Três meses depois, trago aqui novamente o quadro detalhado da evolução do novo coronavírus no planeta, com base em mais de duas dezenas de fontes consultadas e confrontadas – desde logo, a Organização Mundial de Saúde. Quando à escala global existem agora quase 2,4 milhões de mortos (cifra que praticamente duplicou neste período) e 108,4 milhões de infectados (mais do dobro em relação ao registo anterior) por Covid-19, oficialmente reconhecidos.
Um registo que me leva a ordenar os países com registo oficial de infecções da seguinte maneira, excluindo micro-estados e nações com menos de um milhão de habitantes:
República Checa: 100.172 casos por milhão de habitantes
Eslovénia: 85.200
EUA: 84.294
Israel: 77.916
PORTUGAL: 76.473
Panamá: 75.768
Lituânia: 70.281
Geórgia: 66.425
Espanha: 65.036
Barém: 65.553
Bélgica: 63.086
Suíça: 62.054
Suécia: 59.634
Holanda: 59.289
Reino Unido: 58.712
Croácia: 57.881
Arménia: 56.909
Catar: 55.524
França: 55.120
Eslováquia: 50.154
Notas a destacar, em comparação com a estatística anterior.
A pandemia reforça a tendência para se consolidar na Europa: 70% dos países onde se registam mais infecções estão situados neste continente. E é aqui que se verificam também os aumentos mais preocupantes, evidenciados neste intervalo de três meses. Com destaque pela negativa para Portugal, que salta do 25.º posto registado em Novembro para o quinto lugar actual. Quadruplicando os números anteriores.
É uma tendência ocorrida noutros países europeus. A Eslovénia sobe 16 lugares neste quadro: em Novembro figurava em 18.º O salto da Geórgia acompanha o português, ao passar de 28.º para oitavo. E a Lituânia, agora em sétimo, não figurava sequer entre os 30 países com mais infecções há três meses.
À frente de Portugal, além da Eslovénia, estão apenas a República Checa (sobe de quarto para primeiro), os EUA (antes oitavo, agora terceiro) e Israel (dois lugares acima do que estava em Novembro). Mas há subidas igualmente sombrias na Suécia (que estava fora do anterior quadro dos 30 países com mais casos acumulados e figura agora em 13.º lugar), Reino Unido (de 26.º para 15.º), Croácia (de 27.º para 16.º) e Itália (de 29.º para o 22.º posto actual). A Holanda, onde têm ocorrido protestos violentos contra o recolher obrigatório, cresce ligeiramente (de 17.º para 14.º).
Espanha e Suíça mantêm as posições. No continente europeu, só há recuos significativos na Bélgica (anterior terceiro, agora em 11.º lugar) e França (baixa de 11.º para vigésimo).
Fora da Europa, destaque para os recuos no Brasil (de 16.º para o 21.º posto actual) e na Argentina (que desce dez posições, de 13.º para 23.º).
Recordo que Portugal figurava em 34.º lugar no quadro de Outubro, quando éramos o nono país da União Europeia na proporção entre o número de contágios por Covid-19 e o número de habitantes. Em Novembro estávamos em sétimo. Agora subimos a este pódio que ninguém inveja.
Em termos comparativos, à mesma escala, temos em Portugal o dobro dos infectados por Covid-19 existente em países como Roménia, Estónia ou Dinamarca. Triplicamos os números de Chipre e Alemanha. Registamos quatro vezes mais casos do que Bolívia, Paraguai e Tunísia. E dez vezes mais infectados do que a Índia ou a Malásia.
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Deixo também aqui novamente o registo da relação entre o número de óbitos confirmados e a população de cada país, por milhão de habitantes:
Bélgica: 1855
Eslovénia: 1769
Reino Unido: 1696
República Checa: 1670
Itália: 1535
Bósnia-Herzegovina: 1490
EUA: 1466
PORTUGAL: 1462
Hungria: 1404
Bulgária: 1382
Espanha: 1373
México: 1320
Peru: 1294
Croácia: 1287
Panamá: 1279
França: 1236
Suécia: 1220
Lituânia: 1126
Suíça: 1119
Colômbia: 1113
Na relação entre os óbitos por Covid-19 e o número de habitantes, torna-se ainda mais claro o predomínio do Velho Continente. Entre os dez países com mais mortos, em termos proporcionais, nove estão na Europa. Um quadro bem diferente em comparação com o de Novembro, quando sete destes dez se situavam no continente americano.
A Bélgica mantém-se no topo da lista. No segundo posto está agora a Eslovénia, que há três meses figurava num discreto 27.º lugar. Tendência ascendente acompanhada pela República Checa (era 18.ª, agora está em quarto), Itália (sobe de 12.º para quinto) e Bósnia-Herzegovina (de 19.º para sexto).
