Facto internacional de 2016


Pedro Correia,
 

brexit_rede_life_0[1].jpg

 

BREXIT

Os acontecimentos a nível internacional, tão voláteis e condicionados pelas mais recentes manchetes da imprensa, nem sempre tornam fácil seleccionar um facto que seja capaz de dominar o ano. Talvez isto explique que acontecimentos como a inédita visita de Barack Obama a Cuba ocorrida em Março – a primeira de um Chefe do Estado norte-americano ali desde 1928 – que demoliu a penúltima fronteira da Guerra Fria (a última é a do conflito coreano, ainda sem solução à vista) não tivesse sido mencionada na generalidade dos balanços de 2016.

Outra omissão espantosa é a do processo que conduziu à impugnação e destituição da primeira mulher que ascendeu à presidência do Brasil. Dilma Rousseff, acusada de abuso do poder no exercício das funções, foi alvo de votações na Câmara dos Deputados e no Senado que em Maio a forçaram a renunciar ao cargo, tendo o seu vice-presidente – Michel Temer, com quem estava de relações cortadas há bastante tempo – assumido a presidência. Foi já ele a inaugurar em Agosto os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que motivaram muitos protestos.

Nos três primeiros trimestres de 2016, o Brasil foi sacudido por manifestações, anti-Dilma e anti-Temer. Passados escassos meses, tudo isto parece ter sucedido há uma eternidade. O que reflecte a intensidade noticiosa a que somos sujeitos no nosso quotidiano.

 

Apesar disso, nem tudo se dissolve em espuma. É o caso do Brexit – o referendo ocorrido a 23 de Junho nas ilhas britânicas que determinou, embora por escassa margem (51,8% contra 48,2%), a saída do Reino Unido da União Europeia, 43 anos após ter ingressado no que então se chamava Comunidade Económica Europeia. Este foi o Facto Internacional de 2016, eleito pela maioria dos autores do DELITO DE OPINIÃO (27 participámos neste escrutínio, em que podíamos eleger mais de um acontecimento, os restantes quatro não se pronunciaram). Um facto tão importante que não deixará de ter sérias repercussões em 2017.

Aliás, o próprio substantivo Brexit (neologismo formado a partir de Britain, Grã-Bretanha no idioma original, e exit, que significa saída em inglês) figurou entre as palavras do ano em Portugal, após geringonça, vocábulo que permanecia envolto em poeira e foi desenterrado desde que o actual Executivo socialista iniciou funções.

 

O polémico referendo britânico mereceu 14 votos nossos, superando outros acontecimentos no plano internacional, como a guerra na Síria, que se arrasta desde 2011 e já foi Facto do Ano em 2013 no nosso blogue (seis votos), as eleições nos Estados Unidos da América (três votos), os acordos de paz na Colômbia de algum modo postos em causa pelo  referendo ocorrido em Outubro, a crise dos refugiados, que havíamos elegido em 2015, o putinismo em ascensão e a controversa atribuição do Nobel da Literatura a Bob Dylan.

Para o ano há mais.

 

Facto internacional de 2010: revelações da Wikileaks

Facto internacional de 2011: revoltas no mundo árabe

Facto internacional de 2013: guerra civil na Síria

Facto internacional de 2014: o terror do “Estado Islâmico”

Facto internacional de 2015: a crise dos refugiados 

Facto nacional de 2016


Pedro Correia,

portugal euro[1].jpg

 

PORTUGAL CONQUISTA EUROPEU DE FUTEBOL

Tínhamos tudo contra nós. Jogávamos em casa da selecção adversária, perante um público maioritariamente hostil e tradicionalmente muito arrogante. Éramos apontados como “patinho feio” em todas as casas de apostas desportivas. Para cúmulo, vimos o nosso melhor jogador – e melhor jogador do mundo – inutilizado a partir do minuto 8 por falta que o árbitro entendeu não assinalar.

Mas soubemos resistir a todas as adversidades. Abdicámos do tradicional futebol-espectáculo que durante décadas nada mais nos propiciou senão umas quantas “vitórias morais” e trouxemos para Portugal  o mais cobiçado troféu até hoje conquistado pelo futebol português: o Campeonato da Europa ao nível de selecções seniores, arrebatado na épica final do Parque dos Príncipes, em Paris.

A conquista do Euro-2016 foi considerada o Facto Nacional do Ano pelo DELITO DE OPINIÃO, numa votação que congregou 27 dos 31 membros deste blogue e em que era possível eleger mais de um tema, como é costume entre nós, ano após ano.

 

Não faltaram desde o início os profetas da desgraça ao nível do comentário desportivo, prontos a vaticinar o desaire da equipa das quinas em geral e do seleccionador Fernando Santos em particular.

Indiferente às aves agoirentas, a selecção trilhou a sua rota ascendente, passo a passo, com persistência, sem nunca perder: 1-1 com a Islândia, 0-0 com a Áustria, 3-3 com a Hungria, 1-0 com a Croácia, 1-1 com a Polónia (vitória no desempate por penáltis), 2-0 com o País de Gales e 1-0 na final de 10 de Julho frente à anfitriã, França.

Cristiano Ronaldo (3), Nani (3), Renato Sanches, Quaresma e Éder marcaram os golos portugueses. Rui Patrício foi designado melhor guarda-redes deste torneio que nos encheu de orgulho e júbilo.

