. Se me enganar, cá estarei a dar a mão à palmatória.
António Cabral
MRS veio agora, cinicamente, apresentar Centeno como herói – depois de lhe ter dado uma pantufada em público há menos de um mês.
Será “herói” na versão Guterres, Barroso ou Vítor Gaspar: quando a tempestade chega, dão de frosques.
Noutros tempos, heróis eram os que enfrentavam as tempestades.
António Costa é um político habilidoso !
O caos e a crise que se via no horizonte antes da “pandemia” tem agora dois bodes expiatórios, a “pandemia” e um “novo” ministro das finanças impreparado para satisfazer o optimista irritante e o ps (estado).
Parece que não é desta que os vaticínios do Pedro Correia e dos “liberais democratas” que nos pastoreiam se confirmam, Rui Rio continuará a fazer a oposição e o escrutínio que se exigem nos tempos que correm.
Em 5 anos de boa performance económica a nível internacional o ex-ministro das finanças não conseguiu produzir uma única reforma estruturante do Estado, limitando-se a aumentar impostos e a cativar despesas chegando-se ao cumulo de o SNS estar muito pior do que no tempo da troika. O ex-ministro das finanças não deixa saudades e creio que esta demissão é o inicio do ruir da “maioria” socialista que se apoderou do Estado.
WW
O seu astigmatismo começa a tornar-se preocupante. Só você consegue ver Rio a “fazer oposição”, algo que ele não sabe nem quer fazer (e tem raiva a quem sabe).
Rui Rio provavelmente é o melhor presidente do PDS desde o Carlos Mota Pinto.
Essa comparação faz sentido. Mota Pinto conduziu o PSD ao Governo liderado pelos socialistas.
Centeno é grande, carago!
Foi pena o arquétipo da gestão não se ter reproduzido no mundo dos negócios deste Portugal, o dos ‘pequeninos’, que se genuflecte e agradece.
É triste que esta grandeza se traduza só no diferencial de 30MM€ de acréscimo no calote da fazenda pública. Imagine-se só se a diferença fosse o dobro – hoje a nação levaria em ombros o demissionário e choraria na Praça do Império esta viuvez precoce.
Mas, puta que pariu que há sempre um mas, há algo que me apoquenta – se Centeno não rejeita o epíteto CR7 das finanças, porque razão Ronaldo não é apelidado como o Centeno do futebol?
Smoreira
Rio – sempre ele – fez-lhe a melhor das homenagens ao dizer que também tinha o “seu Centeno” lá no PSD.
Originalissima forma de fazer oposição.
Post muito disparatado. Então o Pedro Correia quereria que, num tempo em que as autoridades andam a apregoar o distanciamento social, o primeiro-ministro e o ministro de Estado fossem violar essas recomendações, abraçando-se? É evidente que eles não fariam isso! Só se fossem parvos… Se se abraçassem, seriam abundantemente criticados no dia seguinte – inclusive pelo Pedro Correia… Portanto, não se abraçaram, e apresentaram as razões – verdadeiras – para não o fazerem. O facto de não se abraçarem não significa que se detestem.
Disparatada e ridícula é essa expressão, “distanciamento social”.
Ainda mais disparatado é todos os mabecos andarem a papagueá-la por aí. Como se fizessem uma remota ideia do que este dislate significa.
O Ronaldo das Finanças. Não gosto de futebol mas tenho grande respeito pelo que já vi de Cristiano Ronaldo. Há tempos peguei no YouTube e fui ver o porquê do sururu. O homem é tão obviamente bom que até eu percebi.
E o que fez o Ronaldo das Finanças?
Aumentou impostos e deixou contas por pagar. E pediu emprestado. A receita mágica de todos os burocratas.
Deixem lá de insultar o Ronaldo, o verdadeiro.
MOMENTO ETERNO
Não tenham ilusões, ao ter criticado e derrubado Seguro porque mesmo ganhando eleições achou poucochinho, num estalar de dedos muda de agulha e perdendo-as claramente de seguida, mobiliza apressadamente muletas inimigas da véspera, para se instalar no poder debaixo de uma legalidade enviesada.
Até pode ter passado pela larga malha da legalidade, mas nem por isso deixou ser indecoroso, revelando a baixa estatura de alguém que de tudo o mais desprezível é capaz para beneficio próprio.
Convirá lembrar, que tanto escravatura como discriminação, e não só, também usaram abusivamente o fardamento da legalidade.
Os cadáveres politicos adiados também se podem abater