Céu, álbum Tropix.
Em tempos de Jogos Olímpicos do Rio, classicismo brasileiro com laivos de electrónica.
Céu, álbum Tropix.
Em tempos de Jogos Olímpicos do Rio, classicismo brasileiro com laivos de electrónica.
PJ Harvey, álbum The Hope Six Demolition Project.
Vinhetas cruas sobre locais geograficamente tão distantes como o Kosovo e os arredores de Washington DC, que arranjaram problemas a PJ por não ficar evidente uma posição pessoal (e sentimental). Aparentemente, nos tempos que correm é proibido confiar na capacidade de interpretação do receptor. Inteligente e corajosa (ao contrário, por exemplo, do escritor Ian McEwan, numa polémica recente sobre pessoas transgénero), ela tomou a atitude correcta: permaneceu em silêncio.
(Para eventuais interessados: PJ estará no Coliseu de Lisboa no dia 27 de Outubro.)
Cate LeBon, álbum Crab Day.
Pérolas roçando o nonsense (o próprio título do álbum foi roubado a uma criança) que acabam fazendo sentido. Ou não. Depende do ouvinte. E do momento.
Esperanza Spalding, álbum Emily’s D + Evolution.
Complexo, desafiante, vogando sem complexos entre a pop, o r&b e o jazz, o álbum mais recente de Spalding – ódio de estimação dos fãs de Justin Bieber, após derrotar o canadiano no Grammy para melhor novo artista em 2011 (chegaram a vandalizar-lhe a página da Wikipedia) – é um caldeirão intoxicante.
(Nota: A versão deste tema presente no álbum é bastante mais curta.)
Steve Martin & Edie Brickell, álbum So Familiar.
Steve Martin toca banjo, Edie Brickell canta. Simples, despretencioso e – está no título – familiar. Por vezes, basta.
Andrew Bird, álbum Are You Serious.
O homem do violino regressou com um excelente álbum, cheio de irreprimíveis melodias (um exemplo) e deliciosas experiências, entre as quais se inclui este dueto com a sublime (não apenas não exagero nos adjectivos como este não faz justiça a) Fiona Apple.
Big Thief, álbum Masterpiece.
O título será excessivamente ambicioso mas o primeiro álbum deste quarteto de Brooklyn é um raio de sol num mundo que parece degustar raiva e cinismo.
Car Seat Headrest, álbum Teens of Denial.
Não obstante problemas de copyright, que forçaram a alterações num tema e à destruição de CDs já produzidos, e à circunstância pouco relevante de, após algum tempo de audição, a voz de Will Toledo começar a bulir-me com os nervos, o álbum está cheio de excelentes canções, num estilo ligeiramente retro.
The Magnetic North, álbum Prospects of Skelsmerdale.
Quatro anos após um álbum dedicado às ilhas Orkney (se não conhecem, façam um favor a vós mesmos e ide aqui apreciar um dos temas pop mais belos do milénio em curso), o regresso faz-se evocando uma comunidade habitacional dos anos sessenta, integrada na segunda fase do programa britânico New Town. Com uma componente nostálgica tão forte, custa-me perceber que os The Magnetic North não sejam mais conhecidos em Portugal, o país do fado e da saudade.
Lera Lynn, álbum Resistor.
Como muitas outras pessoas, descobri-a na segunda temporada de True Detective, cantando temas hilariantemente depressivos. Resistor é já o seu terceiro álbum e não se limita a ver o lado negativo da vida.
(Também vale muito a pena vê-la no Jools Holland.)
Grandfather’s House, álbum Slow Move.
O primeiro álbum de mais uma banda de Braga. Perturbando-me um nadinha, o vídeo ajuda a confirmar a minha antiga sensação de que Braga esconde inúmeros segredos e perversões. (Uma sensação que terá nascido com os Mão Morta e sido reforçada ao aperceber-me da quantidade de festas macabras e procissões lúgubres que por lá ocorrem.) Ou então passa-se apenas que o senhor é o avô e a sua casa necessita de restauro.
(Quem preferir ver uma actuação ao vivo, pode ir aqui.)
Frankie Cosmos, álbum Next Thing.
Pequenas histórias e sensações, por Greta Kline, filha do actor Kevin Kline, em temas que nunca ultrapassam os três minutos.
The Kills, álbum Ash & Ice.
Um bom trabalho, mas Alison e Jamie já fizeram melhor. Talvez por causa do dedo partido de Jamie, que atrasou a saída do álbum e o obrigou a alterar a forma como toca guitarra, falta alguma explosividade.
Autolux, álbum Pussy’s Dead.
Apenas o terceiro dos Autolux numa dúzia de anos. Denso e atmosférico, com mais electrónica e menos guitarras.
Clarice Falcão, álbum Problema Meu.
Em 2013, aquando do primeiro álbum, Clarice (este nome faz-me sempre pensar na Jodie Foster) tinha 23 anos, uma relação aparentemente estável e cantava canções de amor intimistas, com a ocasional pitada de cepticismo. Em 2016 tem mais três anos (duh), está descomprometida e canta canções de amor expansivas e assumidamente irónicas. Eu gosto de você como alguém gosta de um vídeo do YouTube de alguém cantando mal? Sublime. Ou: Eu já não amo mais você mas ainda odeio essa menina. Ou ainda:
Na minha vida já existiram 50 opções de amor,
49 desistiram e você foi o que sobrou.
Eu escolhi você com fé de não me arrepender
de te escolher até um outro aparecer.
Não fica triste, não, eu escolhi de coração.
Também por falta de opção,
mas foi você.
(Não percam o momento para irritar taxista durante o genérico final.)
Garbage, álbum Strange Little Birds.
Descomplexado, maduro, variado sem pretender inventar a roda. O melhor dos Garbage em muitos anos.
(Quem preferir ouvir um tema com uma sonoridade mais típica da banda – ou olhar para a Shirley em vez de para leopardos e gazelas – pode dirigir-se aqui.)
Adia Victoria, álbum Beyond the Bloodhounds.
Um concentrado de rock, soul e blues surpreendentemente maduro para um primeiro álbum de alguém que fará vinte anos no próximo mês.
Nota
Sou péssimo em séries de posts. Neste caso, alinhavei já cerca de duas dúzias, todos com música saída em 2016. Publicando dois por semana (em princípio, às terças e sextas), dará para três meses. Depois logo se verá.