Motivos redobrados para todos festejarmos o maior título de sempre do futebol português. Mesmo aqueles que não costumam ser grandes apreciadores de futebol.

 

Aos 14 votos que recaíram no Euro-2016 seguiram-se cinco nas trapalhadas da Caixa Geral de Depósitos, nas suas diversas versões, que se sucederam ao longo do ano e ainda não terminaram.

O terceiro facto nacional mais mencionado – com quatro votos – foi o sucesso da geringonça, contrariando muitos prognósticos.

Houve ainda referências ao aumento do turismo em Portugal (dois votos), ao processo de “reversões e crescimento” capitaneado pelo Governo, à generalização da oferta da Uber em Lisboa e ao facto de a Câmara Municipal de Mafra ter enterrado a antiga polémica com José Saramago, falecido em 2010.

 

Facto nacional de 2010: crise financeira

Facto nacional de 2011: chegada da troika a Portugal

Facto nacional de 2013: crise política de Julho

Facto nacional de 2014: derrocada do Grupo Espírito Santo

Facto nacional de 2015: acordos parlamentares à esquerda

Figura internacional de 2016


Pedro Correia,

                  

483208412-real-estate-tycoon-donald-trump-flashes-

 

DONALD TRUMP 

O magnata novaiorquino surpreendeu tudo e todos. Contrariou sondagens e as sofisticadas análises dos comentadores políticos – não só nos Estados Unidos mas também em Portugal, onde chegou a haver gente a escrever e publicar peças jornalísticas considerando-o antecipadamente derrotado na corrida eleitoral para a sucessão de Barack Obama como inquilino da Casa Branca.

À partida, de facto, quase ninguém dava nada por ele: anteviam-no apenas como animador da campanha com a sua atitude nada diplomática, digna de elefante em loja de porcelanas. Mas Donald Trump foi derrubando sucessivas barreiras, desde logo nas primárias republicanas, em que enfrentou grande parte do establishment do seu partido, incluindo os ex-presidentes George Bush e George W. Bush e os antigos candidatos presidenciais John McCain e Mitt Romney: todos se demarcaram dele desde o primeiro instante.

Apesar disso – ou por causa disso – acabou por emergir vitorioso nas primárias, derrotando antagonistas que comprovaram ser tigres de papel, como Jeb Bush, Marco Rubio e Ted Cruz. Com uma mensagem linear e populista, e uma utilização maciça das redes sociais, centrou o seu discurso contra a oligarquia de Washington, a imigração ilegal e o terrorismo, apelando ao proteccionismo económico e ao apaziguamento com Moscovo.

Linhas discursivas que repetiu na contenda com Hillary Clinton, sua adversária do Partido Democrata, que viria a derrotar nas urnas em Novembro. Conquistando maioria no colégio eleitoral, graças às peculiares regras vigentes nos Estados Unidos, embora tivesse menos cerca de três milhões de votos do que Hillary no voto popular.

Vai tomar posse já no próximo dia 20, entre vaticínios generalizados de uma presidência desastrosa. Paradoxalmente, este é talvez o único ponto que à partida o favorece: as expectativas iniciais para o seu mandato serem tão baixas.

Na votação do DELITO, que mobilizou 27 dos 31 autores deste blogue, o novo Presidente eleito dos EUA ganhou por maioria absoluta: teve 21 votos no escrutínio para Figura Internacional do Ano.

Os restantes seis foram distribuídos pela chanceler alemã Angela Merkel (já aqui vencedora em 2010, 2011 e 2015), com três votos, o Presidente russo Vladimir Putin, o Presidente filipino Rodrigo Duterte e o cantautor Bob Dylan, controverso galardoado com o Nobel da Literatura.

 

Figuras internacionais de 2010: Angela Merkel e Julian Assange

Figura internacional de 2011: Angela Merkel 

Figura internacional de 2013: Papa Francisco

Figura internacional de 2014: Papa Francisco

Figuras internacionais de 2015: Angela Merkel e Aung San Suu Kyi

 

Figura nacional de 2016


Pedro Correia,

1078277[1].jpg

 

ANTÓNIO GUTERRES

Nunca um político português atingiu um posto tão relevante a nível internacional: António Guterres superou as exigentes provas a que foi submetido e foi eleito secretário-geral da ONU em Dezembro, tendo prestado juramento mesmo à beira do fim do ano.

É a consagração máxima na carreira do ex-secretário-geral do Partido Socialista, que exerceu as funções de primeiro-ministro entre 1995 e 2002, e desde então só regressou ao palco da política portuguesa por breves meses, quando Marcelo Rebelo de Sousa o convidou para conselheiro de Estado.

Ironias do destino: há dois anos era ele o nome mais falado para representar o PS na corrida presidencial. Afinal quem chegou a Belém foi o seu amigo e adversário político Marcelo, enquanto ele rumou a Nova Iorque. Para ascender a secretário-geral da ONU muito contou o seu bom desempenho anterior como alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

Guterres foi eleito Figura Nacional do Ano pelo DELITO DE OPINIÃO num dos nossos escrutínios mais concorridos de sempre, que contou com a participação de 27 dos 31 autores deste blogue. Como já sucedeu noutros anos, cada um de nós poderia votar em mais de uma figura ou mais de um facto.

Mesmo sendo só notícia no último trimestre de 2016, o novo dirigente máximo da ONU destacou-se como favorito nas nossas escolhas: recebeu 15 votos, relegando para um distante segundo posto Marcelo Rebelo de Sousa. Eleito Presidente da República logo à primeira volta, a 24 de Janeiro, empossado em 9 de Março como inquilino de Belém e figura em foco durante o ano em Portugal, Marcelo só obteve sete votos.

