O moço de recados.


Luís Menezes Leitão,

 

Parece que o Primeiro-Ministro francês diz que Durão Barroso “só tem que aplicar as decisões” do Conselho, “mais nada”. Durão Barroso é assim visto pelos membros do Conselho como um simples moço de recados. A independência da Comissão e o seu papel de guardiã dos Tratados foram desta forma reduzidos a zero.

 

O balanço de Durão Barroso à frente da Comissão Europeia não podia ter sido mais negativo: a independência da Comissão ficou em cacos, a Europa teve uma década de recessão e corremos o risco de ter o colapso do euro ou mesmo da própria União Europeia. Se há coisa que a Europa tem que resolver de vez, se se quiser manter, é a situação da Comissão Europeia. Ou a Comissão volta a ter a independência que teve no tempo de Delors ou a União Europeia pura e simplesmente acaba.  

Homem ao mar.


Luís Menezes Leitão,

 

Lê-se aqui que os próprios responsáveis germânicos estão agora a ser especialmente críticos perante a política de austeridade seguida pela Comissão Europeia  e pelo seu Presidente Durão Barroso. Parece que, depois do desastre de em Portugal se ter querido ser mais troikista que a troika, agora é Durão Barroso, que se especializou em ser mais germanófilo que os alemães, que vai ser por estes atirado borda fora. O padrão é típico. O mandante dá as ordens e quando as coisas não resultam, o mandatário é que é sacrificado como bode expiatório. Ainda vamos ouvir dizer que Angela Merkel e Wolfgang Schäuble sempre estiveram contra a austeridade e que ela só foi aplicada por exigência de Durão Barroso. Mas este é um justo castigo para uma Comissão Europeia que se esqueceu do seu papel de guardiã dos Tratados e tem sido apenas a voz de Berlim.

Dificuldades de comunicação


Ana Lima,

Perante esta imagem duas hipóteses se colocam: ou, numa tentativa de tornar mais compreensível a linguagem hermética das explicações dos homens de Bruxelas, Durão Barroso tem aproveitado o seu tempo para aprender língua gestual (tendo começado pela LGA, a alemã) e, a partir de agora, nas conferências de imprensa, enquanto Van Rompuy se exprime verbalmente, o presidente da Comissão Europeia acompanha-o, utilizando este outro sistema de comunicação; ou, por analogia com a publicidade a uma marca de iogurtes destinados ao público infantil, e num assomo de optimismo, embora desmentido pela sua expressão, mostra que “falta um bocadinho assim” para que se chegue a um acordo exequível.
Seja como for, nem com esta ajuda extra parece possível, ao cidadão comum, entender como vai este pacto contribuir para o crescimento e o emprego.

  

imagem aqui

Marcelo em campanha.


Luís Menezes Leitão,

 

A campanha de Marcelo Rebelo de Sousa à Presidência de República vai de vento em popa. Como todos os votos contam, porque não ir tentar pescar até no eleitorado do Bloco de Esquerda? Perante isto, como pode Durão Barroso responder? Aparecer numa sessão do MRPP, a recordar os seus gloriosos tempos de luta popular? Isto está a ficar cada vez mais engraçado.

Depois de Marcelo…


fiodeprumo,

 

“Não tenho vocação de polícia, mas as infelicidades estão a ser muito exploradas por gente ligada ao Governo”, referiu Manuel Alegre, sublinhando que recusa aderir ao “desporto de tiro ao Cavaco”.

 

Depois de Marcelo, proto candidato, que quer fazer concorrência a Durão Barroso, eventual futuro candidato, agora vem o ex-candidato Alegre dizer o mesmo?!

Hum! Cheira-me, como é evidente, a rato escondido com rabo de fora…  

O tiro ao Barroso.


Luís Menezes Leitão,

 

Marcelo Rebelo de Sousa já há dias tinha dado o seu tiro de partida como candidato presidencial. No seu comentário de ontem, a pretexto de criticar o que chamou de novo desporto nacional, o “tiro ao Cavaco”, o que na verdade fez foi um verdadeiro tiro a Durão Barroso. Este, o “eterno candidato a candidato” não seria capaz de meter na ordem os seus correligionários que, ao atacarem Cavaco daquela maneira, estariam no fundo a pôr em causa o prestígio da função presidencial, prestígio esse que naturalmente Marcelo tanto preza. Na verdade, ele já se assume como sucessor de Cavaco, capitalizando a seu favor os inúmeros erros políticos que este cometeu. É Marcelo quem manda os cavaquistas anónimos “desampararem a loja“. É Marcelo quem pede “compreensão” pelo facto de Cavaco “não estar preparado” para enfrentar uma manifestação hostil, enquanto Passos Coelho “teve tempo para se preparar“. E é Marcelo quem finalmente dá recados a Durão Barroso que, embora “eterno candidato a candidato” também não domina as suas hostes. É evidente que, pela amostra, as missas dominicais dos próximos quatro anos vão se transformar num autêntico espaço de campanha eleitoral “Marcelo à Presidência“.

 

Durão Barroso já tinha muitas dificuldades em ser candidato presidencial. Trocou a presidência do Governo pela da Comissão Europeia de uma forma precipitada, causando imensa desilusão aos portugueses, desilusão essa que se agravou com o colapso do Governo de Santana Lopes, escolha pessoal sua. Tendo conduzido bem o seu primeiro mandato na Comissão, foi apanhado na turbulência da crise financeira, tendo-se mostrado absolutamente incapaz de evitar o domínio da União pelo eixo franco-alemão. Assistiu nessa altura sem um protesto a um total apagamento da Comissão e por arrastamento ao surgir da possibilidade de ocorrer o fim do euro e da própria União Europeia. Se a crise continuar, é evidente que Durão Barroso não terá nenhumas hipóteses de ser eleito Presidente.

