Facebook volta a censurar


modosdever,

 

Uma psicóloga chilena, Leslie Power, pôs no Facebook uma foto onde aparece a dar de mamar ao bebé. Resultado: a rede social cancelou-lhe a conta por considerar a fotografia ofensiva e violadora das condições de uso da empresa. Esta é apenas a última da teia de Zuckerberg-Saverin. O escândalo está na rua. Enquanto nos fixamos nuns ditadores, outros, não menos perigosos, esfregam as mãos de contentes – quando não estão a contar dinheiro.

19 comentários em “Facebook volta a censurar”

  1. Fernando, trata-se de mais um episódio da mamilofobia ” americana. Como se sabe todos os puritanos foram concebidos in vitro (sem sexo essa coisa indizível ) e (claro) amamentados com biberões esterilizados. Nunca receberam um beijo da mãe , nem do pai. Qué horror ternura.
    O país que idolatra a sua 5 Emenda, censura a maternidade na sua expressão mais bela.
    Haja paciência para tantos puridos bacocos.

  2. No caso de alguém se ter esquecido: o Facebook é uma empresa privada. Tem legitimidade para definir as regras que bem entender. Quem não concordar, que se desamigue. E viva a liberdade.

    Num negócio como este, as regras têm de ser simples, claras e objectivas. Não há lugar para critérios subjectivos: a discussão simplesmente mataria o empreendimento.

    1. Aos comentários elevados, respondo: é tempo aproveitado. Aos deste tipo, passo adiante. Como as pessoas gostam de ter resposta às suas notas, eis a minha a esta. Passe bem, sampy.

        1. Não o acusei de indelicadeza, chocou-me apenas a pouca elevação do seu comentário. Mas como assumiu, por mim, um mal-entendido que poderá ter sido meu, respondo-lhe. A liberdade, como escreve, política ou empresarial, deve assentar na ética antes de chegar ao lucro a todo o preço. A ética deve atender ao primado dos direitos humanos, que é de todo em todo o que falhou aqui, neste último episódio de um longo cv de abusos por parte do Facebook. O pulso livre das empresas, privadas ou não, na concepção das suas regras não deve ser uma mera nuance da sua fome de lucro, deve ter em conta as pessoas e os seus direitos fundamentais. E é a isto, sampy, que eu chamo liberdade.

          1. Permita-me retorquir:

            Se queremos enaltecer a liberdade, que seja reconhecendo à dita empresa a liberdade de definir (e aplicar) as regras que achar mais correctas para a prossecução do seu empreendimento. E reconhecendo a cada (potencial) usuário a liberdade de aceitar ou rejeitar tais regras.

            O que me pareceria incorrecto seria uma aplicação discricionária das regras: hoje sim, amanhã não; a esta pessoa sim, àquela não. E pior ainda se fossem ocultadas (como costumam fazer os bancos e seguradoras, por exemplo). Penso que não é isso o que está em causa.

            Do meu ponto de vista, está-se perante um dano colateral resultante da aplicação concreta e generalista de uma regra cujo princípio subjacente julgo não ser atentatório da dignidade das pessoas ou dos seus direitos fundamentais (bem pelo contrário).

            Tal aplicação concreta e generalista gera situações injustas? Sem dúvida; o que se lamenta. Poderia ser feita de outra forma? Não estou a ver como. A verdade é que não há sistemas perfeitos.

          2. É muito mais simples, sampy: todas as entidades, colectivas ou não, devem conformar, como escrevi antes, as suas regras, quaisquer que sejam, com os direitos humanos, sendo essa a ideia que tenho de liberdade. O contrário disto é simplesmente um atentado a esses direitos; não deve sumariamente ser tolerado. Sem respeito pelos direitos humanos não há liberdade. Isto parece-me claríssimo.

    2. “as regras têm de ser simples, claras e objectivas”

      Sem dúvida.

      Pode citar-me, nas condições de uso do Facebook, onde está a regra clara e objetiva que a senhora violou?

      1. A ver se me explico:

        A regra é simples: no boobs – nada de seios desnudos.

        Não sei se vem explícita, tal qual, nas condições de uso da dita rede social (pois não a frequento).

        Mas sei que um site em que são descarregadas milhões de fotografias por dia só pode ser operacional nessa base: com regras básicas e directas que não admitem interpretações ou excepções.

        Cada um de nós pode dar-se ao luxo de pegar em determinada fotografia e avaliar: é isto pornografia? é beleza feminina? é arte? é um momento mágico da maternidade? é um apelo à aleitação?…
        E porventura teremos tempo ainda para cruzar a nossa avaliação com a de outros, constantando concordâncias ou discordâncias, e até nos envolvendo em discussão e troca de argumentos, à espera de que se faça luz (nos outros ou em nós mesmos).

        Mas este processo de reflexão e discernimento é simplesmente impossível de executar em se tratando duma gestão em massa (milhões de imagens por dia).

        Claro que este tipo de regras resulta em que muitas vezes paga o justo pelo pecador. Mas não há outra forma de fazer as coisas, em se tratando de um negócio dominado pela massificação.

        1. Não respondeu à minha questão (porque não frequenta o Facebook): qual, explicitamente, a regra.

          É preciso vermos a regra para sabermos (1) se ela faz sentido, (2) se ela foi bem aplicada neste caso.

  3. Uma bela imagem que os puritanos não aprovam ver exposta numa rede social. Talvez a ideia da senhora fosse a de sensibilizar as mães no sentido de amamentarem os seus filhos cujo leite materno já vai rareando no quadro das gestantes dos nossos dias.
    Parece-me que o êxito da rede social envolvida já ultrapassou em muito a visão condicionada de alguns dos seus criadores que não conseguem deixar de pensar com a cabeça do baixo ventre.

  4. Há que ver que, nos EUA, as mamas são consideradas um objeto sexual de topo, e é absolutamente proibido mostrá-las em público.

    Trata-se pois de uma aberração cultural americana.

    Entretanto, não lamento a psicóloga chilena. Qual é o mal de ficar sem Facebook? Nenhum. Absolutamente nenhum.

    Quem não concordar com a atuação do Facebook – boicote essa empresa.

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