Ainda mais distantes, ficaram duas figuras do futebol: o seleccionador nacional Fernando Santos, que entre 10 de Junho e 10 de Julho conduziu a equipa das quinas à conquista do Campeonato Europa, a maior proeza de sempre do futebol português, e o jogador Éder, que marcou o golo decisivo do nosso triunfo na final disputada em Paris frente à selecção francesa. Ambos receberam dois votos.

Cristiano Ronaldo – que também se sagrou campeão em França e recebeu a quarta Bola de Ouro da sua carreira – recebeu um voto solitário. Tal como a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins.

 

Figura nacional de 2010: José Mourinho

Figura nacional de 2011: Vítor Gaspar

Figura nacional de 2013: Rui Moreira

Figura nacional de 2014: Carlos Alexandre

Figura nacional de 2015: António Costa

 

Balanço das Leituras de 2016


tralhasdavida,

balanço 2016.jpg

 

O ano começou com Butcher’s Crossing de John Williams. Confesso que só me atirei ao livro porque me tinha rendido a Stoner uns meses antes. Stoner é um livro triste, mas lindíssimo, dos que só quem conhece os meandros do coração humano pode escrever.

Já Burcher’s Crossing é de uma violência atroz. Seria natural tê-lo deixado a meio pelo incómodo que me causou, mas está tão bem escrito que ficamos rendidos pelas páginas fora. É um “livro de rapazes”, à moda dos cowboys americanos, que vai ao fundo da cobiça humana e que nos destrói pelo caminho.

 

Disse-me Um Adivinho, de Ticiano Terzani, foi outra leitura improvável. Não tenho grande paciência para zodíacos, oráculos e afins. Mas foi-me tão recomendado que cedi e acabei por me render. Provavelmente porque o próprio autor era também um céptico relativamente a estas questões e, tendo mudado um ano da sua vida por causa de uma profecia, escreve sempre no fio da navalha da crença. Correspondente na Ásia de um jornal alemão, Ticiano Terzani um dia consulta um adivinho que lhe diz que em 1993 não pode voar, ou que algo de trágico lhe acontecerá. Não sendo crente, encara a profecia como um desafio para ter um ano diferente, pelo que resolve fazer todos os seus trajectos por terra. E é assim que vamos viajando por diferentes países asiáticos, dos quais ficamos a conhecer as entranhas, e entramos no misterioso mundo dos adivinhos orientais, que por vezes soam a charlatões e que, por outras, são verdadeiros magos.

 

Ham on Rye (julgo que “Pão com Fiambre” na versão portuguesa) de Bukowski foi uma das grandes leituras do ano. Já conhecia a versão adulta desbocada de Bukowski, mas nada sabia sobre a sua infância e adolescência. Ham on Rye é uma biografia dos seus verdes anos e uma peça essencial para perceber quem é o autor.

 

A Vida no Campo, de Joel Neto, foi encetado num voo para o Pico. Não podia ter escolhido melhor companhia. Trata-se de um conjunto de deliciosas crónicas de um açoriano que volta a morar nos Açores depois de vários anos em Lisboa. A visão de quem já esteve fora e consegue apreciar todas as pequenas idiossincrasias dos seus conterrâneos.

Muito bem escrito, com um pingar de ternura que não chega a ser lamechas.

 

Doce Carícia de William Boyd é o livro com os mais desadequados título e capa que já vi na vida. Quem passar por um escaparate pensará que se trata de um livro para oferecer à avó. Não sendo um Nobel, é um excelente livro de férias, que conta a história de vida de uma repórter de guerra. Às vezes até nos esquecemos que é ficção.

 

Fecho o balanço do ano com O Meu Nome É Lucy Barton de Elisabeth Strout. Há livros cuja história não consigo reproduzir porque não me fica na memória. Mas fica a sensação que me deixaram. Este é um desses casos, em que é inútil reproduzir a sinopse porque não é disso que se trata. Claro que me lembro que é a história de uma mulher que está numa cama de hospital e cuja mãe, que nunca foi particularmente afectuosa, a vai visitar. Mas nada disto faz adivinhar a ternura que nos invade ao passar de cada página e a vontade que temos de que o livro nunca acabe porque nos está a fazer uma companhia dos diabos.

 

O homem imperfeito


Pedro Correia,

201405051425x6F31[1].jpg

 

Releio a previsão feita em 2010 por um politólogo doméstico sobre o “maior risco” de um Cavaco Silva em vias de reeleição para um segundo mandato em Belém: o reforço da componente presidencial do sistema político português. Como tantas vezes acontece, esta previsão falhou. Cavaco foi, pelo contrário, o Chefe do Estado com uma visão mais restritiva dos seus poderes, reconfigurando o imperfeito “semipresidencialismo” desenhado na Constituição. Dez anos depois de ele ter tomado posse para o primeiro mandato, o Parlamento funciona hoje como centro da nossa vida política, um pouco à semelhança do que sucedia na I República – característica que os constituintes de 1976 procuraram evitar. Com manifesto insucesso, como se comprova.

