Música recente (37)


escafandro,

 Solange Knowles, álbum A Seat at the Table.

Um excelente – forte, inteligente, maduro – cocktail de funk, r&b, soul e psicadelismo. Com este seu terceiro álbum, Solange, cinco anos mais nova e bastante menos conhecida do que a irmã, merece bem um «lugar à mesa». 

 

Música recente (33)


escafandro,

Sui Zhen, álbum Secretly Susan.

Apesar de ser um álbum conceptual, sobre a imagem que projectamos (ou tentamos projectar) online, Secretly Susan, da australiana Becky Su Zhen, raramente sacrifica a espontaneidade da música ao conceito. E a música combina pop, bossa nova, electrónica, minimalismo e a sonoridade japonesa shibuya-kei, ela própria uma combinação de várias coisas, entre as quais a canção francesa ao estilo Serge Gainsbourg. Restam alguns pormenores excessivamente artsy (como este vídeo, realizado pela própria Sui Zhen) mas vale a pena espreitar.

Música recente (31)


escafandro,

Eleanor Friedberger, álbum New View.

Cada canção dos The Fiery Furnaces parecia conter ideias suficientes para três ou quatro temas distintos. Sozinha, Eleanor faz pop mais normal. Mantém-se, contudo, um elemento de estranheza, em parte inerente à voz dela, em parte decorrente das letras offbeat e da própria música. É como se a maioria das canções estivesse em equilíbrio instável, podendo desmanchar-se a qualquer momento.

Música recente (29)


escafandro,

Cristina Branco, álbum Menina.

Há quase três anos e meio escrevi o que ainda considero essencial dizer sobre a minha relação com a música de Cristina Branco. Em Menina, ela arrisca de novo, conferindo ao fado uma leveza, uma faceta de alegria ou, pelo menos, de recomeço, que, sem o deixar tombar no kitsch, está longe de ser comum.

Música recente (28)


escafandro,

Liima, álbum ii.

ii é o primeiro álbum dos Liima, que não são do Peru, mas do norte da Europa. Trata-se de uma colaboração entre os dinamarqueses Efterklang e o percussionista finlandês Tatu Ronkko, desenvolvida entre Berlim, Helsínquia, Istambul e uma ilha obscura no Atlântico chamada Madeira (e depois gravada na capital alemã, ao longo de três dias). A música, baseada em sintetizadores e percussão, é uma mistura de paranóia e de alegria. Inclui, de facto, alguns apontamentos de sonoridade andina e, comparada com o que os Efterklang fazem habitualmente, parece mais solta, por vezes quase improvisada. Numa consequência talvez inevitável, também se me afigura menos precisa e coesa.

Música recente (26)


escafandro,

 

Nick Cave & The Bad Seeds, álbum Skeleton Tree.

No ano passado, um dos filhos de Nick Cave morreu ao cair de um penhasco em Brighton. Apesar de vários temas incluídos em Skeleton Tree serem anteriores ao acontecimento, ele marca todo o álbum, talvez o mais intenso e pessoal da carreira de Cave.

 

(Não resisti a incluir vídeos de dois temas, um mais agreste, o outro – bom, o outro será apenas a mais tocante balada que Cave já escreveu e interpretou.) 

Música recente (25)


escafandro,

Kevin Morby, álbum Singing Saw.

Esteve em Paredes de Coura há um par de semanas. Os anos sessenta e setenta – de Bob Dylan a Lou Reed, passando por Leonard Cohen – andam por aqui. E, talvez por alguma iconografia religiosa, também me lembra os EUA de Flannery O’Connor. 

 

(Se a última referência não fizer despertar o Adolfo Mesquita Nunes da letargia blogosférica em que anda mergulhado, desconheço o que poderá consegui-lo.)

Música recente (24)


escafandro,

The Divine Comedy, álbum Foreverland.

A carreira de Neil Hannon enquanto The Divine Comedy tem variado entre o estilo crooner e a pop irónica, passando por um mal compreendido mas sublime Regeneration (2001), onde arriscou uma sonoridade mais ‘suja’ (o falhanço comercial do álbum foi lamentável não apenas porque é excelente mas porque terá feito Hannon retrair-se e abandonar experiências radicais). Lançado na sexta-feira passada, ainda não tive tempo para ouvir Foreverland com a atenção que certamente merece. Mas qualquer álbum de Neil Hannon, por muito derivativo que seja, me é imprescindível – até os dois que fez sob o nome The Duckworth Lewis Method, em colaboração com Doug Walsh, dos Pugwash, inteiramente dedicados a esse desporto estranho: o cricket.

 

 (Sticky Wickets, um dos álbuns dos The Duckworth Lewis Method, tem uma das minhas capas de discos favoritas – nada condizente com a célebre fleuma britânica.)

Música recente (23)


escafandro,

Róisin Murphy, álbum Take Her Up to Monto.

Há uma meia dúzia anos, vi Róisin na Sala 2 da Casa da Música. Pareceu-me existir nela uma tendência excessiva para o perfeccionismo, denotada por lampejos de irritação quando as coisas não corriam como desejava (por exemplo, com a qualidade do som ou com a fluidez na colocação e retirada de casacos e outras vestimentas). A sonoridade do álbum Hairless Toys, de 2015, deu-me ideia de alguém que amadurecera um pouco. Este novo álbum confirma a sensação. Talvez haja na música um pouco menos de energia e imediatismo, mas também há uma tendência nítida para fugir ao óbvio.

 

Música recente (21)


escafandro,

Mesa, álbum Loner.

No segundo trabalho da era pós-Mónica Ferraz dá-se a mudança para o inglês. Não obstante achar que os Mesa nunca conseguiram moldar o português da forma como outras bandas o fazem (pense-se nos Clã), hoje sinto falta da ligeira incongruência que o esforço parecia introduzir-lhes na música. Em inglês, soam-me mais normais.

Música recente (20)


escafandro,

 Radiohead, álbum A Moon Shaped Pool.

Os estratagemas de marketing e a insatisfação – parte niilismo, parte lamúria – com o estado do mundo podem começar a irritar, mas a música permanece motivo suficiente para continuar a prestar atenção aos Radiohead. E por vezes Thom Yorke acerta em cheio nas letras: a low flying panic attack é uma imagem brilhante.

Música recente (19)


escafandro,

Miossec, álbum Mammifères.

O francês está longe de ser a minha língua favorita. Ainda assim, de vez em quando forço-me a prestar atenção a alguma música que se vai fazendo pelo Hexágono. Christophe Miossec tem uma carreira longa, baseada em música mais eléctrica e «barulhenta» do que a constante deste álbum. Há quem diga que vem amolecendo. Talvez. Afinal, em On y Va, canta «On a changé, on a vielli». Acontece a todos.