 

Durão Barroso está, porém, a tentar lançar a sua candidatura presidencial, tanto assim que apareceu há dias na Universidade Católica, dizendo que a Comissão está a fazer o seu trabalho, e que a Europa vai sair reforçada depois da crise, embora lamentando a situação de emergência social em Portugal. Foi isso e só isso que justificou o tiro de Marcelo. Assim, enquanto Cavaco acaba tristemente o seu mandato presidencial, nos próximos tempos vamos assistir a uma autêntica troca de galhardetes entre Marcelo e Barroso.

 

Quem se deve estar a rir com isto é Passos Coelho. Ontem em Gouveia aproveitou para dar mais uma ferroada em Cavaco. E vai assistir durante os próximos tempos a uma luta sem tréguas entre duas facções do PSD agrupadas em torno destes dois candidatos presidenciais assumidos, cabendo-lhe a ele arbitrar e decidir quem o partido apoiará. É difícil algum líder do PSD ter estado alguma vez em melhor situação política em relação a umas presidenciais.

As contradições de Durão Barroso.


Luís Menezes Leitão,

 

Uma das razões evidentes para estarmos a assistir ao descalabro da União Europeia reside no total apagamento da Comissão Europeia e do seu Presidente Durão Barroso. A Comissão deveria ser a guardiã dos Tratados, mas assiste passivamente à transferência do poder para um (formalmente dois) dos Estados-membros, que se permite até exigir um novo Tratado. Como aqui escrevi, um tratado imposto por um (vá lá, dois) dos Estados-Membros aos outros constitui na prática um Diktat, fazendo lembrar os acordos de Munique que resultaram no desmembramento do Estado checoslovaco. A União Europeia está assim a perder o seu cariz de União de Estados, passando a ser a imposição de sucessivos protectorados.

 

Ora, Durão Barroso deveria estar na primeira linha de combate contra esta situação. Infelizmente, no entanto, entra em sucessivas contradições, cedendo facilmente à mínima pressão alemã. Se não vejamos. Há uns tempos Durão Barroso anunciou que iria apresentar para breve propostas sobre eurobonds, tendo insistido nelas, e até se falou que haveria um braço-de-ferro entre ele e Angela Merkel. Se havia um braço-de-ferro ele perdeu-o, pois hoje já aparece alinhado com o discurso da chancelerina a dizer que “os eurobonds não são a resposta correcta para a crise” e que “só poderão existir a muito longo prazo”. Só que, como diria Keynes, a longo prazo estaremos todos mortos.

 

Mas há que reconhecer que ainda antes de ter tido lugar, a cimeira europeia foi um êxito estrondoso. Já se conseguiu que os países europeus e as instituições da União Europeia falem todos a uma só voz: é a voz de Berlim.

A recapitalização dos bancos.


Luís Menezes Leitão,

 

Justificadamente zangado com o facto de Angela Merkel e Nicolas Sarkozy terem proposto Herman Van Rompuy para liderar o governo económico europeu, Durão Barroso decidiu finalmente assumir as rédeas desse governo e avança agora para a solução da crise: uma acção coordenada de recapitalização dos bancos, que naturalmente terá que ser feita pelos Estados-Membros, ou seja, pelos contribuintes europeus. O objectivo é libertar os bancos dos activos tóxicos que estes lá foram metendo e que a todo o custo procuram esconder.

 

Portugal poderia explicar à Europa como se faz esta recapitalização dos bancos, pois tem uma magnífica experiência de uma recapitalização bancária de sucesso que foi o BPN. Os contribuintes portugueses recapitalizaram o referido banco em 6000 milhões de euros, tendo obtido um sucesso tão grande que já se conseguiu vender o banco pela extraordinária quantia de 40 milhões de euros, apenas com um pequeno encargo de lá colocar ainda uns adicionais 500 milhões de euros. Só se pode desejar que mil recapitalizações como esta floresçam por toda a Europa.

 

Alguém um dia há-de conseguir explicar porque é que os bancos são o único negócio que nunca pode falir. Se as empresas tomarem decisões de investimento erradas, vão implacavelmente à falência. Se forem os bancos, cá estarão os contribuintes para suportar os prejuízos. E toda a gente sabe o que isto significará no futuro para os contribuintes: aumentos de impostos, cortes de salários e perda de pensões. Até quando iremos continuar neste ciclo infernal?

Crise? Qual crise?


cronicasnofeminino,

Vinte e oito mil euros em quatro noites em Nova Iorque, trezentos mil euros em festas de luxo, deslocações em limusinas num custo de cento e dez mil euros, jóias compradas na Tiffanny´s, desconhece-se o valor gasto. No total foram oito milhões de euros. E desengane-se quem acha que tamanho desmiolanço foi obra de um sheik das Arábias ou um oligarca lá para o Leste da Europa, esbanjando euros como quem come tremoços ou se abalança num belo prato de caracóis. À cabeça desta comandita temos o portuguesíssimo, lusitaníssimo Durão Barroso e o resto dos implicados neste fantástico caso uma ‘coisa’ que dá pelo nome de Comissão Europeia.