Cavaco Silva não foi cesarista nem bonapartista, como tantos temiam: nenhum dos seus defeitos rondaram por aí. A incapacidade de estender pontes para além da sua família política de origem e uma chocante insensibilidade social, tornada bem evidente na lamentável declaração que proferiu em 2012 sobre a suposta falta de recursos do casal presidencial para fazer face às despesas foram os pontos mais negativos do consulado cavaquista em Belém. Um longo período que, somado à década de permanência em São Bento como primeiro-ministro e ao ano em que foi ministro das Finanças com Sá Carneiro, tornaram Aníbal Cavaco Silva o cidadão durante mais tempo em funções em cargos políticos no actual regime.

 

Tímido, ensimesmado, sem dotes oratórios nem carisma pessoal, Cavaco nunca deixou no entanto de manter uma sólida legião de adeptos – aliás expressa nas quatro eleições que venceu por maioria absoluta, em 1987, 1991, 2006 e 2011, meta que nenhum outro político alcançou entre nós. Consequência da sua austera e esquálida figura, que tão bem caiu inicialmente no imaginário lusitano, da reputação que granjeou como especialista em finanças públicas e da associação empírica do seu mandato governamental aos anos de maior prosperidade da anémica economia nacional, em boa parte fruto da nossa adesão à Comunidade Europeia e aos 110 mil milhões de euros em fundos estruturais que ela até hoje nos proporcionou. A primeira “década cavaquista” tornou o País irreconhecível, facto que a posteridade não deixará de reconhecer.

Faltou-lhe, já como inquilino de Belém, estabelecer a ligação afectiva com os portugueses que muito esperam sempre de um Presidente, como sucedâneo dos monarcas ancestrais que deixaram bom rasto na memória colectiva. Relação ainda mais necessária em tempo de penúria financeira e crise social – aqui Cavaco faltou à chamada e muitos não lhe perdoaram a frieza e a distância que manifestamente revelou.

 

Creio no entanto que os historiadores futuros preferirão salientar, do seu duplo mandato em Belém, o facto de representar a ascensão do homem comum ao supremo patamar da hierarquia política portuguesa, devidamente mandatado pelo sufrágio universal. Cavaco Silva foi o primeiro Presidente civil não oriundo das endogâmicas famílias políticas da classe média-alta lisboeta que em regra se vão revezando nos circuitos da decisão. Homem da província, com raízes humildes, funcionou como personificação viva das virtudes e defeitos da democracia, um sistema em que o elevador social funciona e supera as delimitações territoriais dos clãs dominantes.

Neste sentido prestou um bom serviço ao regime democrático – incipiente e frágil mas superior a qualquer outro. Por definição, o regime dos  homens imperfeitos. Porque a perfeição, a que tantos aspiram, na política só existe em ditadura.

Presidenciais (27)


Pedro Correia,

 

 

DEBATES: O MEU BALANÇO

 

Foram 21 debates televisivos a dois, em três canais. Acompanhei-os todos e nunca deixei de apontar um vencedor. Fica agora o balanço.

Paulo de Morais venceu cinco. Contra Belém, Marisa, Edgar, Nóvoa e Marcelo.

 

Marisa Matias venceu também cinco. Contra Nóvoa, Belém, Marcelo, Neto e Edgar.

 

Henrique Neto venceu outros cinco. Contra Edgar, Nóvoa, Marcelo, Belém e Morais.

Marcelo Rebelo de Sousa venceu três. Contra Edgar, Nóvoa e Belém.

 

Sampaio da Nóvoa venceu dois. Contra Edgar e Belém.

 

Edgar Silva venceu um. Contra Belém.

 

Maria de Belém não venceu nenhum.

 

Frase internacional de 2015


Pedro Correia,

Je_Suis_Charlie_Wide[1].jpg

 

«Je suis Charlie.»

Palavra de ordem em Paris após os atentados de 7 de Janeiro

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

 

Também mereceu destaque esta frase:

 

………………………………….…………………….. 

 

Frase internacional de 2013: «Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo.» 

Frase internacional de 2014: «Somos todos americanos.»

Frase nacional de 2015


Pedro Correia,

Maria-Luis-Albuquerque[1].jpg

 

«Temos os cofres cheios.»

Maria Luís Albuquerque

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

 

Também mereceram destaque estas frases:

Arnaldo Matos

………………………………………………………… 

 

Frase nacional de 2010: «O povo tem de sofrer as crises como o governo as sofre.»

Frase nacional de 2011: «Estou-me marimbando para os nossos credores.»

Frase nacional de 2013: «Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.» 

Frase nacional de 2014: «Sinto-me mais livre que nunca.»

Facto internacional de 2015


Pedro Correia,

 6409bd912d8b4941a64da233081705da_18[1].jpg

 

A CRISE DOS REFUGIADOS

Mais de um milhão de desalojados de guerra ou emigrantes impulsionados pela crise económica – oriundos do continente africano, do Médio Oriente e até de paragens mais longínquas como o Bangladeche e o Afeganistão – acorreram em 2015 à Europa, procurando neste continente santuário e asilo. O país mais desejado, na rota da esmagadora maioria destas pessoas, todas contempladas com o duvidoso rótulo mediático de “migrantes”, foi a Alemanha, o que tem suscitado ampla polémica no país. Com o aparecimento de movimentos como o Pégida e contestação aberta, nas próprias fileiras democratas-cristãs, à chanceler Angela Merkel, que proclamou Berlim e outras urbes germânicas como “cidades abertas” ao fluxo de refugiados.

