Parecida. Nada mais.


lauraramos,

Um amigo meu instalou-se no Brasil há uns tempos. Curiosamente, reparo agora que das nossas conversas nunca constou o acordo ortográfico, talvez por eu suspeitar que um engenheiro é um reformador nato, insensível  aos pruridos dos defensores da forma e da memória – esses terríveis travões do progresso.
Por isso mesmo, foi com surpresa que hoje,  no facebook, tive notícias dele, assim:

« Eu nem era, por princípio, contra o acordo ortográfico. Mas fico baralhado com algumas alterações: – Costumo vestir um fato quando vou assistir a um fato importante, ou de facto há coisas que não estão bem? É que eu, terno, só puxo quando jogo as cartas. Haveria mais exemplos mas não me apetece pensar. O que de facto acontece é que eu aqui coloco a cerveja na geladeira e quando vou a Portugal coloco-a no frigorífico. Aqui viajo de trem ou de ônibus e aí de comboio ou autocarro. Eu aí gosto de gozar com os bons amigos mas aqui sou mais selectivo. Os homens (ou omens ?) que se lembraram de fazer o acordo esqueceram-se que não é por decreto que se anula o que 500 anos fizeram. Eu aqui sinto-me muito bem pois o país é muito agradável, há gente boa e a adaptação foi fácil porque a língua é muito parecida. Isso mesmo: PARECIDA. Nada mais. A linguagem que se fala é bastante diferente. Não me parece que seja este o caminho para a uniformização das línguas ».

Boa, Filipe, eu sabia que eras um homem avisado, ou não tivesses saído na hora certa para o outro lado do Atlântico. Mas  este teu desabafo vale mais do que dez tratados.

Saravá!

Vi no Facebook, essa rede social onde não abunda a piedade


Rui Rocha,

 Estou, é da Liga Europa?
– Sim.
– O Guimarães está?
– Não, ainda não conseguiu chegar!

…

 – Estou, é da Liga dos Campeões?
– Sim
– O Guimarães está ?
– Não, nunca tivemos aqui nenhum Guimarães.

…

– Estou, é da Liga Portuguesa?
– Sim.
– O Guimarães está?
– Sim, está lá em baixo. Quer que eu o chame?
– Deixe estar. Falo com ele na segunda!

…

– Estou, é da segunda liga?
– Sim.
– O Guimarães está?
– Não, mas deve estar a chegar!”

Os cargos públicos e as redes sociais


José Maria Gui Pimentel,

 

 

Dentro em breve (eu diria uma década, mas a prudência obriga-me a ser menos preciso) começarão a chegar a cargos públicos (particularmente aos cargos políticos) jovens que já viveram plenamente a era das redes sociais. Esses incautos jovens adultos verão os jornais pejados daquilo que foram colocando nas redes sociais durante os seus anos de anonimato: fotografias de bebedeiras ou em posturas menos ortodoxas, comentários com palavrões, racistas, homofóbicos… Enfim, a antítese da postura politicamente correcta que esses jovens políticos quereriam passar. Esta primeira leva será a principal, porém também a única vítima do efeito das redes sociais: os mais desprevenidos verão as suas ambições políticas coarctadas, ou, mesmo, impossibilitadas. Já com as levas seguintes, a situação tornar-se-á tão transversal e comum que passará a ter tanta atenção quanto as fotografias de políticos em calções de banho, que há umas décadas eram impensáveis e hoje são indispensáveis no Verão.

A Invencível Armada


lauraramos,

Em três dias, no Egipto, o facebook juntou 400 000 usuários apostados na sublevação contra Mubarak.

Chamam-lhe agora Sawrabook, o livro da revolução.

Num país onde a rede ‘Al Jazeera’ ainda não chegara e a televisão do estado exibia velhos filmes a preto e branco, foi obra.

Às armas, e ao alcance de um teclado.

 

Facebook devolve conta a Leslie


modosdever,

O Facebook devolveu esta manhã à chilena Leslie Power a conta que lhe cancelou por ter publicado uma foto a amamentar o filho. O escândalo foi tão grande, que a empresa de Alto Palo não teve outro remédio senão emendar a mão. Mas como se pode ler na carta que mandou à lesada, a rede social, ancorada na leitura que faz da sua Declaração de Direitos e Responsabilidades, insiste na aberração e pede à dona da conta que “não publique fotos que incluam nus, gráficos ou outros conteúdos sexuais”. Isto é mesmo, mesmo doentio. Não dá para acreditar.

Facebook volta a censurar


modosdever,

 

Uma psicóloga chilena, Leslie Power, pôs no Facebook uma foto onde aparece a dar de mamar ao bebé. Resultado: a rede social cancelou-lhe a conta por considerar a fotografia ofensiva e violadora das condições de uso da empresa. Esta é apenas a última da teia de Zuckerberg-Saverin. O escândalo está na rua. Enquanto nos fixamos nuns ditadores, outros, não menos perigosos, esfregam as mãos de contentes – quando não estão a contar dinheiro.