Música recente (57)


escafandro,

Justice, álbum Woman.

A electrónica de outro duo de franceses (i.e., não os Daft Punk), cantando em inglês, num vídeo que inclui uma actriz norte-americana e um carro japonês. A globalização ainda não perdeu a guerra.

 

(Colocar Susan Sarandon, de óculos escuros e cabelo solto, ao volante de um descapotável traz de volta certas memórias…)

Música recente (55)


escafandro,

The I Don’t Cares, Wild Stab.

Após encontrar na cave de Paul Westerberg (The Replacements) muitos temas escritos ao longo dos anos mas nunca utilizados, Juliana Hatfield (um dos ícones da década de 1990) convenceu-o a formar uma banda com ela. O resultado é ligeiramente desconexo mas totalmente isento de pretensiosismo: dezasseis temas low-fi, com arestas por polir, que soam mesmo a material gravado numa cave, em dias de descontracção.

Música recente (52)


escafandro,

M.I.A., álbum AIM.

A dificuldade de muitos artistas com mensagens políticas radicais é conseguirem conjugá-las com o desejo, tão humano, de estrelato (ou, numa versão mais benigna, de atingirem um público vasto). Houve uma época em que a raiva de M.I.A. parecia genuína. Hoje, encontra-se demasiado estilizada para convencer plenamente. Há boas canções em AIM (a do vídeo acima, por exemplo), mas também há (demasiadas) canções fracas e, acima de tudo, nenhuma constitui um desafio, lírica ou musicalmente; em nenhuma o ouvinte sente o desconforto de ver a sua mundividência posta em causa.

Música recente (51)


escafandro,

Wilco, álbum Schmilco.

Um dos trabalhos mais acústicos e intimistas dos Wilco. As letras exprimem confusão, nostalgia, por vezes até mesmo depressão, mas também uma subtileza e ironia muito particulares (I hope you find someone to lose, someday). A música adiciona a esperança.

Música recente (50)


escafandro,

 Jenny Hval, álbum Blood Bitch.

 Eu sei, estamos em tempo de Natal, de músicas expansivas, com sininhos e mensagens de optimismo… Mais ou menos isto, creio. (Não estou a ironizar assim tanto: há imensa beleza e algum optimismo nos sons densos e nas letras carregadas de sangue, sexo e solidão que a norueguesa Hval incluiu neste trabalho. Assim de repente, Period Piece pode até ser o único tema alguma vez escrito no qual uma mulher admite encontrar conforto no espéculo do ginecologista: Some people find it painful / But all I feel is connected. OK.)

Música recente (49)


escafandro,

Rita Redshoes, álbum Her.

Uma sonoridade expansiva, cinematográfica, que remete para outras décadas e combina na perfeição com a voz límpida de Rita. Encontro-lhe um ponto negativo: aqui e ali, o optimismo e a força de vontade expressos nas letras resvalam para o lugar-comum (sou mulher / sem vergonha de vencer / eu aprendo ao viver / e não mudo o meu caminho). Pela primeira vez, alguns temas (quatro) são em português.

Música recente (46)


escafandro,

 Gisela João, álbum Nua.

Dá-me a sensação de que o título e a foto da capa do álbum têm vindo a receber quase tanta atenção como a música. Sinal de que Gisela pode ser uma das mais genuínas representantes da tradição fadista, na linha, digamos, amaliana – algo que este álbum comprova de forma brilhante -, mas é também uma mulher atraente. E de que certas reacções ligeiramente infantis nunca mudam.

Música recente (41)


escafandro,

Teresa Salgueiro, álbum O Horizonte.

Apontamentos e sensações apoiados em música apenas pontualmente escapando a um onirismo que, associado à voz quase demasiado límpida de Teresa Salgueiro, por vezes se me torna cansativo. Talvez por isso acabo preferindo os temas mais percussivos, com “Desencontro” à cabeça. Mas em doses moderadas é sublime.

 

(Note to self: ouvir nas colunas ou experimentar outros auscultadores.)

Música recente (40)


escafandro,

Lisa Hannigan, álbum At Swim. 

O terceiro álbum da irlandesa que Neil Jordan me permitiu descobrir não foge muito ao registo presente nos outros dois. Será talvez um pouco mais ambiental, mais líquido (swim in your current, flow on every word you say, canta ela em Undertow), mas não deixa de incluir, de forma quase displicente, frases como hang the rich and spare the young (oh, Lisa…). Foi produzido por Aaron Dessner, dos The National, mas, ao contrário do sucedido noutras produções dele (ver último trabalho dos Frightened Rabbit), a sonoridade dos The National não fica evidente. Dessner terá mesmo desempenhado um papel crucial na realização do álbum, ajudando Lisa a vencer o bloqueio criativo em que estava mergulhada.

Música recente (38)


escafandro,

 Phantogram, álbum Three.

Sinceramente, é o pior dos três álbuns dos Phantogram. O mais comercial, o que apresenta mais temas que fazem o ouvinte franzir a testa e perguntar-se o que raio lhes passou pela cabeça. O desejo de sucesso, talvez. Aproveitam-se duas ou três boas canções, com este primeiro single destacado na frente.