A maioria destas pessoas foge da sangrenta guerra civil da Síria, que já provocou mais de 250 mil mortos em quatro anos e pelo menos quatro milhões de exilados, em grande parte concentrados em campos improvisados nos países limítrofes – Líbano, Jordânia e Turquia. A somar-se à guerra ocorreu em 2015 a ocupação de cerca de um terço de território sírio pelas hordas do Daesh, que ali impõem a lei do terror – que visa sobretudo a forte minoria cristã da Síria, avaliada em cerca de 10% da população.

A crise dos refugiados, presente em todos os debates políticos europeus, foi o facto internacional do ano, segundo o critério do DELITO DE OPINIÃO. Na eleição, em que participaram 23 autores deste blogue (que podiam votar em mais de um tema), este recebeu 17 votos, seguindo-se o fundamentalismo do chamado “Estado Islâmico” (já eleito facto internacional de 2014), com sete votos. 

Apenas dois outros acontecimentos de 2015 receberam votos solitários: o restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos e a possível cura contra o cancro realizada por investigadores da Universidade de Copenhaga. Boas notícias que infelizmente não bastaram para ofuscar as más.

 

Facto internacional de 2010: revelações da Wikileaks

Facto internacional de 2011: revoltas no mundo árabe

Facto internacional de 2013: guerra civil na Síria

Facto internacional de 2014: o terror do “Estado Islâmico”

 

Facto nacional de 2015


Pedro Correia,

9af70a0104d5e441c5f3265389b52b6a-783x450[1].jpg

 

ACORDOS PARLAMENTARES À ESQUERDA

O facto nacional do ano – reconhecido por gente das mais diversas tendências políticas – foi a celebração de acordos entre António Costa e os líderes dos partidos situados à sua esquerda (BE, PCP e PEV) que permitiram ao PS formar Governo, empossado a 26 de Novembro.

Costa já havia referido, na campanha para as eleições legislativas de 4 de Outubro, a sua intenção de alargar o chamado “arco da governação” para incluir nele os comunistas e bloquistas, geralmente encarados apenas como militantes de partidos de protesto.

Os acordos de incidência parlamentar assinados a 10 de Novembro – em separado e sem a presença de jornalistas, numa sala fechada da Assembleia da República – permitiram a investidura de Costa como sucessor de Passos Coelho nas funções de primeiro-ministro, ainda que tivesse sido este o vencedor das legislativas, por maioria relativa. E mereceram o destaque do DELITO DE OPINIÃO, com 13 votos entre os 23 autores do nosso blogue que participaram nesta escolha (podendo cada um votar em mais que um tema).

 

O segundo acontecimento nacional mais mencionado (8 votos) foi a entrada em funções do XXI Governo Constitucional, que trouxe de regresso os socialistas ao poder, quatro anos depois.

Seguiram-se votos solitários nos seguintes factos: a polémica dos cartazes do PS durante a pré-campanha das legislativas; a “saída limpa” do programa de ajustamento financeiro; os 27 dias que marcaram a curtíssima duração do XX Governo Constitucional, liderado por Passos Coelho; a conquista do bicampeonato pelo Benfica; e a polémica transferência de Jorge Jesus para o Sporting.

 

Para o ano há mais votações. E talvez também mais transferências.

 

Facto nacional de 2010: crise financeira

Facto nacional de 2011: chegada da troika a Portugal

Facto nacional de 2013: crise política de Julho

Facto nacional de 2014: derrocada do Grupo Espírito Santo

Figuras internacionais de 2015


Pedro Correia,

   

                bundeskanzlerin_angela_merkel[1].jpg screen-capture-4-46-e2188[1].png 

 

ANGELA MERKEL e AUNG SAN SUU KYI

 

Duas mulheres foram eleitas Figuras Internacionais do ano pelo DELITO DE OPINIÃO: a chanceler alemã Angela Merkel (que já tinha sido escolhida em 2010 e 2011) e a Nobel da Paz birmanesa Aung San Suu Kyi.

A primeira, entre outros motivos, por ter enfrentado sectores alargados da opinião pública germânica que se opõem à entrada de refugiados no país: a Alemanha recebeu já cerca de um milhão, liderando de longe os países europeus no acolhimento aos desalojados do Médio Oriente e do Magrebe que fogem a zonas de guerra e à pobreza económica.

A segunda por ter conduzido a sua Liga Nacional para a Democracia a uma indiscutível vitória nas urnas, com 77% dos votos nas legislativas de Novembro, pondo fim a mais de meio século de ditadura militar na Birmânia. Uma luta em que se envolveu sempre por métodos pacíficos e lhe valeu mais de vinte anos em regime de prisão domiciliária.

 

Como é costume nestas votações anuais, as opiniões dividiram-se bastante. Merkel e Aung receberam cinco votos cada dos 23 participantes neste escrutínio, que podiam votar em mais de um nome.

Com três votos ficaram o ex-ministro grego das Finanças, Yannis Varoufakis (de quem muitos já mal se recordam nestes tempos tão voláteis) e Aylan Kurdi, o menino curdo de três anos que morreu por afogamento quando acompanhava o pai, entre outros refugiados oriundos da Síria, em demanda de uma praia turca. A dramática fotografia da criança morta deu a volta ao mundo.

Com dois votos ficou o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras, muito mencionado nas notícias do início de 2015 mas que foi perdendo destaque ao longo do ano.

