AS PUPILAS DO SENHOR REITOR (1867)
Autor: Júlio Dinis
Realizador: Leitão de Barros (1935)
O romance vingou no imaginário português, popularizando figuras como a do médico João Semana. O escritor teria gostado da toada ingénua do filme, êxito à época. Mas eu prefiro o livro.

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Os romances de Julio Dinis preencheram muitas horas da minha vida de estudante. Creio que os devo ter lido todos.
Inocentes, alegres, púdicos, a moral, os bons costumes, os encontros e desencontros, e claro as ruborescentes paixões …
Os livros, independentemente da origem da acção embalavam-me os pensamentos, sempre de volta a Sto André das Tojeiras. O filme é um pequeno tesouro.
Este livro transporta-me de imediato aos dias da infância. E o filme – que vi mais de uma vez – também.
Li a obra quando adolescente, o filme não me lembro de alguma vez ter visto.
Um escritor desprezado por uma elite e talvez seja demasiado mesmo condescendente com a realidade socioeconómica nacional para não levantar ondas e melado para cativar os mais simples, mesmo assim, mantenho que Júlio Dinis serviu de entrada a muitos para mundos mais arrojados da literatura, inclusive para mim.
De acordo, Carlos. Comigo aconteceu. Não com este romance mas com outro, que li primeiro: ‘A Morgadinha dos Canaviais’. Ainda hoje muito interessante, nomeadamente como testemunho da forma como eram organizadas as jornadas eleitorais durante o rotativismo monárquico. Com as chapeladas, as cacicagens, etc.
Julio Dinis era leitura obrigatória, obrigatória mesmo!, em alternativa à sesta durante as férias de verão.
Vi o filme de Leitão de Barros na RTP há uns anos, e vi a versão de Perdigão Queiroga no cinema no principio dos anos 60. Ambos são excelentes filmes, um a preto e branco e ou outro a cores. Fica a curiosidade do o grande António Silva fazer o mesmo papel, o João da Esquina, em ambos os filmes.
A cena da luta com vara-paus na praça da aldeia do filme do Perdigão Queiroga é espectacular.
Também nunca mais me esqueci, sabe-se lá porquê, do lauto almoço que João Semana come, se bem me lembro em casa da Dona Teresa Esquina: um bacalhau assado no forno, seguido de um fumegante arroz de cabidela, tudo bem regado com um verde de estalo.
Nos lugares mais remotos das nossas memórias literárias subsistem recordações que a nós mesmos nos espantam. Acontece-me o mesmo, por exemplo, com a cena da primeira refeição do Jacinto em Tormes n’ A Cidade e as Serras. Cena que jamais esqueci.
Li este e também ‘Uma Família Inglesa’, ‘A Morgadinha dos Canaviais’ e os ‘Fidalgos da Casa Mourisca’. Boas recordações de uma infância de muitas leituras.
Filmes e séries adaptados de livros do Júlio Dinis vi-os sempre na televisão.
🙂 Antonieta
É um autor muito pouco lido nos dias que correm. Merece ser revisitado, desde logo porque os romances dele são um minucioso testemunho da época em que viveu.