Existe uma ligação íntima entre cultura, economia e política. As três esferas parecem independentes, mas são faces do mesmo poder. A cultura oficial tem hoje sobretudo uma expressão mediática; os intelectuais dependem inteiramente da visibilidade e esta é concedida apenas às visões conformistas do mundo. Quem se move na política e na economia tem de saber usar uma linguagem codificada e empobrecida que, sem nunca dizer o que deve, não tolera desvios. Se quiserem ter carreira, os políticos precisam de compreender as regras do compromisso, os negócios dependem por seu lado das necessidades da política e o êxito cultural da obediência ao princípio da massa crítica, ou seja, da popularidade máxima. A aparência domina o poder contemporâneo, triunfa a percepção visual e a superfície da pele, o que de alguma forma deve explicar a mediocridade que nos rodeia.
Três faces do poder
Luís Naves,

Meu Deus, como isto é assustadoramente verdade!… Afinal, não é por acaso que ando obcecado com o Coral de Bach BWV 646: “Para onde é que eu hei-de fugir?…”
Muito bem dito.
Eu já não suporto a primazia das palavras sobre os actos.
Discordando em parte, não posso deixar de concordar com a parte final ” triunfa a percepção visual e a superfície da pele, o que de alguma forma deve explicar a mediocridade que nos rodeia.”