Depois houve votos solitários dispersos por diversas figuras: o Papa Francisco (eleito pelo DELITO nos dois anos anteriores), Barack Obama, Donald Trump, Marine Le Pen, o lider nacionalista polaco Jaroslaw Kaczyński, o refugiado sírio Laith Majid (cuja imagem de lágrimas nos olhos, com o filho ao colo, também deu a volta ao mundo), Nicolas Catinat (assassinado no Bataclan, a 13 de Novembro, depois de ter servido de escudo humano numa atitude heróica) e o Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia (galardoado com o Nobel da Paz 2015).

 

Figuras internacionais de 2010: Angela Merkel e Julian Assange

Figura internacional de 2011: Angela Merkel 

Figura internacional de 2013: Papa Francisco

Figura internacional de 2014: Papa Francisco

 

Figura nacional de 2015


Pedro Correia,

606x340_317652[1].jpg

 

ANTÓNIO COSTA

Não venceu a eleição legislativa de 4 de Outubro, ganha pela coligação PSD/CDS, mas foi o triunfador indiscutível no campeonato das negociações que se seguiram ao escrutínio, marcado pela ausência de maiorias absolutas.

António Costa, que em Junho de 2014 decidira disputar a liderança de António José Seguro no PS por lhe ter parecido “poucochinho” o triunfo eleitoral dos socialistas nas europeias, aguentou-se ao leme do Largo do Rato após as legislativas, transformando uma derrota nas urnas em vitória política ao conseguir congregar o apoio do Bloco de Esquerda, do Partido Comunista e dos Verdes para um Governo socialista, que acabou por tomar posse a 26 de Novembro.

Um acordo inédito na democracia portuguesa. Por isso o DELITO DE OPINIÃO escolheu Costa como Figura Nacional do Ano.

Durante semanas, o seu nome e o seu rosto foram associados ao adjectivo “histórico” por uma legião de comentadores nas televisões e nos jornais. Mas Costa, melhor que ninguém, está consciente da fragilidade da solução política que protagoniza – o que ficou bem patente no chumbo dos partidos à esquerda do PS ao orçamento rectificativo apresentado pelo Executivo, só aprovado graças à abstenção do PSD na sessão parlamentar de 23 de Dezembro. Em termos políticos, o ano que agora começa promete ser escaldante.

 

Costa obteve 14 votos entre os 23 membros do DELITO que participaram neste escrutínio (podendo cada um escolher mais que um nome). Em segundo lugar, com quatro votos, ficou Jorge Jesus, protagonista da mais polémica notícia de 2015 a nível nacional – ou pelo menos a que fez correr mais tinta nos jornais: a sua transferência do Benfica para o Sporting, anunciada em Junho. Algo semelhante ocorrera apenas uma vez, no remoto ano de 1930.

 

Os restantes votos dispersaram-se, solitários, por nomes bem conhecidos da política nacional: Cavaco Silva, Jerónimo de Sousa, Catarina Martins, Mariana Mortágua, Pedro Nuno Santos e Heloísa Apolónia. Houve igualmente um voto para o activista luso-angolano Luaty Beirão, protagonista de uma mediatíssima greve de fome em Luanda, e para Vhils (nome artístico do pintor e grafiteiro Alexandre Farto), escolhido pela Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal como personalidade do ano.

 

Figura nacional de 2010: José Mourinho

Figura nacional de 2011: Vítor Gaspar

Figura nacional de 2013: Rui Moreira

Figura nacional de 2014: Carlos Alexandre

Viva 2015, Venha daí 2016


tralhasdavida,

2014 tinha sido um ano horribilis, de maneira que me lancei a 2015 decidida a fazer uma pega de caras à vida, das que nos dão direito a duas voltas à arena no final do espectáculo e uma saída em ombros.

Não posso ter a pretensão de achar que cheguei efectivamente a sair pela porta grande, até porque vários acontecimentos menos felizes se foram sucedendo durante o ano que passou, mas foi um ano em que cumpri com brio um par de objectivos que estavam dentro da gaveta e que nunca pensei que viessem a ver a luz do dia.

Um deles foi a abertura de uma livraria solidária, que tem crescido a olhos vistos e que não só me dá todos os dias o prazer de estar a trabalhar para uma causa, como me fez conhecer dezenas de pessoas extraordinárias, desde os voluntários que fazem turnos, a pessoas que doam parte do seu espólio livreiro ou outros que não se importam de passar tardes a limpar o pó ou a carregar caixotes. De igual forma, adoro os clientes que já se tornaram amigos ou os que visitam pela primeira vez o espaço e que ficam maravilhados pela boa energia que dali emana. Sinto, por tudo isto, que foi um ano riquíssimo em termos de trabalho e de relacionamento humano.

livraria.png

O outro grande sonho cumprido foi uma viagem ao Peru e à Bolívia, acompanhada por uma irmã e por um grupo de gente cheia de genica e de sentido de humor. Nem consigo explicar como pode ser divertido viajar com uma irmã adulta durante quase três semanas.

grupo salar.JPG

É quase impossível que 2016 me traga dois acontecimentos com este nível de superlatividade. Mas se for um ano de consolidação, já me sinto muito grata. Venham então de lá esses ossos, seu 2016.

Frase internacional de 2014


Pedro Correia,

Barack-Obama-600x375[1].jpg

«Somos todos americanos.»

Barack Obama

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

 

Também mereceu destaque esta frase:

Papa Francisco

………………………………….…………………….. 

