O malabarista


André Couto,

Jerónimo de Sousa foi o grande derrotado da noite. O histórico Partido que durante décadas deteve o monopólio da oposição e da luta à esquerda do PS viu-se ultrapassado por um pujante Bloco que promete com os anos reduzir o PCP a cinzas. Desta feita até para o desapoiado PCTP/MRPP de Garcia Pereira o PCP perdeu votos, temendo certamente o que este fará com os €173.000 que receberá de subvenção. É que a carolice do líder passa a ter meios financeiros de vulto como suporte…

Não obstante Jerónimo não cai e consegue o malabarismo de encontrar motivos para festejar, entrando num quase autista estado de negação, como fizera no pós-Europeias quando recebeu o primeiro sinal do eleitorado.

Se quiser sobreviver o PCP terá de assumir que está a perder o eleitorado jovem em massa para o Bloco de Esquerda, custando-lhe isso diversos deputados perdidos no seu terreno para o opositor directo.

Foi um castigo merecido para quem manipulou os seus subservientes sindicatos até à exaustão. Parece que não serviu de muito. Este deverá ser tema de reflexão.

8 comentários em “O malabarista”

    1. Não é complicado explicar, é a concretização da minha opinião de que o crescimento do PCTP/MRPP terá acontecido à custa do votos que naturalmente seriam da CDU. Posso estar errado claro.

      Explique-me para o compreender onde acha que Garcia Pereira foi buscar a aumento da sua votação.

      1. André, eu não acho nada. O que percebo é que o seu “achismo” não tem base nenhuma, a não ser isso mesmo, achismo. Convenhamos que, para quem só acha, foi bastante peremptório (“Desta feita até para o desapoiado PCTP/MRPP de Garcia Pereira o PCP perdeu votos”).

        Em maré de achismo, deixe-me perguntar-lhe eu: a CDU ganhou 15.000 votos, ou coisa que valha. Se “até para o desapoiado PCTP/MRPP de Garcia Pereira o PCP perdeu votos”, onde foi ganhar os 15.000 novos, mais os que perdeu para o MRPP?

        1. O meu “achismo” é tão relevante como o seu. Pelo que vejo o único “achismo” de valia superior ao dos outros é o de Pacheco Pereira. (Esta está deslocada mas não resisti!)

          Em minha opinião a CDU conquista votos ao PS e perde para o PCTP/MRPP. Não vejo outro sítio onde Garcia Pereira os tenha ido buscar uma vez que os partidos da sua área mantiveram as (insignificantes) votações.
          Com isto quero dizer que a CDU perde à esquerda e conquista ao PS. O pior no meio disto tudo é que a CDU cresce muito menos que o Bloco falhando na sedução das gerações mais novas.
          Se quiser tape o sol com a peneira e não reflicta sobre o rumo do seu Partido, como calcula isso é uma ideia que nem me desagrada de todo…

          1. André: eu já lhe disse que não acho nada. Pelo menos nesta matéria, em que sou leigo. Por isso consulto blogs de gente habituada a opinar sobre política, como este.

            Deixe-me ainda assim que lhe diga que achar (o André) que falo do meu partido é uma conclusão sua, precipitada aliás.

            Tudo merece reflexão, como diz e bem.

            O que percebo todavia é que, se acha que a CDU ganhou votos ao PS e perdeu para o MRPP, limitou-se a referir a 2ª conclusão, omitindo do seu post a 1ª. Trata-se de um certo tipo de malabarismo, à sua maneira.

            Acredite: se o que escreveu se referisse ao PNR, eu teria feito as mesmas observações. É que não basta dizer, de forma peremptória, que o partido A foi buscar votos ao partido B. É precisar dizer-se porque é que se retira essa conclusão. Não o fez no post, não o fez na caixa de comentários.

  1. No PCP, André, a reflexão é já um ritual. Herdou um tique congelado que tem quase um século e conclui sempre que «este é o caminho certo». E deve ser, porque cantam sempre vitória.

  2. Sr. André Couto.
    Os meus parabéns foi a análise mais conseguida da derrota da CDU e da vitória do MRPP.
    Os milhares de votos perdidos pela CDU teriam-lhe dado uma estrondosa vitória, perder 9500000 é de facto uma derrota.
    Isto sou eu a dizer, mas estou cá com uma narça . jojoratazana

  3. O PCP já foi o terceiro maior partido português, com sigla própria. É hoje o quinto, com sigla emprestada (CDU). Isto parece não preocupar os comunistas, sempre capazes de transformar derrotas e empates em “vitórias”. A fuga de votos do PC para o Bloco é óbvia, de eleição em eleição. Só não vê quem não quer.

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