Três faces do poder


Luís Naves,

Existe uma ligação íntima entre cultura, economia e política. As três esferas parecem independentes, mas são faces do mesmo poder. A cultura oficial tem hoje sobretudo uma expressão mediática; os intelectuais dependem inteiramente da visibilidade e esta é concedida apenas às visões conformistas do mundo. Quem se move na política e na economia tem de saber usar uma linguagem codificada e empobrecida que, sem nunca dizer o que deve, não tolera desvios. Se quiserem ter carreira, os políticos precisam de compreender as regras do compromisso, os negócios dependem por seu lado das necessidades da política e o êxito cultural da obediência ao princípio da massa crítica, ou seja, da popularidade máxima. A aparência domina o poder contemporâneo, triunfa a percepção visual e a superfície da pele, o que de alguma forma deve explicar a mediocridade que nos rodeia.

0 comentários em “Três faces do poder”

  1. Meu Deus, como isto é assustadoramente verdade!… Afinal, não é por acaso que ando obcecado com o Coral de Bach BWV 646: “Para onde é que eu hei-de fugir?…”

  2. Discordando em parte, não posso deixar de concordar com a parte final ” triunfa a percepção visual e a superfície da pele, o que de alguma forma deve explicar a mediocridade que nos rodeia.”

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