O moço de recados.


Luís Menezes Leitão,

 

Parece que o Primeiro-Ministro francês diz que Durão Barroso “só tem que aplicar as decisões” do Conselho, “mais nada”. Durão Barroso é assim visto pelos membros do Conselho como um simples moço de recados. A independência da Comissão e o seu papel de guardiã dos Tratados foram desta forma reduzidos a zero.

 

O balanço de Durão Barroso à frente da Comissão Europeia não podia ter sido mais negativo: a independência da Comissão ficou em cacos, a Europa teve uma década de recessão e corremos o risco de ter o colapso do euro ou mesmo da própria União Europeia. Se há coisa que a Europa tem que resolver de vez, se se quiser manter, é a situação da Comissão Europeia. Ou a Comissão volta a ter a independência que teve no tempo de Delors ou a União Europeia pura e simplesmente acaba.  

3 comentários em “O moço de recados.”

  1. Tive oportunidade de afirmar em um de seus posts que o que aí vinha seria a imputação de responsabilidades a equívocos provenientes de burocratas em Bruxelas. Pretendi somente, usando a expressão “equívoco”, antecipar-me num alerta sobre o que agora se diz.
    Todos sabemos que quer os governantes franceses quer os governantes alemães, no conceito deles, são pessoas altamente inteligentes e plenos da Sabedoria suprema. E sabendo eles que podem tirar vantagens um do outro outro, porque um paga e o outro oferece músculo, lá vão prosseguindo sua estratégia de grande sabedoria (quem tiver olhos, veja; e quem tiver ouvidos, escute).
    A falsa denúncia de responsabilidades plenas aos órgãos de Bruxelas mais não passa de uma manobra para que se atinja, por parte destes, a posse plena das estruturas europeias.
    Um dos graves problemas em Portugal é o facto de termos uma classe que internamente se julga a origem da Sabedoria e nas arenas externas se comportarem de acordo com o que na realidade são, ou seja, o contrário do que pretendem parecer no país. Por isto mesmo este é um país do parece.
    O único factor que me alegra é precisamente a onda de revolta que começa a ocorrer em toda a parte, e em particular nos países que se dizia apresentarem maior estabilidade para o crescimento de outros. E o que me alegra não é a violência, mas sim as portas que se fecham a estratégias de fuga originando, assim, que ninguém mais fuja dos problemas que tem de enfrentar em sua própria casa.
    Virá aí um tempo de grandes perturbações, ainda bem. Ainda bem porque as perturbações originam a consciência que todos somos responsáveis por um destino comum.
    Tenho sido crítico em relação a muitos, é imperdoável o que Sócrates, Passos, Gaspar e outros têm feito, mas também outros antes destes, mas também todos nós com estes, porém, chegou a hora de vos dizer que ou nos unimos agora, criando um pacto nacional, incluindo todos os partidos da oposição, Todos, mas união que não seja para prosseguir com as políticas criminosas até agora executadas, ou pereceremos às mãos de estrategas externos dementes e doentes.
    Passos e Gaspar, na sua política do ir mais longe e do vale tudo, retiraram a sutentabilidade negocial que tinhamos, isto é, produziamos o suficiente para comer mas não para pagar as dívidas; destruindo a suficiência destruiu-se a capacidade negocial.
    Quanto a Durão, eu até que o comprendo. O homem disse que Portugal estava de tanga, mas como ele tem bastante pudor em ver as partes intímas dos outros decidiu evitar o pecado voando para Bruxelas.

  2. Luís, o exercício é tão fácil de fazer.
    Está bem de ver que um homem que foge de Portugal com o rabo entre as pernas, sem conseguir governar, este pequeno “rectângulo”, como é que conseguiria governar a Europa? até uma criança consegue fazer este raciocínio.
    Bom na verdade o que a Alemanha e a França queriam, não era um chefe, era um ” lambe botas ” que lhes fizessem os recadinhos.
    Ele vai sair do cargo com uma enorme mancha no currículo, deixando a Europa de tanga, o que não me causa nenhuma espécie de regozijo, pois sou Portuguesa.

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