Uma psicóloga chilena, Leslie Power, pôs no Facebook uma foto onde aparece a dar de mamar ao bebé. Resultado: a rede social cancelou-lhe a conta por considerar a fotografia ofensiva e violadora das condições de uso da empresa. Esta é apenas a última da teia de Zuckerberg-Saverin. O escândalo está na rua. Enquanto nos fixamos nuns ditadores, outros, não menos perigosos, esfregam as mãos de contentes – quando não estão a contar dinheiro.


Fernando, trata-se de mais um episódio da mamilofobia ” americana. Como se sabe todos os puritanos foram concebidos in vitro (sem sexo essa coisa indizível ) e (claro) amamentados com biberões esterilizados. Nunca receberam um beijo da mãe , nem do pai. Qué horror ternura.
O país que idolatra a sua 5 Emenda, censura a maternidade na sua expressão mais bela.
Haja paciência para tantos puridos bacocos.
Olá, Lena. É como dizes, letra a letra. Tive que ler, reler e pedir que me lessem, para acreditar. O Novo Mundo!… Ui!!
Que aberração.
Aberração é mais ou menos do que doentio?
É mais ou menos o mesmo…
Que doentio.
No caso de alguém se ter esquecido: o Facebook é uma empresa privada. Tem legitimidade para definir as regras que bem entender. Quem não concordar, que se desamigue. E viva a liberdade.
Num negócio como este, as regras têm de ser simples, claras e objectivas. Não há lugar para critérios subjectivos: a discussão simplesmente mataria o empreendimento.
Aos comentários elevados, respondo: é tempo aproveitado. Aos deste tipo, passo adiante. Como as pessoas gostam de ter resposta às suas notas, eis a minha a esta. Passe bem, sampy.
Não estou a ver em que é que fui indelicado. Mas, se tive culpa em ser mal interpretado, peço desculpa.
Não o acusei de indelicadeza, chocou-me apenas a pouca elevação do seu comentário. Mas como assumiu, por mim, um mal-entendido que poderá ter sido meu, respondo-lhe. A liberdade, como escreve, política ou empresarial, deve assentar na ética antes de chegar ao lucro a todo o preço. A ética deve atender ao primado dos direitos humanos, que é de todo em todo o que falhou aqui, neste último episódio de um longo cv de abusos por parte do Facebook. O pulso livre das empresas, privadas ou não, na concepção das suas regras não deve ser uma mera nuance da sua fome de lucro, deve ter em conta as pessoas e os seus direitos fundamentais. E é a isto, sampy, que eu chamo liberdade.
Permita-me retorquir:
Se queremos enaltecer a liberdade, que seja reconhecendo à dita empresa a liberdade de definir (e aplicar) as regras que achar mais correctas para a prossecução do seu empreendimento. E reconhecendo a cada (potencial) usuário a liberdade de aceitar ou rejeitar tais regras.
O que me pareceria incorrecto seria uma aplicação discricionária das regras: hoje sim, amanhã não; a esta pessoa sim, àquela não. E pior ainda se fossem ocultadas (como costumam fazer os bancos e seguradoras, por exemplo). Penso que não é isso o que está em causa.
Do meu ponto de vista, está-se perante um dano colateral resultante da aplicação concreta e generalista de uma regra cujo princípio subjacente julgo não ser atentatório da dignidade das pessoas ou dos seus direitos fundamentais (bem pelo contrário).
Tal aplicação concreta e generalista gera situações injustas? Sem dúvida; o que se lamenta. Poderia ser feita de outra forma? Não estou a ver como. A verdade é que não há sistemas perfeitos.
É muito mais simples, sampy: todas as entidades, colectivas ou não, devem conformar, como escrevi antes, as suas regras, quaisquer que sejam, com os direitos humanos, sendo essa a ideia que tenho de liberdade. O contrário disto é simplesmente um atentado a esses direitos; não deve sumariamente ser tolerado. Sem respeito pelos direitos humanos não há liberdade. Isto parece-me claríssimo.
“as regras têm de ser simples, claras e objectivas”
Sem dúvida.
Pode citar-me, nas condições de uso do Facebook, onde está a regra clara e objetiva que a senhora violou?
A ver se me explico:
A regra é simples: no boobs – nada de seios desnudos.
Não sei se vem explícita, tal qual, nas condições de uso da dita rede social (pois não a frequento).
Mas sei que um site em que são descarregadas milhões de fotografias por dia só pode ser operacional nessa base: com regras básicas e directas que não admitem interpretações ou excepções.
Cada um de nós pode dar-se ao luxo de pegar em determinada fotografia e avaliar: é isto pornografia? é beleza feminina? é arte? é um momento mágico da maternidade? é um apelo à aleitação?…
E porventura teremos tempo ainda para cruzar a nossa avaliação com a de outros, constantando concordâncias ou discordâncias, e até nos envolvendo em discussão e troca de argumentos, à espera de que se faça luz (nos outros ou em nós mesmos).
Mas este processo de reflexão e discernimento é simplesmente impossível de executar em se tratando duma gestão em massa (milhões de imagens por dia).
Claro que este tipo de regras resulta em que muitas vezes paga o justo pelo pecador. Mas não há outra forma de fazer as coisas, em se tratando de um negócio dominado pela massificação.
Não respondeu à minha questão (porque não frequenta o Facebook): qual, explicitamente, a regra.
É preciso vermos a regra para sabermos (1) se ela faz sentido, (2) se ela foi bem aplicada neste caso.
O Fernando Sousa já colocou um outro post onde a regra vem referida.
Uma bela imagem que os puritanos não aprovam ver exposta numa rede social. Talvez a ideia da senhora fosse a de sensibilizar as mães no sentido de amamentarem os seus filhos cujo leite materno já vai rareando no quadro das gestantes dos nossos dias.
Parece-me que o êxito da rede social envolvida já ultrapassou em muito a visão condicionada de alguns dos seus criadores que não conseguem deixar de pensar com a cabeça do baixo ventre.
Há que ver que, nos EUA, as mamas são consideradas um objeto sexual de topo, e é absolutamente proibido mostrá-las em público.
Trata-se pois de uma aberração cultural americana.
Entretanto, não lamento a psicóloga chilena. Qual é o mal de ficar sem Facebook? Nenhum. Absolutamente nenhum.
Quem não concordar com a atuação do Facebook – boicote essa empresa.
Como se houvesse algo de mais belo.
A imbecilidade é como o buraco de ozono: não tem fronteiras e alarga-se em cada dia que passa.