Música recente (16)


escafandro,

PJ Harvey, álbum The Hope Six Demolition Project.

Vinhetas cruas sobre locais geograficamente tão distantes como o Kosovo e os arredores de Washington DC, que arranjaram problemas a PJ por não ficar evidente uma posição pessoal (e sentimental). Aparentemente, nos tempos que correm é proibido confiar na capacidade de interpretação do receptor. Inteligente e corajosa (ao contrário, por exemplo, do escritor Ian McEwan, numa polémica recente sobre pessoas transgénero), ela tomou a atitude correcta: permaneceu em silêncio.

 

(Para eventuais interessados: PJ estará no Coliseu de Lisboa no dia 27 de Outubro.)

Música recente (14)


escafandro,

Esperanza Spalding, álbum Emily’s D + Evolution.

Complexo, desafiante, vogando sem complexos entre a pop, o r&b e o jazz, o álbum mais recente de Spalding – ódio de estimação dos fãs de Justin Bieber, após derrotar o canadiano no Grammy para melhor novo artista em 2011 (chegaram a vandalizar-lhe a página da Wikipedia) – é um caldeirão intoxicante.

 

(Nota: A versão deste tema presente no álbum é bastante mais curta.)

Música recente (10)


escafandro,

Car Seat Headrest, álbum Teens of Denial.

Não obstante problemas de copyright, que forçaram a alterações num tema e à destruição de CDs já produzidos, e à circunstância pouco relevante de, após algum tempo de audição, a voz de Will Toledo começar a bulir-me com os nervos, o álbum está cheio de excelentes canções, num estilo ligeiramente retro.

Música recente (9)


escafandro,

The Magnetic North, álbum Prospects of Skelsmerdale.

Quatro anos após um álbum dedicado às ilhas Orkney (se não conhecem, façam um favor a vós mesmos e ide aqui apreciar um dos temas pop mais belos do milénio em curso), o regresso faz-se evocando uma comunidade habitacional dos anos sessenta, integrada na segunda fase do programa britânico New Town. Com uma componente nostálgica tão forte, custa-me perceber que os The Magnetic North não sejam mais conhecidos em Portugal, o país do fado e da saudade.

Música recente (7)


escafandro,

 Grandfather’s House, álbum Slow Move.

O primeiro álbum de mais uma banda de Braga. Perturbando-me um nadinha, o vídeo ajuda a confirmar a minha antiga sensação de que Braga esconde inúmeros segredos e perversões. (Uma sensação que terá nascido com os Mão Morta e sido reforçada ao aperceber-me da quantidade de festas macabras e procissões lúgubres que por lá ocorrem.) Ou então passa-se apenas que o senhor é o avô e a sua casa necessita de restauro.

 

(Quem preferir ver uma actuação ao vivo, pode ir aqui.)

Música recente (3)


escafandro,

Clarice Falcão, álbum Problema Meu.

Em 2013, aquando do primeiro álbum, Clarice (este nome faz-me sempre pensar na Jodie Foster) tinha 23 anos, uma relação aparentemente estável e cantava canções de amor intimistas, com a ocasional pitada de cepticismo. Em 2016 tem mais três anos (duh), está descomprometida e canta canções de amor expansivas e assumidamente irónicas. Eu gosto de você como alguém gosta de um vídeo do YouTube de alguém cantando mal? Sublime. Ou: Eu já não amo mais você mas ainda odeio essa menina. Ou ainda:

Na minha vida já existiram 50 opções de amor,

49 desistiram e você foi o que sobrou.

Eu escolhi você com fé de não me arrepender

de te escolher até um outro aparecer.

Não fica triste, não, eu escolhi de coração.

Também por falta de opção,

mas foi você.

 

(Não percam o momento para irritar taxista durante o genérico final.)

Música recente (1)


escafandro,

Adia Victoria, álbum Beyond the Bloodhounds.

Um concentrado de rock, soul e blues surpreendentemente maduro para um primeiro álbum de alguém que fará vinte anos no próximo mês.

 

Nota

Sou péssimo em séries de posts. Neste caso, alinhavei já cerca de duas dúzias, todos com música saída em 2016. Publicando dois por semana (em princípio, às terças e sextas), dará para três meses. Depois logo se verá.