Homem ao mar.


Luís Menezes Leitão,

 

Lê-se aqui que os próprios responsáveis germânicos estão agora a ser especialmente críticos perante a política de austeridade seguida pela Comissão Europeia  e pelo seu Presidente Durão Barroso. Parece que, depois do desastre de em Portugal se ter querido ser mais troikista que a troika, agora é Durão Barroso, que se especializou em ser mais germanófilo que os alemães, que vai ser por estes atirado borda fora. O padrão é típico. O mandante dá as ordens e quando as coisas não resultam, o mandatário é que é sacrificado como bode expiatório. Ainda vamos ouvir dizer que Angela Merkel e Wolfgang Schäuble sempre estiveram contra a austeridade e que ela só foi aplicada por exigência de Durão Barroso. Mas este é um justo castigo para uma Comissão Europeia que se esqueceu do seu papel de guardiã dos Tratados e tem sido apenas a voz de Berlim.

12 comentários em “Homem ao mar.”

  1. Nem mais.
    Começou a pensar como um alemão e esqueceu-se dos outros povos, mais pobres, mais infelizes, afinal onde geneticamente se deve incluir.
    Tem aquele tique que predomina nos portugueses de se submeterem a outros que julgam mais fortes e portadores de sabedoria.
    Deu-se mal, o nome dele vai ficar irremediavelmente ligado a esta enorme crise que assolou a Europa.

  2. Escrevi algures por aqui, pelo DO, que quando a Alemanha estivesse de joelhos o ciclo, ou o circo, seria concluído. Todavia, os alemães, que só sabem ser comandados e não comandantes, como sempre não se deram conta desta sua característica inata para serem autores sistemáticos de sua própria ruína e da dos outros. Creio que deve ser um gene imutável a causa desta compulsão.
    Contudo, por estas razões, não podemos deixar de ser críticos e apontar o dedo a outras questões também substantivas na natureza de outros povos. No caso nacional, o gene imutável leva por nome infantilidade e autoritarismo destituído de autoridade substantiva e sabedora. Por isto mesmo, por este gene tradicional, os modelos em que nos fixamos são precisamente o da tradição. A nossa inabilidade para a inovação provém exactamente desta realidade e não por causa da diminuição de atributos que permitam atingir outras realidades, isto é: a razão castradora do avanço da nação reside precisamente nesta negação de não crescer, de sermos responsáveis pelo nosso próprio destino, e no autoritarismo que não deixa crescer. É uma infantilidade e autoritarismo manipulador, de birras, de marialvismo e com um paternalismo doentio. Esta atitude é vertida nos modelos familiares, empresariais, académicos (com excepções notáveis), sociais e, consequentemente, políticos.
    A nossa arte de inovar reside somente na transferência e/ou substituição de cabeças para que a tradição se mantenha. A cultura da responsabilidade, aqui, passa sempre por atribuir aos outros a razão de nossas falhas, modelo que os alemães também pretendem seguir relativamente a Barroso.
    Mas se isto é verdade, não menos verdade é que sempre tivemos uma vaidade intrínseca para nos colarmos a quem pensamos ter poder, para podermos demonstrar, revelar e endeusar o poder que não temos. Aqui chegados, podemos usar como figuras contemporâneas desta realidade as seguintes personagens: Sócrates, Passos e Vítor Gaspar, sendo que estes dois últimos, para confirmar também o modelo paternalista que se deseja ao falhar, agora lá se colocam sob as asas do PR. E o PR confirma o modelo caduco do paternalismo que sempre “matou”.
    Reage, povo, mas não batas mais na mãe; bate em ti e na tua acomodação.

  3. Pois era lá por casa que deveriam começar.E não têm nome,cargo,esses “responsáveis”?Se não erro contava o embaixador Matias de um encontro com Salazar em que lhe pedira para alterar determinada lei e este lhe observara:–Não se pode,Matias,é a lei.Ao que o embaixador retorquira:–Mas a Lei é o sr. dr. que a faz!
    Não conheço o desfecho da conversa.
    A notícia cheira-me a esturro.

  4. Berlim não paga aos traidores.
    O Gasparzinho ainda vai acabar mal também.
    O outro, o Coelho é tão irrelevante que vai ter bater novamente à porta do padrinho Correia.

  5. Por aqui um corolário de opiniões já esperadas daqueles que nos levaram onde estamos.
    E vamos continuar.
    Aliás os comentadores acima não estarão descansados enquanto isto não for uma Argentina ou Venezuela.
    Na menos má das hipóteses.

      1. E além do petróleo têm território,agricultura,outras matérias-primas e acima de tudo a desgraça da sucessão de demagogos alternando com ditadores ao longo de décadas.Não sei como é que o “boa-sorte”ensacou todos os comentadores no chavismo.

      2. Heheh.
        Pois, algo que seja grátis e que substitua os 10% do PIB a cada ano que este regime socialista pede emprestado.
        Pedir só 5% do PIB emprestado(= 10% do que gasta o Estado) é pouco…

        Depois teremos apagões sucessivos como na Venezuela e Argentina e falta de produtos nas prateleiras.
        A fartura na mão de tontos não dá bom resultado.

        1. Tem razão, Lucky.
          Usam-se sempre as mesmas receitas de infecção económica externa… como diriam os famosos Rogoff e Reinhart, há oito séculos!
          Receitas tão ou mais velhas quanto as receitas da doçaria conventual, e ainda apreciadas.
          Mas, atenção, hoje sabe-se dos danos colosteróis.

          1. Só uma pequena chamada de atenção nesta troca interessante de comentários, que muito me divertiu e à qual nada tenho a acrescentar ou a opor: as receitas de doçaria conventual não são assim tão antigas. Bem fez, caro da Maia, ao escrever “tão ou mais velhas” (as outras). As receitas da doçaria conventual não são tão velhas quanto o país. Também não sei ao certo, mas diria que terão o seu embrião lá para o Renascimento…

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *