Música recente (77)


escafandro,

Laura Marling, álbum Semper Femina.

O título vem da Eneida: varium et mutabile semper femina (qualquer coisa como as mulheres são inconstantes e caprichosas). Marling vira o sentido da frase do avesso e transforma a presumível inconstância feminina em capacidade de adaptação. Não sei o que Virgílio pensaria, mas estou convencido de que Mozart e Lorenzo Da Ponte (cuja ópera Così fan Tutte parte de uma premissa similar à exposta na Eneida) achariam piada. Bem como a este vídeo.

Música recente (76)


escafandro,

 Nice as Fuck, álbum Nice as Fuck.

Jenny Lewis, expoente da pop leve mas de bom gosto, Erika Forster, das electrónicas e atmosféricas Au Revoir Simone, e Tennessee Thomas, da banda de rock alternativo The Like, juntaram-se para um projecto ligeiramente inconsistente (muitos temas parecem esboços), mas com alguma piada.

Música recente (75)


escafandro,

Honeyblood, álbum Babes Never Die.

Apenas o segundo álbum e, com a substituição de um único elemento, metade da banda já é nova. (Se tiverem dificuldades, podem usar a equação 0,5xN=1, em que N é o número total de elementos.) A vocalista e guitarrista Stina Marie Claire Tweeddale mantém-se (uma excelente notícia porque Stina Marie Claire Tweeddale é um nome espectacular), mas na bateria encontra-se agora Cat Myers (também não deixa de ser um nome catita). O álbum será um pouco mais refinado do que o anterior, circunstância com pontos positivos (é mais refinado) e negativos (é mais refinado), mas os riffs estilo-grunge e a atitude permanecem.

 

(Quem achar o vídeo interessante e nunca tiver visto o filme Under the Skin, por favor trate de arranjar forma de o fazer.)

 

(A água na Escócia há-de estar fria…)

Música recente (74)


escafandro,

Rhiannon Giddens, álbum Freedom Highway.

Giddens já passou por vários projectos. Este é o seu segundo álbum a solo. O primeiro, lançado em 2015, tinha o número mínimo de originais para não poder ser classificado com exclusivamente de versões. Desta feita, nove dos doze temas são originais, mas alguns parecem tão genuínos que é como se pudessem ter sido compostos em meados do século XIX e cantados em torno de fogueiras no Texas ou em plantações de algodão no Louisiana. Há aqui uma preocupação com a história dos Estados Unidos, com as lutas, os sacrifícios e a violência que ela incluiu. A canção At the Purchaser’s Option, no vídeo acima, é inspirada num anúncio verdadeiro, no qual uma escrava de 22 anos é oferecida para venda, ficando à consideração do comprador a inclusão no negócio da sua filha de nove meses. Outros temas estabelecem relações com os tempos actuais, através das letras mas também da música, que inclui espirituais negros, blues, folk, country, toques de jazz, até mesmo hip-hop. Estranho mas acessível, tradicional mas desafiante, duro mas inspirador, atrevo-me a afirmar, após somente um par de audições, que vai constituir um dos meus álbuns do ano.

Música recente (72)


escafandro,

The Invisible, álbum Patience.

Os Invisible são Dave Okumu, produtor do primeiro álbum de Jessie Ware, guitarrista da malograda Amy Winehouse, e Tom Herbert e Leo Taylor, colaboradores habituais de Adele. A música que fazem evita a velocidade e a grandiloquência; trata-se de pop electrónica, mas num registo contemplativo e melancólico. Alguns dos melhores temas do álbum incluem convidadas (Anna Calvi, por exemplo).

Música recente (70)


escafandro,

Minor Victories, álbum Minor Victories.

Um projecto só possível nos tempos actuais. Rachel Goswell, dos Slowdive, Stuart Braithwaite, dos Mogway, e Justin Lockey, dos Editors, trabalharam à distância e nunca gravaram todos no mesmo local.  O resultado mistura a tendência pop de Lockey com a guitarra densa de Braithwaite. A voz de Goswell acrescenta o toque de leveza e fragilidade.

 

(Sempre me pareceu que o planeta seria destruído por um gato – o de Blofeld, por exemplo. Ou então por um humano com cabelo alaranjado.)

Música recente (69)


escafandro,

Señoritas, álbum Acho Que É Meu Dever Não Gostar.

Sandra Baptista e Maria Antónia Mendes, ex-Naifa (Sandra também ex-Sitiados), num conjunto de canções despidas, à base de acordeão, guitarra, baixo e tarola, gravadas em casa de Sandra. A perspectiva é madura e feminina, a sonoridade faz pensar em tangos e nas bandas sonoras mais famosas de Ennio Morricone.

Música recente (68)


escafandro,

Elbow, álbum Little Fictions.

Há qualquer coisa na voz de Guy Garvey que anima a alma. Ainda por cima, neste álbum ele está apaixonado.

 

We protect our little fictions
When we bow to fear
Little wilderness mementos
But there’s only you and me here
Fire breathing
Hold tight
Waiting for the original miracle

(…)

Life is the original miracle
(…)
Love is the original miracle

(no tema que dá título ao álbum)

Música recente (65)


escafandro,

 Rita Wilson, álbum Rita Wilson.

Imensos actores cantam, outros tocam banjo. Rita Wilson (que, com Tom Hanks, forma um dos casais do mundo do show business com que é mais fácil simpatizar) será apenas mais um exemplo. Mas canta bastante bem, neste seu segundo álbum, ao contrário do que aconteceu no primeiro, até escreveu as letras e, honestamente, hoje apetece-me algo alegre e inconsequente.

 

(É provável que esta tendência para associar alegria a inconsequência diga muito sobre mim.)

Música recente (60)


escafandro,

Bat for Lashes, álbum The Bride.

Um álbum conceptual, de acesso não exactamente imediato, sobre uma mulher cujo noivo morre no dia do casamento. A ideia-base podia ter constituído receita para um conjunto intragável de lamentações, mas Natasha Khan é demasiado inteligente para cair nessa armadilha. Ainda assim, não será o trabalho ideal por onde começar a descobrir a música da londrina.