 

Frase internacional de 2013: «Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo.» 

Frase nacional de 2014


Pedro Correia,

374770[1].jpg

«Sinto-me mais livre do que nunca.»

José Sócrates

(eleita por maioria, pelo DELITO DE OPINIÃO)

 

Também mereceram destaque estas frases:

Ricardo Salgado

«Salário de 4.800 euros não permite padrões de vida muito elevados em Lisboa.»

António Marinho Pinto

«Não sou Eça de Queirós.»

Jorge Jesus

………………………………………………………… 

 

Frase nacional de 2010: «O povo tem de sofrer as crises como o governo as sofre.»

Frase nacional de 2011: «Estou-me marimbando para os nossos credores.»

Frase nacional de 2013: «Com a apresentação do pedido de demissão, que é irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.» 

Facto internacional de 2014


Pedro Correia,

4e5402a75de17b7e506c0f45a58ff935_article[1].jpg

 

O TERROR DO “ESTADO ISLÂMICO”

Foi um ano de muitas notícias marcantes a nível mundial. Mas, na opinião dos autores do DELITO (13 votos em 26), nenhuma mereceu tanto destaque como o aparecimento de uma nova organização terrorista, autodenominada “Estado Islâmico”, que numa proclamação datada de 29 de Junho de 2014 se afirmou apostada em instaurar um califado mundial. Foi, para nós, o facto internacional do ano.

Sob a bandeira do islamismo radical sunita, esta organização não tardou a espalhar o terror em vastas áreas do Médio Oriente – com destaque para Iraque e Síria – e no leste da Líbia, causando milhares de vítimas entre as minorias étnicas e religiosas A ONU acusa-a de violações sistemáticas dos direitos fundamentais. A Amnistia Internacional aponta-a como responsável de “limpezas étnicas a uma escala inédita” na região.

Durante o segundo semestre do ano, transformou a decapitação de prisioneiros num macabro cartão de visita propiciando chocantes imagens que deram a volta ao mundo, nomeadamente o assassínio dos jornalistas norte-americanos James Foley e Steven Sotloff, do activista pelos direitos humanos britânico David Haines e do guia turístico francês Hervé Gourdel.

Cerca de 60 países estão envolvidos, directa ou indirectamente, no combate a este movimento terrorista que promete causar muito mais vítimas em 2015.

 

O segundo facto internacional de 2014 mais votado foi a guerra na Ucrânia, que se arrastou desde o primeiro trimestre, com Moscovo a estimular o separatismo nas províncias orientais do país. Igual relevo mereceu o descongelamento das relações Cuba-EUA, já muito perto do fim do ano, após mais de cinco décadas de bloqueio diplomático entre Washington e Havana.

A anexação da Crimeia pela Rússia foi outro facto que justificou destaque. Havendo ainda votos isolados para a explosão de gás e petróleo de xisto, o bem-sucedido processo eleitoral na Tunísia e o fenómeno dos banhos de água popularizados nas redes sociais durante o Verão.

 

Facto internacional de 2010: revelações da Wikileaks

Facto internacional de 2011: revoltas no mundo árabe

Facto internacional de 2013: guerra civil na Síria

Facto nacional de 2014


Pedro Correia,

cropped-180778806[1].jpg

 

DERROCADA DO GRUPO ESPÍRITO SANTO

O facto nacional do ano – e talvez até da década – foi, para uma clara maioria de membros do DELITO DE OPINIÃO (15 em 26), a derrocada do Grupo Espírito Santo, que tinha Ricardo Salgado como figura de referência. Um facto que representou também o fim da última dinastia familiar na área financeira em Portugal.

Formalizada a 18 de Julho de 2014, a insolvência do GES – que foi notícia um pouco por todo o mundo – abalou não só a banca portuguesa mas também grande parte do tecido empresarial do País, na medida em que o Banco Espírito Santo era o maior financiador das pequenas e médias empresas portuguesas.

O “buraco” superior a mil milhões de euros detectado nas contas do Grupo – que em 2011 havia recusado um empréstimo posto à disposição da banca portuguesa no âmbito da assistência de emergência ao País – forçou a intervenção do Banco de Portugal, que dividiu os activos financeiros do GES em “banco mau” e “banco bom”, dando este origem ao Novo Banco, entretanto posto à venda perante o aparente interesse de 17 potenciais compradores.

O caso deu origem a um megaprocesso judicial e a uma comissão parlamentar de inquérito que decorrerá pelo menos ao longo do primeiro trimestre de 2015 na Assembleia da República. Nunca os portugueses acompanharam com tanto interesse um caso ligado à alta finança – na certeza de nos dizer respeito um pouco a todos nós.

 

O segundo facto mais votado do ano, embora a larga distância do primeiro (quatro votos), foi a detenção do ex-primeiro-ministro José Sócrates, que irá prolongar-se por 2015. Em terceiro lugar (três votos), a saída da troika e o fim do programa de assistência financeira externa a Portugal.

Houve ainda dois votos na justiça, sem especificação de casos, e votos isolados distribuídos pela mudança de secretário-geral no PS e o aparecimento do jornal digital Observador.

 

Facto nacional de 2010: crise financeira

Facto nacional de 2011: chegada da troika a Portugal

Facto nacional de 2013: crise política de Julho

Figura internacional de 2014


Pedro Correia,

papa-francesco-1[1].jpg

PAPA FRANCISCO

Pelo segundo ano consecutivo, o líder espiritual do mundo católico foi escolhido pelo DELITO DE OPINIÃO como Figura Internacional de maior destaque.