O mesmo sucede em Portugal, ausente em Outubro da lista dos 30 com mais óbitos por milhão de habitantes. Regressámos em Novembro, no 28.º posto, e agora estamos em oitavo. Um dos aumentos mais significativos – e nada lisonjeiros – não apenas no quadro da União Europeia, onde somos hoje o quinto país mais enlutado, em termos proporcionais, mas à própria escala mundial. Pior ainda do que em Maio, quando ocupámos a 12.ª posição.
Em tendência inversa estão Espanha (terceiro com mais óbitos em Novembro, agora em 11.º) e França (baixa de 13.º para 16.º). O mesmo ocorre em vários países americanos: Brasil (cai de quarto para 21.º), Argentina (outra queda abrupta, de quinto para 22.º), México (antes oitavo, agora 12.º), Peru (era segundo em Novembro) e Colômbia (baixa de 14.º para 20.º).
Nenhum país de África ou Ásia figura neste quadro.
Infelizmente as estatísticas demonstram que, em termos proporcionais, temos em Portugal o dobro dos óbitos por Covid-19 ocorridos em países como Alemanha, Irlanda, Letónia ou Irão. Quadruplicamos o registo da Estónia ou da Dinamarca. E acumulamos cerca de dez vezes mais vítimas mortais do que Chipre, Uruguai ou Finlândia.

Eu sei que não percebo nada do assunto, mas, se a Suécia nunca teve um confinamento, porque é, por lá, as infecções desceram (e continuam a descer) precisamente como por cá – tal como o número de mortos (“Sweden reported 44 new fatalities in the past 24 hours, its lowest daily rise since December 3”) – sendo que os casos, por cá, desceram “por causa do confinamento”.
Nem na Suécia nem cá nem na Cochinchina os casos descem por causa do confinamento (embora o confinamento possa dar uma ténue ajuda). Descem por outras causas, que nós infelizmente desconhecemos.
Devemos ser humildes e reconhecer o nosso desconhecimento (e impotência), em vez de nos armarmos aos cucos dizendo coisas como “conseguimos vencer a pandemia” e outros disparates que tais.
Também não devemos fazer competições entre países, entre povos, ou entre dirigentes políticos, a ver qual é que é melhor a vencer a epidemia. Devemos reconhecer que, na verdade, nenhum país, nem nenhum povo, nem nenhum dirigente político tem a virtude, ou o erro, de conseguir melhorar ou piorar a epidemia.
Porque ninguém sabe o que torna o vírus mais ou menos transmissível e mais ou menos perigoso. Se alguém diz que sabe tudo ou mesmo a maior parte mente ou está iludido. As únicas certezas são no verão diminuí e que a idade e estado saúde geral conta- embora também haja o mistério de como os asmáticos e fumadores parecem estar mais protegidos.
Por exemplo como é que de repente na Índia as infecções diminuiriam drasticamente. Ninguém sabe.
https://text.npr.org/962821038
“It’s not that India is testing less or things are going underreported,” says Jishnu Das, a health economist at Georgetown University. “It’s been rising, rising — and now suddenly, it’s vanished! I mean, hospital ICU utilization has gone down. Every indicator says the numbers are down.”
Scientists say it’s a mystery. They’re probing why India’s coronavirus numbers have declined so dramatically — and so suddenly, in September and October, months before any vaccinations began.
“O velho Continente”.
Aí está uma boa parte da resposta do aumento de infeções e mortos- VELHO
Acrescente-se o frio, a incapacidade dos governos de antecipar os acontecimentos, e depois de os resolver, e (desculpem qualquer coisinha) o “excesso” de Democracia faz o resto.
“Excesso de democracia” com meses de prisão domiciliária para milhões de portugueses e doze estados de emergência?
Caramba, eu vejo as coisas exactamente ao contrário. Redução cada vez mais acelerada da democracia. Agora até o “líder da oposição” admite o adiamento das eleições autárquicas com oito meses de antecedência.
Eu só pus o excesso entre aspas

“Excesso de democracia” com meses de prisão domiciliária para milhões de portugueses e doze estados de emergência?
Caramba, eu vejo as coisas exactamente ao contrário.
Ai sim? Muito me surpreende. Pelos encómios que neste blogue escreve a Marcelo Rebelo de Sousa, eu supunha que estivesse muito contente com o seu desempenho.
” de antecipar os acontecimentos, ”
Eu até acho que acontecimentos destes deveriam ser retardados e não antecipados. Ainda bem que existe incapacidade dos governos para os anteciparem.
