Pontos nos is (7)


jmmcc,

ANEDOTÁRIO

I

«No contexto desta privatização» da EDP, o primeiro-ministro «foi visitar a sede de uma das empresas que agora é concorrente e foi, muito pouco tempo antes, com o Financial Times a dizer que o senhor, a mando da senhora Merkel, lá terá ido promover a participação desta empresa no concurso da privatização». Estas palavras datam de há poucos dias e são do coordenador do BE. Foram proferidas durante o recente debate quinzenal na Assembleia da República, com a presença do Governo no hemiciclo.

Francisco Louçã entendeu desferir assim a acusação implícita de que Pedro Passos Coelho estaria a apadrinhar a entrada dos alemães na EDP. Passos Coelho tinha ido antes à Alemanha e Louçã achava que ele fôra visitar a E.On, interessada na privatização da EDP. Por isso, acusava o primeiro-ministro de se ter prestado a «promover a participação» alemã e desafiava-o a esclarecer, «perante o Parlamento e os portugueses, o que é que foi fazer à sede da E.On, que é agora uma das concorrentes à privatização da EDP».

Na resposta, o primeiro-ministro desmentiu Louçã ao garantir que nunca visitara a sede da E.On e explicou: «É público, porque a reunião foi pública, que quando estive na visita bilateral que realizei a Berlim, ao Governo alemão, o presidente da E.On pediu para ser recebido por mim e eu recebi-o, de resto, numa audiência pública, que conteve comunicação social, em que o presidente da E.On me quis manifestar o interesse directo da empresa na privatização da EDP.»

Referindo-se à apreciação do processo de privatização, Passos Coelho adiantou´que «a decisão que o Governo vier a tomar será tomada em conselho de ministros, depois de receber o relatório que será feito pelos assessores financeiros que estão como advisers da operação a fazer a apreciação das propostas e a negociação que deve ser realizada». E aproveitou para acrescentar frontalmente a Louçã que não devia alimentar «qualquer equívoco» sobre o assunto, porque «não há nada mais transparente do que isto».

II

Na verdade, a decisão foi tomada ontem em conselho de ministros e nada transpirou sobre ela até o Governo a comunicar. A candidata vencedora, como é público, foi a China Three Gorges. Portanto, tal como as restantes concorrentes, também a alemã E.On ficou afastada.

Igualmente afastado ontem esteve Francisco Louçã. Nem uma palavra sobre a lisura do processo que tanta gente se apressou a reconhecer, nem um pedido de desculpas pelas afirmações desbocadas contra Passos Coelho no Parlamento. Nada. Emudeceu repentinamente.

O efeito anedótico dos golpes da retórica de Louçã são ainda mais hilariantes quando nos lembramos da fórmula que ele utiliza sempre: aquela já gasta técnica discursiva da colocação de voz à pároco-de-aldeia-a-fazer-um-sermão-num-funeral, em tom macio e aveludado para não perturbar o sono dos justos, mas acentuando de modo arredondado certas palavras-chave aqui e ali, que parece elevarem-se-lhe da alma em falsa surdina.

Fica-lhe mal, apesar da risota, o triste exemplo de desferir insinuações e acusações que a realidade desmente e depois pôr-se a assobiar para o lado.

Quanto à entrada cíclica do coordenador-mor do BE no anedotário nacional, resta notar que isso só não o afastou (ainda) da coordenação do partido por um motivo: é que cada vez tem menos partido para coordenar.

Natal


jmmcc,

 

Natal é tempo
De alegria, paz e fantasia.
Não interessa
Se recebemos prendas
Ou o carinho da nossa família.
O mais importante é
Estarmos com a nossa
Família toda reunida
Sem esquecer os problemas
Que existem
À nossa volta.

 

Maria João Carvalho

(9 anos)

O Natal no Qatar


jmmcc,

«Duarte Lima estaria de malas aviadas para o Qatar». Tudo indica que se preparava para fugir para um país árabe — possivelmente o Qatar, «que não possui acordos de extradição com Portugal e Brasil» e onde parece que ele já possui património — uma probabilidade que confirma o reconhecido bom gosto do suspeito fugitivo, porquanto aquelas paragens constituem um must pela escolha variada e pelo especial requinte oferecido na época natalícia.

 

 

O Natal no Qatar tanto pode ser passado no bulício da cidade, como na torreira da praia…

 

 

… ou na tranquilidade das regiões rurais, onde sobra tempo para toda a gente se qatar.

É pena


jmmcc,

Muita gente me tem perguntado o que se passa com o caso do Isaltino. Comecei por explicar aquelas coisas todas dos recursos, dos prazos, dos incidentes e tudo o mais que se sabe e ainda o que ninguém sabe. Agora, já na falta de respostas convincentes, decidi passar a dizer que ele está com a pena suspensa. Como não há meio de a Justiça dar um sinal que demonstre que os casos de crime com maior visibilidade não passam de confrontos entre poderes, mais vale dizer que as penas aplicadas são suspensas. Como no caso do Isaltino. É mentira? Claro que não. É verdade. Conhecem mais algum caso em que a pena condenatória esteja mais suspensa do que a dele? Mas é pena. É pena que seja assim num Estado de Direito democrático que se julga civilizado.

A caminho do Natal (que espreita)


jmmcc,

A estas horas estou a caminho do meu Porto-natal.

 

 

Como o Natal espreita, aproveito a deslocação forçada para passar a quadra no velho Porto. Só não prometo aparecer aqui com regularidade. Pode ser que sim, mas não é garantido e sei que me perdoam se não conseguir grande assiduidade.

Entretanto, delituosos, tenham hoje um grande almoço. O próximo tem de voltar a ser jantar, que eu gosto mais.