Com índices de popularidade cada vez mais elevados um pouco por todos os continentes, mesmo junto de quem não comunga da fé cristã, o Papa Francisco manteve-se em foco a propósito de vários temas. Rezou pelas vítimas da violência em Jerusalém. Orou ao lado de clérigos muçulmanos na Mesquita Azul, em Istambul. E recebeu nos Jardins do Vaticano, também para uma oração pela paz, os presidentes de Israel e da Autoridade Palestiniana.

Já perto do fim do ano, dirigiu uma mensagem crítica à Cúria Romana que mereceu repercussão universal. Nessa mensagem, denunciou as “quinze doenças” de que padece o corpo eclesiástico do Vaticano, com destaque para aquilo a que Francisco chama “Alzheimer espiritual” – a perda da memória de Deus, sacrificado à idolatria mundana.

O Sumo Pontífice teve também uma intervenção decisiva no desbloqueamento das relações entre os Estados Unidos e Cuba, congeladas desde 1960. Um facto reconhecido, em simultâneo, pelos presidentes Barack Obama e Raúl Castro, que agradeceram o esforço mediador do Papa.

 

A segunda figura internacional do ano mais votada foi o presidente russo, Vladimir Putin, que em Março esteve em foco ao anexar a península da Crimeia, que era parte integrante do território da Ucrânia desde 1954, e fomentar ao longo do ano o separatismo pró-Moscovo na faixa oriental deste país. Criticado por quase toda a comunidade internacional e alvo de severas sanções económicas, o líder russo terminou 2014 a enfrentar uma gravíssima crise do rublo, que caiu para mínimos históricos registados este século, enquanto a inflação disparava e a fuga de capitais contribuía para uma escalada recessiva no país.

Malala Yousafzai, a adolescente paquistanesa ameaçada de morte pelos talibãs, ficou em terceiro lugar na nossa votação por ter sido distinguida com o Prémio Nobel da Paz 2014, partilhado com o activista indiano Kailash Satyarthi. Com apenas 17 anos, foi a mais jovem galardoada de sempre com o Nobel.

Os restantes votos, isolados, foram distribuídos da seguinte forma: o novo Rei de Espanha, Filipe VI, entronizado em 19 de Junho; Pablo Iglesias, líder da formação política Podemos, que irrompeu com êxito na cena política espanhola, recolhendo um milhão de votos nas eleições europeias e ameaçando implodir o sistema bipartidário; o empresário e filantropo chinês Jack Ma; e a pobreza, não personalizada, à escala universal.

 

Figuras internacionais de 2010: Angela Merkel e Julian Assange

Figura internacional de 2011: Angela Merkel 

Figura internacional de 2013: Papa Francisco

Figura nacional de 2014


Pedro Correia,

JDOxZw[1].jpg

CARLOS ALEXANDRE

O juiz que está no centro de todas as atenções, à frente dos mais mediáticos processos de instrução criminal, foi a personalidade eleita como Figura Nacional do Ano pelo DELITO DE OPINIÃO, destacando-se claramente das restantes.

Poucos se lembrarão de uma entrevista dada por este discreto magistrado que tem 53 anos e nasceu em Mação. Mas não é possível ignorar o papel que desempenhou em processos que fizeram e continuam a fazer manchetes, com destaque para o dos vistos dourados – que o levou a deter diversos altos funcionários, incluindo o director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e a secretária-geral do Ministério da Justiça – e o do ex-primeiro-ministro José Sócrates, que conduziu à detenção do antigo chefe do Governo, também por decisão de Carlos Alexandre.

Estes casos surgidos em 2014 deram-lhe particular notoriedade. Mas também lhe trouxeram declarados inimigos. Proença de Carvalho, talvez o mais poderoso advogado português, acusou-o de ser o “herói dos tablóides” e de procurar protagonismo pessoal através do mediatismo dos processos em que intervém. Mário Soares não se coibiu de o criticar abertamente após uma visita a Sócrates no estabelecimento prisional de Évora ao proferir a já célebre frase: «Todo o PS está contra esta bandalheira!»

Com vaias ou aplausos, fica como um dos rostos de uma visível mudança na justiça em Portugal.

 

A segunda figura mais votada pelos 26 autores do DELITO que participaram neste escrutínio foi o banqueiro Ricardo Salgado, que em 2014 deixou de ser o dono disto tudo, como antes lhe chamavam: o grupo empresarial de que era o lider indiscutido ruiu com estrondo este Verão. Em terceiro ficou José Sócrates, que nunca deixou de ser notícia ao longo do ano.

Na quarta posição, ex-aequo, ficaram Cristiano Ronaldo, vencedor da Bota de Ouro e novamente considerado o melhor futebolista do mundo, e Carlos do Carmo, galardoado com um Emmy em 2014.

Houve ainda votos isolados no novo secretário-geral do PS, António Costa, na procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, e no advogado António Marinho Pinto, que emergiu como líder político ao ser eleito deputado europeu, em Maio, fundando mais tarde o Partido Democrático Republicano.

Também o povo português (“que se lixa como o mexilhão”) e a figura do corrupto, sem estar personalizada, receberam um voto cada.

 

Figura nacional de 2010: José Mourinho

Figura nacional de 2011: Vítor Gaspar

Figura nacional de 2013: Rui Moreira