“deveriam ser retardados e não antecipados”
Senhor Anónimo: parece-me que não entendeu. O Senhor Lamas quer mostrar que sabe inglês e utiliza antecipar com o significado de antecipate.
O tempo dá razao a Anders Tegnell, verdadeiro heroi no meio da histeria global que nos sacode.
Os vizinhos da Suécia talvez tenham uma opinião diferente.
Os vizinhos da Suécia talvez tenham uma opinião diferente.
Isto é uma guerra no «Mundo dos Vírus» (microbioma), não temos nada a ver com isso.
Se calhar, estão lá em eleições, no período pré-eleitoral dos “debates. Também, para quem entre eles, vai para o poleiro do Poder.
Até que acabem, não podemos fazer nada.
Os números são como o algodão, não enganam.
E é engraçado ver os nossos “cientistas ” punir e censurar outros cientistas, só porque tiveram a ousadia de propor a mesma abordagem que teve a Suécia.
Os números desceram cá, porque confinamos. Na Suécia desceram porquê?
Somos obrigados a respirar por um trapo cheio de microrganismos muito mais prejudiciais que o vírus, dizem que é para nos proteger.
Na Suécia nunca houve obrigação, foi sempre aconselhamento.
Estamos presos no domicílio há quase meio ano, dizem que é para diminuir os contágios.
Na Suécia essa responsabilidade era decidida pelos próprios cidadãos.
Palavras para quê? Só se for para pedir desculpa ao Bolsonaro.
Esse pensamento é digno de estudo. Podia-lhe dizer que os suecos têm agora mais restrições do que há uns meses, que a abertura de Natal é exactamente aquilo que propõe (com a diferença de que na Suécia o tipo de relações é diferente e os natais também, e pode crer que sei o que digo). Ou perguntar-lhe o que é que devemos agradecer a Bolsonaro, que disse que isto era uma “gripezinha”, gozou com as mortes, propôs uma remédio absolutamente ineficaz e andou a organizar comícios desnecessários. O Brasil só não está pior graças aos governos estaduais. Mas isso seria tirar-lhe todas as suas dogmas da cabeça, que comprovadamente não anda muito longe da do ocupante do Planalto.
As restrições que os suecos têm são sempre na base do aconselhamento e não da obrigação ( e pode crer que também sei o que digo).
Na Suécia não foi preciso infantilizar as pessoas.
Na Suécia a economia não foi estupidamente arrasada.
Na Suécia não houve a destruição de emprego que houve nos outros países.
Na Suécia não houve este absurdo alarmismo social que só espalhou o medo e a miséria.
Muito mais haveria a dizer e a aprender mas enquanto os fundamentalistas da repressão não tirarem as palas dos olhos, é inútil.
Este é que O VERDADEIRO VÍRUS (e a verdadeira infecção) provocada pelo regime Abrilista (47 anos): … “A maior parte dos nossos cientistas estão em situações precárias” (11fev2021, premiada bióloga Ana Sofia Reboleira, no “Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência”)
A maior parte dos nossos cientistas não são pagos com dinheiro dos contribuintes portugueses, mas sim com dinheiro vindo da Europa. Como esse dinheiro vindo da Europa depende de programas plurianuais e de projetos apresentados às instituições europeias financiadoras, é dinheiro contingente e precário. É por isso que os nossos cientistas têm, na sua maior parte, relações laborais imensamente precárias.
É um desastre.
Em África e Ásia não há tempo para covid, morrem é de febre tifóide e disenteria.
Curiosa a posição da Rep. Checa, outro “caso de sucesso”.
“…Agora subimos a este pódio que ninguém inveja.”.
A diretiva “manter os cidadãos fechados em casa”, seguida a preceito, evita a propagação pandémica. Mas.
Já o manter a TAP “fechada” isso é que não. Este Estado ao optar por ser empresário de aviação civil, perdeu o poder da moderada decisão. Juiz em causa própria
No tempo das naus havia poder de decisão: pelo sim pelo não, na dúvida, ficavam fundeadas fora da barra, com bandeira amarela, a cumprir quarentena.
Para quando o fim do covid?
“Quadruplicamos o registo da Estónia ou da Dinamarca. E acumulamos cerca de dez vezes mais vítimas mortais do que Chipre, Uruguai ou Finlândia.”
A culpa é do Governo. De quem é que havia de ser?
“2,4 milhões de mortos (cifra que praticamente duplicou neste período) e 108,4 milhões de infectados (mais do dobro em relação ao registo anterior) por Covid-19”
Incorrecto. 2,4 milhão de mortos com Covid-19.